Marcia Tiburi

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Márcia Tiburi
Márcia Tiburi em 2008, durante entrevista no programa Café Filosófico, da TV Cultura.
Nome completo Márcia Angelita Tiburi
Nascimento 6 de abril de 1970 (49 anos)
Vacaria, Rio Grande do Sul
Residência Rio de Janeiro[1]
Nacionalidade brasileira
Alma mater
Ocupação Filósofa, artista plástica, professora de filosofia e escritora
Principais trabalhos O manto e Magnólia, Filosofia cinza, Filosofia em Comum
Filiação
  • PSOL (2013–2017)
  • PT (2018–atualmente)

Márcia Angelita Tiburi (Vacaria, 6 de abril de 1970) é uma filósofa, artista plástica, professora universitária de filosofia, escritora e política brasileira[2][3][4][5].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Formação, carreira e publicações[editar | editar código-fonte]

Graduada em Filosofia, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1990), e em artes plásticas, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996); mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1994) e doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1999) com ênfase em Filosofia Contemporânea. Seus principais temas são ética, estética, filosofia do conhecimento e feminismo.[6][7]

Publicou livros de filosofia, entre eles a antologia As Mulheres e a Filosofia e O Corpo Torturado, além de Uma outra história da razão. Pela Editora Escritos, publicou, em co-autoria, Diálogo sobre o Corpo, em 2004, e individualmente Filosofia Cinza - a melancolia e o corpo nas dobras da escrita. Em 2005 publicou Metamorfoses do Conceito e o primeiro romance da série Trilogia Íntima, Magnólia, que foi finalista do Prêmio Jabuti em 2006.[8] No mesmo ano lançou o segundo volume A Mulher de Costas. Escreve também para jornais e revistas especializados, assim como para a grande imprensa.

Márcia Tiburi fez parte do elenco do programa de televisão Saia Justa, do canal por assinatura GNT de 2005 a 2010. Uma de suas experiências no programa resultou no livro Olho de Vidro: A Televisão e o Estado de Exceção da Imagem, um estudo que faz análise da experiência visual a questões como alienação e hiperexposição na mídia.[9] Em 2012 publica o romance Era Meu esse Rosto pela Editora Record e os livros Diálogo/Dança eDiálogo/Fotografia pela editora do SENAC-SP.

Atualmente ministra aulas nos cursos livres de filosofia e nos laboratórios de escrita criativa da Escola Passagens no Rio de Janeiro.[8]

Candidatura ao governo do Rio de Janeiro em 2018[editar | editar código-fonte]

Marcia Tiburi filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) no dia 6 de março de 2018 após almoço com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.[10] Anteriormente, a filósofa fez parte dos quadros do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) entre 2013 e 2017.[11] Em maio de 2018, membros do PT decidiram que Marcia Tiburi seria a candidata da legenda ao Governo do Estado do Rio de Janeiro nas eleições de 2018 no lugar de Celso Amorim que, até então, era apontado como o candidato a governador do Rio de Janeiro do partido.[12][13] A pré-candidatura de Marcia à sucessão de Luiz Fernando Pezão foi homologada no dia 15 de junho de 2018 em reunião do diretório regional do PT.[11]

A filósofa foi confirmada como candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Governo do Estado do Rio de Janeiro na convenção estadual da legenda, realizada no dia 1º de agosto de 2018 na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), situada no bairro carioca do Centro. Na mesma ocasião, o então senador Lindberg Farias foi apresentado como candidato do PT à reeleição para a 56ª legislatura (2019–2023) do Senado Federal do Brasil.[14] No 1º turno, Marcia Tiburi obteve 447.376 votos (5,85% do total de votos válidos), ficando de fora do segundo turno e não se elegendo ao cargo disputado.[15]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Em entrevista de 2015 a programa da TV Brasil, a autora foi indagada sobre qual seria a solução para os altos índices de criminalidade no Brasil, o que a princípio gerou riso na entrevistada, que ironizou ser alvo de tal questionamento e afirmou ter posições divergentes do consenso da população dentro do assunto. Perguntada pelos apresentadores se seria favorável a pena de morte ou tráfico de drogas, ela negou, exemplificando que em relação aos assaltos haveria uma motivação lógica, condenável mas compreensível frente as injustiças sociais.[16] Posteriormente, a filósofa escreveu que passou a ser alvo de xingamentos por esta fala, que, segundo ela, havia sido editada e descontextualizada para "iludir pessoas que foram levadas a perder o senso crítico".[17]

Em janeiro de 2018, a filósofa abandonou um programa na Rádio Guaíba ao ser surpreendida pela entrada de Kim Kataguiri e membros do Movimento Brasil Livre para um debate. Posteriormente, Tiburi justificou sua atitude, dizendo que tinha o direito de "não legitimar como interlocutor pessoas que agem com má fé contra a inteligência do povo brasileiro."[18]

Exílio[editar | editar código-fonte]

A filósofa Márcia Tiburi deixou o Brasil sob a justificativa de estar sob ameaças. Em entrevista ao Valor, ela afirmou está em Pittsburgh, nos Estados Unidos, inscrita no programa de uma instituição que oferece acolhida e segurança a escritores ameaçados pelo mundo, a City of Asylum. Márcia deixou o Brasil em dezembro de 2018 e seguiu para os EUA com visto de turismo. Nos dias seguinte, embarcou para a França, onde, afirma, tem condições de ficar de forma permanente. Tiburi conta quais foram os motivos de ter ido embora e encarado o autoexílio: "Saí porque estava com muito medo das ameaças, do que estava ocorrendo com o Brasil e do que estava ocorrendo comigo", disse, "Nas redes você encontra muita gente dizendo que vai me matar, que vai dar um tiro em mim, que vai acabar comigo. Também vinham ameaças diretamente por e-mail, SMS, WhatsApp. Fui colocada num grupo com dez caras sinistros que tinha uma foto do Bolsonaro com uma faca. Também recebia ameaças na rua. Não podia mais sair de casa, ir à farmácia, ir a uma padaria. Chega um desconhecido, esbarra e diz: 'Eu sou fascista com muito orgulho, você se cuide'. Um outro se aproxima e fala: 'Cuidado, na próxima vez que eu te encontrar eu acabo com você.'"[19][20].

Depois de mencionar outras personalidades que deixaram o país devido a ameaças, como a pesquisadora Debora Diniz, da UnB, e o próprio jornalista, professor e político brasileiro Jean Willys, Tiburi afirmou que não tem data para voltar para o Brasil. "Fico [fora] até o Brasil voltar em si", disse.[19]

Márcia Tiburi também está escrevendo um novo livro. Um ensaio sobre o poder, com base na sua experiência política. Em Delírio do poder – Psicopoder e loucura coletiva na era da desinformação (Record), a filósofa Tiburi analisa como a intensificação da lógica neoliberal afeta as instâncias políticas – subjetivas e institucionais – que deveriam assegurar uma vida digna a todos. A partir de fatos públicos e vivências pessoais, a filósofa reflete sobre questões políticas, incluindo sua experiência como candidata ao governo do estado do Rio de Janeiro em 2018 e a avalanche de “fake news”, da qual também foi vítima.[21][22]

Lista de obras[editar | editar código-fonte]

  • Feminismo em comum: para todas, todes e todos. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2018.
  • Ridículo Político: uma investigação sobre o risível, a manipulação da imagem e o esteticamente correto. Rio de Janeiro: Record, 2017.[23]
  • Uma fuga perfeita é sem volta. Santa Catarina: Record, 2016.[24]
  • Como Conversar com Um Fascista - Reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro. São Paulo: Record, 2015.[25]
  • Filosofia: machismos e feminismos. Santa Catarina: Editora UFSC, 2015. (Com Maria de Lourdes Borges)[26]
  • Filosofia prática: Ética, vida cotidiana, vida virtual. São Paulo: Record, 2014.
  • Diálogo/Dança. São Paulo: Senac, 2012. (Com T. Rocha)
  • Era meu esse rosto. Rio de Janeiro: Record, 2012.
  • Olho de vidro - A televisão e o estado de exceção da imagem. Rio de Janeiro: Record, 2011.
  • Filosofia pop. São Paulo: Bregantini, 2011.
  • Diálogo/Desenho. São Paulo: SENAC, 2010. (Com Fernando Chuí Menezes)
  • Filosofia bricante. Rio de Janeiro: Record, 2010. (Com Fernando Chuí Menezes)
  • O manto. Rio de Janeiro: Record, 2009.
  • Filosofia em Comum - Para ler junto. Rio de Janeiro: Record, 2008.
  • Metamorfoses do Conceito - Ética e Dialética Negativa em Theodor Adorno. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2005.
  • Diálogo sobre o Corpo. Porto Alegre: Escritos, 2004. (Com Ivete Keil)
  • Filosofia Cinza - A Melancolia e o Corpo nas Dobras da Escrita. Porto Alegre: Escritos, 2004.
  • Uma Outra História da Razão. São Leopoldo: UNISINOS, 2003.[27]
  • Crítica da Razão e Mímesis no pensamento de Th.W. Adorno. Porto Alegre: EDPUCRS, 1995.[28]
  • "Delírio do poder – Psicopoder e loucura coletiva na era da desinformação". Rio de Janeiro: Record, 2019. [29]

Como organizadora[editar | editar código-fonte]

  • Seis leituras sobre a dialética do conhecimento. Ijuí: Unijuí, 2009. (Com R.A.P. Duarte)
  • Maria Tomaselli. São Paulo, 2009. (Com D. Mattar)
  • O Corpo Torturado. Porto Alegre: Escritos, 2004. (Com Ivete Keil)
  • As Mulheres e a Filosofia. São Leopoldo: UNISINOS, 2002. (Com E. Eggert e M. Menezes)

Romances[editar | editar código-fonte]

  • Magnólia. - Trilogia Íntima Vol. 1 (romance). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
  • A Mulher de Costas - Trilogia Íntima Vol. 2 (romance). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «PT e PC do B oficializam a aliança no Rio de Janeiro». Brasil de Fato. 6 de agosto de 2018. Consultado em 3 de setembro de 2018. Cópia arquivada em 3 de setembro de 2018 
  2. «Tristeza | Márcia Tiburi | instituto cpfl». Consultado em 17 de abril de 2019 
  3. País, Ediciones El (26 de março de 2018). «Programa 'Voz Ativa' entrevista a filósofa Márcia Tiburi». EL PAÍS. Consultado em 17 de abril de 2019 
  4. «Folha de S.Paulo - Música: Simoninha discute Beatles hoje no CCBB - 03/05/2011». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 17 de abril de 2019 
  5. Braziliense, Correio; Braziliense, Correio (23 de maio de 2018). [https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2018/05/23/interna_diversao_arte,682888/curso-sobre-etica-e-cultura-contemporanea.shtml «Fil�sofa M�rcia Tiburi realizar� curso sobre �tica e cultura contempor�nea»]. Correio Braziliense. Consultado em 17 de abril de 2019  replacement character character in |titulo= at position 4 (ajuda)
  6. de Albuquerque, Fernando (27 de novembro de 2015). «Márcia Tiburi: O facismo, seus medos e contradições contemporâneas». O Grito. Consultado em 18 de junho de 2017 
  7. «Marcia Tiburi». Revista Cult. Consultado em 18 de junho de 2017 
  8. a b «Laboratório de Escrita Criativa». 3 de setembro de 2018. Consultado em 3 de setembro de 2018 
  9. «Marcia Tiburi: "as pessoas têm medo de falar o que pensam"». MdeMulher. 22 de outubro de 2016. Consultado em 18 de junho de 2017 
  10. «Lula assina filiação de Márcia Tiburi ao PT». Revista Fórum. 6 de março de 2018. Consultado em 2 de janeiro de 2018 
  11. a b Krakovics, Fernanda (15 de junho de 2018). «PT do Rio formaliza pré-candidatura de Marcia Tiburi para governadora». O Globo. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  12. Seara, Berenice (29 de maio de 2018). «Troca-troca no PT: na disputa pelo estado, sai Amorim e entra Tiburi». Extra. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  13. Seabra, Catia (29 de maio de 2018). «Cogitado para vice de Lula, Amorim desiste de disputar governo do Rio». Folha de S.Paulo. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  14. Alves, Raoni (1º de agosto de 2018). «PT confirma candidatura de Márcia Tiburi ao Governo do RJ». G1. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  15. «Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM) disputam 2º turno no Rio de Janeiro». Gazeta do Povo. 7 de outubro de 2018. Consultado em 17 de dezembro de 2018 
  16. YouTube - Espaço Público entrevista a filósofa Marcia Tiburi. Progrma Espaco Publico, TV Brasil, 9 de dezembro de 2015, (declaração aos 51 min, 39s). Acessado em 01-07-2018.
  17. «Marcia Tiburi: Sobre a lógica do discurso de ódio». Mídia Ninja. Consultado em 18 de setembro de 2018 
  18. «Marcia Tiburi abandona programa de rádio ao saber que debateria com Kim Kataguiri». Congresso em Foco. 25 de janeiro de 2018. Consultado em 18 de setembro de 2018 
  19. a b «Marcia Tiburi relata ameaças e deixa o país». Valor Econômico. 11 de março de 2019. Consultado em 17 de abril de 2019 
  20. «No exílio, Marcia Tiburi fala sobre como é viver sob ameaça». www.msn.com. Consultado em 17 de abril de 2019 
  21. «Bastidores da política são analisados por Marcia Tiburi em novo livro Dedicado a Marielle Franco e ao ex-presidente Lula, que assina apresentação da obra | Blog da Editora Record». www.blogdaeditorarecord.com.br. Consultado em 17 de abril de 2019 
  22. Stycer, Clarissa. «Márcia Tiburi escreve livro sobre experiência política». Lauro Jardim - O Globo. Consultado em 17 de abril de 2019 
  23. «Livro: FEMINISMO EM COMUM: PARA TODAS, TODES E TODOS». Livraria Cultura 
  24. «"Uma fuga perfeita é sem volta", de Marcia Tiburi - Blog da Editora Record». www.blogdaeditorarecord.com.br 
  25. «Como Conversar Com Um Fascista». www.saraiva.com.br 
  26. «Arquivos Filosofia: Machismos e Feminismos» 
  27. «Livro: UMA OUTRA HISTORIA DA RAZAO». Livraria Cultura 
  28. Barros, Tiê. «TIBURI Marcia Critica da razao e mimesis no pensamento de Theodor W Adorno pdf» – via www.academia.edu 
  29. http://www.blogdaeditorarecord.com.br/2019/03/12/bastidores-da-politica-sao-analisados-por-marcia-tiburi-em-novo-livro-dedicado-a-marielle-franco-e-ao-ex-presidente-lula-que-assina-apresentacao-da-obra/  Em falta ou vazio |título= (ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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