Lombalgia

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Lombalgia
A lombalgia é uma condição comum que afeta a região lombar das costas.
Classificação e recursos externos
CID-10 M54.5
CID-9 724.2
MedlinePlus 007422 007425
eMedicine pmr/73
MeSH D017116
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Lombalgia ou dor lombar baixa é um distúrbio comum do sistema músculo-esquelético que envolve os músculos, nervos e ossos das costas e que causa dor na região lombar. A dor é de intensidade variável, desde um desconforto constante até dor súbita e intensa.[1] A lombalgia pode ser classificada de acordo com a duração em aguda (dor com duração inferior a seis semanas), sub-crónica (6 a 12 semanas) ou crónica (mais de 12 semanas).[2] Pode também ser classificada de acordo com a causa subjacente em mecânica, não-mecânica ou por dor referida.[3] Os sintomas de dorsalgia geralmente melhoram algumas semanas após o seu aparecimento. Entre 40 a 90% das pessoas recuperam por completo no prazo de seis semanas.[4]

Na maior parte dos episódios de dorsalgia não é necessário identificar uma causa específica, dado que a dor tem geralmente origem em problemas mecânicos como entorse dos músculos ou das articulações.[1][5] Quando a dor não desaparece com tratamento conservador ou é acompanhada de outros sintomas e sinais de alerta como perda de peso, febre ou problemas significativos de sensibilidade ou movimento, podem ser necessários exames complementares para diagnosticar uma causa subjacente mais grave.[3] Algumas dorsalgias são causadas por lesões nos discos intervertebrais, podendo ser identificadas pelo sinal de Lasègue.[3] Em pessoas com dor crónica, podem ocorrer distúrbios no sistema que processa a dor, causando grande quantidade de dor em resposta a situações sem gravidade.[6] Na maior parte dos casos, exames imagiológicos como a tomografia computorizada não têm utilidade e apresentam alguns riscos.[7][8] No entanto, o recurso a imagiologia tem vindo a aumentar.[9]

É recomendado que o tratamento inicial tenha por base a atividade física e não seja baseado em fármacos.[10] A pessoa é aconselhada a manter as atividades do dia-a-dia tanto quanto a dor permita.[4] Quando o tratamento inicial não é eficaz, é recomendada a administração de anti-inflamatórios não esteroides.[10][11] Estão também disponíveis outras opções para pessoas que não melhoram com os tratamentos mais comuns. Os opióides podem ser eficazes quando a medicação mais simples não é suficiente, embora não sejam geralmente recomendados devido aos seus efeitos secundários.[1][11] A cirurgia pode ser benéfica em pessoas cuja dor tenha origem nos discos intervertebrais ou em estenose espinhal.[12][13] No entanto, não existem benefícios claros para outros casos de lombalgia não específica.[12] A dorsalgia causa frequentemente problemas emocionais, o que pode ser gerido com recurso a aconselhamento psociológico ou antidepressivos.[11][14] Existem ainda várias terapias de medicina alternativa, incluindo a Técnica de Alexander e plantas medicinais, embora não existam evidências suficientes para que possam ser recomendadas com segurança.[15] As evidências da eficácia da quiropraxia[16] e da manipulação vertebral são contraditórias.[15][17][18][19]

A dorsalgia é extremamente comum. Em qualquer momento no tempo, a condição afeta cerca de 9 a 12% de todas as pessoas no mundo (632 milhões). Cerca de 25% das pessoas afirma ter tido pelo menos um episódio no mês anterior ao questionário.[20][21] Estima-se que cerca de 40% de todas as pessoas no mundo tenham tido ou venham a ter pelo menos um episódio de dorsalgia em algum momento da vida.[20] Nos países desenvolvidos, a estimativa é de 80% das pessoas.[22] A condição afeta de igual forma homens e mulheres.[1] Os primeiros episódios manifestam-se geralmente entre os 20 e 40 anos de idade.[5] A condição é mais comum nas pessoas entre os 40 e 80 anos de idade, sendo expectável que a incidência aumente à medida que a população vai envelhecendo.[20]

Referências

  1. a b c d «Low Back Pain Fact Sheet». National Institute of Neurological Disorders and Stroke. 3 de novembro de 2015. Consultado em 5 de março de 2016. Cópia arquivada em 4 de março de 2016 
  2. Koes BW, van Tulder M, Lin CW, Macedo LG, McAuley J, Maher C (dezembro de 2010). «An updated overview of clinical guidelines for the management of non-specific low back pain in primary care.». European Spine Journal. 19 (12): 2075–94. PMC 2997201Acessível livremente. PMID 20602122. doi:10.1007/s00586-010-1502-y 
  3. a b c Manusov EG (setembro de 2012). «Evaluation and diagnosis of low back pain». Prim. Care. 39 (3): 471–9. PMID 22958556. doi:10.1016/j.pop.2012.06.003 
  4. a b Menezes Costa Lda, C; Maher, CG; Hancock, MJ; McAuley, JH; Herbert, RD; Costa, LO (7 de agosto de 2012). «The prognosis of acute and persistent low-back pain: a meta-analysis.». CMAJ : Canadian Medical Association Journal. 184 (11): E613-24. PMC 3414626Acessível livremente. PMID 22586331. doi:10.1503/cmaj.111271 
  5. a b Casazza, BA (15 de fevereiro de 2012). «Diagnosis and treatment of acute low back pain». American family physician. 85 (4): 343–50. PMID 22335313 
  6. Salzberg L (setembro de 2012). «The physiology of low back pain». Prim. Care. 39 (3): 487–98. PMID 22958558. doi:10.1016/j.pop.2012.06.014 
  7. «Use of imaging studies for low back pain: percentage of members with a primary diagnosis of low back pain who did not have an imaging study (plain x-ray, MRI, CT scan) within 28 days of the diagnosis». Agency for Healthcare Research and Quality. 2013. Consultado em 11 de junho de 2013. Cópia arquivada em 4 de outubro de 2013 
  8. Chou, R; Fu, R; Carrino, JA; Deyo, RA (7 de fevereiro de 2009). «Imaging strategies for low-back pain: systematic review and meta-analysis.». Lancet. 373 (9662): 463–72. PMID 19200918. doi:10.1016/S0140-6736(09)60172-0 
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