Máquina Smith
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O aparelho Smith é um aparelho de exercícios utilizado no treinamento com pesos. Ele consiste em uma barra fixa montada em trilhos de aço, os quais permitem apenas o movimento vertical. Alguns aparelhos Smith têm um contrapeso na barra fixa. O equipamento pode ser empregado em uma ampla variedade de exercícios, incluindo, entre outros, agachamento, supino, desenvolvimento de ombros, bom dia e levantamento terra.
Uso como um equipamento que não exige assistência
[editar | editar código]Atrás de cada coluna vertical (corrediça) há uma série de compartimentos nos quais a barra fixa pode ser encaixada. Isso significa que, em contraste com uma barra fixa convencional, uma barra fixa encaixada no aparelho Smith não precisa ser reinserida no apoio após uma série de repetições: ela pode ser travada em qualquer posição. Essa característica foi desenvolvida com a intenção de aumentar a segurança para atletas que levantam pesos sem assistência, pois precisam apenas girar os pulsos para afixar a barra em caso de sobrecarga. A maioria dos modelos incorpora blocos, pinos ou outros dispositivos que podem ser ajustados para imobilizar automaticamente a barra fixa em uma altura mínima predeterminada.[1]
Apesar do aumento na segurança, essa característica não elimina o perigo inerente de apoiar um peso elevado sobre as costas e pode gerar um falso sentimento de confiança. Em 2001, um usuário do aparelho Smith ficou tetraplégico devido ao rompimento de sua coluna durante o uso do equipamento.[1] O supino reto, embora seja perigoso por si só, torna-se ainda mais arriscado quando executado em um aparelho Smith; se um atleta se prender sob a barra, não poderá rolar ou derrubá-la em direção aos lados do peito ou do pescoço, restrição que já resultou em pelo menos uma fatalidade.[2]
Vantagens e desvantagens
[editar | editar código]A utilização do aparelho Smith é mal vista por muitos devotos do treinamento de força, pois obriga o usuário a executar uma trajetória puramente vertical e, por conseguinte, menos natural, com a barra fixa. Esse movimento pode provocar estresse de cisalhamento nos joelhos e/ou nas costas quando executado no agachamento ou no desenvolvimento de ombros.[3][4][5]
O movimento limitado da barra também reduz a contribuição dos músculos estabilizadores em comparação com um exercício que utiliza pesos livres. Essa mecânica pode permitir o levantamento de pesos maiores em troca de um menor acionamento da massa muscular, de modo geral. Além disso, é difícil manter um registro preciso do treinamento, pois os fabricantes dos equipamentos frequentemente não indicam o peso das barras.[6]
Assim como outros aparelhos de exercícios, o Smith é geralmente preferido por atletas casuais ou inexperientes que praticam o treinamento de força e não sabem se exercitar com pesos livres pesados de maneira segura.[7][8] Muitas academias atendem mais às necessidades dos atletas casuais e, por conseguinte, fornecem o aparelho Smith em vez de power racks, que são equipamentos de grande importância para a segurança durante a execução de agachamentos e outros exercícios com pesos livres que envolvem barras fixas.
Por outro lado, o aparelho Smith possui alguns defensores entre os atletas mais experientes. O problema da "trajetória da barra" é minimizado em exercícios que envolvem uma amplitude de movimento menor, como nos exercícios de panturrilha e no encolhimento de ombros. O aparelho Smith é potencialmente útil para a execução de variações de exercícios quando a progressão do treinamento com outras modalidades desacelera. No entanto, exige cuidado para evitar problemas de estresse nas articulações. A inativação dos músculos estabilizadores é um fator que pode permitir o aumento da intensidade aplicada aos músculos primários.[9][10]
Aparelho Smith 3D
[editar | editar código]O aparelho Smith convencional tem um grau de liberdade — a barra pode mover-se para cima e para baixo em uma linha reta, descrevendo uma trajetória vertical (a rotação da barra também é frequentemente utilizada para ativar as travas de segurança). Alguns modelos variantes permitem um grau de liberdade adicional — para frente e para trás — enquanto a rotação ou movimentação para os lados ainda é restrita. Esses aparelhos são por vezes chamados de "aparelhos Smith 3D" ou "aparelhos Smith Jones".
Alguns modelos, como o "Free Spotter" da Shermworks ou o "XPT Training System" da TuffStuff, permitem quase todos os graus de liberdade e ainda incorporam as travas de segurança com ativação pelo usuário (em vez das travas passivas pré-instaladas de um power rack).
Origem e história
[editar | editar código]O aparelho Smith foi inventado pelo americano Jack LaLanne, que montou um aparelho deslizante em sua academia na década de 1950. O aparelho foi observado por Rudy Smith, que pediu a Paul Martin para aprimorá-lo.[11][12] Rudy Smith instalou o modelo modificado na academia que gerenciava na época, a academia de Vic Tanny, em Los Angeles.[13] No final da década de 1950, Rudy Smith foi executivo da rede de academias Tanny, e o aparelho Smith foi fabricado e vendido amplamente.[11][12]
Efetividade
[editar | editar código]Uma pesquisa publicada em dezembro de 2009 relatou que os pesos livres acionavam os músculos 43% a mais do que um aparelho Smith em exercícios de agachamento.[14]
Referências
[editar | editar código]- 1 2 «Smith Machine Lawsuit Ends with $14.4 Million Decision». Club Industry. 1 de setembro de 2003. Consultado em 16 de março de 2019
- ↑ «Ben's generous last gift of life». www.couriermail.com.au. 1 de outubro de 2017
- ↑ «4 Reasons to Bypass the Smith Machine». dovemed.com. 23 de julho de 2015. Consultado em 16 de março de 2019
- ↑ Bret Contreras (16 de julho de 2013). «Machines Vs. Free Weights: More Research Is Needed». bretcontreras.com. Consultado em 16 de março de 2019
- ↑ Stuart McRobert (12 de fevereiro de 2008). «The Brothers Grimm». Iron Man. Consultado em 16 de março de 2019
- ↑ David Kiesling (20 de janeiro de 2019). «How Much Does a Smith Machine Bar Weigh?». tworepcave.com. Consultado em 16 de março de 2019
- ↑ Inspire Women to Fitness. [S.l.]: IDEA Health & Fitness Association. 2003. p. 15. ISBN 978-1-887781-29-9
- ↑ Tom Banham (19 de agosto de 2014). «Should I use weight machines?». Men's Health. Consultado em 16 de março de 2019
- ↑ John Meadows (9 de janeiro de 2012). «Why I Love the Smith Machine». t-nation.com. Consultado em 16 de março de 2019
- ↑ Paul Carter (12 de julho de 2016). «The Most Hated Machine in the Gym». t-nation.com. Consultado em 16 de março de 2019
- 1 2 Black, Jonathan (2013). «The Machine Age, 1960s-1970s». Making the American Body: The Remarkable Saga of the Men and Women Whose Feats, Feuds, and Passions Shaped Fitness History. [S.l.]: University of Nebraska Press. p. 49. ISBN 978-0-8032-4370-5
- 1 2 «Obituary: Smith, Rudolph». Deseret News. 12 de julho de 2010. Consultado em 16 de março de 2019
- ↑ John Wood (8 de fevereiro de 2013). «The Smith Machine». oldtimestrongman.com. Consultado em 16 de março de 2019
- ↑ Schwanbeck, S; Chilibeck, P. D.; Binsted, G. (dezembro 2009). «A comparison of free weight squat to Smith machine squat using electromyography». The Journal of Strength & Conditioning Research. 23 (9): 2588–2591. PMID 19855308. doi:10.1519/JSC.0b013e3181b1b181
