Louis Agassiz

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Louis Agassiz
Paleontologia, glaciologia, geologia, história natural
Nacionalidade Suíça Suíço
Nascimento 18 de maio de 1807
Local Môtier
Morte 14 de dezembro de 1873 (66 anos)
Local Cambridge
Atividade
Campo(s) Paleontologia, glaciologia, geologia, história natural
Alma mater Universidade de Erlangen-Nuremberg
Conhecido(a) por Expedição Thayer
Prêmio(s) Medalha Wollaston (1836), Medalha Copley (1861)
Assinatura
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Jean Louis Rodolphe Agassiz (Môtier, 18 de maio de 1807Cambridge, 14 de dezembro de 1873) foi um zoólogo, geólogo suíço, notório por sua Expedição Thayer.

Vida[editar | editar código-fonte]

Louis Agassiz nasceu em Môtier na parte francesa da Suíça.O início da sua educação começou em casa, seu Pai era Pastor e planejava que Agassiz também fosse, seguido de quatro anos numa escola secundária em Bienne (alemão Biel), completou os seus estudos elementares na academia de Lausanne. Estudou nas universidades de Erlangen onde recebeu o grau de doutor em Filosofia, foi doutor em medicina pela Universidade de Munique ambas na Alemanha, juntamente com os biólogos alemães Lorenz Oken e Inácio Dollinger. Na Suíça estudou na Universidade de Zurique.

Mudou-se para Paris e ficou sobre a tutela de Alexander von Humboldt e de Georges Cuvier, que o lançaram nas suas carreiras da Geologia e do Zoologia respectivamente. Até esta altura ele não prestava nenhuma atenção especial ao estudo da Ictiologia, a qual se transformou na grande ocupação de sua vida, ou pelo menos na área em que atualmente é mais recordado.

Foi casado duas vezes, com sua primeira esposa teve três filhos Pauline, Ida e Alexander Agassiz, quando ficou viúvo casou-se novamente com Elizabeth Cabot Cary em 1850 em Boston.

Obra[editar | editar código-fonte]

Em 1819-1820, Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius participaram de uma expedição ao Brasil, e levaram para a Europa uma coleção de peixes de água doce, especialmente do Rio Amazonas. Spix morreu em 1826 e não teve tempo para estudar os peixes, sendo Agassiz escolhido por Martius para esta finalidade. Agassiz descobriu nos trabalhos paleontológicos a necessidade de uma nova base de classificação ictiológica. Os fósseis não exibiam quaisquer vestígios de tecidos, consistindo principalmente de dentes, escamas e nadadeiras, até mesmo ossos perfeitamente preservados em poucos casos. Ele classificou e dividiu em quatro grupos de peixes: Ganoides, Placoides, Cycloides e Ctenoides, com base na natureza das escamas e outros apêndices dérmicos.

Em 1832 foi nomeado professor de história natural na Universidade de Neuchâtel na Suíça, onde trabalhou por 13 anos em muitos projetos de paleontologia, sistemática e glaciologia. Lá planejou a publicação do seu livro Recherches sur les poissons fossiles ("Pesquisa sobre peixes fósseis") entre 1833 e 1843. Em 1836 lhe foi atribuída a medalha Wollaston por seu trabalho em ictiologia fóssil, e em 1838 ele foi eleito membro estrangeiro da Royal Society. Em 1837, publicou uma monografia sobre o recente fóssil Echinodermata, sendo a primeira parte publicada em 1838, a segunda em 1839, e no ano seguinte terminou seu artigo sobre os equinodermos fósseis da Suíça, com o titulo Etudes Critiques sur les Mollusques Fossiles ("Estudos Críticos sobre Fósseis de Moluscos“). Em 1841 publicou com George Gardner um texto sobre peixes fósseis da bacia do Araripe, Ceará.

Em outubro do ano 1846, Agassiz chegou aos Estados Unidos com o objetivo de investigar a história natural e a geologia da América do Norte. Foi convidado por J. A. Lowell para fazer 12 palestras sobre “O Plano de Criação como Mostrado no Reino Animal”, no Instituto Lowell, em Boston, Massachusetts. O bom resultado das palestras no Instituto precipitou a criação da Escola Científica Lawrence na Universidade de Harvard em 1847. Agassiz foi nomeado por Harvard professor de zoologia e geologia. Em 1859, fundou o Museu de Zoologia Comparada, o primeiro edifício construído com financiamento público nos Estados Unidos para propósitos cientificos, e ainda hoje um museu de história natural líder em pesquisa sobre diversidade biológica. Agassiz foi diretor do museu até a sua morte em 1873. Durante sua gestão em Harvard, pesquisou, entre outras coisas, o início dos efeitos da última Idade do Gelo na América do Norte.

Em 1865 Agassiz veio para o Brasil comandando a Expedição Thayer, que saiu de New York e passou pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais, Nordeste do Brasil e Amazônia. Aqui fez estudos sobre os mestiços brasileiros. Agassiz julgava os negros inferiores e considerava a miscigenação um fator de degeneração da humanidade – fruto da criação divina. O naturalista pretendia comprovar, observando escravos e seus descendentes, que negros e brancos, pertencentes a raças diferentes, não podiam habitar o mesmo espaço. Para o Brasil daquela época, os negros eram incapazes de se civilizar, e deveriam se manter apartados da civilização, se contrapondo dos Estados Unidos. Encontrando os escravos, ele fotografou dezenas de pessoas nuas em cidades como Rio de Janeiro e Manaus, didaticamente arranjadas para representarem a veracidade de suas teorias. Uma coleção de suas fotografias tiradas no Brasil estão arquivadas no Peabody Museum em Harvard. Nesse sentido, sua viagem ao Brasil, tornou a Amazônia uma espécie de laboratório de estudos sobre a mestiçagem brasileira e pretendeu fortalecer o campo político da elite norte-americana que pregava a segregação dos negros. Ele diz, explicitamente: “Aqueles que põem em dúvida os efeitos perniciosos da mistura de raças e são levados, por falsa filantropia, a romper todas as barreiras colocadas entre elas deveriam vir ao Brasil”. Para ele, a cadeia dos seres vivos estava organizada segundo uma linha hierárquica de ordem complexa crescente, os seres supostamente menos evoluídos sendo condenados à inferioridade eterna.

Agassiz seria o que hoje se chamaria um Criacionista. Era adepto da poligenia, a ideia de que as raças foram criadas separadamente, que se classificariam com base em zonas climáticas específicas, e seriam dotadas de atributos distintos – ideias hoje consideradas dentro do racismo científico. Agassiz nunca apoiou a escravidão, afirmando que suas ideias sobre a poligenia não tinham nenhuma relação com a política. Sofreu influência do idealismo filosófico e da obra científica de Georges Cuvier. Para Assiz, espécies e gêneros eram ideias na mente de Deus; essa existência na mente de Deus antes de sua criação física significaria que Deus teria criado os seres humanos como uma única espécie, porém em diversos atos de criação distintos e separados geograficamente. Segundo o historiador da Igreja Paul Blowers, Agassiz acreditava que havia apenas uma espécie humana, porém com várias raças diferentes criadas.

Publicações[editar | editar código-fonte]

  • Recherches sur les poissons fossiles (Pesquisa Sobre Os Peixes Fósseis) 1833-1843;
  • Histoire des poissons d'eau douce d'Europe central (Historia dos peixes de água doce da Europa Central) 1839-1842;
  • Études sur les glaciers, (Estudo Sobre Geleiras) 1840;
  • Études critiques sur les mollusques fossiles, (Estudos Críticos Sobre Fosseis de Moluscos) 1840-1845;
  • Nomenclator Zoologicus - De l'espèce et de la classification en zoologie, 1842-1846;
  • Monographie des poissons fossiles du Vieux Grès Rouge, ou Système Dévonien des Îles Britanniques et de Russie, (Monografia de peixes fósseis do Velho Arenito Vermelho ou Sistema Devoniano das Ilhas Britânicas e da Rússia) 1844-1845;
  • Bibliographia Zoologiae et Geologiae,1848;
  • Lake Superior: Its Physical Character, Vegetation and Animals, compared with those of other and similar regions, - Boston: Gould, Kendall and Lincoln, (Lago Superior: Seu Caráter Fisico, Vegetação e animais, em comparação de outras regiões similares), 1850;
  • The classification of insects from embryological data - Metcalf, Cambridge, (A Classificação de insetos a partir de dados embriológicos), 1850;
  • Contributions to the Natural History of the United States of America (Contribuições para a História Natural dos Estados Unidos da América), 1847-1862;
  • A Journey in Brazil, (Uma Viagem ao Brasil) 1868.

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Grinberg, Keila; Departamento de História. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Revista Ciência Hoje, Publicado em 11/12/2009.
  • Lurie, Edward, Louis Agassiz: A Life in Science ( Imprensa da Universidade Johns Hopkins , 1988) ISBN 0-8018-3743-X
  • Gaspar, Lúcia. Viajantes em terras brasileiras - Documentos existentes no acervo da Biblioteca Central Blanche Knopf. Fundação Joaquim Nabuco. Recife.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Louis Agassiz


Precedido por
Gideon Mantell
Medalha Wollaston
1836
Sucedido por
Proby Thomas Cautley e Hugh Falconer
Precedido por
Robert Bunsen
Medalha Copley
1861
Sucedido por
Thomas Graham



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