Márcio Moreira Alves

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Márcio Moreira Alves
Nascimento 14 de julho de 1936
Rio de Janeiro, Brasil
Morte 3 de abril de 2009 (72 anos)
Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Ocupação Jornalista e político

Márcio Moreira Alves (Rio de Janeiro, 14 de julho de 1936 - Rio de Janeiro, 3 de abril de 2009[1]) foi um jornalista e político brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do ex-prefeito de Petrópolis Márcio Honorato Moreira Alves. Sua família era proprietária do celebrado Hotel Ambassador, no Rio de Janeiro, onde funcionou o Juca's Bar, ponto de encontro de intelectuais e políticos na década de 1960.

Marcito, como era conhecido, participou em 1965 de uma manifestação promovida por intelectuais e estudantes no Rio de Janeiro em frente ao Hotel Glória, onde se reunia o Conselho da Organização dos Estados Americanos, a OEA. Esta entidade vinha servindo praticamente para facilitar o controle dos governos latino-americanos pelo governo norte-americano. Neste dia, estaria presente para a abertura da reunião o marechal Humberto Castelo Branco, presidente imposto pelo golpe militar. Houve a manifestação e a polícia política prendeu várias personalidades. Márcio Moreira Alves não havia sido preso, mas logo correu atrás da Kombi da polícia e exigiu seguir junto de seus companheiros de protesto e ideias.

Em outubro de 1967 participou da comissão parlamentar que visitou presos políticos em Juiz de Fora e encontrou onze vítimas de torturas realizadas por militares agindo dentro de quarteis do Exército Brasileiro.[2] Era o terceiro ano da luta de Moreira Alves contra a tortura, tendo denunciado o general Ernesto Geisel como "mancomunado com um bando de sádicos".[2]

É lembrado como o provocador do AI-5[3], ao proferir no início de setembro de 1968, como deputado, um discurso no Congresso Nacional em que convocava um boicote às paradas militares alusivas à Semana da Pátria[4] e solicitava às jovens brasileiras que não namorassem oficiais do Exército.[5]; em função deste discurso, o Ministro da Justiça à época enviou à Câmara de Deputados pedido de autorização para que o deputado Márcio Moreira Alves fosse processado. Assim dizia a Constituição, mesmo com todas as limitações: era preciso obter o consentimento da Câmara de Deputados para processar um membro seu. A crise foi se aguçando e por fim em 11 de dezembro de 1968 os deputados votaram o pedido, recusando-o. Foi um momento emocionante, em que todo o plenário da Câmara, após a conclusão da votação, levantou-se e cantaram todos o hino nacional. Em represália, o governo determinou o fechamento (recesso) da Câmara e os deputados tiveram que se retirar atravessando uma ameaçadora e humilhante fileira de soldados. Márcio Moreira Alves estava obviamente "jurado de morte" e teve que rapidamente exilar-se. Retornou ao Brasil apenas em 1979, após a Lei da Anistia.[6]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Márcio Moreira Alves aderiu ao MDB em 1966 e, naquele ano, foi eleito deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara.[4] Inicialmente apoiou o movimento militar de 1964, porém, quando foi proclamado o AI-1, ele tornou-se opositor do regime.

Carreira como jornalista[editar | editar código-fonte]

Márcio teve seu primeiro emprego aos 17 anos, no Correio da Manhã. Por esse jornal foi correspondente de guerra durante a Guerra de Suez, entre Inglaterra e Egito, que resultou na nacionalização do Canal de Suez. Também foi comentarista da Rede Manchete. Ultimamente, era colunista no jornal O Globo, todavia, devido a um acidente vascular cerebral, afastou-se e acabou morrendo.

Morte[editar | editar código-fonte]

Márcio morreu em 3 de abril de 2009, depois de 5 meses internado no Hospital Samaritano do Rio de Janeiro. Ele havia sofrido um AVC.[7]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • O Cristo do Povo, Sabiá, 1968.

Referências

  1. G1 - Morre ex-deputado Marcio Moreira Alves
  2. a b Gaspari, Elio (2014). A Ditadura Derrotada 2 ed. (Rio de Janeiro: Editora Intrínseca). p. 544. ISBN 978-85-8057-432-6. 
  3. José Maria Mayrink, Mordaça no Estadão, O Estado de S. Paulo, 2008, pág. 36
  4. a b José Maria Mayrink, Mordaça no Estadão, O Estado de S. Paulo, 2008, pág. 24
  5. Maria Fernanda Lopes Almeida, Veja sob Censura, Jaboticaba, São Paulo, 2008, pág. 86
  6. «Ex-deputado federal Marcio Moreira Alves morre no Rio». Terra. Consultado em 11 de abril de 2016. 
  7. «Aos 72 anos, morre o ex-deputado federal Márcio Moreira Alves». Estadão. Consultado em 11 de abril de 2016. 
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