Lyudmila Pavlichenko

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Lyudmila Mikhailivna Pavlichenko
Людми́ла Миха́йловна Павличе́нко
Lyudmila Pavlichenko, pouco antes de ser condecorada com o título de Heroína da União Soviética, 1943.
Nascimento 12 de julho de 1916
Bila Tserkva, Império Russo
Morte 10 de outubro de 1974 (58 anos)
Moscou, União Soviética
Nacionalidade Ucraniana
Ocupação franco-atiradora
Serviço militar
Lealdade  União Soviética
Serviço Red Army flag.svg Exército Vermelho
Anos de serviço 1941 – 1953
Patente Major
Conflitos Segunda Guerra Mundial

Lyudmila Mikhailivna Pavlichenko (Bila Tserkva, 12 de julho de 1916Moscou, 10 de outubro de 1974) foi uma franco-atiradora soviética durante a II Guerra Mundial. A ela foi creditada a morte de 309 soldados alemães (possivelmente maior que 500), sendo ainda hoje considerada a franco-atiradora mais bem sucedida na história.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Lyudmila nasceu em Bila Tserkva, cerca de 80km ao sul de Kiev, na Ucrânia em 12 de julho de 1916.[2] Aos 14 anos mudou-se para Kiev com a família. Nesta época, associou-se a um clube de tiro local, vindo a tornar-se uma exímia atiradora. Trabalhou em uma fábrica de armamentos em Kiev, até sua entrada na universidade em 1937. Como aluna da Universidade de Kiev, defendeu em seu mestrado a vida de Bohdan Khmelnytsky.[3][4]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Em junho de 1941, aos 24 anos de idade, Lyudmila já estava em seu quarto ano de história na Universidade de Kiev, quando a Alemanha Nazista começou a invasão da União Soviética.[1][3][4] Lyudmila estava entre os primeiros da lista de voluntários para recrutamento. Onde foi selecionada para participar da infantaria e posteriormente, ela foi designada para o 25º Exército Vermelho - Divisão de Infantaria. Pavlichenko tinha então a opção de se tornar uma enfermeira, mas recusou, sua intenção era participar ativamente dos combates. Desta forma se tornou uma das duas mil atiradoras de elite do sexo feminino no Exército Vermelho, das quais somente cerca de 500, sobreviveriam à guerra.[1][3][4][2]

Como atiradora furtiva, fez sua primeira vítima nas proximidades de Belyayevka, usando um rifle de ferrolho Mosin-Nagant[5], com luneta. Tipo de rifle comum entre os atiradores russos, como Roza Shanina e Vassili Zaitsev.[1][3][4][2]

Pavlichenko lutou por mais ou menos dois meses e meio em Odessa, onde contabilizaria 187 mortes. Quando os alemães tomaram o controle de Odessa, sua unidade foi evacuada através do Mar Negro até o porto de Sebastopol na Península da Crimeia. Em maio de 1942, já então Tenente, foi condecorada por ter matado 257 soldados alemães.[1][3][4] Seu número total de mortes durante a Segunda Guerra seria de 309, incluindo 36 snipers e pelo menos 100 oficiais. Normalmente costumava trabalhar com um observador a uns 200-300m à frente de sua unidade, muitas vezes ficando imóvel por 18 horas seguidas.[1][2]

Em junho de 1942, Pavlichenko foi atingida por um morteiro e foi retirada da batalha por quase um mês, até sua recuperação.[1] Após a recuperação ela foi enviada para o Canadá e para os Estados Unidos, para uma visita pública e se tornou o primeiro cidadão soviético a ser recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, que a recebeu na Casa Branca. Depois, ela foi convidada por Eleanor Roosevelt a fazer um tour pela América relatando suas experiências em combate. Como presente ganhou uma pistola Colt semi-automática, e no Canadá foi presenteada com um rifle Winchester, que atualmente está no Museu das Forças Armadas de Moscou.[1][2]

1943 Selo Postal

Promovida a major, nunca mais voltou ao combate mas se tornou instrutora e treinou vários snipers soviéticos até a guerra terminar. Em 1943, ela recebeu a Estrela de Ouro de Herói da União Soviética, fato que rendeu sua imagem num selo comemorativo. Seu rifle preferido era um Rifle Tokarev SVT-40, semi-automático.[1]

Depois da guerra, ela terminou seus estudos na Universidade de Kiev e começou uma carreira como historiadora. De 1945 a 1953, foi assistente de pesquisas do Chefe do Quartel-General da Marinha Soviética.[1] Em 1976, foi novamente lembrada em outra edição dos selos comemorativos. Sendo depois integrada ao Comitê Soviético de Veteranos da Guerra.[1][3][4]

Morte[editar | editar código-fonte]

Lyudmila morreu dia 10 de outubro de 1974, aos 58 anos, em Moscou, devido a um AVC[6], e foi enterrada no Cemitério Novodevichy em Moscou. Dois anos depois um navio cargueiro ucraniano seria batizado com seu nome.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k «Os mitos que cercam a franco-atiradora que mais matou soldados alemães na 2ª Guerra». BBC. Consultado em 2 de julho de 2019 
  2. a b c d e Alex Q. Arbuckle (ed.). «Soviet women snipers». Mashable. Consultado em 2 de julho de 2019 
  3. a b c d e f Os mitos que cercam a franco-atiradora que mais matou soldados nazistas na 2ª Guerra Bol Notícias - março de 2018
  4. a b c d e f JACINTO ANTÓN (ed.). «As meninas soviéticas que estouravam os miolos dos nazistas». El País Brasil. Consultado em 2 de julho de 2019 
  5. O Mosin-Nagant era um rifle de precisão com 5 tiros, disparava uma bala de 148 gr( 7.62x54mm) a uma velocidade de 853 m/s. Era muito útil para alvos a mais de 550 m.
  6. Sakaida, Henry (2003). Heroines of the Soviet Union 1941–45. Londres: Osprey Publishing. p. 64. ISBN 978-1841765983 
  7. «Cópia arquivada». Consultado em 22 de janeiro de 2010. Arquivado do original em 5 de janeiro de 2010