Lourenço José Boaventura de Almada

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Lourenço de Almada, veja Lourenço de Almada (desambiguação).
Lourenço José Boaventura de Almada Cirne Peixoto
Nascimento 14 de junho de 1758
Lisboa
Morte 11 de maio de 1814 (55 anos)
Lisboa
Ocupação tenente-coronel, deputado do Conselho e Mestre-sala da Casa Real

Lourenço José Boaventura de Almada Cirne Peixoto[1] (14 de junho de 175811 de maio de 1814),[1] fidalgo do Conselho, (13.º representante do título condado de Avranches), foi o 1.º conde de Almada criado por D. Maria I, por despacho de 29 de Abril de 1793, confirmado por carta de 4 de Maio de 1793[2], a seu favor e dos seus descendentes[3].[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Fidalgo da Casa Real e grande Proprietário,[1] exerceu os cargos de mestre-sala da Casa Real[4], de deputado da Junta dos Três Estados[1] e de presidente da Junta da Administração e Arrecadação da Real Fazenda.

Era senhor dos Lagares d'El-Rei, 11.º senhor de Pombalinho e foi, na Ordem de Cristo, alcaide e comendador de Proença-a-Velha, comendador de São Miguel de Acha e de São Vicente de Vimioso.

Ascendeu ao posto de tenente-coronel de cavalaria[5] e, tal como seu pai, preencheu o lugar de capitão-general dos Açores, do qual foi o terceiro (D. Antão havia sido o 1.º capitão-general dessa mesma Capitania Geral dos Açores). Nomeado a 15 de Julho de 1795[6], mas apenas desembarcou em Angra a 6 de Novembro de 1799[1] "e nesse mesmo dia houve posse"[7].

Na sua ida para os Açores, foi acompanhado pela esposa, a qual faleceu de parto na noite de 22 para 23 de Novembro de 1801, aquando do nascimento do seu filho primogénito que viria a ser o 2.º conde de Almada. Em Outubro de 1804[8][1] ou 1805 com a chegada do seu sucessor partiu para Lisboa[9], possivelmente no mesmo bergantim ilustrado com seu título nobiliárquico, chamado "Conde de Almada", que anos antes tinha trazido daí a vacina contra o "o contágio das bexigas" que grassava estas ilhas.

Conta Afonso de Ornelas, na sua pesquisa que fez sobre sobre esta família, que: "de volta dos Açores, já no desempenho do cargo de deputado da Junta dos Três Estados, quando da 1.ª invasão francesa, em 1808, com aquele fôlego patriótico de que os Almadas foram autêntico símbolo e que sempre se manifestou quando a independência da Pátria estava em perigo, revoltou-se contra o desejo de muitos que queriam agradecer a Napoleão a forma como tinha recebido uma Deputação portuguesa que o foi cumprimentar a Baiona, como pedir vergonhosamente que enviasse a Portugal um seu Príncipe para Regente[10]".

Foi o primeiro a utilizar aquele que é hoje conhecido por Palácio dos Capitães-Generais, em Angra do Heroísmo, para seus aposentos e para os serviços que prestava para a referida capitania dos Açores.

Há igualmente notícia que tinha sido cavaleiro tauromáquico. Nomeadamente que terá actuado sozinho num dos dias compreendidos entre 11 de Agosto a 25 de Outubro de 1787 a quando de uma grande festa real organizada nessa mesma cidade[11].

Seguindo a tradição familiar de "apoio social cristão aos mais necessitados", vemo-lo como irmão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e, tal como seu pai, a exercer a função de mordomo dos presos para a mesma, em 26 de Agosto de 1786[12].

Segundo Oliveira Marques, terá sido denunciado em 1809 como tendo sido iniciado na Maçonaria em data desconhecida e com nome simbólico desconhecido, e, nela pertencido à Loja Amizade, de Lisboa[13][14], depois afecta ao Grande Oriente Lusitano[1].

Dados genealógicos[editar | editar código-fonte]

D. Lourenço José Boaventura de Almada,[15] 1.º Conde de Almada, 13º conde de Abranches.

Nasceu em Lisboa em 14 de Julho de 1758 (dia de S. Boaventura), na sua Quinta dos Lagares d' El-Rei, que nessa altura pertencia à freguesia dos Anjos e na qual foi baptizado a 10 de Agosto (dia de S. Lourenço).

Morreu em Lisboa, no seu "Palácio do Rossio" (hoje Palácio da Independência), em 11 de Maio de 1815. Foi sepultado no dia seguinte debaixo do altar da Nossa Senhora das Dores, no Convento da Graça (Lisboa), em jazigo de família[16] que já devia vir de seus antepassados desde o tempo de Lopo Soares de Alvarenga.

Filho de:

  • D. Antão de Almada (14º senhor de Lagares d´El-Rei) e de sua prima, D. Violante Josefa de Almada Henriques (11ª condessa de Avranches e 10ª senhora de Pombalinho), filha de D. Lourenço de Almada (9º senhor de Pombalinho).

Casou, na freguesia da Ajuda (Lisboa), em 2 de Maio de 1786, com:

Tiveram:

Precedido por
novo título
Brasão d´armas de conde de Almada e Abranches
1793 - 1815
Sucedido por
Antão José Maria de Almada

Referências

  1. a b c d e f g h António Henrique Rodrigo de Oliveira Marques. Dicionário de Maçonaria Portuguesa. [S.l.: s.n.] pp. Volume I. Coluna 42 
  2. (D.) LOURENÇO DE ALMADA, ANTT, Registo Geral de Mercês de D. Maria I, liv. 22, f. 249
  3. Conde de Almada, Lourenço de Almada, «Figura Notável no Tempo dos Franceses, D. Lourenço José Boaventura de Almada», Lisboa, 1973, pág. 3
  4. Alvará. Mestre Sala da Casa Real, Registo Geral de Mercês de D. Maria I, liv. 16, f. 315
  5. Consta do texto do despacho da mercê do título de Conde de Almada, em 4 de Maio de 1793, assinado pelo secretário de estado dos negócios do Reino em nome da Rainha.
  6. Carta Patente de Governador Capitão Geral das Ilhas dos Açores a D. Lourenço de Almada, Conde de Almada. 15/07/1795. D. Maria I, Lv. 27, fl. 366, Alguns núcleos documentais relacionados com os arquipélagos dos Açores e da Madeira existentes em arquivos e bibliotecas de Lisboa, Isabel Branquinho
  7. Francisco Ferreira Drummond, Anais da Ilha Terceira, Tomo III, Capítulo IV
  8. 1804, Junho, 7 - Outubro, 27, Lisboa. OFÍCIO do secretário de estado da Marinha e Ultramar, visconde de Anadia (João Rodrigues de Sá e Melo Meneses e Souto Maior), ao oficial maior de sua secretaria, João Filipe da Fonseca, mandando passar portaria para o desembarque da família do conde de Almada. - Torre do Tombo, AHU_CU_Reino, Cx. 295, pasta 16.
  9. Francisco Ferreira Drummond, Anais da Ilha Terceira, Tomo III, Capítulo V
  10. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 26
  11. Bibliotheca Historica de Portugal e seus Dominios Ultramarinos, na Typographia .. do Arco do Cego, 1801, página 312-313
  12. Catálogo de Decretos, Avisos e Ordens (séc. XVI e XIX), Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Arquivo Histórico, 2011
  13. A. H. de Oliveira Marques, «História da Maçonaria em Portugal», Vol. I (Das Origens ao Triunfo), pág. 403, retirada a informação no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT): Intendência Geral da Policia, Papeis Diversos, 584, 22.
  14. A. H. de Oliveira Marques, «Dicionário de Maçonaria Portuguesa», Vol. I, A-I, Editorial Delta, Lisboa, 1986, pág. 42
  15. Conde de Almada, Lourenço de Almada, «Figura Notável no Tempo dos Franceses, D. Lourenço José Boaventura de Almada», Lisboa, 1973, pág. 3, 5,
  16. "Livro para lembrança dos enterros dos seculares, e das covas em que são sepultados, que pertenceu ao Convento da Graça, de Lisboa".
  17. Resenha das familias titulares do Reino de Portugal acompanhada das noticias biographicas de alguns individuos das mesmas familias, por João Carlos Feo Cardozo de Castello Branco e Torres e Manuel de Castro Pereira de Mesquita, na Imprensa Nacional, 1838, pág. 17
  18. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 37.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Segundo alguns, também foi conde de Avranches ou Abranches, tal como tinham sido seus antepassados, apesar de representar a varonia Vaz de Almada e Abranches e o respectivo título nobiliárquico.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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