Macau (navio)

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Macau
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Construção Flensburger Schiffbau Ges., Flensburg
Lançamento 1912
Estado Destruído.
Fatalidade Atacado pelo submarino alemão U-93 (Helmuth Gerlach)
Características gerais
Tipo de navio Navio mercante de carga
Deslocamento 3 558 toneladas
Comprimento 111,5 metros
Propulsão hélice
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Macau, veja Macau (desambiguação).

O Macau foi um navio mercante a vapor brasileiro pertencente ao Loide Brasileiro.

O navio foi construído em 1912, em Flensburgo, tendo realizado viagens comerciais entre 1912 e 1914.

Chegou ao Brasil em Agosto de 1914, denominado então Palatia sob bandeira alemã, e foi apreendido pelo governo brasileiro em 1 de Junho de 1917, como recompensa devido ao torpedeamento do navio Paraná, ocorrido poucos meses antes. Depois disso, foi operado pelo Estado, sendo operado (não oficialmente) pelo Loide Brasileiro, sendo que este só teria controle total no navio em 1926.

O Ataque Alemão (1917)[editar | editar código-fonte]

O navio partiu de Santos em 07 de Setembro de 1917, com escala prevista em Recife. O navio não levava armas (já que o Brasil continuava neutro) e era comando pelo capitão Saturnino Furtado de Mendonça, levando uma carga de café e cacau para o porto de Le Havre, na França.

Em 18 de Outubro, estando a 250 milhas (402 quilômetros) do Cabo Finisterra, às 5h20 da tarde, a tripulação de 50 pessoas do Macau[1] viu que a embarcação estava sendo seguida por dois submarinos alemães. O navio foi atingido por um torpedo no lado bombordo à meia nau. A explosão causou a morte de duas pessoas, um foguista e um graxeiro que ficaram soterrados debaixo duma pilha de hulha.

Depois, a tripulação do submarino (o U-93) exigiu que o navio fosse abandonado, já que o Macau seria bombardeado. O comandante do U-93, Helmuth Gerlach, conversou com o capitão do navio: Saturnino de Mendonça. A baleeira em que Saturnino estava chegou perto do U-boot, e o capitão estava acompanhado do taifeiro do navio, Arlindo Dias dos Santos.

Após uma conversa em castelhano,[2] onde foram feitas perguntas sobre a rota, a nacionalidade e a carga do navio, o capitão e o taifeiro subiram de volta para a baleeira, quando todos os outros tripulantes já haviam sido resgatados. Até hoje, não se sabe o que aconteceu com eles. Minutos depois, o navio recebeu 12 tiros de canhão, até ir à pique.

No naufrágio, pereceram 2 pessoas e sumiram outras 2, resultando em 4 baixas.

Repercussão no Brasil[editar | editar código-fonte]

O Cancelário, Nilo Peçanha, enviou vários telegramas entre o Palácio do Itamaraty e o Reichstag, telegramas estes que visavam entender o porque do sumiço de dois brasileiros.

Em Maceió, houve passeatas e manifestações, devido ao sumiço de Saturnino de Mendonça (que era alagoano). As passeatas e as manifestações que ocorreram no resto do Brasil pediam a entrada imediata do Brasil na guerra.

O Presidente Wenceslau Braz, em face do quarto afundamento de navio mercante brasileiro, enviou mensagem ao congresso declarando o estado de guerra com a Alemanha em 26 de Outubro de 1917.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Paraná (navio)

Maceió (navio)

Referências

  1. Trespach, Rodrigo (1 de outubro de 2018). Histórias não (ou mal) contadas: Primeira Guerra Mundial. [S.l.]: HarperCollins Brasil. ISBN 9788595084360 
  2. Ticianeli (25 de fevereiro de 2019). «Comandante Saturnino, um alagoano na 1ª Guerra Mundial». História de Alagoas. Consultado em 16 de março de 2019