Luísa Todi

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Luísa Todi
Luísa Rosa de Aguiar Todi
Pintura a óleo, por Vigée-Le Brun em 1785
Nome completo Luísa Rosa de Aguiar
Nascimento 9 de janeiro de 1753
Setúbal, Reino de Portugal Portugal
Morte 1 de outubro de 1833 (80 anos)
Lisboa, Reino de Portugal Portugal
Ocupação Cantora lírica

Luísa Todi, nascida Luísa Rosa de Aguiar (Setúbal, 9 de Janeiro de 1753Lisboa, 1 de Outubro de 1833), foi uma cantora lírica portuguesa.

Família[editar | editar código-fonte]

Nascida na freguesia de Nossa Senhora da Anunciada, concelho de Setúbal, era filha de Manuel José de Aguiar (Lisboa, Conceição Nova (extinta), bap. 12 de Janeiro de 1710 - ?), professor de música e instrumentista, e de sua mulher (Setúbal, Nossa Senhora da Anunciada, 4 de Setembro de 1745) Ana Joaquina de Almeida (Setúbal, Santa Maria da Graça, 19 de Fevereiro de 1726 - ?) e irmã mais nova de Cecília Rosa de Aguiar (23 de Agosto de 1746 - ?) e de Isabel Ifigénia de Aguiar (5 de Novembro de 1750 - ?), casada com Joaquim de Oliveira, em 1765 já se encontrava a viver em Lisboa. A sua mãe era filha de João de Almeida, sangrador, e de sua mulher Isabel da Esperança (filha de João da Frota e de sua mulher Luísa de Brito) e neta paterna por bastardia de Miguel Pessanha de Vasconcelos, da Casa da Quinta de Santo Estêvão das Areias, termo da Sé de Viseu (filho segundo do 8.º Senhor de Mossâmedes), e de Serafina de Almeida, "a Relojoeira", de Viseu.

O início da carreira[editar | editar código-fonte]

Luísa começou a sua carreira pelo teatro musical, aos catorze anos, no Teatro do Conde de Soure, no Tartufo, de Molière. Com a sua irmã mais velha, Cecília Rosa de Aguiar (23 de Agosto de 1746 - ?), cantou em óperas cómicas.

Casou em Lisboa, na Igreja Parquial das Mercês, a 28 de Julho de 1769, com o compositor e primeiro-violinista napolitano e seu grande admirador, Francesco Saverio Todi, filho de Niccolò Todi e de sua mulher Mariana Todi e viúvo de Teresa Todi, de quem não teve filhos (falecida a 31 de Maio de 1769 na freguesia dos Olivais, Lisboa, com óbito registado na paróquia das Mercês, tendo sido sepultada na Igreja Paroquial de Santa Maria dos Olivais). O apelido foi dado pelo marido e fê-la aprender canto com o compositor David Perez, muito conceituado mestre de capela da corte portuguesa. Ao marido deveu o aperfeiçoamento e a dimensão internacional que a levariam a todas as cortes da Europa, como cantora lírica.

Estreou-se em 1771 na corte portuguesa dos futuros D. Maria I e D. Pedro III e cantou no Porto entre 1772 e 1775. Durante esse período aí nasceu o seu primeiro filho João Todi em 1772, e, em 1773, a sua primeira filha Ana José Todi. Em 1775 nasceria em Guimarães a sua filha Maria Clara Todi e, em 1777, em Aranjuez, Espanha, o seu filho Francisco Xavier Todi.

A carreira internacional[editar | editar código-fonte]

Em 1777 parte para Londres, Grã-Bretanha, para actuar no King's Theatre, sem particular aplauso por parte dos ingleses.

Em 1778 está em Paris, França, onde a 22 de Novembro nasceria a sua filha Adelaide Antónia Todi, em Versalhes. Em 1780 é aclamada em Turim, no Teatro Régio, tendo assinado um contrato como prima-dona, e em 1780 era já considerada pela crítica como uma das melhores vozes de sempre. Nessa cidade veio a nascer o seu filho Leopoldo Rodrigo Ângelo Todi a 24 de Novembro de 1782.

Brilhou na Áustria, na Alemanha e na Rússia. Veio a Portugal em 1783 para cantar na corte portuguesa. Regressou a Paris, tendo ficado célebre o «duelo» com outra cantora famosa, Gertrud Elisabeth Mara, que dividiu a crítica e o público entre todistas e maratistas.[1]

Convidada, parte com o marido e filhos para a corte de Catarina II da Rússia, em São Petersburgo (1784 a 1788), que a presenteou com jóias fabulosas. Em agradecimento o casal Todi escreveu para a imperatriz a ópera Pollinia. Berlim aplaudiu-a quando ia a caminho da Rússia e, no regresso, Luísa Todi foi convidada por Frederico Guilherme II da Prússia, que lhe deu aposentos no palácio real, carruagem e os seus próprios cozinheiros, sem falar do principesco contrato, tendo ali permanecido de 1787 a 1789.

Diversas cidades alemãs a aplaudiram como Mogúncia, Hanôver e Bona, onde Beethoven a terá ouvido. Cantou ainda em Veneza, na República de Veneza, Génova, na República de Génova, Pádua, na República de Veneza, Bérgamo, no Ducado de Milão, e Turim, no Reino da Sardenha.

De 1792 a 1796 encantou os madrilenos novamente.

Em 1793 vem à corte de Lisboa por ocasião do baptizado de mais uma filha do herdeiro do trono, o futuro D. João VI, casado com D. Carlota Joaquina. A cantora precisou de uma autorização especial para cantar em público, o que era então proibido às mulheres.

Em 1799 terminou a sua carreira internacional em Nápoles, no Reino de Nápoles.

O regresso a Portugal[editar | editar código-fonte]

Forum Municipal Luisa Todi em Setúbal

Regressou a Portugal e cantou ainda no Porto, em 1801, onde enviuvou, em Santo Ildefonso, na Rua Nova de Almada, a 28 de Abril de 1803, altura em que se aposenta de vez, tendo usado roupa de luto até ao fim dos seus dias. O seu marido encontra-se sepultado na Igreja de Santo Ildefonso. Viveu naquela cidade, onde viria a perder as suas famosas jóias no trágico acidente da Ponte das Barcas, por ocasião da fuga das invasões francesas de Portugal pelos exércitos de Napoleão, em 1809. A família de Todi foi no entanto presa, mas com a ajuda do General Soult, que a a reconheceu como "a cantora da nação", obtiveram protecção.

Viveu em Lisboa, de 1811 até ao final da sua vida, consta que, com dificuldades económicas e, a partir de 1823, completamente cega.

A cantora[editar | editar código-fonte]

Luísa Todi, que tinha a capacidade invulgar de cantar com a maior perfeição e expressão em francês, inglês, italiano e alemão, é considerada a meio-soprano portuguesa mais célebre de todos os tempos.

No seu Tratado da Melodia, Anton Reicha, considera Luísa Todi como «a cantora de todas as centúrias» melhor dizendo «uma cantora para a eternidade».

Morte e homenagens[editar | editar código-fonte]

Luísa Todi faleceu em Lisboa, na freguesia da Encarnação, aos 80 anos de idade, em 1 de Outubro de 1833, após ter sido vítima de um acidente vascular cerebral em Julho daquele ano, tendo sido sepultada no cemitério paroquial da Igreja da Encarnação, perto do Chiado. A área do cemitério ficou por baixo das fundações do edifício construído por trás da Igreja, debaixo do número 78 da rua do Alecrim.

Apesar de vários pedidos de entusiastas e descendentes, uma das maiores cantoras portuguesas de todos os tempos jaz, hoje em dia, sob o pavimento de uma cave obscura (conforme testemunho citado por Mário Moreau do proprietário da Chapelaria que aí havia).

Sua cidade natal, Setúbal, erigiu um monumento com a sua efígie e deu o seu nome a uma das principais artérias da cidade, a Avenida Luísa Todi.

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Do casamento com Francesco Saverio Todi (Nápoles, 1745 - Santo Ildefonso, Porto, 28 de Abril de 1803), nasceram seis filhos:

Fontes e Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CLARO, Rogério Peres (ed. lit.). Setúbal no Século XVIII: As Informações Paroquiais de 1758. Setúbal, edição do autor, 1957.
  • MOREAU, Mário. Cantores de Ópera Portugueses. Lisboa, Bertrand, 3 vols., 1981-1995. ISBN 972-25-0975-6
  • MOREAU, Mário. Luísa Todi: 1753-1833. Lisboa, Hugin, 2002. ISBN 972-794-160-5
  • PAXECO, Fran. Setúbal e as Suas Celebridades. Lisboa, Sociedade Nacional de Tipografia, 1930.
  • PORTUGAL. Município de Setúbal. Biografia de Luísa Todi.
  • Ribeiro, Mário de Sampaio. Luísa de Aguiar Todi, Lisboa, Edição da Revista «Ocidente», 1943.
  • Vasconcelos, Joaquim de. Luísa Todi: Estudo Crítico. Évora, Sementes de Mudança, 2008. ISBN 978-989-95648-7-9

Notas

  1. Cf. Biografia de Gertrudes Mara no portal ODB.