Luta armada de esquerda no Brasil

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A esquerda armada no Brasil se refere a guerrilhas de esquerda que visavam a implantação do socialismo ou comunismo no Brasil, que surgiu por volta dos anos 30. Ganhou força após o golpe militar de 1964, em forte oposição ao regime. Algumas figuras políticas, dentre elas o ex-guerrilheiro comunista e posteriormente Senador Fernando Gabeira[1] , alegam que os objetivos da esquerda armada era a implantação da ditadura do proletariado.

Revolução Russa e Anarquismo[editar | editar código-fonte]

A vitória da Revolução Russa de 1917 repercutiu fortemente na esquerda brasileira. Alguns dizem que fez com que os anarquistas brasileiros entrassem em um período de revisão de valores ideológicos.

O anarquismo passou a ser visto como incapaz de modificar radicalmente a estrutura social, ao mesmo tempo em que os esquerdistas brasileiros, de formação originalmente anarquista, acompanhavam a experiência russa, que aos seus olhos se mostrava como uma nova alvorada para a Revolução Social[2] . Chefes anarquistas, então, aderiram ao comunismo e entregaram-se apressadamente ao estudo das obras de Karl Marx e Lenin.

Em abril de 1922 realizou-se o I Congresso Comunista do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. O resultado desse Congresso foi a unificação dos grupos comunistas esparsos pelo País, com a fundação do PCB (Partido Comunista Brasileiro) (registrado na época como PC-SBIC - Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista).

Desde a fundação do Partido, a via revolucionária para o socialismo, ou seja, a tomada do poder pela força, sempre foi a grande discussão de muitos comunistas brasileiros. Esse projeto pareceu ficar mais concreto depois da adesão ao Partido do conhecido líder tenentista Capitão Luís Carlos Prestes.

Em 1935, com a Intentona Comunista, houve a primeira tentativa da esquerda revolucionária brasileira tomar o poder. O levante, alegadamente mal planejado e executado, só serviu para abalar as frágeis instituições democráticas e preparar o caminho para que o presidente nacionalista Getúlio Vargas instaurasse o Estado Novo.

A radicalização política na década de 1960[editar | editar código-fonte]

Mesmo tendo sido derrotados em 1935, alguns dos militantes comunistas continuavam acalentando o sonho da revolução popular e da tomada do poder pelas classes baixas do Brasil. Segundo alguns dos comunistas, depois da Revolução Russa e da Revolução Chinesa, o Brasil estava destinado a ser o palco da terceira grande revolução socialista do século.

Jacob Gorender sobre a radicalização da esquerda na década de 1960:

O período de 60 a 64 marca o auge da luta de classes no Brasil. Nos primeiros meses de 1964 esboçou-se uma situação pré revolucionária e o golpe direitista se definiu pelo caráter contrarrevolucionário preventivo. Houve chance de vencer, mas foi perdida. O pior é que foi perdida de maneira desmoralizante.[3]

Brizola e a luta armada[editar | editar código-fonte]

De acordo com Carlos Alberto Brilhante Ustra, em seu livro A Verdade Sufocada:

Dos primeiros a chegar, com seu arroubo platino, seu inegável carisma e sua popularidade, alcançada graças a sua "Cadeia da Legalidade" em 1961, Brizola não perdeu a oportunidade para aglutinar resistência em torno de seu nome. Com planos mirabolantes, fez contatos com ex-militares cassados, sindicalistas, estudantes, comunistas, políticos, padres e freiras. Contatou, também com agentes cubanos e organizou um "livro de ouro" para financiar a derrubada do novo regime no Brasil.
 
"Jango, Brizola, Exílio, AIDS e outras histórias de Betinho."[4] .
Logo depois do golpe militar no Brasil, em 1964, Cuba mandou pelo menos US$ 200 mil para financiar a resistência articulada no Uruguai por Leonel Brizola. Quem negociou a remessa de dinheiro foi o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, então dirigente da União Nacional dos Estudantes. Para não deixar pistas ele cumpriu um roteiro até Havana; embarcou em Montevidéu; trocou de avião em Buenos Aires, de lá voou para Paris; de Paris para Praga; de Praga para a Irlanda para o Canadá; e finalmente para Cuba. Só até Praga foram 26 horas de voo, lembra Betinho, portador de uma carta de Brizola para Fidel Castro, em que palavras-chave como "dinheiro" e "Fidel" foram picadas e espalhadas em suas roupas.[5]

Brizola, para difundir seus planos, mandou imprimir em Montevidéu 10.000 exemplares do Regulamento Revolucionário, elaborado por ele, e os distribuiu em Montevidéu e, também entre simpatizantes, no Brasil. Mandava mensagens constantes, usando intermediários, como o ex-sargento da Brigada Militar Alberi Vieira dos Santos e Lúcio Soares Costa, que tinham livre trânsito na fronteira.[4]

Os grupos de refugiados que, naturalmente, se dividiram em três – um sindical, um militar e um terceiro liderado por Brizola -, discutiam a criação de uma frente única e exigiam ação.

Francisco Julião e as Ligas Camponesas[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1961, o dirigente das Ligas Camponesas, Francisco Julião, visitou a República Popular da China, integrando uma delegação de advogados brasileiros, entre os quais Sinval Pereira, militante do PCB, e Aguiar Dias, ministro do extinto Tribunal Federal de Recursos. Em Pequim, Julião teve um encontro reservado com dirigentes chineses que, falando em nome de Mao Tse-tung, lhe fizeram uma proposta atraente: treinar militantes das Ligas Camponesas na Academia Militar de Pequim. Julião retornou ao Brasil e iniciou os preparativos para montar o grupo. Três agentes chineses vieram ao Brasil, especialmente destacados para atender as Ligas, encontrando-se com Julião no Rio de Janeiro. Os planos, todavia, tiveram que ser suspensos por causa da crise política que se seguiu à renúncia do presidente Jânio Quadros.

Os dirigentes das Ligas Camponesas planejaram dedicar de cinco a dez anos para a organização das massas rurais para a chamada "aliança operário-camponesa", tida como imprescindível para a futura Revolução Socialista no Brasil. Em março de 1961, José Felipe Carneado Rodríguez, membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, veio ao Brasil com a missão de convidar líderes camponeses brasileiros para a comemoração do 1 de Maio em Havana, e para que conhecessem a Reforma agrária feita pelo governo castrista. Ficou hospedado em Recife (PE), na casa de Clodomir Morais. A delegação acabou excedendo o número inicialmente previsto e terminou com 122 nomes. Além do Britannia, o avião oficial da Presidência cubana, veio um DC-4 extra para transportar os convidados brasileiros de Fidel.

Nesta comemoração do 1o de Maio de 1961, em Havana, Francisco Julião teve seu segundo encontro com Fidel Castro (o primeiro fora em março de 1960, quando Julião fez parte da comitiva do candidato presidencial Janio Quadros, em visita a Cuba). Foi nessa comemoração que Fidel declarou o caráter marxista-lenista da Revolução Cubana e que se ouviu pela primeira vez A Internacional executada oficialmente por um governo do Continente Americano.

Em julho de 1961 desembarcaram em Cuba treze militantes das Ligas Camponesas que receberiam adestramento militar em Cuba. Entre eles, Adalto Freire da Cruz, paraibano, membro do comitê estadual do PCB em Pernambuco, designado comandante militar do grupo; Amaro Luís de Carvalho, militante do PCB e aluno do curso Stalin; Adamastor Bonilha, militante do PCB, e Joaquim Mariano da Silva, também militante do PCB.

Os treze militantes foram alojados no quartel de Manágua, 30 quilômetros ao sul de Havana. A maioria tinha feito o serviço militar obrigatório no Brasil e sabia manejar armas com desembaraço.

Estabelecida a relação oficial entre as Ligas Camponesas e a Revolução Cubana, o advogado Francisco Julião seria o homem da Organização de Massas (OM), e Clodomir de Morais o homem da Organização Política (OP).

O plano da esquerda brasileira era que as Ligas Camponesas desatassem a guerrilha rural no Nordeste e Norte brasileiros, enquanto eclodissem simultaneamente outros movimentos revolucionários na Colômbia e na Venezuela.

Comandando uma força internacionalista, afirmam que Che Guevara pretendia estabelecer-se na Amazônia sul-americana, ligando assim as guerrilhas do Brasil, da Colômbia e da Venezuela.

Por volta de novembro de 1961, começou a ser executado um projeto político-militar das Ligas Camponesas. Francisco Julião percorria o país convidando militantes do PCB para aderirem à tese da Revolução socialista através da luta armada. O líder da revolta camponesa de Formosa (Goiás), José Porfírio de Sousa, foi convidado por Julião para ser o instrutor militar da guerrilha.

As movimentações de Julião, entretanto, terminam em escândalo. Em 27 de novembro de 1962, um avião da VARIG colidiu com uma montanha nas proximidades de Lima, Peru. Entre as vítimas estava o Presidente do Banco Nacional de Cuba, Raúl Cepero Bonilla.

Dentro da pasta que ele carregava, havia relatórios que foram atribuídos, não comprovadamente, por alguns a Carlos Franklin Paixão de Araújo e Tarzan de Castro, militante das Ligas de Goiás, acusando Julião e Clodomir Morais de malversação dos fundos recebidos para a guerrilha.

Dizem alguns ainda, sem comprovação, que os relatórios (que não foram apresentados a público) detalhavam o atraso nos preparativos, a inexistência de infra-estrutura para o treinamento guerrilheiro, a precariedade e as deficiências dos planos políticos e paramilitares. Descrevia também, detalhadamente, as supostas algazarras e festas em que eram gastos os recursos enviados para a guerrilha rural.

Os relatórios encontrados com Cepero foram encaminhados para a CIA dos Estados Unidos e o embaixador peruano no Brasil, César Echecopar Herce, entregou uma cópia ao Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, que iniciou uma virulenta campanha na imprensa contra a interferência cubana no Brasil.

A cisão do Partido Comunista do Brasil e a divisão dos comunistas em dois partidos: PCB e PCdoB[editar | editar código-fonte]

As denúncias de Khrushchev contra o stalinismo, no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (ver: Discurso Secreto) provocaram crises internas em praticamente todos os partidos comunistas do mundo, repercutindo também no PCB, que em 1960, sem a aprovação de um congresso (o que era exigido pelo estatuto), alterou sua denominação de Partido Comunista do Brasil para Partido Comunista Brasileiro, e mudou seu estatuto retirando as referências ao Marxismo-Leninismo e ao internacionalismo proletário sob alegação de se adequar a legislação brasileira.

Um grupo de militantes comunistas contrários a nova orientação do partido redigiram um documento que ficou conhecido como "carta dos 100" denunciando um golpe interno.

Os signatários da "carta dos 100" foram expulsos do PCB, entre eles se destacam: Diógenes Arruda Câmara, João Amazonas de Sousa Pedroso, Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar, Maurício Grabois, Miguel Batista dos Santos, José Maria Cavalcanti, José Duarte, Ângelo Arroyo e Orlando Piotto.

Alegando que havia sido criado um novo partido, com novo nome e estatuto, logo não poderiam ser expulsos de uma sigla ao qual não pertenciam, tais membros "reorganizaram" o Partido Comunista do Brasil, sob a sigla PC do B,[3] em 1962, mantendo programa e estatuto antigos.

A luta armada contra o Regime Militar de 1964[editar | editar código-fonte]

Com o golpe militar de 1964 e o combate cada vez maior dos militares contra os focos de agitação, grupos dissidentes dos partidos comunistas iniciaram as atividades de guerrilha armada urbana ou rural com vista a derrubar a ditadura militar.

Dentro do próprio exército, cerca de doze militares perseguidos pelo novo poder vigente (regime militar autoritário de direita) se organizaram no MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário), o grupo que teria sido o primeiro a se dedicar às atividades armadas de oposição ao militarismo ditatorial. Paralelamente organizações esquerdistas como a POLOP deram origem a grupos cada vez mais radicais de "resistência", praticando assassinatos políticos, sequestros de embaixadores para troca de presos políticos, assaltos a bancos e supermercados, para financiar as lutas armadas contra o regime militar.

A luta armada foi travada especialmente de 1967 a 1974.[6]

Táticas de guerrilha[editar | editar código-fonte]

A respeito da tática de guerrilha, usada por parte da oposição esquerdista ao regime militar, o seu maior incentivador foi Carlos Marighella, que assim se posicionou sobre guerrilhas, especialmente sobre a guerrilha rural como a "Guerrilha do Araguaia":

O princípio básico estratégico da organização é o de desencadear, tanto nas cidades como no campo, um volume tal de ações, que o governo se veja obrigado a transformar a situação política do País em uma situação militar, destruindo a máquina burocrático- militar do Estado e substituindo-a pelo povo armado. A guerrilha urbana exercerá um papel tático em face da guerrilha rural, servindo de instrumento de inquietação, distração e retenção das forças armadas, para diminuir a concentração nas operações repressivas contra a guerrilha rural!
 
Carlos Marighella.

Carlos Marighella, em seu “Manual de Guerrilha” assim explicava como deveria ser a luta armada visando a implantação do comunismo no Brasil:

Principais ações[editar | editar código-fonte]

  • O atentado no Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife, em 25 de julho de 1966, visando atingir o candidato a presidente Costa e Silva. Foram mortos o jornalista Edson Régis de Carvalho e o almirante Nelson Gomes Fernandes e mais 20 feridos graves.
  • Em 26 de junho de 1968, é atacado a bombas, o Quartel General do II Exército, em São Paulo, morre o soldado Mário Kozel Filho.
  • O Capitão do Exército dos EUA enviado ao Brasil para ensinar "técnicas de interrogatório" aos órgãos de repressão, Charles Rodney Chandler, é metralhado em seu carro, no dia 12 de outubro de 1968.
  • Em 24 de janeiro de 1969, é atacado e assaltado o quartel do 4º RI, em Quitaúna São Paulo, com o roubo de grande quantidade de armas e munições, com intuito de fortalecer os armamentos dos guerrilheiros.
  • No dia 4 de setembro de 1969, militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), capturaram o embaixador dos Estados Unidos, com intuito de trocá-lo por presos políticos e estudantes que corriam risco de morte.[7]
  • No dia 18 de julho de 1969, guerrilheiros brasileiros roubam o famoso "cofre do Adhemar". De acordo com os revolucionários, esse dinheiro deveria ser empregado na luta contra a ditadura, pois era fruto dos atos de corrupção do ex-governador paulista Adhemar de Barros, conhecido pelo slogan "rouba, mas faz".
  • Em 11 de março de 1970, revolucionários brasileiros sequestraram o cônsul japonês, Nobuo Okushi, com a intenção de libertar presos políticos.
  • Na noite de 8 de maio de 1970, após descobrirem que o tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo Alberto Mendes Júnior havia se infiltrado e delatado a VPR, o mesmo foi sequestrado por guerrilheiros e executado a golpes de coronhadas no rosto pelo desertor do exército Carlos Lamarca. Alberto tinha se entregue como refém em troca da liberação de seus subordinados, que haviam se ferido no confronto com o grupo de Lamarca.[8]

Atentado ao Gasômetro[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Caso Para-Sar

No contexto da oposição aos comunistas e esquerdistas em geral, o regime militar brasileiro planejou várias ações com o intuito de incriminar setores de oposição por atentados e ataques: o mais conhecido desses foi o caso Para-SAR, ou Atentado ao Gasômetro.

Em 1968, o brigadeiro João Paulo Burnier, que era na época chefe de gabinete do ministro Márcio Melo, planejou explodir o gasômetro do Rio de Janeiro com o auxílio do Para-SAR, uma divisão da Aeronáutica empregada para salvamentos em local de difícil acesso.

O projeto foi levado adiante com grande segredo. Confiou-se a missão ao capitão-aviador Sérgio Miranda de Carvalho, que no entanto negou-se a cumprir a missão e ameaçou denunciar Burnier caso tentasse levar o plano adiante com outro oficial.

Sérgio foi declarado louco e afastado da Aeronáutica em 1969. O caso continuou abafado até 1978, quando o brigadeiro Eduardo Gomes fez uma declaração defendendo seu colega, confirmando o projeto de explosão de gasômetros e destruição de instalações elétricas para criar pânico na população, revelando o caso para o conhecimento público.[9] [10] [11]

Sequestro do embaixador norte-americano[editar | editar código-fonte]

No dia 4 de Setembro de 1969, o grupo de resistência armada MR-8, (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), sequestra o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick. Em 5 de Setembro de 1969, é mandado cumprir o Ato Institucional Número Treze, ou AI-13, que institui o …(sic) banimento do território nacional o brasileiro que, comprovadamente, se tornar inconveniente, nocivo ou perigoso à segurança nacional. Em 7 de Setembro de 1969 é liberado o Embaixador americano e os 15 guerrilheiros presos libertados, e em função do AI-13, são banidos para o México. Foram também sequestrados o embaixador alemão Ehrenfried von Holleben e o embaixador suiço Giovanni Bucher.

Apoio externo[editar | editar código-fonte]

China[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, a República Popular da China prestou apoio ao movimento guerrilheiro.[12] Em 29 de Março de 1964, um grupo de dez militantes do PCB partiu para Pequim para receber treinamento militar, e até 1966, mais dois grupos foram enviados à China com o mesmo objetivo.[13]

Posteriormente, por questões ideológicas, retirou o apoio dado a Guerrilha do Araguaia (da ALN e VAR-Palmares que reunia, entre seus membros José Genoíno), preferindo aproximar-se da Ação Popular Marxista-Leninista do Brasil. Entidade que reuniu nomes como Herbert José de Souza (Betinho) e José Serra.[12]

Coreia do Norte[editar | editar código-fonte]

A Coreia do Norte deu treinamento militar, ideológico e apoio financeiro a militantes comunistas brasileiros da Vanguarda Popular Revolucionária. Entretanto, esta organização foi desmantelada (ver: Cabo Anselmo). E, este grupo acabou não retornando ao Brasil, exilando-se em Cuba e na Europa.[14]

Albânia[editar | editar código-fonte]

A República Popular Socialista da Albânia, treinou guerrilheiros de várias nacionalidades, incluindo brasileiros.[15] A ajuda albanesa foi também propagandística: a Rádio Tirana promovia positivamente a guerrilha e atacava o regime militar brasileiro.[12]

Cuba[editar | editar código-fonte]

What you need, man, is a revolution like mine. ("Homem, o que você precisa é de uma revolução como a minha"): Fidel Castro aconselhando o Brasil, enquanto oculta Cuba acorrentada. Charge de Edmund S. Valtman, publicada em 31 de Agosto de 1961 e ganhadora do Prêmio Pulitzer no ano seguinte.[16]

Em 1957, o deputado federal Francisco Julião em visita à URSS, solicitou ajuda do PCUS para armar as Ligas Camponesas e iniciar uma revolução no país.[17] Grupos guerrilheiros iniciaram suas atividades no país em 1961. O presidente João Goulart tinha conhecimento de tais grupos desde, pelo menos, 1962.[18] Naquele mesmo ano, documentos, apreendidos num campo de treinamento de guerrilheiros, em Dianópolis (então Goiás, atual Tocantins) comprovavam que o regime cubano fornecia apoio técnico/material para as guerrilhas.[18]

João Goulart procurou resolver este incidente internacional de forma diplomática. Num gesto controverso, entregou esta documentação a Raúl Cepero Bonilla, alto funcionário do governo cubano então presente no Brasil, e solicitou ao mesmo que este material fosse devolvido a seu país. Bonilla faleceu em um desastre aéreo no Peru, enquanto retornava para Cuba, e os documentos que transportava foram interceptados pela CIA, que utilizou-os para denunciar as ações armadas e de subversão promovidas pelo regime cubano na América Latina.[18] Ao tomar conhecimento destes fatos, Carlos Lacerda denunciou, através da mídia, as atividades cubanas no Brasil.

Personagens como Carlos Minc, Fernando Gabeira, José Dirceu e Dilma Rousseff foram alguns dos brasileiros que tiveram formação em guerrilha em Cuba. Sobre a péssima qualidade do treinamento dado pelos instrutores cubanos aos brasileiros, o próprio José Dirceu afirmou: "o treinamento era um teatrinho de guerrilha e o pior, um vestibular para o cemitério."[19]

A futura presidente da república Dilma Rousseff teria participado de várias ações, como o roubo de armas (agindo com Carlos Lamarca em pelo menos uma ocasião) e o roubo de um cofre pertencente ao ex governador do estado de São Paulo, Adhemar de Barros.[20] Segundo Elio Gaspari, este foi até então, "o maior golpe da história do terrorismo mundial." [21]

Leonel Brizola, exilado no Uruguai, planejou invadir o Brasil, pelo Rio Grande do Sul, com ajuda cubana e apoio de ex-militares de tendência esquerdista expulsos das forças armadas brasileiras. Porém, este plano nunca foi posto em prática.[22]

Reação[editar | editar código-fonte]

A Operação Condor, iniciada em 1975, foi uma resposta dos regimes militares latino-americanos às ações da OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade). A OLAS, criada em 1962 e sediada em Havana, promovia a luta armada de Esquerda na América latina.



Críticas[editar | editar código-fonte]

Os movimentos que enfrentaram a ditadura militar são criticados, inclusive, por ex militantes da esquerda armada. Segundo críticos, os grupos que lutaram contra o regime, na realidade, não desejavam democracia e sim, estabelecer no Brasil um regime inspirado no modelo totalitário de Cuba.[23] [24]

Daniel Aarão Reis Filho afirma que a luta armada de esquerda foi mitificada e romantizada:

As ações armadas da esquerda brasileira não devem ser mitificadas. Nem para um lado nem para o outro. Eu não compartilho da lenda de que no final dos anos 60 e no início dos 70 (inclusive eu) fomos o braço armado de uma resistência democrática. Acho isso um mito surgido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática.[25]

Luiz Felipe Pondé lamentou que a Comissão Nacional da Verdade (CNV), criada para esclarecer os crimes cometidos durante a ditadura, não apurou adequadamente os crimes também cometidos pela oposição armada de esquerda durante aquele período. E, além disso, não revelou as reais intenções de seus integrantes.[24]

Essa moçada que diz que combatia em nome da democracia era financiada por regimes totalitários descarados e, se vencessem naquele momento histórico, seríamos hoje uma grande Cuba.
Outra mentira a ser trazida à luz é que a ditadura desarticulou a esquerda. Não, não só a esquerda passa muito bem (tanto que está no poder há anos) como venceu a ditadura. Não pelas armas, mas pela cultura. Venceu enquanto transava com as alunas e tomava vinho nos
Jardins.
Quando afirmo que a esquerda venceu, não me refiro a uma esquerda dos
anos 1960, mas sim a uma esquerda cozida no espírito de Antonio Gramsci: "a batalha não deve se dar pelas armas, mas pela conquista das mentes."[24]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Gabeira diz que nem ele nem Dilma queriam a democracia pela luta armada - 25/08/2010 - UOL Eleições 2010 - Notícias - Rio de Janeiro». eleicoes.uol.com.br. Consultado em 2016-07-11. 
  2. [1]
  3. a b Combate nas Trevas de Jacob Gorender, Editora Ática, 1999. ISBN 9788508069194 Adicionado em 10/05/2015.
  4. a b USTRA, A Verdade Sufocada, Editora Permanência
  5. Jornal do Brasil – Ideias – 14/07/1996
  6. Cf. REZENDE, Claudinei Cássio de. Suicídio Revolucionário. São Paulo: Editora Unesp, 2010.
  7. [2]
  8. Modesto Spachesi. «"A morte inglória de um Heroi"». Consultado em 12 novembro 2012. 
  9. (22 de novembro de 2006) "Começa o desmonte de tanques do Gasômetro". O Globo Online. Organizações Globo. Visitado em 16 de fevereiro de 2010.
  10. (21 de junho de 1985) "Capitão Sérgio acha que no episódio do Para-Sar réu é o antigo regime". Jornal do Brasil. Visitado em 16 de fevereiro de 2010.
  11. «[[Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro]]». Fundação Getulio Vargas.  Ligação wiki dentro do título da URL (Ajuda)[ligação inativa] Verbete Eduardo Gomes. O Caso Para-Sar.
  12. a b c Jornal Opção - China de Mao Tsé-tung e Chu En-Lai não deu apoio decisivo à Guerrilha do Araguaia. Acessado em 01/06/2014.
  13. Combate nas Trevas de Jacob Gorender, Editora Ática, 1999. ISBN 9788508069194 Adicionado em 01/06/2014.
  14. Estadão - Coreia do Norte treinou guerrilha brasileira. Acessado em 01/06/2014.
  15. A Verdade Sufocada - Histórias quase esquecidas. Artigo do historiador Carlos Ilich Santos Azambuja. Acessado em 01/06/2014.
  16. Pulitzer - 1962 Winners. Editorial Cartooning, Edmund S. Valtman of The Hartford Times For "What You Need, Man, Is a Revolution Like Mine." (em inglês) Acessado em 01/06/2014.
  17. Oleg Ignatiev, ex secretário da embaixada da URSS em Buenos Aires. Artigo do jornal O Globo, publicado em 12 de Julho de 1999, no obituário de Francisco Julião. Adicionado em 01/06/2014.
  18. a b c O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro. de Denise Rollemberg, Mauad Editora Ltda, 2001, págs. 25, 26. ISBN 9788574780320 Adicionado em 01/06/2014.
  19. Exílio: entre raízes e radares de Denise Rollemberg, Editora Record, 1999. ISBN 9788501055774 Adicionado em 01/06/2014.
  20. Veja on-line - O cérebro do roubo ao cofre. Com passado pouco conhecido, a ministra envolveu-se em ações espetaculares da guerrilha. Acessado em 01/06/2014.
  21. A Ditadura Escancarada de Elio Gaspari, Companhia das Letras, 2002. ISBN 9788535902990 Adicionado em 01/06/2014.
  22. Veja on-line - ¿Qué pasa, compañero? Novos documentos revelam detalhes da ajuda de Cuba aos guerrilheiros brasileiros. Acessado em 01/06/2014.
  23. Spotniks - Quem disse que Dilma Rousseff lutou por democracia? Rodrigo da Silva, 6 de Maio de 2015. Acessado em 10 de Maio de 2015.
  24. a b c Revista da Cultura - Um adendo modesto à verdade. Luiz Felipe Pondé, 06/03/2014. Acessado em 10 de Maio de 2015.
  25. Entrevista de Daniel Aarão Reis Filho, concedida ao jornal O Globo em 23 de Setembro de 2001. Adicionado em 10/05/2015.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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