Mãe Cleusa Millet

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Cleusa da Conceição Nazaré de Oliveira
Cleusa em seu terreiro
Nascimento 1931[a]
Salvador, BA, Brasil
Morte 15 de outubro de 1998 (67 anos)
Salvador, BA, Brasil
Progenitores Mãe: Maria Escolástica da Conceição Nazaré
Pai: Álvaro MacDowell de Oliveira
Parentesco Carmem Oliveira da Silva (irmã)
Alma mater Universidade Federal da Bahia
Religião Candomblé Queto
Causa da morte Parada cardíaca

Cleusa da Conceição Nazaré de Oliveira, conhecida por Mãe Cleusa de Nanã (Salvador, 1931 — Salvador, 15 de outubro de 1997) foi uma candomblecista e médica obstetra fluminense que, em 1986, sucedeu sua mãe biológica, a Mãe Menininha do Gantois, como quinta ialorixá do Terreiro do Gantois. Exerceu a função até sua morte em 1997 e foi sucedida, a seu turno, por sua irmã biológica Mãe Carmem.

Vida[editar | editar código-fonte]

Cleusa da Conceição Nazaré de Oliveira nasceu em 1931 em Salvador, na Bahia,[1] e era filha de Maria Escolástica da Conceição Nazaré, a dita Mãe Menininha do Gantois, e do advogado de ascendência inglesa Álvaro MacDowell de Oliveira.[2] Teve uma irmã chamada Carmem Oliveira da Silva, a Mãe Carmem.[3] Formou-se em medicina na Universidade Federal da Bahia[4] e fez cursos técnicos em obstetrícia.[5] Mais adiante se casou com um oficial da marinha[6] com que teve quatro filhos: Álvaro, Ana Carolina, Mônica e Zeno Eduardo.[7] Viajou o mundo ao lado do marido antes de voltar ao Brasil e decidir morar no Rio de Janeiro, onde exerceu por 20 anos a função de obstetra.[4][6]

Com a morte de Maria Escolástica em 13 de agosto de 1986, sucedeu sua mãe na função de ialorixá.[3] Seu orixá patrono era Nanã. Atuava no terreiro como guia espiritual e realizava previsões, jogava búzios, dava conselhos e coordenada rituais.[7] Não encabeçou em sua gestão mudanças dramáticas, optando por dar continuidade ao legado de sua mãe. Com ajuda de patronos ricos, renovou o terreiro e criou um memorial para Mãe Menininha que se tornou uma espécie de museu. Amigou com celebridades como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jorge Amado e Maria Bethânia,[8] que em 1990 a convidou para cantar a introdução da faixa Awô de seu álbum 25 Anos.[9] Morreu em 15 de outubro de 1998, vítima de uma parada cardíaca, após dar entrada no Hospital Aliança. Nos seis meses que antecederam sua morte, foi relatado que tinha dificuldade para andar devido ao excesso de peso.[7]

Em decorrência de sua morte, o então governador estadual, César Borges (1998–2002), decretou dia de luto oficial.[7] Foi sepultada no mesmo dia, no cemitério do Jardim da Saudade, em Salvador, numa cerimônia sincrética que envolveu ritos candomblecistas e católicos.[10] Sua filha Mônica era a mais cotada para sucedê-la no Gantois, mas com a recusa desta de assumir a sua obrigação sacerdotal,[7] o posto acabou passando para Mãe Carmem, sua tia, em 2002, após quatro anos de vacância.[11] Exatos 10 anos após o falecimento de Cleusa, foi agraciada postumamente com medalha da Ordem do Mérito da Bahia.[12]

Avaliação[editar | editar código-fonte]

Segundo o pesquisador Jeferson Bacelar da Universidade Federal da Bahia, "Mãe Creusa representou a continuidade de uma importante linhagem no Candomblé".[8]

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ Outras fontes dão uma data muito anterior para seu nascimento, ou seja, 1923, de modo em que, caso seja esta a data certa, faleceu aos 74 anos.[5][13]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • «Mãe Carmem». IRDEB - Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia. Secretaria da Educação do Estado da Bahia 
  • Mariano, Agnes (2015). «A mãe da sabedoria». CEERT - Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades 
  • Schumaher, Schuma; Brazil, Érico Vital (2006). Mulheres negras do Brasil. Rio de Janeiro: REDEH - Rede de Desenvolvimento Humano