Madame Nhu

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Madame Nhu, ao lado do presidente dos EUA, Lyndon Johnson (1961)

Trần Lệ Xuân, popularmente conhecida como Madame Nhu (Hanói, então Indochina francesa, 15 de abril de 1924 - Roma, 24 de abril de 2011)[1], foi a esposa de Ngo Dinh Nhu e cunhada do presidente da República do Vietnam, Ngo Dinh Diem (de 1955 à 1963), que era solteiro. Ela assumiu, assim, o papel de primeira dama do Vietnam, durante aquele período.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Tran Lê Xuân era originária de uma família rica e aristocrática. Seu avô paterno era próximo das autoridades coloniais francesas, e seu pai, Trần Văn Chương, estudou direito na metrópole, antes de se casar com um membro da família imperial do Vietnam e de ser nomeado embaixador do Vietnam do Sul nos Estados Unidos[2][3]. A mãe de Tran Lê Xuân, Thân Thị Nam Trân, aliás Nam Tran Chuong, prima do imperador Bao Dai e neta do imperador Dong Khanh, serviu como representante permanente da República do Vietnam nas Nações Unidas[4].

Estudante medíocre, Tran Lê Xuân abandonou o prestigioso liceu Albert Sarraut antes de concluir os estudos do ensino médio. Em família, ela só falava francês e era incapaz de escrever em língua vietnamita. Tinha então a reputação de ser ter modos de um menino, embora apreciasse a dança e o piano, chegando a dançar no teatro nacional de Hanói.

Ela recusa o casamento por conveniência e converte-se ao catolicismo romano antes de se casar com Ngo Dinh Nhu, quinze anos mais velho do que ela, em 1943. O casal teve quatro filhos - duas meninas e dois meninos.

Em dezembro de 1946, após uma insurreição Viet Minh no início da guerra da Indochina, Madame Nhu foi feita prisioneira com sua filha mais velha e sua sogra. Elas ficaram retidas em uma aldeia durante alguns meses, até serem libertadas pelas forças do Corpo Expedicionário Francês no Extremo Oriente (CEFEO). Seu marido é demitido de seu posto na biblioteca nacional pelas autoridades francesas, após a implicação de seu cunhado, Ngô Đình Diệm, nos movimentos nacionalistas. O casal viverá então por alguns anos em Da Lat, onde nascem seus três filhos mais novos.

Enquanto isso, o exército francês é derrotado na batalha de Điện Biên Phủ e o imperador Bao Dai convida Ngo Dinh Diem para o posto de primeiro-ministro. Segue-se o fim da monarquia e o referendo de outubro de 1955, fraudado por Ngo Dinh Nhu, que leva seu irmão, Diem, à presidência de uma república instaurada no sul do Vietnam, com sede em Saigon (atual Cidade de Ho Chi Minh).

Diem, irritado por Madame Nhu, obriga-a a exilar-se em um convento de Hong Kong mas logo muda de ideia. Ela se instala então no palácio presidencial com seu marido, cujo poder aumenta, dentro do círculo presidencial. Madame Nhu passa assim a ser considerada como a primeira-dama do país, de 1955 a 1963.

Mulher calculista e sofisticada, aliando controvérsia, influência política e declarações bombásticas, os historiadores lhe atribuem enorme influência sobre o presidente Diem.

Ela impõe a adoção de um código de direito de família que torna as mulheres legalmente iguais aos homens, banindo a poligamia, o divórcio e o adultério[5].

Em fevereiro de 1962, Madame Nhu sobrevive a uma tentativa de assassinato do presidente Diem, através do bombardeio aéreo do palácio presidencial. Dois andares do palácio são atingidos.[6].

Trần Lệ Xuân diante do palácio, após o bombardeio (1962).

Com a revolta budista em junho de 1963 e a imolação pública dos bonzos, que ateavam fogo ao próprio corpo, a impopularidade de Diệm fica evidente para o mundo, sobretudo depois que Madame Nhu fala com desenvoltura sobre o "churrasco". O escândalo será fatal para toda a família Ngo.

Por ordem do presidente americano John Kennedy, o embaixador em Saigon, Henry Cabot Lodge, recusa um encontro com Diem a fim de não preveni-lo sobre um golpe de estado preparado por seus generais sob a liderança do general Duong Van Minh, dito « Big Minh » por seu tamanho, o mesmo que Nguyen Van Thieu propõe como interlocutor aceitável para assinar a capitulação incondicional das forças sul-vietnamitas em 30 de abril de 1975, que põe fim à Guerra do Vietnam.

A prisão e o assassinato do Presidente da República, Ngo Dinh Diem, é o ponto alto do golpe organizado pela CIA[7] e levado a cabo pelo general Duong Van Minh, em novembro de 1963. Na manhã de 2 de novembro de 1963, Diem e seu irmão mais novo, Ngo Dinh Nhu, que era também seu conselheiro, são presos por tropas do exército vietnamita, após a tomada do Palácio Gia Long, em Saigon. O golpe marca o fim dos nove anos do regime.

Madame Nhu, juntamente com seu filho, Ngô Đinh Trác, e sua filha, Ngô Đinh Lê Quyên, segue para Roma, onde vive seu cunhado, o arcebispo Ngo Dinh Thuc (1897-1984). Retira-se da vida pública, dando raras entrevistas. Em1967, sua filha morre após sofrer um acidente de automóvel. Em julho de 1986, seu irmão, Tran Van Khiem, é acusado de assassinar seus pais, na casa deles, perto de Washington, DC.[8] Em 1993, após sete anos de internação em hospital psiquiátrico, Khiem é libertado.[9]

No início de abril de 2011, Madame Nhu é levada a um hospital, onde morreria, três semanas mais tarde.[10]. Em suas raras declarações à imprensa, ela sempre culpou os Estados Unidos pela queda do Vietnam do Sul e pela prisão de seu irmão.[9]

Referências

  1. (em vietnamita) Anúncio do falecimento no site do jornal Nguoi Viet Daily News
  2. Madame Nhu, Vietnam War Lightning Rod, Dies. Por Joseph R. Gregory. NY Times, 26 de abril de 2011.
  3. Madame Nhu, Dragon Lady of South Vietnam, por Peter Brush.
  4. Margie Mason (2011). «Ngo Dinh Nhu, Former First Lady of South Vietnam dies in Rome at 86». Consultado em 4 de maio 2011. 
  5. «"Mme Nhu", ex-Première dame du Sud-Vietnam, est décédée». 
  6. ElizabethFitzgerald. South Viet Nam: Joan or Lucrezia. Time, 23 de março de 1962
  7. The Diem coup after 50 years. John F. Kennedy and South Vietnam, 1963. National Security Archive . Electronic Briefing Book No. 444. An update to EBB No. 302.
  8. Rise and Fall of the Dragon Lady. Por Peter Brush. HistoryNet, 27 de abril de 2011
  9. a b Madame Nhu, Vietnam War Lightning Rod, Dies. Por Joseph R Gregory. NY Times, 26 de abril de 2011.
  10. Madame Nhu obituary. Por Robert Templer. The Guardian, 26 de abril de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]