Llibre dels feyts

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Llibre dels feyts
Cópia de 1619

O Llibre dels feyts ou Llibre dels feits (em português Livro dos feitos do rei Jaime, em catalão moderno, Llibre dels fets), de título completo Llibre dels feyts del rei en Jacme, também denominado Crônica de Jaime I, é a primeira das denominadas quatro grandes crônicas da Coroa de Aragão.

É provável que a conquista de Maiorca (1229) impulsionasse a sua redação. Jaime I faleceu em 1276, pelo qual a obra devia estar praticamente acabada pouco antes. Porém, as cópias conservadas são posteriores (o manuscrito mais antigo conservado é de 1343).

Peculiaridades[editar | editar código-fonte]

O título é significativo, pois não é uma "crônica" mas um "livro dos fatos". Os estudos realizados na década de 1980 concluíram que se trata de um livro que não pertence a nenhum gênero conhecido e que está fortemente influenciado pela linguagem oral: está redigido desde a oralidade. O autor (Jaime I) não o escreve, pois Jaime I era illiteratus, não sabia escrever, embora fosse um homem culto.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

A crônica narra, de modo autobiográfico, a vida e as gestas mais importantes do rei, especialmente as conquistas de Maiorca e de Valência. A história começa com o seu nascimento e termina com a sua morte (de 1208 a 1276). Alguém proposto por ele realizou o prólogo e o epílogo; tanto pela erudição como pela sua perfeição estilística, este prólogo deveu ser realizado por alguém de cultura superior e uma vez o rei já tinha morto.

O conquistador foi explícito ao expressar a finalidade das suas "memórias":

Argumento[editar | editar código-fonte]

O conteúdo pode ser dividido em quatro partes:

  • Entre 1208 e 1228: explicam-se um conjunto quando pequenos conflitos que ocorreram na sua primeira idade, enquanto os templários cuidavam da sua formação (o engendramento quase milagroso de Jaime I, a morte de Pedro II de Aragão em Muret e o casamento de Jaime com Leonor de Castela entre outros).
  • De 1229 a 1240: é a parte mais entretida do Llibre dels feyts. Narra a conquista de Maiorca. Posteriormente chegaria a conquista de Valência. O livro tenta demonstrar que todos estes fatos foram bem sucedidos porque o rei contava com o favor divino.
  • De 1240 a 1265: os fatos narrados são menos dinâmicos. Narra os conflitos com os muçulmanos rebeldes de Valência.
  • De 1265 a 1276: volta o dinamismo e as narrações bélicas, novamente contra os muçulmanos. Ocorre a conquista de Múrcia. Adicionalmente, aparecem numerosos episódios de política interna que pretendem justificar os seus atos. Os últimos capítulos, que narram a doença que levou à morte de Jaime I, foram redigidos por alguma outra personalidade que quis incorporar a morte do monarca à crônica.

Linguagem e estilo[editar | editar código-fonte]

A intenção didática e justificativa, bem como o sentimento religioso, refletem-se ao longo de toda a crônica. O rei, que gosta de aparecer como um heroi de epopeia, nem sempre faz história militar e política, senão muitas vezes mostra os pequenos fatos da sua vida e os rincões mais íntimos da sua personalidade.

Utiliza-se uma linguagem viva e popular (provérbios, ditos e expressões coloquiais, uso da primeira pessoa do plural...) e da língua própria de cada um dos personagens: vários romances (peninsulares —catalão, castelhano ou aragonês— ou ultra-pirenaicos —occitano ou francês—) ou o árabe.

Versão "dos vencidos"[editar | editar código-fonte]

É notável que haja uma versão muçulmana contemporânea que refira os mesmos fatos: a Tarij Majurqa (História de Maiorca) de Ibn Amira.[2]

Referências

  1. Tradução: "E diz o meu Senhor São Jaime que a fé, sem obras, morta é. Esta palavra cumpriu Nosso Senhor nos nossos fatos.". Jaime I de Aragão, El llibre dels feits.
  2. Até faz pouco era considerada perdida: em 2001 o professor Muhammad ben Mamar identificou um único exemplar (26 páginas escritas por ambas as caras) numa biblioteca de Tindouf, que foi editado recentemente pelo historiador Guillem Rosselló-Bordoy e o arabista Nicolau Roser. Historia National Geographic, março de 2009, pg. 8.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]