Lixo zero

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Ecoponto, Campinas - SP (2010)

Lixo zero (do inglês, zero waste) é um conceito que promove o máximo aproveitamento e correto encaminhamento dos resíduos recicláveis e orgânicos. O objetivo é o fim do encaminhamento destes materiais para os aterros sanitários ou incineradores[1]. O processo recomendado é semelhante à forma que os recursos são reutilizados na natureza. Segundo o conceito estabelecido pela ZWIA - Zero Waste International Alliance[2] - Lixo Zero é

Uma meta ética, econômica, eficiente e visionária para guiar as pessoas a mudar seus modos de vidas e práticas de forma a incentivar os ciclos naturais sustentáveis, onde todos os materiais são projetados para permitir sua recuperação e uso pós-consumo.

Hierarquia Lixo Zero (5 R's)[3][edit | edit source]

REPENSAR: O que nos levou ao atual sistema linear de materiais e, portanto, o que precisa evoluir para avançar para um modelo de ciclo fechado? Como redesenhar sistemas para evitar consumo desnecessário e desperdiçador?

REDUZIR: Como reduzir o uso de matéria-prima, particularmente materiais tóxicos?

REUTILIZAR:  Como aproveitar os produtos existentes com foco na retenção de valor e extensão de utilidade e função?

RECICLAR: Como garantir que os materiais voltam ao ciclo biológico ou técnico?

RECUPERAR: O que pode ser recuperado do lixo misto?

Gestão de resíduos sólidos[edit | edit source]

No estudo "What a Waste" de 2012, o Banco Mundial estimou-se que 3 bilhões de habitantes urbanos produziram 1,3 bilhão de toneladas anuais de resíduos sólidos (1,2 kg por pessoa por dia) e a estimativa era que em 2025 sejam atingidos 2,2 bilhões de toneladas produzidos por 4 bilhões de pessoas (1,42 kg/pessoa/dia).[4] A geração de resíduos sólidos urbanos (RSU) é influenciada por vários fatores econômicos, geográficos e culturais. Geralmente, quanto maior o desenvolvimento econômico e a taxa de urbanização, maior a quantidade gerada de RSU. Por exemplo, residentes urbanos produzem cerca de duas vezes mais lixo do que residentes rurais.

As taxas de coleta nas cidades do planeta variam de 41% em países de baixa renda a um máximo de 98% em países ricos[5]. Os métodos e taxas de destinação de RSU também variam significantemente ao redor do mundo. Um exemplo disso do estudo "What a Waste" do Banco Mundial é a comparação entre a situação nos países mais ricos (países da OCDE) e nas regiões mais pobres (África). Apesar de ter populações praticamente iguais, a região da OCDE produz cerca de 100 vezes mais lixo do que da África. Quase 100% do lixo coletado na região da África é destinado a lixões ou aterros, enquanto mais de 60% dos resíduos dos países do OCDE são desviados dos aterros.

Algumas regiões na Europa e na América do Norte se destacam em relação à gestão de resíduos sólidos. Uma cidade pioneira é São Francisco no estado de California (EUA). A Prefeitura de São Francisco estabeleceu em 2002 uma meta de lixo zero[6] e cidade alcançou um recorde de 80% de taxa de desvio do aterro em 2010, a maior taxa de desvio em qualquer cidade da América do Norte.

A situação no Brasil[edit | edit source]

Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), o Brasil gerou 78,3 milhões de toneladas RSU, situando-se quase na média per capita mundial em 2012, ou seja, 1,16 kg/pessoa/dia.[7] O Panorama 2016 também mostrou que 3.326 municípios brasileiros destinaram seus resíduos sólidos para locais impróprios, equivalente a 59,7% dos municípios, e 76,5 milhões de pessoas sofrem os impactos negativos causados pela destinação inadequada dos resíduos.[8]

Florianópolis é uma cidade Lixo Zero pioneira no Brasil. A capital catarinense se comprometeu durante uma reunião promovida pela prefeitura a recuperar 90% dos resíduos orgânicos e 60% dos recicláveis secos até o ano de 2030.[9] O Programa Florianópolis Capital Lixo Zero foi instituído no município pelo DECRETO Nº 18.646, do dia 04 de junho de 2018.[10]

Jurisdições Lixo Zero[edit | edit source]

Vários governos municipais declararam o lixo zero como uma meta, incluindo:

Referências

  1. «ILZB – Conceito Lixo Zero». ilzb.org. Consultado em 19 de julho de 2018 
  2. «Zero Waste International Alliance». zwia.org (em inglês). Consultado em 19 de julho de 2018 
  3. «Zero Waste Hierarchy | Zero Waste International Alliance». zwia.org (em inglês). Consultado em 19 de julho de 2018 
  4. «Urban Development - What a Waste: A Global Review of Solid Waste Management» (PDF). documents.worldbank.org. 2012. Consultado em 25 de julho de 2018 
  5. «Urban Development - What a Waste: A Global Review of Solid Waste Management» (PDF). documents.worldbank.org. 2012. Consultado em 25 de julho de 2018 
  6. «| sfenvironment.org - Our Home. Our City. Our Planet». sfenvironment.org - Our Home. Our City. Our Planet (em inglês). 15 de outubro de 2011 
  7. «Abrelpe - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais». www.abrelpe.org.br. Consultado em 25 de julho de 2018 
  8. «SITUAÇÃO ATUAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL - portalresiduossolidos.com». portalresiduossolidos.com. 25 de março de 2017 
  9. Spitzcovsky, Débora. «Florianópolis se compromete a ser 1ª cidade "Lixo Zero" do Brasil». The Greenest Post 
  10. «Leis Municipais». leismunicipais.com.br. Consultado em 25 de julho de 2018 
  11. «Leis Municipais». leismunicipais.com.br. Consultado em 25 de julho de 2018 
  12. «Chapecó lança o programa lixo zero». Prefeitura de Chapecó. Consultado em 12 de abril de 2019 
  13. SAPO. «Sem carros e sem lixo: conheça Masdar, a cidade do futuro - SAPO Viagens». SAPO Viagens 
  14. GreenNation. «São Francisco é a cidade que mais recicla nos EUA» 
  15. «CAPANNORI RESÍDUO ZERO EM 2020». Aliança Resíduo Zero Brasil. 27 de julho de 2015 
  16. «Kamikatsu, uma cidade sem lixo». Colabora. 7 de junho de 2018 

Ver também[edit | edit source]

Ligações externas[edit | edit source]