Música de Portugal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Música ligeira)
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Portugal é conhecido pela sua tradição musical, maioritariamente pelo fado[1] e seus derivados. Sendo este o género musical que, por pura convenção mais caracteriza o espírito português, associado à sua história e suas raízes culturais sobretudo por influência de Amália Rodrigues, tem-se observado – junto com as particularidades de Carlos Paredes a par da música de intervenção prefigurada por José Afonso, caracterizada também por insinuações poéticas e subtis mas de forte contestação política –, uma expansão em diversos estilos musicais, como o rock, o metal e o hip-hop, que assimilam algumas dessas marcas.

A história da música portuguesa do século XX revela-se como inovadora principalmente na segunda metade do século, no período que antecede a Revolução dos Cravos e nos anos imediatos.

Pré-Revolução dos Cravos[editar | editar código-fonte]

Durante o Estado Novo, a música portuguesa foi muito influenciada pelo concurso televisivo da RTP, o Festival RTP da Canção, o Nacional-cançonetismo, de temática típica de ideais do Zé Povinho e pequeno-burgueses. Simone de Oliveira, de voz escaldante, de trejeitos rebolados e rebuliços, é um dos paradigmas dessa época cinzenta.

No lado oposto, menos redundante, desenvolveu-se a música de intervenção, com o intuito de atacar o Estado Novo e de acordar o bom povo: o Luís Cília, um tanto afrancesado, os mansos Vitorino e Janita, em trinados dedicados ao feminino, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Zeca Afonso, António Macedo, em cantares mais explícitos, são alguns dos músicos que pontuaram a revolta. Entre uns e outros, Linda de Suza, em registo algo patético, quebrando corações nostálgicos, tornar-se-ia a "embaixadora" da música portuguesa junto dos imigrantes portugueses em França.

No entanto, já desde o final da década de 1950 que se fazia rock em Portugal. Joaquim Costa, Os Babies (de José Cid), Os Conchas, Daniel Bacelar seriam alguns dos pioneiros do género.

Na década seguinte, anos de surf e yé-yé, os Gatos Negros,[2] os Titãs são alguns dos grupos que, juntamente com o João Paulo, Os Ekos,[3] o Quinteto Académico,[4] os Jets, os Sheiks e os Chinchilas marcaram essa década.

No iníco da década de 1970, à semelhança da música de intervenção, o rock fica mais politizado, com o Quarteto 1111, os Steamer's,[5] a Filarmónica Fraude, a Banda do Casaco e etc.

Pós-Revolução dos Cravos[editar | editar código-fonte]

Se Amália ainda é o nome mais conhecido na música portuguesa, na década de 1980 surgem bandas seminais para o enriquecimento da cultura musical portuguesa, como por exemplo os Heróis do Mar, os Sétima Legião, os GNR, os Madredeus. O fado evolui com cantores como o Camané ou a Mariza.

Surgem a partir de então variadíssimos grupos que cantam em inglês, descaracterizando-se, tal como em muitos outros países. Existem no entanto em Portugal artistas musicais contemporâneos que dão significativos contributos em todos os estilos e formas de música, no rock-canção, como os Ornatos Violeta, na canção pop com os Clã, os Moonspell, os Hip-Hop, os Xutos & Pontapés, cantando em português, como também o Sam the Kid ou o Valete. Da fusão Rock–Hip-Hop são bom exemplo os Da Weasel. No rock, soul e blues, os Wraygunn são um exemplo perfeito. Na música de dança, emergem os Buraka Som Sistema. Na música Reggae e Ska destacam-se artistas como os Primitive Reason, Three and a Quater,[6] Chapa Dux,[7] Souls of Fire.[8] Mantém-se activa a música tradicional popular[9] modernizada, especialmente em Trás-os-Montes.

Na década de 1990 é cunhado o termo Música pimba, embora o género já existisse, a partir de uma canção do Emanuel: música ligeira com expressões de duplo sentido, quase sempre erótico, muitas vezes roçando o porno para bem vender junto do povinho recalcado, à mistura com uns copitos de tinto, sendo nisso Quim Barreiros uma das erguidas figuras de ponta.

Música de intervenção[editar | editar código-fonte]

  • NB: Os músicos contantes pertencem a uma geração da década de 1940, a maior parte deles nascidos nos primeiros anos.

Fadistas[editar | editar código-fonte]

Música portuguesa erudita[editar | editar código-fonte]

Filarmónicas[editar | editar código-fonte]

  • Bandas filarmónicas de Portugal – «Na história da música portuguesa não se pode esquecer o papel fundamental das bandas filarmónicas. As bandas filarmónicas foram, e ainda o são, as principais responsáveis pelo ensino e disseminação da música em Portugal; 80% dos instrumentistas de sopro e percussão do nosso país provêm destes grupos, responsáveis por esta formação musical desde o séc. XIII.» (Manuel Moutinho)

Lei da Rádio[editar | editar código-fonte]

A Lei nº 7/2006 veio introduzir alterações à Lei da Rádio (Lei nº 4/2001), nomeadamente a introdução de quotas de música portuguesa. Assim, as rádios passam a ter que incluir na sua emissão um mínimo de 25 a 40% de música portuguesa, a definir em portaria anualmente. Na prática, essa lei é pouco cumprida.

A lei, para além de definir o que entende por música portuguesa, exige que 60% seja interpretada na língua portuguesa por cidadãos da União Europeia e que 35% seja música recente, i.e. música com edição anterior a 12 meses. As quotas nas rádios do serviço público, Antena 1, 2 e 3, são definidas no contrato de concessão, nunca inferior a 60% do total da peça musical.

Alguns géneros musicais presentes em Portugal[editar | editar código-fonte]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]