Lycopodiaceae

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Lycopodium jussiaei

Lycopodiaceae é uma família de plantas vasculares epífitas, com caules e raízes com ramificação dicotômica, pertencentes ao reino Plantae, divisão Lycopodiophyta, classe Lycopodiopsida e ordem Lycopodiales. São plantas cosmopolitas encontradas predominantemente em ambientes tropicais montanos e raramente em ambientes áridos. Não possuem grande importância econômica e os compostos dos seus esporos têm sido utilizados na indústria de lubrificantes.[1]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Estas plantas possuem ramificação dicotômica tanto caulinar como radicular, em geral são de tamanho reduzido, podendo variar de 5 a 20 centímetros de altura, com exceção de algumas espécies epífitas que chegam a ter 2 metros de comprimento. Suas folhas são simples e com nervura não ramificada, variando de 0,2 a 2 centímetros de comprimento e com características diversas, podendo ter formato de escamas ou formar uma camada recobrindo o caule denominada microfilo.[1]

Os esporos são deiscentes por fenda transversal e parcialmente reniformes.[1] Geralmente estão presentes na região axilar ou na base dos esporofilos.[2]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

As espécies da família Lycopodiaceae possuem esporângios homosporados, ou seja, que apresentam um único tipo de esporos, estes podem ser solitários e localizados na axila foliar, ou distribuídos na base foliar.[1] Após sua dispersão, o esporo germina dando origem a um gametófito bissexuado do qual o esporófito é totalmente dependente, onde este só morre quando o esporófito está em condições ideais para se estabelecer no ambiente.[1]

Relações filogenéticas e evolução[editar | editar código-fonte]

Com cerca de  450 espécies, a classificação de Lycopodiaceae se mostra ainda incerta, porém, o uso de análises moleculares tem permitido o desenvolvimento da mesma. Atualmente é aceita sua divisão em três gêneros, sendo estes Lycopodium e Lycopodiella em conjunto formando um clado, e um clado irmão deste formado pelo gênero Huperzia.  Entretanto, em alguns estudos é atribuído ainda um quarto gênero, Phylloglossum, que consiste em uma única espécie característica das regiões da Austrália, Tasmânia e Nova Zelândia.[1]

Inicialmente foi relacionada ao grupo das samambaias em conjunto com as famílias Isoetaceae e Selaginellaceae, porém, análises moleculares mostraram que representa um grupo monofilético de plantas vasculares microfífilas e sem sementes, apresentando relação discreta com as samambaias megafilosas.[3]

Lycopodiaceae é considerada uma família antiga, porém, possui muitas espécies relativamente recentes. Acredita-se que o epifitismo em espécies ancestrais do gênero Huperzia foi favorecido pelo surgimento de ambientes de sub-bosque criados devido à formação de florestas latifoliadas. Além disso, as reversões da evolução do hábito terrestre em ambientes tropicais montanos pode ter ocorrido em resposta à formação dos Andes.[1]

Distribuição no Brasil[editar | editar código-fonte]

Esta família não é endêmica do Brasil, mas se distribui amplamente por grande parte do território do país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste[4] , sendo reconhecida a existência de 62 espécies confirmadas dispersas ao longo do território, com exceção de Sergipe e Rio Grande do Norte, onde sua presença ainda não possui confirmação oficial.[2] No território brasileiro, encontram-se espécies representantes das subfamílias Huperzioideae, Lycopodioideae e Lycopodielloideae.[3]

Lista de gêneros e espécies no Brasil[2][editar | editar código-fonte]

Gênero Austrolycopodium[editar | editar código-fonte]

  • Austrolycopodium erectum (Philippi) Holub B. Øllg. & P.G.Windisch

Gênero Diphasiastrum  [editar | editar código-fonte]

  • Diphasiastrum falcatum B. Øllg. & P.G.Windisch
  • Diphasiastrum thyoides (Willd) Holub

Gênero Diphasium[editar | editar código-fonte]

  • Diphasium jussiaei (Desv. ex Poiret) Presl ex Rothmaler

Gênero Huperzia[editar | editar código-fonte]

  • Huperzia catharinae (Christ) Holub(L.) Cranfill

Gênero Lycopodiella[editar | editar código-fonte]

  • Lycopodiella alopecuroides (L.) Cranfill
  • Lycopodiella duseniana (B.Øllg. & P.G.Windisch) B.Øllg.
  • Lycopodiella geometra B.Øllg. & P.G.Windisch
  • Lycopodiella longipes (Grev. & Hooker) Holub
  • Lycopodiella tupiana (B.Øllg. & P.G.Windisch) B.Øllg.

Gênero Lycopodium[editar | editar código-fonte]

  • Lycopodium clavatum L.

Gênero Palhinhaea[editar | editar código-fonte]

  • Palhinhaea bradei (Herer) Holub
  • Palhinhaea camporum (B. Øllg. & P.G. Windisch) Holub
  • Palhinhaea cernua (L.) Franco & Vasc.
  • Palhinhaea eichleri (Fée) Holub
  • Palhinhaea pendulina (Hook.) Holub
  • Palhinhaea riofrioi (Sodiro) Holub
  • Palhinhaea steyermarkii (B. Øllg.) Holub

Gênero Phlegmariurus[editar | editar código-fonte]

  • Phlegmariurus acerosus (Sw.) B.Øllg.
  • Phlegmariurus aqualupianus (Spring) B.Øllg.
  • Phlegmariurus badinianus (B.Øllg. & Windisch) B.Øllg.
  • Phlegmariurus biformis (Hook.) B.Øllg.
  • Phlegmariurus capillaris (Sodiro) B.Øllg.
  • Phlegmariurus christii (Silveira) B.Øllg.
  • Phlegmariurus comans (Herter ex Nessel) B.Øllg.
  • Phlegmariurus deminuens (Herter) B.Øllg.
  • Phlegmariurus dichotomus (Jacq.) W.H. Wagner
  • Phlegmariurus erythrocaulon (Fée) B.Øllg.
  • Phlegmariurus flexibilis (Fée) B.Øllg.
  • Phlegmariurus fontinaloides (Spring) B.Øllg.
  • Phlegmariurus friburgensis (Nessel) B.Øllg.
  • Phlegmariurus hemleri (Nessel) B.Øllg.
  • Phlegmariurus heterocarpon (Fée) B.Øllg.
  • Phlegmariurus hexastichus (B.Øllg. & P.G.Windisch) B.Øllg.
  • Phlegmariurus hippurideus (Christ) B.Øllg.
  • Phlegmariurus huberi (B.Øllg.) B.Øllg.
  • Phlegmariurus intermedius (Trevisan) B.Øllg.
  • Phlegmariurus itambensis (B.Øllg. & P.G.Windisch) B.Øllg.
  • Phlegmariurus killipii (Herter) B.Øllg.
  • Phlegmariurus linifolius (L). B.Øllg.
  • Phlegmariurus loefgrenianus (Silveira) B.Øllgaard
  • Phlegmariurus mandiocanus (Raddi) B.Øllg.
  • Phlegmariurus martii (Wawra) B.Øllg.
  • Phlegmariurus mollicomus (Spring) B.Øllg.
  • Phlegmariurus mooreanus (Baker) B.Øllg.
  • Phlegmariurus nudus (Nessel) B.Øllg.
  • Phlegmariurus pungentifolius (Silveira) B.Øllg.
  • Phlegmariurus quadrifariatus (Bory) B.Øllg.
  • Phlegmariurus recurvifolius (Rolleri) B.Øllg.
  • Phlegmariurus reflexus (Lam.) B.Øllg.
  • Phlegmariurus regnellii (Maxon) B.Øllg.
  • Phlegmariurus rostrifolius (Silveira) B.Øllg.
  • Phlegmariurus ruber (Cham. & Schlecht.) B.Øllg.
  • Phlegmariurus silveirae (Nessel) B.Øllg.
  • Phlegmariurus taxifolius (Sw.) Á. Löve & D. Löve
  • Phlegmariurus treitubensis (Silveira) B.Øllg.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g JUDD, Walter S. (2009). Sistemática Vegetal: um enfoque filogenético. Porto Alegre: Editora Artmed. 612 páginas 
  2. a b c «Lycopodiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção». Consultado em 10 de dezembro de 2017 
  3. a b ØLLGAARD, Benjamin (jun. 2014). «Lycopodiaceae in Brazil. Conspectus of the family I. The genera Lycopodium, Austrolycopodium, Diphasium, and Diphasiastrum.». SciELO. 65 
  4. RAMOS, Carla Gabriela Vargas (mar. 2010). «Lycopodiaceae no Parque Nacional do Itatiaia, RJ e MG, Brasil. Acta Botanica Brasilica». SciELO