Luiz Gonzaga Duque Estrada

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Gonzaga Duque
Rodolfo Amoedo - Retrato de Gonzaga Duque
Nome completo Luís Gonzaga Duque Estrada
Nascimento 21 de junho de 1863
Rio de Janeiro, Império do Brasil(Império)
Morte 8 de março de 1911 (47 anos)
Rio de Janeiro, RJRepública Federativa do Brasil
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Escritor e jornalista
Influências
Magnum opus Entre os críticos e o público, destacam-se Mocidade Morta
Escola/tradição Simbolismo/Realismo

Luís Gonzaga Duque Estrada (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1863 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1911) foi um escritor brasileiro, conhecido por Gonzaga Duque, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 21 de junho de 1863. Descendia pelo lado paterno, de suecos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Após os primeiros estudos, Gonzaga Duque ingressou no Colégio Abílio, um dos mais importantes estabelecimentos de ensino da época no Rio de Janeiro. Mais tarde transferiu-se para o colégio Meneses Vieira, também em sua cidade natal. Concluiu, porém, o curso secundário em Petrópolis, no Colégio Paixão, e tudo indica que Gonzaga Duque não seguiu os estudos superiores.

A obra[editar | editar código-fonte]

Autor de contos e de um único romance - Mocidade Morta -, Gonzaga Duque se identifica com os Simbolistas do final do século XIX e início do XX. Os Simbolistas é o único grupo que nunca teve nenhum candidato à Academia Brasileira de Letras, mesmo tendo entre seus nomes autores da estatura de Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens - a exceção será o historiador paranaense Rocha Pombo, autor do romance No Hospício. Gonzaga Duque tem sua obra estreitamente ligada às artes visuais.

Mocidade Morta[editar | editar código-fonte]

Seu romance Mocidade Morta (1900)[1] é uma obra única na literatura brasileira ao relatar o cotidiano e as idéias de jovens artistas partidários de valores modernos expressos no Rio de Janeiro do Segundo Reinado, no qual a arte oficial privilegiava uma visão conservadora e acadêmica. Mocidade Morta continua menosprezado pela crítica contemporânea. José Guilherme Merquior o considera "romance, de pouca ação, alguma morbidez e muita tagarelice 'intelectual' do crítico de arte 'decadente' Gonzaga Duque."[2]. Alfredo Bosi não deixa por menos, mas reconhece que "o livro de Gonzaga Duque tem importância documental"[3]. A edição mais recente de Mocidade Morta, da Fundação Casa de Rui Barbosa (1995), com os estudos de Adriano da Gama Kury "Linguagem e Estilo de Mocidade Morta" e de Alexandre Eulálio "Estrutura Narrativa de Mocidade Morta", repõe em outros termos a contribuição do livro. Paulo Sergio Duarte sublinha que "O estilo do romance é nômade e trafega do naturalismo ao simbolismo, alcançando eclético equilíbrio num movimento que se ocupa de múltiplas dimensões da sociedade e do que seria a vida intelectual do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX, e introduziria, na literatura brasileira, o cotidiano dos artistas em confronto com os valores da Imperial Academia e Escola de Belas Artes" e lembra que "Não se pode deixar de lembrar o que todo historiador da arte no Brasil sabe: há grande distância e diferença de densidade entre o ambiente artístico, aquele das artes visuais, e o ambiente literário no Rio de Janeiro do final do século XIX."[4]

O crítico de arte[editar | editar código-fonte]

Eliseu Visconti - Retrato de Gonzaga Duque - Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro

Gonzaga Duque foi o autor da primeira exposição sistemática sobre a arte no Brasil no seu livro "Arte Brasileira"[5], e um crítico de arte profissional - esta atividade assegurava sua sobrevivência. Suas críticas do período dão a dimensão da modernidade local nos seus primeiros passos e, surpreendentemente, com muitos artistas vivendo de seu próprio trabalho, o que demonstra a existência de um mercado de arte em germe[6]. Figura conhecida e atuante no meio artístico carioca, é retratado por diversos artistas, entre os quais Eliseu Visconti (1866 - 1944), Belmiro de Almeida (1858 - 1935), Rodolfo Amoedo (1857 - 1941) e Presciliano Silva (1883 - 1965). A estudiosa de Gonzaga Duque, Vera Lins, apresenta uma visão abrangente de sua obra em seu livro "A Estratégia do Franco-Atirador"[7] e acrescenta, como apêndice, uma preciosa seleção do diário de Gonzaga Duque: "Meu Jornal - um diário de Gonzaga Duque". Vera Lins pesquisou o arquivo de Gonzaga Duque da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, e uma apreciação deste acervo se encontra disponível na Internet: Casa de Rui Barbosa: Vera Lins: Linhas cruzadas - decifrando o arquivo de Gonzaga Duque pdf.

Obras[editar | editar código-fonte]

Gonzaga Duque. Arte Brasileira. São Paulo: Mercado de Letras, 1994.

Gonzaga Duque. Mocidade Morta. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1995.

Gonzaga Duque. Horto de Mágoas - contos. Org. Vera Lins e Júlio Castañon Guimarães. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1996.

Gonzaga Duque. Impressões de um Amador: textos esparsos de crítica, 1882-1909. Org. Vera Lins e Júlio Castañon Guimarães. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001.

Gonzaga Duque. Revoluções brasileiras: resumos históricos. Org. Francisco Foot Hardman e Vera Lins. Belo Horizonte: Editora UFMG, co-edição Giordano, 1998.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Guimararães, Júlio Castañon. Gonzaga Duque: ficção e crítica de artes plásticas. In: Carvalho, José Murilo de, et alii. Sobre o pré-modernismo. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1988.

Leite, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.

Lins, Vera. Gonzaga Duque: A Estratégia do Franco-Atirador. Rio de Janeiro: Editora Tempo Brasileiro, 1991.

Lins, Vera. Gonzaga Duque: crítica e utopia na virada do século. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1996.

Muricy, Andrade. Panorama do movimento simbolista brasileiro. 2.ed. Brasilia: Ministério da Educação e Cultura, 1973. 590 p., il. foto p.b., 24 cm. (Literatura brasileira, 12).

Vermeersch, Paula. Lista de artigos de Gonzaga Duque na Revista Kosmos. Rotunda. Campinas: Centro de Estudos de Pesquisa das Artes no Brasil (CEPAB), Instituto de Artes, Unicamp, 2003.

Vermeersch, Paula. Por uma arte brasileira: a pintura acadêmica no final do Segundo Reinado e a crítica de Gonzaga Duque. Rotunda. Campinas: Centro de Estudos de Pesquisa das Artes no Brasil (CEPAB), Instituto de Artes, Unicamp, 2003.

Referências

  1. Gonzaga Duque. Mocidade Morta. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1995.
  2. Merquior, José Guilherme. De Anchieta a Euclides - Breve História da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1977. P. 149.
  3. Bosi, Alfredo; História Concisa da Literatura Brasileira. 33ª edição. São Paulo: Editora Cultrix, 1994. P. 294.
  4. Duarte, Paulo Sergio. Gonzaga Duque: A contracorrente no fim do século XIX. Rio de Janeiro: 1995
  5. Gonzaga Duque. Arte Brasileira. São Paulo: Mercado das Letras, 1994.
  6. Gonzaga Duque. Impressões de um Amador: textos esparsos de crítica, 1882-1909. Org. Vera Lins e Júlio Castañon Guimarães. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001.
  7. Lins, Vera. Gonzaga Duque: A Estratégia do Franco-Atirador. Rio de Janeiro: Editora Tempo Brasileiro, 1991.