Múcio Athayde

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Múcio Athayde
Deputado federal de Minas Gerais
Período 3 de abril de 1963
até 14 de abril de 1964
Deputado federal de Rondônia
Período 1 de fevereiro de 1983
até 31 de janeiro de 1987
Dados pessoais
Nome completo José Múcio Ataíde Fróis[nota 1]
Nascimento 25 de agosto de 1936
Montes Claros, Minas Gerais
Morte 2010 (74 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade brasileiro
Progenitores Mãe: Augusta Ataíde Fróis
Pai: Hermes Fróis
Alma mater Universidade de Minas Gerais
Esposa Staël Abelha
Partido UDN
PTB
PMDB
Profissão Empresário
linkWP:PPO#Brasil

José Múcio Athayde Fróis[nota 2] (Montes Claros, 25 de agosto de 1936[1][2]Rio de Janeiro, 2010[3]), conhecido como Múcio Athayde[nota 3], foi um empresário e político brasileiro. Ele se tornou conhecido por seus empreendimentos imobiliários, com destaque, a partir da década de 1970, para o Centro da Barra (mais tarde Athaydeville), projeto na Barra da Tijuca que resultou em edifícios inacabados e apartamentos não entregues. Athayde também foi deputado federal duas vezes e foi dono de vários veículos de comunicação.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Múcio Athayde é filho de Hermes Fróis e Augusta Ataíde Fróis[nota 4][1]. Ele estudou em seminários em Diamantina e Mariana antes de, em 1958, formar-se em Direito pela Universidade de Minas Gerais. Na época, fundou a Múcio Athayde Construtora, pela qual executou vários empreendimentos notáveis em Belo Horizonte, como o Iate Clube da Pampulha[4] e os edifícios Lagoa Dourada, Jaguaraçu, Cidade de Cláudio e Superbuilding Valente[5]. Athayde foi um construtor pioneiro em Brasília, onde lançou os edifícios comerciais Márcia e Maristela [6]. Esses prédios foram entregues sem elevadores, o que levou Athayde a ser acionado na Justiça por compradores lesados.[7]

Em 1962, Athayde foi acusado de promover campanha contra o Banco da Lavoura de Minas Gerais através de anúncios na imprensa e de boletins lançados por avião. Ele foi processado como incurso na Lei da Economia Popular e na Lei de Segurança Nacional[8], sendo defendido pelo advogado Sobral Pinto.[5]

Depois de breve passagem pela União Democrática Nacional[2], Athayde filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro. Em 3 de abril de 1963 assumiu, como suplente do deputado Paulo Freire, cadeira na Câmara dos Deputados[2] em coligação com o Partido Social Trabalhista e o Partido Libertador[9]. Em 1963, Athayde apresentou pré-candidatura à sucessão do governador José de Magalhães Pinto[10]. Sua intenção foi rejeitada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais em face da Constituição estadual, que exigia idade mínima de 30 anos.[11].

Athayde apoiou ativamente as reformas de base do presidente João Goulart, promovendo concentrações populares em prol do governo.[12] Com a instalação do regime militar, foi acusado de corrupção[13] e teve seus direitos políticos cassados por dez anos por força do Ato Complementar Número Quatro, de 13 de abril de 1964. Em 11 de fevereiro de 2010 o Ministério da Justiça declarou Athayde anistiado político, com direito a uma indenização de R$ 100 mil.[14].

Centro da Barra/Athaydeville[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Athaydeville

Em 1968 Athayde comprou de Ivete Palumbo uma área na Barra da Tijuca destinada a seus projetos imobiliários; dúvidas sobre a propriedade original da terra levaram Athayde e Palumbo a moverem ações um contra o outro.[15]. O empreendimento, intitulado Centro da Barra, foi lançado no fim da década de 1960, com projeto de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Falhas, atrasos e irregularidades de registro marcaram as obras desde o início. Renomeado Athaydeville, o projeto foi reduzido de 76 torres residenciais para apenas quatro (três foram erguidas, das quais duas foram entregues aos adquirentes e uma segue desocupada), e várias parcelas de terreno foram transferidas a outros empresários. A Desenvolvimento Engenharia, empresa de Athayde responsável pelo empreendimento, teve sua falência decretada em 2006.

Retorno à política[editar | editar código-fonte]

Com a abertura política, em 1979, Athayde filiou-se ao PMDB, e em 1982 tornou-se o deputado federal mais votado do recém-criado estado de Rondônia. Nessa legislatura ele atuou como membro titular da Comissão de Finanças e suplente da Comissão de Economia, Indústria e Comércio e participou de várias missões oficiais em entidades internacionais de combate ao câncer[2].

Athayde buscou criar uma base política em Brasília durante seu mandato de deputado federal. Na expectativa de ser nomeado governador do Distrito Federal, deu forte apoio à campanha presidencial de Tancredo Neves, mas o governo distrital foi assumido por José Aparecido de Oliveira. Athayde apresentou emenda constitucional pela introdução de eleições diretas no Distrito Federal[16], mobilizou lideranças comunitárias e fez intensa autopromoção como "o homem do chapéu" na periferia da capital; ao mesmo tempo, ele adquiriu jornais, rádios e TVs em vários estados, formando uma rede de comunicação para apoiar seus projetos políticos e criticar a administração de José Aparecido.[17]. Porém, o registro de sua candidatura ao Senado Federal, em 1986, foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral por abuso de poder econômico[18]. Em 1987, findo seu mandato na Câmara dos Deputados, Athayde encerrou sua carreira política.

Outras atividades[editar | editar código-fonte]

Durante seu período de cassação política, Athayde liderou grupo que adquiriu o controle acionário do Banco Santa Cruz[19], depois renomeado Banco da Província de Minas Gerais.

Ele criou o Instituto Múcio Athayde de Combate ao Câncer[7], responsável por premiação de pesquisas no setor.[20]

Arrendatário do jornal O Guaporé[21] e de uma rádio em Rondônia, Athayde comprou o combalido jornal Última Hora de Brasília (renomeado Correio do Povo e O Povo de Brasília) e, em Goiânia, tornou-se dono da TV Goyá e da Rádio Formosa AM.[18].

Em agosto de 1988, adquiriu do empresário Claudio Macário 49% da segunda versão da TV Rio em negócio que envolveu imóveis no Athaydeville e permutas comerciais[22]. As ações de Athayde na TV Rio foram vendidas em 1992 a um grupo de empresários cariocas encabeçados por Claudomir de Andrade.[23]

Com planos de emigração, Athayde vendeu seus outros veículos de comunicação e afastou-se do noticiário brasileiro, apesar das inúmeras pendências judiciais contra suas empresas—ele argumentava que a demora na entrega dos imóveis do Athaydeville se devia a um bloqueio econômico do BNH e da Caixa Econômica Federal.[24]

Athayde manteve negócios com imóveis de luxo em Miami através da empresa New Florida Properties. A empresa faliu, mas foi reativada em 2002.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Athayde casou-se em 21 de dezembro de 1963, em Belo Horizonte, com Staël Abelha, Miss Brasil de 1961. Anteriormente, Athayde namorou Márcia Kubitschek, filha do presidente Juscelino Kubitschek.

Morte[editar | editar código-fonte]

São escassas as referências à morte de Múcio Athayde. Roberto Hely Barchilón, advogado da Associação dos Moradores e Adquirentes do Centro da Barra informou em seu blog que Athayde morreu em 2010 numa clínica do Rio de Janeiro. Na cerimônia de 6 de dezembro de 2012 que devolveu simbolicamente os mandatos aos deputados federais cassados pelo regime militar[9], Athayde foi homenageado in memoriam[25].

Notas

  1. Na grafia da época, José Múcio Athayde Fróes
  2. Na grafia da época, José Múcio Athayde Fróes
  3. Predominantemente grafado como Múcio Ataíde até a década de 1970
  4. Na grafia da época, respectivamente, Hermes Fróes e Augusta Athayde Fróes

Referências

  1. a b http://montesclaros.com/mural/default.asp?numero=1372
  2. a b c d http://www2.camara.leg.br/deputados/pesquisa/layouts_deputados_biografia?pk=123258&tipo=0
  3. http://barchilon.wordpress.com/2012/08/09/mucio-athayde-morreu-em-2010/
  4. Jornal do Brasil, 7 de julho de 1961, p. 5
  5. a b Última Hora, 19 de junho de 1962, p.2
  6. Jornal do Brasil, 1 de novembro de 1961, p. 8
  7. a b Jornal do Brasil, 16 de setembro de 1989, Cidade, p. 1
  8. Jornal do Brasil, 23 de maio de 1962, pp. 1 e 3
  9. a b http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2012/12/07/interna_politica,335138/lei-da-anistia-volta-a-ficar-sob-ataque-na-camara-dos-deputados.shtml
  10. Jornal do Brasil, 25 de abril de 1963, p. 8
  11. Jornal do Brasil, 25 de janeiro de 1964, p. 12
  12. Jornal do Brasil, 18 de fevereiro de 1964, p. 3
  13. http://www.alertatotal.net/2007/06/importncia-da-fama.html
  14. http://www.jusbrasil.com.br/diarios/1578762/dou-secao-1-11-02-2010-pg-40
  15. Jornal do Brasil, 22 de junho de 1968, p. 18
  16. Jornal do Brasil, 31 de dezembro de 1984, p. 2
  17. Walter Gualberto de Brito, Memórias de uma família negra brasileira: os inquilinos da casa amarela, Thesaurus, 2006, ISBN 85-7062-575-8, página 114
  18. a b http://www.blogdoprotazio.com.br/2011/04/mucio-athayde-o-homem-do-chapeu-da.html
  19. Última Hora, 31 de março de 1965, UH Revista, p. 2
  20. Veja, 8 de junho de 1983, p. 82
  21. http://www.rondonoticias.com.br/ler.php?id=97837
  22. Jornal do Brasil, 20 de janeiro de 1991, p. 4
  23. Jornal do Brasil, TV Programa, 25 de abril de 1992
  24. Jornal do Brasil, 2 de fevereiro de 1994, p. 8
  25. Jornal da Câmara, edição especial, dezembro de 2012