Lucas de Portugal

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Lucas de Portugal, deputado do Conselho dos três estados[1], mestre-sala da corte de Afonso VI[2] (alvará de 12 de Abril de 1652[3]), alcaide-mor[4] e comendador de Fronteira na Ordem de Avis[5] e do prazo de Alvarinha[6].

Tornou-se notável como homem de "espirituoso" tanto "nos seus ditos, e mais que tudo nos equívocos e apodos[7]" que foram publicados por Supico de Morais na sua colecção de vários apotegmas[8][9].

“«D. Lucas de Portugal foy Fidalgo muy discreto, e cortesão: Teve muyta graça nos seus ditos, e mais que tudo nos equívocos e apodos. ..., he de saber que foy Mestre-Sala de Palacio, pouco venturoso, pobre, mas pela sua galantaria muy bem quisto, principalmente das Damas do Paço. O que mais o tentava era quando Ihe não fallavão por Senhoria, que sem duvida se não davao tão baratas como hoje.» - Collecção Moral de Apothegmas ou Ditos Agudos, e Sentenciosos, por Pedro José Suppico de Moraes, impressor do Santo Oficio Francisco de Oliveyra, parte II, Coimbra, 1761. «Entre os mais judiciosos varões que respeitou o seu tempo mereceo a primazia na prompta de agudeza dos apothegmas, e ditos sentenciosos que tem meditado estudo proferia conforme a matéria em que se praticava, sendo todos regulados com tanta madureza, que athe os joviais não degeneravão em pueris.» - Bibliotheca Lusitana, Volume 3, Diôgo Barbosa Machado, Atlântida Editora, 1752, pág. 43[10]

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Essa "tradição" ou "escola" já veria detrás pois em 1670 publicou a obra de seu pai, Arte de Galanteria e Divinos y humanos versos[8][11].

Pela sua importância e característica do seu cargo, foi um dos nove fidalgos que foram escolhidos por Filipe II de Portugal para acompanharem os supostos "restos mortais" de D. Sebastião de Silves ao convento de Belém (mosteiro dos Jerónimos?)[4]. Na altura viveria no palácio de seu sogro em Condeixa-a-Nova e para este fúnebre acto fê-lo na companhia de dois companheiros de armas que tinham estado em Alcácer Quibir, os seus cunhados que moravam consigo - D. Lourenço Soares de Almada e Henrique Correia da Silva[12][13].

Próximo da Casa Real Portuguesa, após a Restauração da Independência de Portugal, foi uma das testemunhas do testamento da Rainha D. Luísa de Gusmão, levou o seu caixão do quarto onde havia falecido até à sala onde decorreria o velório e encarregou-se da responsabilidade cerimonial das exéquias[14].

Concluiu a actual Igreja Matriz de Fronteira, uma obra iniciada a mando de seu pai[15].

Era amigo particular do grande D. Francisco Manuel de Melo[9].

Dados genealógicos[editar | editar código-fonte]

Filho de:

Casou com:

Pais de:

Referências

  1. Bibliotheca lusitana, na qual se comprehende a noticia dos authores portuguezes, por Diogo Barbosa Machado e Bento José de Souza Farinha, 1787, pág. 22
  2. Historia geral de Portugal, e suas conquistas, Damião António de Lemos Faria e Castro, pág. 141, 1804
  3. (D.) Lucas de Portugal, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 23, f. 201v-202, ANTT
  4. a b c d e «Gorjão Henriques», por Nuno Gorjão Henriques e Miguel Gorjão-Henriques, 1.a Edição, 2006, Volume I, pág. 542
  5. Aviso para D. Lucas de Portugal enviando-lhe um papel da forma que sua majestade queria ser servido no quarto do forte, Manuscritos da Livraria, n.º 167 (205), ANTT
  6. António Carvalho da Costa, Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, na Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1708, pág. 60
  7. Collecção Moral de Apothegmas ou Ditos Agudos, e Sentenciosos, por Pedro José Suppico de Moraes, impressor do Santo Oficio Francisco de Oliveyra, Coimbra, 1761, parte II, pág. 424
  8. a b c Bibliotheca Lusitana, Volume 3, Diôgo Barbosa Machado, Atlântida Editora, 1752, pág. 43
  9. a b Portugal (D. Lucas de), Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume V, pág. 1013, Edição em papel João Romano Torres - Editor, 1904-1915, Edição electrónica por Manuel Amaral, 2000-2010
  10. [1]
  11. Arte de Galanteria. Escreviòla D. Francisco de Portugal. Oferecida a las Damas de Palacio por D. Lucas de Portugal, Biblioteca Nacional de Portugal
  12. Código Alcobacense n.º 459 (ant.º) e 126 (mod), na Biblioteca Nacional de Lisboa, refere o Conde de Almada, em Relação dos Feitos de D. Antão Dalmada, edição de 1940
  13. Coisas Que Poucos Sabem, Henrique Salles da Fonseca, Elos Clube de Lisboa, 19 de Julho de 2011
  14. O Cerimonial na Construção do Estado Moderno, Portugal no concerto europeu (1640-1704), João Camilo Costa, Mestrado em História, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Departamento de História, 2013, pág. 55
  15. Igreja de Nossa Senhora da Atalaia, matriz de Fronteira, IGESPAR