Mídia independente

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Mídia independente é o tipo de mídia que não está sob o controle de grandes grupos de comunicação, e que não está vinculada a compromissos com anunciantes, grupos políticos ou instituições governamentais. Ela vai em contramão à mídia corporativa (ou "grande mídia"), que, frequentemente, distorce os fatos e apresenta uma visão de acordo com quem lhe paga mais. Em suma: é o tipo de publicação que não se presta necessariamente a propagar a ideologia dos grupos que dominam a ordem atual da sociedade.

Embora semelhante em propósitos, a mídia independente não é sinônimo de mídia alternativa, por não necessariamente se contrapor a uma hegemonia ou causa. Há exemplos de veículos de mídia que são independentes porque não são vinculados a nenhuma grande empresa, mas que produzem conteúdo similar ao da grande mídia.

Embora a mídia alternativa se caracterize pela pluralidade e participação das mais diversas classes sociais, a sua qualidade no que diz respeito à relação mensagem-receptor fica prejudicada pelo fato de que são poucos os profissionais que atuam nessa área. O amadorismo e a falta de capacidade técnica, mesmo que frutos da baixa infraestrutura, podem fazer, da mídia independente, uma forma de comunicação pouco preparada para lidar com o público receptor.

Cobertura[editar | editar código-fonte]

A ênfase da cobertura da mídia independente é a cobertura de fatos e movimentos sociais nacionais, regionais, estaduais e locais, tendo, como objetivo, cumprir o papel que a mídia tradicional deixa de cumprir devido aos interesses envolvidos.

Os movimentos sociais ligados à mídia livre avaliam e questionam a maneira como as grandes mídias foram construídas historicamente, a legislação vigente que rege os meios de comunicação, e os limites da liberdade de expressão impostos pela legislação vigente.

Inclui quaisquer meios de comunicações que não sejam vinculados a partidos políticos, entidades religiosas, órgãos estatais ou grupos de interesses comerciais, buscando ser uma alternativa à apropriação tendenciosa do conteúdo de notícias divulgadas.

A mídia independente busca fornecer informações de maneira que sejam percebidas dentro do contexto geral, sem a fragmentação do noticiário e das análises que fazem parte de uma estratégia de alienação que limita a capacidade de avaliação crítica dos fatos em sua totalidade do real, bem como oferecer, ao público, informação alternativa e crítica, sem os objetivos atrelados ao mercado consumidor da mídia empresarial, que apresenta fatos e suas interpretações de acordo com interesses econômicos, sociais e culturais ligados ao mercado e portanto de forma não independente.

Organizações de Mídia independente[editar | editar código-fonte]

O Centro de Mídia Independente (CMI) é uma rede mundial representante da proposta de mídia independente.[1] [2] Qualquer pessoa de uma comunidade pode se envolver e contribuir com o CMI,[3] , que mantem um site na internet e um banco de dados de notícias[4] cujo conteúdo é disponível para distribuição e reprodução livre, seja na internet ou na mídia tradicional, através de impressos, vídeos ou áudio. O projeto tem, como objetivo, democratizar a produção de mídia. No Brasil, está representado pelo CMI Brasil.[5]

Legislação[editar | editar código-fonte]

A conscientização da população brasileira sobre a importância da democratização das comunicações no país, concentrada basicamente em 10 veículos de comunicação até 2013,[6] levou à criação da Campanha Para Expressar a Liberdade.[7] [8] Lançada em 27 de agosto de 2012, a campanha tem, por objetivo, mobilizar o Brasil para alterar a lei de Comunicação, de maneira a promover a pluralidade da imprensa. Para tal, lançou, em 1º de maio de 2013, o projeto de lei de iniciativa popular para a democratização das comunicações[9] no Brasil. O projeto trata da regulamentação das comunicações eletrônicas, rádio e televisão no país, setor este regido pelo Código Brasileiro de Telecomunicações, e a regulamentação dos artigos de comunicação da Constituição Brasileira, como os que tratam da defesa de conteúdo nacional, diversidade regional e da produção independente.[10] A campanha "Para Expressar a Liberdade" conta com o apoio de entidades de diversos setores da sociedade e de partidos políticos, incluindo o Movimento Negro, das mulheres, trabalhadores, trabalhadores agrícolas, movimento dos sem-terra, estudantes, jornalistas, blogueiros, radialistas e vários outros.[11]

Recursos Financeiros[editar | editar código-fonte]

Em maio de 2013, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados iniciou a discussão de uma proposta para a criação de um fundo de financiamento público e linhas de crédito especiais para as pequenas empresas do setor de mídia no Brasil – blogues inclusive.[12]

A deputada federal Jandira Feghali, presidente da Comissão de Cultura, em 2013, disse:

Cquote1.svg Nossa intenção é sair com algum plano concreto de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A ideia é viabilizar a chamada mídia livre no Brasil. Notamos que há uma grande dificuldade dos blogues, rádios comunitárias e até mesmo da tevê pública em ter a sustentação financeira necessária para se manter no ar com qualidade, em um nível competitivo, e com possibilidade para se estruturar. É impossível se imaginar a pluralidade da informação sem esses veículos e entendemos que é o momento de os bancos públicos financiarem a democracia da comunicação no País. Cquote2.svg

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências

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