Luis Miguel Dominguín

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Luis Miguel Dominguín
Luis Miguel Dominguín (1950)
Nascimento 9 de novembro de 1926
Madrid, Espanha
Morte 08 de maio de 1996
San Roque
Nacionalidade Espanhola
Profissão Matador de touros

Luis Miguel Dominguín, nome artístico de Luis Miguel González Lucas (Madrid, 9 de novembro de 1926San Roque, Cádiz, 8 de maio de 1996) foi um matador de touros espanhol.

Filho de Domingo González Mateos (Domingo Dominguín) e irmão de Domingo e de Pepe Dominguín, todos matadores de touros, herdou do pai o apodo Dominguín, e foi, de entre os três irmãos, o que mais popularidade deu a essa saga. Seria também tio avô de Francisco e Cayetano Rivera Ordóñez, também matadores de touros, netos da sua irmã Carmen González, casada com Antonio Ordóñez.

Do seu casamento com a atriz Lucia Bosé, foi pai do cantor Miguel Bosé e da designer de moda Paola Dominguín; avô da manequim Bimba Bosé e do manequim e ator Nicolás Coronado.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Considerado um dos mais bem sucedidos toureiros do século XX, e das décadas de 1940 e 50 em particular,[1] foi em Portugal que Luis Miguel atuou pela primeira vez em público, numa novilhada realizada na Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, tinha então apenas 12 anos de idade. Aos 14, em campanha na Colômbia, onde fez parte do seu percurso de novilheiro, tomou a sua primeira alternativa, na praça de Bogotá, em 23 de novembro de 1941.

A alternativa oficial viria Dominguín a recebê-la em Espanha, aos 18 anos, na tarde de 2 de agosto de 1944, na praça de A Coruña, sendo padrinho Domingo Ortega e o irmão Domingo a testemunha; o toiro chamava-se Cuenco e pertencia à ganadaria de Samuel Hermanos. A confirmação em Las Ventas, Madrid, ocorreu em 14 de junho de 1945, ocasião em que foi apadrinhado pelo Manolete e foi testemunha Pepe Luis Vázquez; agora com o toiro Secretario, de Antonio Pérez.

Rival de Manolete nos primeiros anos da sua carreira, Dominguín era um dos companheiros de cartel na tarde de 29 de agosto de 1947, em Linares, na qual faleceu o mítico toureiro de Córdoba. Nos anos seguintes passaria à história a sua rivalidade com Antonio Ordóñez (casado com a irmã de Luis Miguel, Carmina), que inspiraria um ensaio de Ernest Hemingway, com o título The Dangerous Summer,[2] publicado parcialmente na revista Life, em 1960, e em versão integral em 1985.

Toureiro de mando e poder, ambicioso e conhecedor, luzia mais com a muleta do que com o capote. Logrou encabeçar o escalafón espanhol em 1948 com o extraordinário número de 100 corridas toureadas. Quase repetiu o feito em 1951, com 98 corridas. Saiu várias vezes pela Puerta Grande de Las Ventas. Retirou-se en 1961, voltou em 1971 e em 1973 retirou-se definitivamente.

Além de ser um toureiro muito solicitado, Luis Miguel Dominguín foi também uma controvertida figura pública, envolvido nos meios artísticos e do poder político. Um dos aspetos da vida de Dominguín mais tratadas pela imprensa da época foram as suas relações amorosas. Há notícias de romances seus com sucessivas atrizes de Hollywood; María Félix, Ava Gardner, Lana Turner, Rita Hayworth, Marta Alban, Lauren Bacall, Cecilia Albéniz, Miroslava Stern ou Romy Schneider.[3][4] Em 1 de março de 1955, o matador acabaria por casar com a atriz Lucia Bosé. Casou civilmente em Las Vegas, mas confirmou o casamento pela Igreja Católica em Espanha, a 16 de outubro do mesmo ano, segundo dizia, para que Francisco Franco deixasse de levantar problemas com a validade do casamento celebrado em Vegas; ainda para mais sendo Lucia simpatizante do Partido Comunista Italiano. Depois do casamento, o casal teve três filhos: Miguel Bosé, um destacado cantor, Lucía e Paola Dominguín, que chegou a ser atriz e é hoje designer de moda.[5] Seria ainda avô da manequim Bimba Bosé e do manequim e ator Nicolás Coronado.[6]

Terá sido graças à intervenção de Dominguín que Franco autorizou o regresso de Picasso a Espanha, depois de um exílio de muitos anos em França.[7] A pedido do pintor, Dominguín foi autor do prólogo do livro de obras de Picasso dedicadas à tauromaquia, Toros y toreros, publicado pela primeira vez em França, em 1961, onde se inclui também um estudo de Georges Boudaille.[8] Rafael Alberti celebrou a amizade dos três (Picasso, Dominguín e o próprio Alberti) num poema dedicado a Luis Miguel que começava assim[9]:

.

A proximidade a Picasso, o casamento com Lucia Bosé e o facto de se dizer que Luis Miguel ajudava o irmão Domingo (militante do Partido Comunista de Espanha) a sustentar as famílias dos presos políticos, terão levado o general Francisco Franco, a questionar a Luis Miguel Dominguín, afinal, qual dos três irmãos Dominguín era comunista, ao que Luis Miguel terá respondido, com a altivez que o caracterizava: «Los trés».[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências