Luigi Riva

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Luigi Riva
Informações pessoais
Nome completo Luigi Riva
Data de nasc. 7 de novembro de 1944 (73 anos)
Local de nasc. Leggiuno, Flag of Italy (1861-1946).svg Itália
Altura 1,80 m
Apelido Gigi, rombo di tuono ("ronco de trovão")
Informações profissionais
Clube atual Aposentado
Posição Atacante
Clubes de juventude
Itália Legnano
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1962-1963
1963-1976
Itália Legnano
Itália Cagliari
26 (6)
315 (170)
Seleção nacional
1965-1974 Flag of Italy.svg Itália 50 (40)

Luigi Riva (Leggiuno, 7 de novembro de 1944) é um ex-futebolista italiano que atuava como atacante.

Considerado um dos maiores atacantes italianos da história. Campeão europeu pela Itália em 1968, disputou a Copa do Mundo de 1970 e a Copa do Mundo de 1974. É o maior artilheiro da Seleção Italiana, com 35 gols em 42 jogos.[1] Seus chutes com a canhota eram devastadores e ficaram conhecidos como rombo di tuono, "ronco do trovão".[2]

No campeonato italiano, marcou 168 vezes, um verdadeiro feito na época mais retrancada do futebol do país.[1] É um símbolo da pequena equipe do Cagliari, clube onde é o maior artilheiro da história[3], com a qual foi três vezes artilheiro da Serie A e campeão em 1970, além de também ter sido presidente. Sua frase mais famosa é:

Carreira em clubes[editar | editar código-fonte]

Nasceu em uma família humilde em uma pequena cidade italiana.[1] Aos dezesseis anos, com a morte de mãe (perdera o pai aos nove), teve de cuidar sozinho das duas irmãs mais novas.[1] Daí surgiu sua obsessão por vencer: complementava o emprego de eletricista jogando por uma equipe amadora, ganhando por ela três dólares desde que vencesse a partida.[1] Apesar dos esforços, uma das irmãs faleceu de leucemia.[1] A outra ficou paralítica após um acidente automobilístico.[1] Riva, não deixando transparecer abalos, ficaria conhecido como "homem do lago" por sua introspecção.[1]

Pôde dedicar-se exclusivamente ao futebol quando foi aceite no Legnano, equipe profissional da Serie C1. Após uma única temporada, a de 1962/63, foi contratado pelo não muito maior Cagliari, da Serie B. No clube da Sardenha, conseguiu o acesso para a Serie A em sua primeira temporada. E, jogando pela primeira vez na elite na temporada 1964/65, alcançou com ao pequeno clube uma honrosa sexta colocação. Chamou imediatamente a atenção da Seleção Italiana. Todavia, mesmo marcando onze gols na temporada seguinte (contra nove na de sua estreia), não seria chamado para a Copa do Mundo de 1966, em virtude de uma fratura.

Gigi Riva no Cagliari em 1970

Ironicamente, após o mundial, Riva realizou sua melhor temporada até então, com o Cagliari terminando outra vez em sexto graças à artilharia de seu atacante: foram dezoito gols em 23 partidas. E a diferença para a campeã Juventus ficou em apenas nove pontos. Riva solidificou-se na Azzurra e, mesmo realizando a temporada 1967/68 aquém da anterior no Cagliari, ganharia a Eurocopa 1968. Entrou em sua melhor fase: na temporada seguinte, 1968/69, ele conquistou novamente a artilharia e o Cagliari foi vice-campeão. Recebeu então proposta da Juventus,[1] uma das maiores equipes do país. A equipe de Turim pagaria 2 milhões de dólares, em valores da época,[1] por Riva e, para esfriar os exaltados ânimos dos torcedores do Cagliari, financiaria a construção de um hospital moderno na cidade.[1]

A proposta, no entanto, foi recusada. Um dirigente do clube explicou que "até agora, só o atum nos deu fama. Com Riva, ganhamos a admiração de toda a Itália".[1] Riva retribuiu o carinho da melhor forma: foi novamente o artilheiro da Serie A e o clube foi campeão na temporada que se seguiu à oferta, a de 1969/70. Para completar, a vice foi justamente a Juve. Mesmo com o primeiro (e único) scudetto (dele e do clube), a temporada quase terminou mal para ele, que novamente fraturou a perna, mas ainda sim foi chamado para a Copa do Mundo de 1970.

Credenciada para representar a Itália na Copa dos Campeões da UEFA de 1970/71, Riva não fez feio: marcou três vezes nas quatro partidas que o Cagliari conseguiria fazer; após eliminar o Saint-Étienne no primeiro mata-mata, o clube caiu na seguinte, frente ao Atlético de Madrid.[4]

Riva continuou a intrometer o Cagliari entre os grandes nos anos seguintes, chegando a recusar em 1973 a proposta de outro gigante do país, na ocasião a Juventus. Porém, em 1976, sofreu a lesão que abreviaria definitivamente a carreira, ao machucar o tendão direito. O Cagliari não sobreviveria e seria rebaixado na última colocação ao fim do campeonato de 1975/76. Riva ficou dois anos sem jogar até assumir que não poderia voltar.

Permaneceu ligado ao Cagliari nos anos seguintes, tendo sido presidente do clube na década de 1980.[1] Em 2005 este clube imortalizou a camisa número 11, que Riva utilizava em seu tempo de jogador.

Seleção Italiana[editar | editar código-fonte]

Riva estreou pela Seleção Italiana em 1965, após seu bom debute na Serie A com o Cagliari. Poderia ter figurado na Copa do Mundo de 1966, ainda mais porque um dos maiores concorrentes na posição, o ítalo-brasileiro José João Altafini, não poderia mais defender a Squadra Azzurra: a FIFA passara a proibir a participação de estrangeiros que já tivessem atuado por seu país de origem.[5] Porém, uma fratura na perna minou suas chances - a inexperiência também atrapalhava.[2]

Dois anos depois, com sua vaga assegurada, tornou-se um dos heróis do título da Eurocopa 1968, marcando na final contra a Iugoslávia. Manteve o embalo nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, marcando os gols que garantiram a classifação italiana: o único contra o País de Gales em Cardiff e os dois contra a Alemanha Oriental em Berlim Oriental. No retorno, com a Itália finalmente jogando em casa, marcou mais três nos 4 x 1 contra os galeses e outro nos 3 x 0 sobre os alemães.[6]

No último amistoso antes do mundial, marcou os dois gols na vitória por 2 x 1 em amistoso contra Portugal.[7] Porém, passou toda a primeira fase sem marcar. O primeiro poderia ter saído nela, mas um gol seu contra Israel foi anulado.[8] Mesmo com a excessiva catenaccio, a Itália, que só marcou um gol, avançou de fase, pois os outros adversários, Uruguai e Suécia, não conseguiram ter mais saldo de gols.[8]

Nas quartas-de-final, os adversários seriam os anfitriões mexicanos. Riva finalmente desencantou, marcando duas vezes na vitória de virada de 4 x 1. Faria outro na lendária prorrogação contra a Alemanha Ocidental nas semifinais, vencida por 4 x 3.[9] Pela final, a Itália enfrentaria o Brasil. Ambos os países, bicampeões, lutavam ainda pela posse definitiva da Taça Jules Rimet, destinada a ficar com o primeiro tricampeão. Embalado por seu despertar nas duas partidas anteriores, Riva desdenhou do adversário, declarando que iria acabar com as pretensões da "ridícula Seleção Brasileira".[10]

Após sair atrás no placar, os italianos conseguiram empatar no final do primeiro tempo graças a uma falha de Clodoaldo. Mesmo com os brasileiros desmoralizados após o lance, os italianos prenderam-se em apenas destruir as jogadas adversárias, característica da catenaccio.[11] Os adversários voltaram a se encorajar e, no segundo tempo, marcaram outras três vezes e asseguraram o título.[11] Riva foi um dos poucos italianos, ao lado de Sandro Mazzola, que demonstrou gana até o fim da partida, enquanto os companheiros demonstravam esgotamento,[12] mas pouco pôde fazer.

Riva ainda foi chamado para a Copa do Mundo de 1974. Sua condição física estava bastante prejudicada e, após a Itália cair ainda na primeira fase sem nenhum gol dele, não jogou mais pela Azzurra.[2]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Seleção Italiana
Cagliari
Prêmios Individuais

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n "Um rei italiano", Especial Placar - Os Craques do Século, novembro de 1999, Editora Abril, pág. 46
  2. a b c "Canhão fumegante", Especial Placar: Os 100 Craques das Copas, outubro de 2005, Editora Abril, pág. 20
  3. https://it.wikipedia.org/wiki/Cagliari_Calcio#Statistiche_individuali
  4. European Champions' Cup and Fairs' Cup 1970-71 - Details, Antonio Zea e Marcel Haisma, RSSSF
  5. "Mais do mesmo", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, págs. 10-15
  6. "Nos cinco continentes", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 9 - 1970 México, maio de 2006, Editora Abril, págs. 10-17
  7. "Cadê Riva?", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 9 - 1970 México, maio de 2006, Editora Abril, pág. 29
  8. a b "Rivera e Mazzola juntos", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 9 - 1970 México, maio de 2006, Editora Abril, pág. 30
  9. "Que prorrogação!", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 9 - 1970 México, maio de 2006, Editora Abril, pág. 39
  10. "A taça é nossa, para sempre", Placar número 15, junho de 1970, Editora Abril, págs. 4-5
  11. a b YALLOP, David A. Como eles roubaram o jogo - segredos dos subterrâneos da FIFA. São Paulo: Record, 1998, pp. 100. ISBN 85-01-05448-8
  12. "Itália, um vice desesperado e muito violento", Placar número 15, junho de 1970, Editora Abril, pág. 9