Madonna

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Disambig grey.svg Nota: Para a imagem de Maria, veja Madona. Para outros significados, veja Madonna (desambiguação).
Madonna
Madonna durante a Rebel Heart Tour, 2016
Nome completo Madonna Louise Ciccone
Pseudônimo(s) Rainha do Pop
Outros nomes Madonna Louise Veronica Ciccone (nome Católico de confirmação)[1]
Nascimento 16 de agosto de 1958 (61 anos)
Bay City; Michigan
Residência Lisboa; Estremadura; Portugal[2]
Nacionalidade norte-americana
Fortuna US$ 570 milhões[3]
Cônjuge
Filho(s) 6
Ocupação
Período de atividade 1979–presente
Prêmios Lista completa
Carreira musical
Gênero(s)
Instrumento(s)
Gravadora(s)
Afiliações
Página oficial
madonna.com

Madonna Louise Veronica Ciccone (Bay City, 16 de agosto de 1958) é uma cantora, compositora, atriz, empresária, e produtora musical estadunidense. Madonna já vendeu mais de 300 milhões de discos no mundo inteiro e é reconhecida como a Artista musical feminina mais bem-sucedida de todos os tempos pelo Guinness World Records. Em 1977, mudou-se para Nova Iorque para tentar a carreira artística, ainda apenas na dança moderna.

Após ter feito parte dos grupos musicais Breakfast Club e Emmy, ela finalmente lançou seu álbum de estreia em 1983. Em seguida, uma série de discos bem-sucedidos trouxeram-lhe popularidade, quebrando as barreiras do conteúdo lírico da música popular tradicional e da imagem em seus videoclipes, que se tornaram constantemente exibidos na MTV. Ao longo de sua carreira, várias de suas canções chegaram ao topo das tabelas musicais de diversos páises, incluindo "Like a Virgin", "La Isla Bonita", "Like a Prayer", "Vogue", "Take a Bow", "Frozen", "Music", "Hung Up", e "4 Minutes". Madonna tem sido elogiada pela crítica por suas produções musicais diversificadas, que servem ao mesmo tempo como meio de chamar atenção para controvérsias religiosas e sexuais.

Sua carreira foi reforçada por participações em filmes que começaram em 1979, apesar dos comentários mistos. Ela ganhou aclamação da crítica e um Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical por seu papel em Evita, mas tem recebido duras críticas por outros papéis no cinema. Em relação às outras ocupações de Madonna, incluem trabalhar como designer de moda, escritora de livros infantis, diretora cinematográfica e empresária, tendo nesta última um enorme destaque pela fundação da Maverick Records, em 1992. Em 2007, ela assinou um contrato de 120 milhões de dólares com a Live Nation.

Em 2008, ela foi introduzida ao Rock and Roll Hall of Fame, e ainda no mesmo ano, a revista Billboard numerou Madonna na segunda posição, atrás apenas dos Beatles, na lista de maiores artistas de todos os tempos na parada de singles estadunidense, a Billboard Hot 100, fazendo dela a artista solo mais bem-sucedida na história das paradas da Billboard. A artista também é considerada uma das "25 mulheres mais poderosas do século passado" pela revista Time, por ser uma figura influente na música contemporânea. Referida como a "Rainha do Pop" desde os anos 80,[4] Madonna também é conhecida por estar constantemente reinventando sua música e imagem e por manter um nível de autonomia dentro da indústria fonográfica. Em julho de 2018, sua fortuna foi avaliada em 590 milhões de dólares, de acordo com a Forbes.[5] Em 2016, a revista Billboard elegeu-a com título de "Mulher do Ano".[6]

Biografia

1958—81: Primeiros anos e início da carreira

Madonna nasceu em Bay City, no estado de Michigan, em 16 de agosto de 1958. Sua mãe, Madonna Louise Ciccone (née Fortin), era de ascendência franco-canadense, e seu pai, Silvio Antonio Ciccone, é um americano filho de pais italianos. A família Ciccone é originária de Pacentro, Itália. Seu pai trabalhou mais tarde como um engenheiro de projeto para a Chrysler e General Motors. Madonna foi apelidada de "Little Nonni" para distingui-la de sua mãe.[7][8] Terceira de seis filhos dos mesmos pais, seus irmãos de sangue são: Martin, Anthony, Paula, Christopher e Melanie.[9] Madonna foi criada nos subúrbios de Detroit e de Pontiac e Rochester Hills.

Madrasta e pai de Madonna, Joan e Tony Ciccone (2009)

Sua mãe morreu de câncer de mama aos 30 anos em 1963.[9] Meses antes da morte de sua mãe, Madonna havia notado mudanças no comportamento e personalidade da dona de casa. Ela estava atenta, embora ela não entendia a razão. Sra. Ciccone, não encontrando maneiras para explicar sua condição médica terrível, muitas vezes começava a chorar quando questionada por Madonna, altura em que Madonna respondia com um abraço fraternal em sua mãe. "Lembro-me sentindo mais forte do que ela era". Madonna lembra: "Eu era tão pequena e ainda assim eu senti que ela era a criança." Madonna reconheceu mais tarde que ela não tinha entendido o conceito de sua mãe morrer. "Havia tanta coisa não dita, tantas emoções a desembaraçar e resolver, remorso, culpa, perda, raiva, confusão. [...] Eu vi minha mãe, com o olhar tão bonito e mentiram para mim como se ela estivesse dormindo em um caixão aberto. Então eu notei que a boca de minha mãe estava engraçada. Levei algum tempo para perceber que ela tinha sido enterrada. Nesse momento terrível, eu comecei a entender o que eu tinha perdido para sempre. A imagem final da minha mãe, ao mesmo tempo tão pacífica e grotesca, me assombra até hoje."

Madonna finalmente aprendeu a cuidar de si mesma e seus irmãos, e ela virou-se para a avó, na esperança de encontrar algum conforto e alguma forma de sua mãe por ela. Os irmãos Ciccone, ressentidos, invariavelmente, se rebelaram contra qualquer pessoa trazida para casa ostensivamente para tomar o lugar de sua querida mãe. Em entrevista à Vanity Fair, Madonna comentou que ela se via em sua juventude como um jovem "solitária, que procurava por alguma coisa. Eu não era rebelde de uma certa maneira. Me importava em ser boa em alguma coisa. Eu não raspava minhas axilas e eu não usava maquiagem como garotas normais. Mas eu estudei e eu tenho boas qualidades.... Eu queria ser alguém." Temendo que seu pai poderia ser tirado de seu convívio, Madonna foi muitas vezes incapaz de dormir sem estar perto dele. Seu pai se casou com a governanta da família Joan Gustafson, e eles tiveram dois filhos: Jennifer e Mario Ciccone.[10] Neste momento, Madonna começou a expressar sentimentos não resolvidos de raiva para o pai, que perduraram por décadas, e desenvolveram uma atitude rebelde. Frequentou os colégios St. Frederick's e St. Andrew's no Ensino Fundamental e, em seguida, a West Middle School. Ela era conhecida por suas notas elevadas, e alcançou notoriedade por seu comportamento pouco convencional: realizava piruetas e paradas de mão nos corredores entre as classes e levantava a saia durante a aula, de modo que os meninos pudessem ver sua calcinha.

Madonna depois estudou na Rochester Adams High School, tendo sido a estudante número um e líder de torcida.[9] Depois de se formar, ela recebeu uma bolsa de estudos de dança na Universidade de Michigan.[11] Ela convenceu o pai a deixá-la a ter aulas de balé, e foi persuadida por Christopher Flynn, seu professor de balé, para trilhar uma carreira na dança. No final de 1977, ela abandonou a faculdade e se mudou para Nova Iorque.[12] Ela tinha pouco dinheiro e trabalhou como garçonete no Dunkin' Donuts e com grupos de dança moderna.[13] "Foi a primeira vez que eu tinha tomado um avião, a primeira vez que eu andei de táxi. Cheguei aqui com 35 dólares no bolso. Foi a coisa mais corajosa que eu já fiz.", disse Madonna. Ela começou a trabalhar como dançarina de apoio para outros artistas consagrados. Embora tenha atuado como dançarina para o disco do artista francês Patrick Hernandez em sua turnê mundial de 1979, Madonna se envolveu romanticamente com o músico Dan Gilroy. Eles formaram sua primeira banda de rock, a Breakfast Club, para a qual Madonna cantava e tocava bateria e guitarra. Em 1980, ela deixou a Breakfast Club e, com seu ex-namorado, Stephen Bray como baterista, formou a banda Emmy.[14] Em 1981, devido a dificuldades financeiras, aceitou fazer backing vocals para o cantor de vanguarda alemão Otto von Wernherr.[15] Sua música impressionou o DJ e produtor Mark Kamins que arranjou um encontro entre Madonna e o fundador da Sire Records, Seymour Stein.[16]

1982—85: Madonna, Like a Virgin, Virgin Tour e casamento com Sean Penn

Depois que Madonna assinou um contrato de singles com Sire, seu single de estréia, "Everybody", foi lançado em outubro de 1982 e o segundo, "Burning Up", em março de 1983. Ambos se tornaram grandes sucessos nas boates dos Estados Unidos, alcançando o número três na tabela Hot Dance Club Songs compilado pela revista Billboard.[17] Após esse sucesso, ela começou a desenvolver seu álbum de estreia homônimo, Madonna, produzido principalmente por Reggie Lucas da Warner Bros. No entanto, ela não estava feliz com as faixas completas e discordou das técnicas de produção de Lucas, então decidiu procurar ajuda adicional.[18]

Madonna foi morar com o namorado John "Jellybean" Benitez, pedindo sua ajuda para terminar a produção do álbum.[18] Benitez remixou a maioria das faixas e produziu "Holiday", que foi seu terceiro single e seu primeiro hit internacional entre os dez primeiros. O som geral de Madonna era dissonante e na forma de disco sintético otimista, usando parte da nova tecnologia da época, como a bateria eletrônica Linn, o baixo Moog e o sintetizador OB-X.[18] O álbum foi lançado em julho de 1983 e alcançou o número oito na Billboard 200 seis meses depois, em 1984. Ele extraiu dois singles entre os dez primeiros da Billboard Hot 100, "Borderline" e "Lucky Star".[19][20]

Madonna com sua equipe na The Virgin Tour, 1985

O visual e o estilo de vestir de Madonna, suas performances e seus videoclipes começaram a influenciar meninas e mulheres. Seu estilo se tornou uma das tendências da moda feminina dos anos 1980. Criado pelo estilista e designer de jóias Maripol, o visual consistia em blusas de renda, saias sobre calças capri, meias arrastão, jóias com crucifixo, pulseiras e cabelos descoloridos.[21][22] A popularidade de Madonna continuou a aumentar globalmente com o lançamento de seu segundo álbum de estúdio, Like a Virgin, em novembro de 1984. Tornou-se seu primeiro álbum número um na Alemanha, Espanha, Itália, Nova Zelândia, Países Baixos, Reino Unido e nos EUA.[19][23] Like a Virgin se tornou o primeiro álbum de uma mulher a vender mais de cinco milhões de cópias nos EUA.[24] Mais tarde, foi certificado como diamante e vendeu mais de 21 milhões de cópias em todo o mundo.[25]

A faixa-título do álbum serviu como seu primeiro single e alcançou o topo das tabela Hot 100 por seis semanas consecutivas.[26] Atraiu a atenção de organizações conservadoras que se queixaram de que a música e o vídeo que a acompanhava promoveram o sexo antes do casamento e minaram os valores familiares[27] e os moralistas procuraram banir a música e o vídeo.[28] Madonna recebeu grande cobertura da mídia por sua performance de "Like a Virgin" no primeiro MTV Video Music Awards de 1984. Usando um vestido de noiva e luvas brancas, Madonna apareceu no palco em cima de um bolo de casamento gigante e depois rolou sugestivamente no chão. A MTV considerou retrospectivamente uma das performances pop "mais icônicas" de todos os tempos.[29] O segundo single, "Material Girl", alcançou o segundo lugar no Hot 100 e foi promovido por um videoclipe recriando a performance de Marilyn Monroe na performance de "Diamonds Are a Girl's Best Friend" durante o filme de 1953, Gentlemen Prefer Blondes. Enquanto filmava o videoclipe desta faixa, Madonna conheceu o ator Sean Penn, com quem começou a namorar pouco tempo depois. Eles posteriormente vieram a se casar no aniversário da cantora em 1985.[30]

Fiquei surpreso com a forma como as pessoas reagiram a "Like a Virgin", porque quando eu cantei essa música, eu estava cantando sobre como algo me fazia sentir de uma certa maneira — totalmente nova e fresca — e todos interpretavam como se não quisesse ser mais virgem. Foda-se! "Não foi isso que eu cantei. "Like a Virgin" sempre foi absolutamente ambíguo.

—Madonnasobre a reação de "Like a Virgin"[31][32]

Madonna entrou no cinema em fevereiro de 1985, começando com uma breve aparição como cantora em Vision Quest, um filme de drama romântico. Sua trilha sonora continha dois novos singles, seu single número um nos EUA, "Crazy for You", e outra faixa, "Gambler".[33] Ela também desempenhou o papel-título na comédia de 1985, Desperately Seeking Susan, um filme que apresentou a música "Into the Groove", seu primeiro single número um no Reino Unido.[34] Sua popularidade relegou o filme como um veículo de Madonna, apesar de não ter faturamento com atriz principal.[35] O crítico de cinema do The New York Times, Vincent Canby o nomeou um dos dez melhores filmes de 1985.[36]

A partir de abril de 1985, Madonna embarcou em sua primeira turnê na América do Norte, The Virgin Tour, com os Beastie Boys como seu ato de abertura. Ela passou de CBGB e Mudd Club a grandes arenas esportivas. A turnê viu o pico do fenômeno de aspirantes a Madonna, com muitas participantes se vestindo como ela.[37] Naquela época, ela lançou mais dois hits, "Angel" e "Dress You Up", fazendo todos os quatro singles do álbum subirem entre os cinco primeiros na tabela do Hot 100.[38] Em julho, as revistas Penthouse e Playboy publicaram uma série de fotos nuas da cantora, tiradas em Nova Iorque em 1978. Ela posou para as fotografias porque precisava de dinheiro na época e recebeu apenas 25 dólares por sessão.[39] A publicação das fotos causou um alvoroço na mídia, mas Madonna permaneceu "sem desculpas e desafiadora".[40] As fotografias foram finalmente vendidas por até 100 mil dólares.[39] Ela se referiu a esses eventos no concerto de caridade Live Aid de 1985 , dizendo que não tiraria a jaqueta porque "[a mídia] pode segurá-la contra mim daqui a dez anos".[40][41]

1986—91: True Blue, Who's That Girl Tour, Like a Prayer, Blond Ambition World Tour e Dick Tracy

Em junho de 1986, Madonna lançou seu terceiro álbum de estúdio, True Blue, inspirado e dedicado ao marido Penn.[42] A Rolling Stone ficou impressionada com o trabalho, escrevendo que o álbum "soa como se viesse do coração".[43] Cinco singles foram lançados —"Live to Tell", "Papa Don't Preach", "True Blue", "Open Your Heart" e "La Isla Bonita"— com os quatro primeiros alcançando o número um nos EUA.[33][44] O álbum liderou as tabelas em 28 países em todo o mundo, uma conquista sem precedentes na época, e continua sendo o álbum de estúdio mais vendido de Madonna, com vendas de 25 milhões de cópias.[45][46] True Blue foi apresentado na edição de 1992 do Guinness World Records como o álbum mais vendido por uma mulher de todos os tempos.[47]

Madonna durante a Who's That Girl World Tour, 1987.

Madonna estrelou o filme criticado Shanghai Surprise em 1986, pelo qual recebeu seu primeiro Framboesa de Ouro de pior atriz.[48] Ela fez sua teatral estréia em uma produção de David Rabe, Goose and Tom-Tom; o filme e a peça ambos co-estrelaram Penn.[49] No ano seguinte, Madonna foi destaque no filme Who's That Girl. Ela contribuiu com quatro músicas para a trilha sonora, incluindo a faixa-título e "Causing a Commotion".[20] Madonna embarcou na turnê mundial Who's That Girl em junho de 1987, que continuou até setembro.[50][51] Ela quebrou vários recordes de público, incluindo mais de 130,000 pessoas em um show perto de Paris, que era então um recorde para o concerto feminino mais assistido de todos os tempos.[52] Mais tarde naquele ano, a gravadora lançou You Can Dance, um álbum de remixes de sucessos anteriores remixados, que alcançou o número 14 na Billboard 200.[19][53] Após uma anulação em dezembro de 1987, Madonna pediu o divórcio de Penn em janeiro. 1989, alegando diferenças irreconciliáveis.[30]

Em janeiro de 1989, Madonna assinou um acordo com a fabricante de refrigerantes Pepsi. Em um comercial da empresa, ela estreou "Like a Prayer", o primeiro single e a faixa-título de seu quarto álbum de estúdio. O videoclipe apresentava símbolos católicos, como estigmas e uma cruz em chamas, e um sonho de fazer amor com um santo, levando o Vaticano a condenar o vídeo. Grupos religiosos tentaram banir os produtos comerciais e boicotar a Pepsi. A Pepsi revogou o comercial e cancelou seu contrato de patrocínio com a cantora.[9][54] "Like a Prayer" liderou as tabelas em muitos países, tornando-se o sétimo número um de Madonna no Hot 100.[20][33]

Madonna co-escreveu e co-produziu Like a Prayer com Patrick Leonard, Stephen Bray e Prince.[55] O crítico de música JD Considine, da Rolling Stone, o elogiou "o mais perto possível da arte que a música pop ... prova não apenas que Madonna deve ser levada a sério como artista, mas que ela é uma das vozes mais atraentes dos anos oitenta".[56] Like a Prayer alcançou o número um na Billboard 200 e vendeu 15 milhões de cópias em todo o mundo.[19][57] Outros singles de sucesso do álbum foram "Express Yourself" e "Cherish", ambos alcançaram o segundo lugar nos EUA, bem como "Dear Jessie" que esteve entre os cinco primeiros no Reino Unido e "Keep It Together" entre os dez nos EUA.[20][33] No final da década de 1980, Madonna foi nomeada como "Artista da Década" pela MTV e a revista Billboard.[58][59][60]

Madonna estrelou como Breathless Mahoney no filme Dick Tracy (1990), com Warren Beatty no papel principal.[61] O filme foi número um na bilheteria dos EUA por duas semanas e Madonna recebeu uma indicação ao Saturn Award de Melhor Atriz.[62][63] Para acompanhar o filme, ela lançou o álbum da trilha sonora, I'm Breathless, que incluía músicas inspiradas no cenário dos anos 30 do filme. Também extraiu a música "Vogue", que atngiu número um nos EUA[64] e "Sooner or Later".[65] Enquanto filmava, Madonna começou um relacionamento com Beatty, que se dissolveu no final de 1990.[66]

Madonna performando "Like a Virgin" durante a Blond Ambition World Tour, 1990, no qual ela simulava masturbação.

Em abril de 1990, Madonna iniciou sua turnê Blond Ambition World Tour, realizada até agosto.[67] A Rolling Stone chamou de "extravagância elaborada coreografada e sexualmente provocante" e a proclamou "a melhor turnê de 1990".[68] A turnê gerou forte reação negativa de grupos religiosos por sua performance de "Like a Virgin", durante a qual dois dançarinos acariciaram seu corpo antes que ela simulasse a masturbação.[50] Em resposta, Madonna disse: "A turnê não prejudica os sentimentos de ninguém. É para mentes abertas e faz com que eles vejam a sexualidade de uma maneira diferente. Eles próprios e os outros".[69] A gravação ao vivo da turnê rendeu a Madonna seu primeiro Grammy Award, na categoria Melhor videoclipe de formato longo.[70]

The Immaculate Collection, primeiro álbum de compilação de grandes sucessos de Madonna, foi lançado em novembro de 1990. Ele incluía duas novas músicas, "Justify My Love" e "Rescue Me".[71] O álbum foi certificado pela RIAA como diamante e vendeu mais de 31 milhões de unidades em todo o mundo, tornando-se o álbum de compilação mais vendido por um artista solo na história da música.[72][73] "Justify My Love" alcançou o número um nos EUA, tornando-se o nono número um.[33] Seu videoclipe apresentava cenas de sadomasoquismo, bondage, beijos do mesmo sexo e breve nudez.[74][75] O vídeo foi considerado sexualmente explícito demais para a MTV e foi banido da rede.[74]

Em dezembro de 1990, Madonna decidiu deixar o filme de Jennifer Lynch, Boxing Helena, no qual ela havia concordado em estrelar, sem nenhuma explicação para os produtores.[76] Nessa época, Madonna teve um relacionamento de oito meses com o rapper Vanilla Ice; ele terminou o relacionamento por causa do livro de Sex de Madonna.[77] Seu primeiro documentário, Truth or Dare (conhecido como In Bed with Madonna fora da América do Norte),[78] foi lançado em maio de 1991. Documentando sua Blond Ambition World Tour, tornou-se o documentário de maior bilheteria de todos os tempos (ultrapassado onze anos depois por Michael Moore com Bowling for Columbine).[79]

1992—96: Maverick Records, Erotica, Girlie Show World Tour, Bedtime Stories, Evita e a maternidade

Em 1992, Madonna estrelou A League of Their Own como Mae Mordabito, uma jogadora de beisebol de uma equipe só de mulheres. Ele alcançou o número um nas bilheterias e se tornou o décimo filme com maior bilheteria do ano nos EUA.[80] Ela gravou a música-tema do filme, "This Used to Be My Playground", que se tornou seu décimo número um no Hot 100. Tornando-se a maior quantidade de número entre qualquer artista feminina da época.[33] No mesmo ano, ela fundou sua própria empresa de entretenimento, a Maverick, constituída por uma gravadora (Maverick Records), uma produtora de filmes (Maverick Films) e as divisões de edição musical, transmissão televisiva, publicação de livros e merchandising. O acordo foi uma joint venture com Time Warner e Madonna pagou um adiantamento de 60 milhões de dólares. Ela concedeu a ela 20% de royalties dos procedimentos musicais, a taxa mais alta da indústria na época, igualada apenas pela taxa de royalties de Michael Jackson estabelecida um ano antes com a Sony.[81]

Os dois primeiros projetos lançados simultaneamente pelo empreendimento foram Erotica, o quinto álbum de estúdio da cantora e seu livro de mesa de café, Sex. Consistindo em imagens sexualmente provocativas e explícitas, fotografadas por Steven Meisel, o livro recebeu forte reação negativa da mídia e do público em geral, mas vendeu 1,5 milhão de cópias por 50 dólares cada em questão de dias.[82][83] A reação generalizada ofuscou Erotica, que acabou sendo o seu álbum menos vendido na carreira até a época.[83] Apesar de críticas positivas, tornou-se seu primeiro álbum de estúdio desde o seu álbum de estréia a ter pouco sucesso nos EUA. O álbum entrou na Billboard 200 no número dois e rendeu dois singles entre os dez primeiros no Hot 100, "Erotica" e "Deeper and Deeper".[19][33] Madonna continuou suas imagens provocativas no suspense erótico de 1993, Body of Evidence, um filme que continha cenas de sadomasoquismo e bondage. Foi mal recebido pelos críticos.[84][85] Ela também estrelou o filme Dangerous Game, lançado diretamente em vídeo na América do Norte. O New York Times descreveu o filme como "irritado e doloroso, e a dor parece real".[86]

Madonna performando "Express Yourself" durante sua The Girlie Show World Tour, 1993.

Em setembro de 1993, Madonna embarcou na The Girlie Show World Tour, na qual se vestia como uma dominadora de chicotes, cercada por dançarinas de topless. Em Porto Rico, ela esfregou a bandeira da ilha entre as pernas no palco, resultando em indignação entre a platéia.[50] Em março de 1994, ela apareceu como convidada no Late Show with David Letterman, fazendo uso de palavras de baixo calão que exigiam censura na televisão e entregando a Letterman uma calcinha supostamente usada e pedindo que ele sentisse o cheiro.[87] Os lançamentos de seu livro, álbum e filme sexualmente explícitos e a aparência controvérsia em Letterman fizeram com que os críticos questionassem Madonna como uma renegada sexual. Críticos e fãs reagiram negativamente, que comentaram que "ela tinha ido longe demais" e que sua carreira estava entrando em declínio.[88]

O biógrafo J. Randy Taraborrelli descreveu sua balada "I'll Remember" (1994) como uma tentativa de suavizar sua imagem provocativa. A música foi gravada pelo filme de Alek Keshishian, With Honors.[89] Ela fez uma aparição discreta com Letterman em uma premiação e apareceu no The Tonight Show with Jay Leno depois de perceber que precisava mudar sua direção musical para sustentar sua popularidade.[90] Com seu sexto álbum de estúdio, Bedtime Stories (1994), Madonna empregou uma imagem mais suave para tentar melhorar a percepção do público.[90] O álbum estreou no número três na Billboard 200 e gerou dois hits no top 5 dos EUA, "Secret" e "Take a Bow", o último foi número um no Hot 100 por sete semanas, o período mais longo de qualquer single de Madonna.[91] Something to Remember, uma compilação de baladas, foi lançada em novembro de 1995. O álbum apresentava três novas músicas: "You'll See", "One More Chance" e uma versão cover de "I Want You" de Marvin Gaye.[33][92] Nessa época, Madonna começou a namorar o rapper Tupac Shakur, mas acabou em 1994. No ano seguinte, Shakur revelou em uma carta a Madonna que ele encerrou o relacionamento porque ela era branca.[93] Mais tarde, ela se envolveu romanticamente com o preparador físico Carlos Leon.[94]

No musical de 1996, Evita, Madonna interpretou o papel-título de Eva Perón.[95][96] Por um longo tempo, Madonna desejou interpretar Perón e escreveu ao diretor Alan Parker para explicar por que ela seria perfeita para o papel. Ela disse mais tarde: "Esse é o papel que nasci para desempenhar. Coloquei tudo de mim nisso porque era muito mais do que um papel em um filme. Foi emocionante e intimidador ao mesmo tempo. E estou mais orgulhosa de Evita do que qualquer outra coisa que eu tenha feito".[97] Depois de garantir o papel, ela teve treinamento vocal e aprendeu sobre a história da Argentina e Perón. Durante as filmagens, Madonna adoeceu várias vezes, depois de descobrir que estava grávida e do intenso esforço emocional necessário com as cenas.[98] Após o lançamento de Evita, em dezembro de 1996, a performance de Madonna foi elogiada pelos críticos de cinema.[99] Zach Conner, da revista Time, comentou: "É um alívio dizer que Evita é muito boa, bem elaborada e visualmente bonita. Madonna mais uma vez confunde nossas expectativas".[100] Madonna ganhou um Melhor Comédia ou Musical.[101]

A trilha sonora do Evita, contendo músicas interpretadas principalmente por Madonna, foi lançada como um álbum duplo.[102] Inclui "You Must Love Me" e "Don't Cry for Me Argentina"; este último alcançou o número um em países da Europa.[103] Madonna recebeu o Tony Achennement Award de Tony Bennett no Billboard Music Awards de 1996.[104] Em 14 de outubro de 1996, ela deu à luz Lourdes "Lola" Maria Ciccone Leon, sua filha com Leon.[105] O Biógrafo Mary Cross escreveu que, embora Madonna frequentemente se preocupasse com o fato de sua gravidez prejudicar Evita, ela alcançou alguns objetivos pessoais importantes: "Agora, com 38 anos, Madonna finalmente triunfara na tela e realizou seu sonho de ter um filho, ambos no mesmo ano. atingiu outro ponto de virada em sua carreira, reinventando a si mesma e sua imagem com o público".[106] Seu relacionamento com Carlos Leon terminou em maio de 1997 e ela declarou que eles eram "melhores como melhores amigos".[107][108]

1997—2002: Ray of Light, segundo filho, Music, casamento com Guy Ritchie e Drowned World Tour

Após o nascimento de Lourdes, Madonna se envolveu no misticismo oriental e na Cabala, apresentado a ela pela atriz Sandra Bernhard.[109] Seu sétimo álbum de estúdio, Ray of Light, (1998) refletiu essa mudança em sua percepção e imagem.[110][111] Ela colaborou com o produtor de música eletrônica William Orbit e queria criar um som que pudesse misturar dance music com pop e rock britânico.[112] A crítica de música americana Ann Powers explicou que o que Madonna procurou com Orbit "era uma espécie de exuberância que ela queria para este disco. Techno e rave estavam acontecendo nos anos 90 e tinham muitas formas diferentes. Havia coisas muito experimentais e mais difíceis como o Aphex Twin. Havia coisas de festa como Fatboy Slim. Não era isso que Madonna queria para isso. Ela queria algo mais como uma cantora e compositora, na verdade. E William Orbit forneceu-lhe isso".[112]

Madonna tocando violão durante a perfromance de "I Deserve It" na Drowned World Tour, 2001

O álbum recebeu elogios da crítica, com a Slant Magazine chamando de "uma das grandes obras pop dos anos 90"[113] Ray of Light foi homenageado com quatro Grammy Awards— incluindo Melhor Álbum Pop e Melhor Gravação de Dance— e foi indicado para ambos Álbum do Ano e Gravação do Ano.[114] A Rolling Stone listou-a entre " Os 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos ".[115] Comercialmente, o álbum alcançou o número um em vários países e vendeu mais de 16 milhões de cópias em todo o mundo.[116] O principal single da obra, "Frozen", Tornou-se de Madonna primeiro single a estrear no número um no Reino Unido, enquanto nos EUA, tornou-se seu sexto single número dois, estabelecendo outro recorde para Madonna como a artista com o maior número dois hits.[33][117] O segundo single, "Ray of Light", estreou no número cinco na Billboard Hot 100.[118] A edição de 1998 do Guinness Book of World Records documentou que "nenhum artista feminina já vendeu mais discos que Madonna ao redor do mundo".[119]

Madonna fundou a Fundação Ray of Light, focada em mulheres, educação, desenvolvimento global e humanitário.[120] Ela foi contratada para o papel de professora de violino no filme Music of the Heart, em 1999, mas deixou o projeto, citando "diferenças criativas" com o diretor Wes Craven.[121] Ela gravou o single "Beautiful Stranger" para o filme Austin Powers: The Spy Who Shagged Me de 1999, que lhe rendeu um Grammy Award de Melhor Canção Escrita para Mídia Visual.[70] Madonna estrelou o filme The Next Best Thing de 2000, e contribuiu com duas músicas para a trilha sonora do filme; "Time Stained Still" e um cover da música de Don McLean, de 1971, "American Pie".[122]

Madonna lançou seu oitavo álbum de estúdio, Music, em setembro de 2000. Ele apresentava elementos da era Ray of Light inspirada em eletrônica e, como seu antecessor, recebeu elogios da crítica. Colaborando com o produtor francês Mirwais Ahmadzaï, Madonna comentou: "Adoro trabalhar com esquisitos que ninguém conhece — as pessoas que têm talento bruto e que fazem música diferente de qualquer outra pessoa. Music é o futuro do som".[123] Stephen Thomas Erlewine, da AllMusic, sentiu que "Music sopra em uma onda caleidoscópica de cor, técnica, estilo e substância. Tem tanta profundidade e camadas que é tão autoconsciente e sério quanto Ray of Light".[124] O álbum assumiu a posição número um em mais de 20 países do mundo e vendeu quatro milhões de cópias só nos primeiros dez dias.[114] Nos EUA, Music estreou no topo e se tornou seu primeiro álbum número um em onze anos desde in the first ten days.[114] In the U.S., Music debuted at the top, and became her first number-one album in eleven years since Like a Prayer.[125] Produziu três singles: o número um na Hot 100 "Music", "Don't Tell Me" e "What It Feels Like for a Girl".[33] O videoclipe de "What It Feels Like for a Girl" descreve Madonna cometendo atos de crime e vandalismo, e foi banido pela MTV e VH1.[126]

Ela conheceu o diretor Guy Ritchie, que mais tarde se tornaria seu segundo marido, no verão de 1998 e deu à luz seu filho Rocco John Ritchie em 11 de agosto de 2000 em Los Angeles. Rocco e Madonna sofreram complicações desde o nascimento devido à experiência de placenta prévia. Ele foi batizado na Catedral de Dornoch, em Dornoch, na Escócia, em 21 de dezembro de 2000. Madonna casou-se com Ritchie no dia seguinte no próximo Castelo Skibo.[127][128] Após uma ausência de oito anos dos palcos, Madonna iniciou sua Drowned World Tour em junho de 2001.[50] A turnê visitou cidades nos EUA e na Europa e foi a turnê de maior bilheteria do ano por um artista solo, ganhando 75 milhões em 47 shows esgotados.[129] Ela também lançou sua segunda coleção de sucessos, intitulada GHV2, para coincidir com o lançamento em vídeo caseiro da turnê. O GHV2 estreou no número sete na Billboard 200.[130]

Madonna estrelou o filme Swept Away, dirigido por Ritchie. Lançado diretamente para o vídeo no Reino Unido, o filme foi um fracasso comercial e crítico.[131] Em maio de 2002, ela apareceu em Londres na peça Up for Grabs, no West End, no Wyndhams Theatre (anunciada como 'Madonna Ritchie'), para críticas universalmente ruins e foi descrita como "a maior decepção da noite".[132][133] Naquele mês de outubro, ela lançou "Die Another Day", a canção título do James Bond filme Die Another Day, no qual ela teve uma participação especial, descrito por Peter Bradshaw do The Guardian como "incrivelmente de madeira".[134] A música alcançou o número oito na Billboard Hot 100 e foi indicada ao Prêmio Globo de Ouro de Melhor Canção Original e ao Framboesa de Ouro por Pior Canção Original.[33]

2003—06: American Life, Re-Invention Tour, Confessions on a Dance Floor, Confessions Tour e adoção

Após o Die Another Day, Madonna colaborou com o fotógrafo de moda Steven Klein em 2003 para uma instalação de exibição chamada X-STaTIC Pro=CeSS. Incluiu a fotografia de uma sessão de fotos na revista W e sete segmentos de vídeo. A instalação ocorreu de março a maio na galeria Deitch Projects, em Nova Iorque, e também viajou pelo mundo em um formato editado.[135] No mesmo ano, Madonna lançou seu nono álbum de estúdio, American Life, que foi baseado em suas observações da sociedade americana.[136] Ela explicou que o disco era "como uma viagem pela memória, olhando para tudo o que consegui e todas as coisas que valorizava e todas as coisas importantes para mim". Larry Flick, do The Advocate, considerou que "American Life é um álbum que está entre os mais aventureiros e liricamente inteligentes", ao mesmo tempo em que o condena como "um trabalho preguiçoso e meio arrogante de soar e levá-la a sério".[137][138] A música-título atingiu o número 37 no Hot 100.[33] Seu videoclipe original foi cancelado, pois Madonna pensou que o clipe, apresentava violência e imagens de guerra, seria considerado antipatriótico, já que os EUA estavam em guerra com o Iraque.[139] Com quatro milhões de cópias vendidas em todo o mundo, American Life foi o álbum mais vendido de sua carreira naquele momento.[140]

Madonna vestida como uma militar, em performance da Re-Invention World Tour, de 2004. O patriotismo americano e a Guerra do Iraque foram temas constantemente abordados pela cantora naquela fase.

Madonna fez outra performance provocativa no final do ano no MTV Video Music Awards de 2003, quando beijou as cantoras Britney Spears e Christina Aguilera enquanto cantava a faixa "Hollywood".[141][142] Em outubro de 2003, ela forneceu participação vocal no single de Spears "Me Against the Music".[143] Foi seguido com o lançamento de Remixed & Revisited. O EP continha versões remixadas de músicas do American Life e incluía "Your Honesty", uma faixa inédita das sessões de gravação do Bedtime Stories.[144] Madonna também assinou um contrato com a Callaway Arts & Entertainment para ser a autora de cinco livros infantis. O primeiro desses livros, intitulado The English Roses, foi publicado em setembro de 2003. A história era sobre quatro alunas inglesas e sua inveja e ciúmes um do outro.[145] O livro estreou no topo da lista de mais vendidos do New York Times e se tornou o livro infantil de imagens mais vendido de todos os tempos.[146]

No ano seguinte, Madonna e Maverick processaram a Warner Music Group e sua antiga controladora Time Warner, alegando que o mau gerenciamento de recursos e a má contabilidade custaram à empresa milhões de dólares. Em troca, a Warner entrou com uma ação judicial alegando que Maverick havia perdido dezenas de milhões de dólares por conta própria.[147][148] A disputa foi resolvida quando as ações da Maverick, de propriedade de Madonna e Ronnie Dashev, foram compradas pela Warner. A empresa de Madonna e Dashev se tornou uma subsidiária da Warner Music, mas Madonna ainda estava assinada com a Warner sob um contrato de gravação separado.[147]

Em meados de 2004, Madonna embarcou na Re-Invention World Tour nos EUA, Canadá e Europa. Tornou-se a turnê com maior bilheteria de 2004, faturando cerca de 120 milhões de dólares, tornando-se o assunto de seu documentário I'm Going to Tell You a Secret.[149][150] Em novembro de 2004, ela foi incluída no Hall da Fama do Reino Unido como um de seus cinco membros fundadores, junto com os The Beatles, Elvis Presley, Bob Marley e U2.[151] A Rolling Stone a classificou no número 36 em sua edição especial dos 100 Maiores Artistas de Todos os Tempos, apresentando um artigo sobre ela escrito por Britney Spears.[152] Em janeiro de 2005, Madonna tocou uma versão cover da música "Imagine" de John Lennon no Tsunami Aid.[153] Ela também se apresentou no show beneficente Live 8 em Londres em julho de 2005.[154]

Madonna pendurada em uma cruz durante a performance de "Live to Tell", na Confessions Tour, 2006.

Seu décimo álbum de estúdio, Confessions on a Dance Floor, foi lançado em novembro de 2005. Musicalmente, o álbum foi estruturado como um DJ tocando em uma boate. Foi aclamado pela crítica, com Keith Caulfield, da Billboard, comentando que o álbum foi um "retorno bem-vindo a Rainha do Pop".[155] O álbum ganhou um Grammy de Melhor Álbum Dance/Eletrônico.[70] Confessions on a Dance Floor e seu single principal, "Hung Up", alcançaram o número um em 40 e 41 países, respectivamente, ganhando um lugar no Guinness World Records.[156] A música continha uma amostra de "Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)" do ABBA, apenas a segunda vez que o ABBA permitiu que seu trabalho fosse usado. Björn Ulvaeus, compositor do ABBA, comentou "É uma faixa maravilhosa - música pop 100% sólida".[157] "Sorry", o segundo single, se tornou de Madonna décimo segundo single número um no Reino Unido.[34]

Madonna embarcou na Confessions Tour em maio de 2006, que teve uma audiência global de 1,2 milhão e arrecadou mais de 193,7 milhões de dólares, tornando-se a turnê de maior bilheteria até hoje para uma artista feminina.[158] Madonna usou símbolos religiosos, como o crucifixo e a coroa de Espinhos, na performance de "Live to Tell". Isso fez com que a Igreja Ortodoxa Russa e a Federação das Comunidades Judaicas da Rússia instassem todos os seus membros a boicotar seu concerto.[159] Ao mesmo tempo, a International Federation of the Phonographic Industry (IFPI) anunciou oficialmente que Madonna havia vendido mais de 200 milhões de cópias de seus álbuns sozinha em todo o mundo.[160]

Durante a turnê, Madonna fundou a organização de caridade Raising Malawi e parcialmente financiou um orfanato e viajou para esse país. Enquanto estava lá, ela decidiu adotar um garoto chamado David Banda em outubro de 2006.[161] A adoção gerou forte reação do público, porque a lei do Malawi exige que os futuros pais residam no Malawi por um ano antes de adotar, o que Madonna não fez.[162] Ela abordou isso no The Oprah Winfrey Show, dizendo que não havia leis de adoção por escrito no Malauí que regulassem a adoção estrangeira. Ela descreveu como Banda sofria de pneumonia depois de sobreviver à malária e tuberculose quando o conheceu.[163] O pai biológico de Banda, Yohane, comentou: "Esses chamados ativistas de direitos humanos estão me assediando todos os dias, ameaçando-me que eu não esteja ciente do que estou fazendo ... Eles querem que eu apoie o processo no tribunal, um coisa que não posso fazer, pois sei o que concordei com Madonna e seu marido". A adoção foi finalizada em maio de 2008.[164][165]

2007—11: Live Nation, Hard Candy, Sticky & Sweet Tour e a segunda adoção

Madonna no Tribeca Film Festival em 2008.

Madonna lançou e tocou a música "Hey You" no concerto Live Earth em julho de 2007.[166] Ela anunciou sua saída da Warner Bros. Records e declarou um novo contrato de 120 milhões em dez anos com o Live Nation por dez anos.[167] Em 2008, Madonna produziu e escreveu I Am Because We Are, um documentário sobre os problemas enfrentados pelos malauianos; foi dirigido por Nathan Rissman, que trabalhou como jardineiro de Madonna.[168] Ela também dirigiu seu primeiro filme, Filth and Wisdom. A trama do filme girava em torno de três amigos e suas aspirações. The Times disse que "se orgulhou", enquanto o Daily Telegraph descreveu o filme como "não um primeiro trabalho totalmente pouco promissor [mas] Madonna faria bem em se manter no emprego".[169][170] Em 10 de março de 2008, Madonna foi introduzida no Rock and Roll Hall of Fame em seu primeiro ano de elegibilidade.[171] Ela não cantou na cerimônia, mas pediu aos companheiros do Hall da Fama e aos nativos de Michigan, The Stooges, que interpretassem suas músicas "Burning Up" e "Ray of Light".[172] Em abril de 2008, lança seu décimo primeiro álbum de estúdio, Hard Candy, que trouxe mudanças em relação ao anterior, deixando de lado o som dance e disco e focando-se em um estilo mais urbano com influências de hip hop e dance-pop, as músicas do disco eram de natureza autobiográfica e mostrou a cantora colaborando com Justin Timberlake, Timbaland, Pharrell Williams e Nate "Danja" Hills.[173] O álbum estreou no número um em 37 países e na Billboard 200.[174][175] Caryn Ganz, da Rolling Stone, o elogiou como um "sabor impressionante de sua próxima turnê",[176] enquanto o correspondente da BBC, Mark Savage o considerou "uma tentativa de aproveitar o mercado urbano".[177]

Madonna performando na sua Sticky & Sweet Tour, que foi a segunda turnê com maior bilheteria de todos os tempos.

O primeiro single escolhido, "4 Minutes", alcançou o número três na Billboard Hot 100. Foi o 37º hit de Madonna entre os dez primeiros na tabela e a levou a empatar com Elvis Presley como a artista com mais singles entre os dez primeiros.[178] No Reino Unido, ela manteve seu recorde com mais singles número um para uma artista feminina; "4 Minutes" se tornando seu décimo terceiro.[179] No 23º Japan Gold Disc Awards, Madonna recebeu seu quinto troféu de Artista do Ano pela Recording Industry Association of Japan, o maior número para qualquer artista.[180] Para promover ainda mais o álbum, ela embarcou na Sticky & Sweet Tour, seu primeiro grande empreendimento com a Live Nation. Com um total bruto de 408 milhões de dólares, acabou como a turnê com a segunda maior bilheteria de todos os tempos, atrás de A Bigger Bang dos The Rolling Stones.[181] Continuou a turnê com maior bilheteria de um artista solo até que The Wall Live, de Roger Waters, superou em 2013.[182]

Life with My Sister Madonna, um livro lançado em julho de 2008 pelo irmão de Madonna, Christopher, estreou no número dois da lista dos mais vendidos do New York Times.[183] O livro causou um mal estar na relação entre Madonna e Christopher, por causa do lançamento não autorizado.[184] No outono, Madonna pediu o divórcio de Ritchie, citando diferenças irreconciliáveis.[185] Em dezembro de 2008, o porta-voz de Madonna anunciou que Madonna havia concordado com um acordo de divórcio com Ritchie, cujos termos lhe concederam entre 50 e 60 milhões de libras (66,67 a 80 milhões de dólares), um número que incluía o pub e a residênciado do casal em Londres na Inglaterra.[186] O casamento foi dissolvido pelo juiz do distrito Reid, por decreto nisi, no registro clínico principal da divisão da família em High Holborn, Londres. Eles entraram em um acordo de compromisso para Rocco e David, então com oito e três anos, respectivamente, e dividiram o tempo das crianças entre a casa de Ritchie em Londres e a de Madonna em Nova Iorque, onde Lourdes se juntou às duas.[187][188] Logo depois, Madonna solicitou a adoção do Chifundo "Mercy" James do Malawi em maio de 2009, mas a Suprema Corte do país rejeitou o pedido porque a cantora não era residente no páis.[189] Ela recorreu da apelação e, em 12 de junho de 2009, a Suprema Corte do Malawi concedeu-lhe o direito de adotar Mercy.[190]

Madonna concluiu seu contrato com a Warner, liberando em setembro de 2009 uma coletânea de maiores sucessos, Celebration. O material continha dua faixas inéditas, "Celebration" e "Revolver", além de 34 sucessos lançados durante vigência de seu contrato com selo.[191] Celebration alcançou o número um em vários países, incluindo Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.[192] Ela esteve presente no MTV Video Music Awards de 2009 para falar em homenagem ao falecido cantor pop Michael Jackson.[193] Madonna terminou a década de 2000 como a artista mais vendida da década nos EUA e a artista mais tocada da década no Reino Unido.[194][195] A Billboard também a anunciou como a terceira artista com a maior turnê da década — atrás apenas dos The Rolling Stones e U2 — com um faturamento superior a 801 milhões, participação de 6,3 milhões e 244 ingressos esgotados de 248 shows.[196]

Madonna se apresentou no show Hope for Haiti Now: A Global Benefit for Earthquake Relief, em janeiro de 2010.[197] Seu terceiro álbum ao vivo, Sticky & Sweet Tour, foi lançado em abril, estreando no número dez na Billboard 200.[19] Ele também se tornou seu 20º top dez na tabela de álbuns da Oricon, quebrando o recorde dos Beatles de um dos dez maiores álbuns de uma atuação internacional no Japão.[198] Madonna concedeu ao programa de televisão americano Glee os direitos de todo o seu catálogo de músicas, e os produtores criaram um episódio com suas músicas exclusivamente.[199] Ela também colaborou com Lourdes e lançou a linha de roupas Material Girl, inspirada em seu estilo punk-girl quando ela chegou à fama na década de 1980.[200] Em outubro, ela abriu uma série de academias de ginástica em todo o mundo chamada Hard Candy Fitness,[201] e três meses depois lançou uma segunda marca de moda chamada Truth or Dare, que incluía calçados, perfumes, roupas íntimas e acessórios.[202]

Madonna dirigiu seu segundo longa-metragem, W.E., um relato biográfico sobre o caso entre o Eduardo VIII do Reino Unido e Wallis Simpson. Co-escrito com Alek Keshishian, o filme estreou no 68º Festival Internacional de Cinema de Veneza em setembro de 2011.[203] A resposta crítica e comercial ao filme foi negativa.[204][205] Madonna contribuiu com a balada "Masterpiece" para a trilha sonora do filme, que lhe rendeu um Globo de Ouro de Melhor Canção Original.[206]

2012—17: W.E., MDNA, MDNA Tour, Rebel Heart e empreendimentos comerciais

Em fevereiro de 2012, Madonna se apresentou no show do intervalo do Super Bowl XLVI no Lucas Oil Stadium, em Indianápolis, Indiana.[207] Sua performance foi visualizada pelo Cirque Du Soleil e Jamie King e contou com convidados especiais LMFAO, Nicki Minaj, M.I.A. e CeeLo Green. Tornou-se o show de intervalo do Super Bowl mais assistido da história, com 114 milhões de espectadores, superior ao jogo em si.[208] Durante o evento, ela performou "Give Me All Your Luvin'", o single principal de seu décimo segundo álbum de estúdio, MDNA. Tornou-se o seu 38º single entre os dez primeiros da Billboard Hot 100.[209]

Madonna se apresentando durante a The MDNA Tour, 2012. A turnê se tornou a décima turnê com maior bilheteria de todos os tempos após sua conclusão.

Em março de 2012, MDNA, chega às lojas, o projeto teve colaboração com vários produtores, incluindo William Orbit e Martin Solveig.[210] Foi seu primeiro lançamento sob seu contrato de três álbuns com a Interscope Records, que ela assinou como parte de seu contrato de 360 ​​com a Live Nation.[211] Ela assinou contrato com a gravadora, já que o Live Nation não conseguiu distribuir gravações musicais.[212] MDNA tornou-se o quinto álbum de estúdio consecutivo da cantora a estrear no topo da Billboard 200.[213] A obra foi promovida principalmente pela The MDNA Tour, que durou de maio a dezembro de 2012.[214] A turnê contou com assuntos controversos como violência, armas de fogo, direitos humanos, nudez e política, que causaram polêmica em diversos países pelo qual a digressão passou. Arrecadando um total de 305,2 milhões em 88 shows esgotados, tornou-se a turnê com maior bilheteria de 2012 e a décima turnê com maior bilheteria de todos os tempos.[215] Madonna foi nomeada a celebridade mais bem paga do ano pela Forbes, lucrando cerca de 125 milhões de dólares.[216]

Madonna colaborou com Steven Klein e dirigiu um filme de 17 minutos, secretprojectrevolution, lançado no BitTorrent em setembro de 2013.[217] Com o filme, ela lançou a iniciativa Art for Freedom, que ajudou a promover "a arte e a liberdade de expressão como um meio de enfrentar a perseguição e a injustiça em todo o mundo". O site do projeto incluiu mais de 3,000 inscrições relacionadas à arte desde o início, com Madonna regularmente monitorando e recrutando outros artistas como David Blaine e Katy Perry como curadores convidados.[218]

Em 2013, Raising Malawi, de Madonna, havia construído dez escolas para educar 4,000 crianças no Malawi, no valor de 400 mil.[219] Quando Madonna visitou as escolas em abril de 2013, a Presidente do Malawi Joyce Banda acusou-a de exagerar na contribuição de caridade.[220] Madonna ficou triste com a declaração de Banda, mas esclareceu que ela "não tinha intenção de se distrair com estas alegações ridículas". Mais tarde foi confirmado que Banda não havia aprovado a declaração divulgada por sua acessoria de imprensa.[221] Madonna também visitou sua cidade natal, Detroit, em maio de 2014 e doou fundos para ajudar na falência da cidade.[222] No mesmo ano, seus negócios se estenderam a produtos para cuidados com a pele com o lançamento do MDNA Skin em Tóquio, Japão.[223]

O décimo terceiro álbum de estúdio da cantora, Rebel Heart, é lançado em março de 2015, três meses após o vazamento de treze demos na Internet.[224] Ao contrário de seus trabalhos anteriores, que envolveram apenas algumas pessoas, Madonna trabalhou com um grande número de colaboradores, incluindo Avicii, Diplo e Kanye West.[225][226] A introspecção foi listada como um dos temas fundamentais predominantes na obra, juntamente com "declarações genuínas de reflexão pessoal e profissional".[227] Madonna explicou a Jon Pareles do The New York Times que, embora ela nunca tenha olhado para seus projetos anteriores, relembra-los parecia certo no Rebel Heart.[228] Os críticos de música responderam positivamente ao álbum, chamando-o de seu melhor trabalho em uma década.[229] Rebel Heart se tornou o primeiro álbum da cantora a perder a primeira posição da Billboard 200 desde Ray of Light, mas alcançou o número um em outros grandes mercados da música, incluindo Alemanha, Austrália, Canadá e Itália.[230]

Madonna performando durante a Rebel Heart Tour, 2015.

De setembro de 2015 a março de 2016, Madonna embarcou na Rebel Heart Tour para promover o álbum. A turnê viajou pela América do Norte, Europa e Ásia e foi a primeira visita da cantora à Austrália em 23 anos, onde ela também fez um show único para seus fãs.[231][232] A Rebel Heart Tour arrecadou um total de 169,8 milhões nos 82 shows, com mais de 1,045 milhões de vendas de ingressos.[233] Enquanto estava em turnê, Madonna se envolveu em uma batalha legal com Ritchie, sob a custódia de seu filho Rocco. A disputa começou quando Rocco decidiu continuar morando no Reino Unido com Ritchie quando a turnê a visitou, enquanto Madonna queria que ele fosse embora com ela. As audiências foram realizadas em Nova Iorque e Londres. Após várias deliberações, Madonna retirou seu pedido de custódia e decidiu resolver o assunto em particular.[234]

Em outubro de 2016, a Billboard nomeou Madonna a Mulher do Ano. Seu discurso "franco e brutalmente honesto" sobre ageismo e sexismo na cerimônia recebeu ampla cobertura na mídia.[235][236] No mês seguinte, Madonna, que apoiou ativamente Hillary Clinton durante a eleição presidencial dos EUA em 2016, fez um concerto acústico improvisado no Washington Square Park, em apoio à campanha de Clinton.[237] Triste por Donald Trump ter vencido a eleição, Madonna falou contra ele na Marcha das Mulheres em Washington, um dia após sua posse.[238] Ela provocou polêmica quando disse que "pensava muito em explodir a Casa Branca".[239] No dia seguinte, a cantora afirmou que "não era uma pessoa violenta" e que suas palavras haviam sido "tomadas descontroladamente fora de contexto".[240]

Em fevereiro de 2017, Madonna adotou duas irmãs gêmeas de quatro anos do Malawi, chamadas Estere e Stella,[241][242] e mudou-se com a familia para Lisboa, Portugal, no verão de 2017, com seus filhos adotivos.[243] Em julho, ela abriu o Instituto Mercy James de Cirurgia Pediátrica e Cuidados Intensivos no Malawi, um hospital infantil construído por sua instituição de caridade Raising Malawi.[244] O álbum ao vivo que documenta a Rebel Heart Tour foi lançado em setembro de 2017 e ganhou o prêmio de Melhor Vídeo de Música para Artistas Ocidentais no 32º Japan Gold Disc Award.[245][246] Naquele mês, Madonna lançou o MDNA Skin em lojas selecionadas nos Estados Unidos, depois de se "cansar de ouvir as pessoas reclamarem aqui por não conseguirem acha-la nos Estados Unidos".[247] Alguns meses antes, a casa de leilões Gotta Have Rock and Roll havia colocado itens pessoais da cantora como cartas de amor de Tupac Shakur, cassetes, roupas íntimas e uma escova de cabelo à venda. Darlene Lutz, uma negociante de arte que havia iniciado o leilão, foi processada pelos representantes de Madonna para interromper o processo. Madonna esclareceu que seu status de celebridade "não impede meu direito de manter minha privacidade, inclusive no que diz respeito a itens altamente pessoais".[248]

2018—presente: Madame X e outros projetos

Madonna, em 2019, durante uma entrevista à MTV, divulgando seu álbum Madame X

Em janeiro de 2018, Madonna revelou que havia começado a trabalhar em seu 14º álbum de estúdio.[249] Mais tarde, ela esclareceu que o álbum seria infundido com fado português, e que seu lançamento estava previsto para 2019.[250][251] Quatro meses depois, em 7 de maio, ela apareceu no Met Gala de 2018, e cantou uma nova canção chamada "Beautiful Game", juntamente com "Like a Prayer", e um cover de "Hallelujah", de Leonard Cohen.[252] Em julho de 2018, Madonna participou do clipe da cantora americana Ariana Grande, God Is a Woman, fazendo o papel de Deus. Ela recita uma fala de Samuel L. Jackson no filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino.[253] No MTV Video Music Awards de 2018, ocorrido em 20 de agosto daquele ano, Madonna prestou homenagem à cantora Aretha Franklin, que havia falecido na semana anterior.[254] Em outubro, ela contribuiu com vocais para a faixa "Champagne Rosé" no álbum de estréia do rapper estadunidense Quavo, Quavo Huncho.[255] Seus outros projetos incluem dirigir o filme da MGM, Taking Flight, baseado no livro de memórias da bailarina Michaela DePrince, bem como adaptar o romance do autor Andrew Sean Greer, The Impossible Lives of Greta Wells, para o cinema.[256]

Em 14 de abril de 2019, Madonna revelou que Madame X seria o título de seu futuro décimo quarto álbum de estúdio.[257] O primeiro single do álbum, "Medellín", que conta com a participação do cantor colombiano Maluma, foi lançado em 17 de abril de 2019.[258] Ela também anunciou uma turnê, Madame X Tour, a qual será apresentada apenas em teatros em de Nova York, Chicago e Los Angeles.[259]

Em abril de 2020, a cantora testou positivo para a COVID-19.[260][261] A cantora disse que superou a doença.[262][263]

Características musicais

Estilo musical e composição

[Madonna] é uma brilhante melodista e letrista pop. Fiquei impressionado com a qualidade da escrita [durante as sessões do Ray of Light]... sei que ela cresceu com Joni Mitchell e Motown, e aos meus ouvidos ela representa o melhor dos dois mundos. Ela é uma compositora maravilhosa e confessional, além de ser uma excelente escritora de sucessos pop.

Rick Nowels, sobre co-escrever com Madonna.[264]

A música de Madonna tem sido objeto de muita análise e escrutínio. Robert M. Grant, autor de Contemporary Strategy Analysis (2005), comentou que o que trouxe sucesso a Madonna "certamente não é um talento natural extraordinário. Como vocalista, musicista, dançarina, compositora ou atriz, os talentos de Madonna parecem modestos".[265] Ele afirma que o sucesso de Madonna é confiar nos talentos de outras pessoas, e que seus relacionamentos pessoais serviram como pedras angulares para as numerosas reinvenções na longevidade de sua carreira.[265] O autor acreditava que a abordagem de Madonna estava longe da sabedoria da indústria da música de "Encontrar uma fórmula vencedora e cumpri-la". Sua carreira musical tem sido uma experimentação contínua com novas idéias musicais e novas imagens e uma busca constante por novos patamares de fama e aclamação. Grant concluiu que "tendo se estabelecido como a rainha da música popular, Madonna não parou por aí, mas continuou reinventando".[266] De acordo com Thomas Harrison no livro Pop Goes the Decade: The Eighties, Madonna era "uma artista que ultrapassou os limites" do que uma cantora poderia fazer, tanto visual quanto liricamente.[267]

Ao longo de sua carreira, Madonna esteve envolvida em escrever e produzir a maior parte de sua própria música.[268] Stuart Price, um de seus colaboradores anteriores, disse que "você não produz Madonna, você colabora com ela. Ela é uma produtora muito boa e, obviamente, também é uma ótima escritora. Ela tem sua visão e sabe como obtê-la"."[269] As habilidades de composição de Madonna foram desenvolvidas durante seu tempo no Breakfast Club em 1979.[14] De acordo com Carol Gnojewski, suas primeiras tentativas de composição são percebidas como uma importante "auto-revelação".[270] Madonna mais tarde se tornou a única escritora de cinco músicas em seu álbum de estréia, incluindo "Lucky Star" que ela compôs no sintetizador.[271] Como compositora, ela registrou um total de 287 músicas na ASCAP, incluindo 18 músicas compostas inteiramente por ela mesma.[272] A Rolling Stone a nomeou "uma compositora exemplar com um presente para ganchos e letras indeléveis".[273] Segundo Freya Jarman-Ivens, o talento de Madonna para desenvolver ganchos "incríveis" para suas músicas permite que a letra prenda a atenção do público, mesmo sem a influência da música.[274] Apesar de ter trabalhado com produtores de vários gêneros, a Rolling Stone escreveu que as músicas de Madonna foram "constantemente estampadas com sua própria sensibilidade e infladas com detalhes autobiográficos".[275] Ela criticou os "campos de composição" que ela teve que passar durante os ciclos de álbum Rebel Heart e MDNA, devido ao fato de que as pessoas estão sempre com pressa. Ela esclareceu sua preferência por escrever material com outros artistas "do começo ao fim" de um disco,[276] e descreveu suas músicas como "destinadas a ser irônicas e não interpretadas literalmente, e algumas são apenas diretas: 'Abra minhas veias, este é quem eu sou'.[277] Madonna foi nomeada para ser apresentada ao Songwriters Hall of Fame três vezes, nas cerimônias de 2014, 2016 e 2017.[278][279][280] Em 2015, a Rolling Stone classificou Madonna no número 56 na lista "100 Maiores compositores de todos os tempos".[275]

Madonna escreveu todas as letras e melodias parciais de "Live to Tell", uma balada adulto contemporâneo, que foi indicada por Taraborrelli como um veículo de crescimento para a cantora.[281]

Uma música eletrônica de andamento uptempo, "Ray of Light", mostra o registro vocal superior inexplorado de Madonna, que foi treinado durante as filmagens do musical Evita de 1996.[282]

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Madonna passou seus primeiros anos se dedicando ao rock com Breakfast Club e Emmy.[283] Enquanto tocava com Emmy, Madonna gravou cerca de 12 a 14 músicas que se assemelham ao punk rock daquele período. Suas raízes no rock também podem ser encontradas no álbum demo Pre-Madonna.[283] Stephen Thomas Erlewine observou que, com seu álbum de estréia, Madonna começou sua carreira como diva do disco, em uma época em que não havia nenhuma dessas divas. No início dos anos 80, o disco era um anátema para o pop mainstream e, de acordo com Erlewine, Madonna teve um papel enorme na popularização do dance como música mainstream.[284] As músicas do álbum revelam várias tendências importantes que continuaram a definir seu sucesso, incluindo um forte apelo baseado na dança, ganchos cativantes, arranjos altamente polidose o estilo vocal de Madonna. Seu segundo álbum, Like a Virgin (1984), prenunciou várias tendências em seus trabalhos posteriores. Continha referências a obras clássicas (linha de sintetizador pizzicato que abre "Angel"); potencial reação negativa de grupos sociais ("Dress You Up" foi incluído na lista negra do Parents Music Resource Center); e estilos retrô ("Shoo-Bee-Doo", homenagem de Madonna à Motown).[285]

Sua declaração artística madura foi visível em True Blue (1986) e Like a Prayer (1989). Em True Blue, ela incorporou elementos da música clássica, a fim de envolver um público mais velho que era cético em relação à sua música.[286] Já em Like a Prayer introduziu músicas gravadas ao vivo e incorporou elementos de diferentes gêneros musicais, incluindo dance, pop rock, R&B e música gospel.[287] Sua versatilidade foi ainda mostrado em I'm Breathless, que consiste predominantemente em faixas jazz, swing e big band da década de 1930 apresentado nos espetáculos da Broadway.[288] Madonna continuou a compor baladas e canções dance-pop uptempo para Erotica (1992) e Bedtime Stories (1994). Ambos os álbuns exploraram elementos do new jack swing, com Jim Farber, da Entertainment Weekly, dizendo que "ela poderia ser vista como madrinha do ritmo".[289][290] Ela tentou se manter contemporânea incorporando amostras, loops de bateria e hip hop em sua música.[291] Com Ray of Light, Madonna trouxe a música eletrônica de seu status underground à popularidade massiva no cenário musical mainstream.[292]

Madonna experimentou mais música folclórica e acústica em Music (2000) e American Life (2003).[293] Foi observada uma mudança no conteúdo das músicas do Music, sendo a maioria simples canções de amor, mas com um tom subjacente de melancolia.[285] Segundo a revista Q, American Life era caracterizado por "um ritmo techno forte, linhas de teclado líquidas, um coro acústico e um rap bizarro de Madonna".[294] As "canções de rock convencional" do álbum foram repletas de letras dramáticas sobre patriotismo e composição, incluindo a aparência de um coral gospel na música "Nothing Fails".[294] Madonna voltou a explorar a música dance no Confessions on a Dance Floor, infundindo batidas de boates e música retro com letras paradoxais e metafóricas.[295] Ela se mudou musicalmente para uma direção urbana com Hard Candy (2008), misturando pop e hip hop com músicas dance-pop.[296] MDNA (2012) focou em grande parte na música eletrônica, que ela abraça desde Ray of Light.[297]

Voz e instrumentos

Madonna tocando guitarra na performance de "Human Nature" durante a Sticky & Sweet Tour, 2008.

Possuindo um alcance vocal mezzo-soprano,[298][299] Madonna sempre foi auto-consciente sobre sua voz, especialmente em comparação com os seus ídolos vocais como Ella Fitzgerald, Prince e Chaka Khan.[285] Mark Bego, autor de Madonna: Blonde Ambition, a chamou de "a vocalista perfeita para músicas mais leves que o ar", apesar de não ser o seu "talento mais forte".[300] De acordo com o o crítico Tony Sclafani, do MSNBC, "os vocais de Madonna são a chave para suas raízes no rock. Os vocalistas pop costumam cantar músicas "comportadas", mas Madonna emprega subtexto, ironia, agressão e todo tipo de idiossincrasias vocais", como John Lennon e Bob Dylan faziam".[283] Madonna usou um timbre vocal feminino e brilhante em seus primeiros álbuns, que se tornou inutil em seus trabalhos posteriores. A mudança foi deliberada, pois ela era constantemente lembrada de como os críticos a rotularam como "Minnie Mouse em hélio".[285] Durante as filmagens de Evita, Madonna teve que fazer aulas de canto, o que aumentou ainda mais seu alcance. Sobre essa experiência, ela comentou: "Estudei com uma treinadora vocal de Evita e percebi que havia uma parte inteira da minha voz que não estava usando. Antes, eu apenas acreditava que tinha um alcance realmente limitado e iria tirar o máximo proveito dele".[282]

Além de cantar, Madonna tem a capacidade de tocar vários instrumentos musicais. Ela aprendeu a tocar bateria e violão com seu então namorado Dan Gilroy no final dos anos 1970, antes de ingressar na formação do Breakfast Club como baterista.[270] Isso a ajudou a formar a banda Emmy, onde ela se apresentou como guitarrista e vocalista.[270] Madonna mais tarde tocou guitarra em suas gravações demos. Nas notas iniciais de Pre-Madonna, Stephen Bray escreveu: "Eu sempre pensei que ela passou por uma brilhante carreira como guitarrista rítmica".[301] Após seu avanço na carreira, Madonna se concentrou principalmente no canto, mas também foi creditada por tocar cowbell no disco Madonna (1983) e sintetizador em Like a Prayer (1989).[268] Em 1999, Madonna estudou por três meses para tocar violino para o papel de professora de violino no filme Music of the Heart, antes de finalmente deixar o projeto.[302] Depois de duas décadas, Madonna decidiu tocar novamente com o violão durante a promoção de Music (2000). Ela aprendeu mais com o guitarrista Monte Pittman para melhorar suas habilidades no instrumento.[303] Desde então, Madonna ela passou a tocar guitarra em todas as turnês posteriores, além de seus álbuns de estúdio.[268] No Orville H. Gibson Guitar Awards de 2002, recebeu a indicação para o Les Paul Horizon Award, que homenageia o guitarrista mais promissor.[304]

Influências

Segundo Taraborrelli, o momento decisivo da infância de Madonna foi a morte de sua amada mãe.[305] À medida que envelheciam, Madonna e suas irmãs sentiram profunda tristeza quando a memória de sua mãe começou a se afastar delas. Eles estudavam fotos dela e pensavam que ela se parecia com a poeta Anne Sexton e atrizes de Hollywood. Mais tarde, essa experiência despertaria o interesse de Madonna pela poesia, com Sylvia Plath sendo sua poeta favorita.[305] Mais tarde, Madonna comentou: "A angústia de perder minha mãe me deixou com um certo tipo de solidão e um desejo incrível por algo. Se eu não tivesse esse vazio, não teria sido tão motivada. Sua morte teve muito a fazer comigo dizendo — depois de superar minha mágoa — serei muito forte se não puder ter minha mãe. Vou me cuidar".[305] Taraborrelli acreditava que a devastação e o abandono que Madonna sentiu com a perda de sua mãe ensinou-lhe "uma lição valiosa, que ela teria que permanecer forte por si mesma, pois, temia fraqueza, particularmente a sua própria".[305]

A autora Lucy O'Brien opina que o impacto da agressão sexual que Madonna sofreu em sua juventude foi o fator motivador de tudo o que ela fez, mais importante do que a morte de sua mãe: "Não é tanta tristeza pela morte de sua mãe que ela a dirige como o sentimento de abandono que a deixou desprotegida. Ela encontrou seu pior cenário possível, tornando-se vítima de violência masculina e, a partir de então, transformou totalmente esse sofrimento em seu trabalho, revertendo a equação a cada oportunidade".[306]

Debbie Harry looking to the right and holding a microphone
Chrissie Hynde playing guitar onstage
Madonna foi influenciada por Debbie Harry (esquerda) e Chrissie Hynde (direita), a quem ela chamou de "mulheres fortes e independentes que escreveram sua própria música e evoluíram por conta própria".[307]

Em 1985, Madonna comentou que a primeira música a causar uma forte impressão nela foi "These Boots Are Made for Walkin'" de Nancy Sinatra; ela disse que resumia sua própria "atitude de assumir o controle".[308] Quando jovem, ela tentou ampliar seu gosto pela literatura, arte e música, e durante esse tempo se interessou pela música clássica. Ela observou que seu estilo favorito era barroco e amava Mozart e Chopin porque gostava de sua "qualidade feminina".[309] As principais influências de Madonna incluem Debbie Harry, Chrissie Hynde, Karen Carpenter, The Supremes e Led Zeppelin, além das dançarinas Martha Graham and Rudolf Nureyev.[307][310] Ela também cresceu ouvindo David Bowie, cujo show foi o primeiro show de rock que ela assistiu.[311]

Os antecedentes ítalo-católicos de Madonna e seu relacionamento com os pais estão refletidos no álbum Like a Prayer.[56] Foi uma evocação do impacto que a religião teve em sua carreira.[312] Seu vídeo para a faixa-título contém simbolismo católico, como os estigmas. Durante a Virgin Tour, ela usou um rosário e orou com ele no videoclipe de "La Isla Bonita".[313] O vídeo "Open Your Heart" vê seu chefe repreendendo-a no idioma italiano. Na turnê mundial Who's That Girl, ela dedicou a música "Papa Don't Preach" ao Papa João Paulo II.[313][314] Seu álbum MDNA (2012) também atraiu muitas influências de sua educação católica e, desde 2011, ela participa de reuniões e cultos em um centro Opus Dei, uma instituição católica que incentiva a espiritualidade através da vida cotidiana.[315]

Durante sua infância, Madonna foi inspirada pelos atores, dizendo mais tarde: "Eu amei Carole Lombard e Judy Holliday e Marilyn Monroe. Elas eram incrivelmente engraçadas ... e eu me vi nelas ... minha feminilidade, meu conhecimento e minha inocência".[308] Seu videoclipe "Material Girl" recriou o visual de Monroe na música "Diamonds Are a Girl's Best Friend", do filme Gentlemen Prefer Blondes (1953). Ela estudou as comédias de bolinha dos anos 30, particularmente as de Lombard, em preparação para o filme Who's That Girl. O vídeo de "Express Yourself" (1989) foi inspirado pelo filme mudo Metropolis (1927). O vídeo para "As fotografias de glamour de Hollywood, em particular as de Horst P. Horst, imitaram as poses de Marlene Dietrich, Carole Lombard e Rita Hayworth, enquanto as letras se referiam a muitas das estrelas que a inspiraram, incluindo Bette Davis, descrita por Madonna como um ídolo.[69][316] No entanto, a carreira cinematográfica de Madonna foi amplamente recebida negativamente pelos críticos de cinema. Stephanie Zacharek afirmou na Time que "[Madonna] parece de madeira e antinatural como atriz, e é difícil de assistir, porque ela está claramente se esforçando ao máximo". De acordo com o biógrafo Andrew Morton "Madonna coloca um rosto corajoso nas críticas, mas em particular ela está profundamente magoada". Após a bomba de bilheteria Swept Away (2002), Madonna prometeu que nunca mais atuaria em um filme, esperando que seu repertório como uma atriz ruim nunca fosse discutido novamente.[317] Em 2016, uma retrospectiva de carreira, intitulada Body of Work, foi exibida no Metrograph Hall de Nova Iorque. De acordo com o Nigel M. Smith, do The Guardian, carreira cinematográfica de Madonna sofreu principalmente devido à falta de material adequado fornecido a ela, e dando uma chance '[ela] poderia roubar uma cena para todas as razões certas'.[318]

Também lhe vieram influências do mundo da arte, como através das obras da artista mexicana Frida Kahlo.[319] O videoclipe da música "Bedtime Story" apresentava imagens inspiradas nas pinturas de Kahlo e Remedios Varo.[320] Madonna também é um colecionadora das pinturas Art Deco de Tamara de Lempicka e incluiu-os em seus vídeos de música e digressões.[321] Seu vídeo para "Hollywood" (2003) foi uma homenagem ao trabalho do fotógrafo Guy Bourdin; O filho de Bourdin posteriormente entrou com uma ação por uso não autorizado do trabalho de seu pai.[322] O uso de imagens sadomasoquistas da artista pop Andy Warhol em seus filmes underground foi refletido nos videoclipes de "Erotica" e "Deeper and Deeper".[323]

Madonna é dedicada à Cabala e, em 2004, adotou o nome Esther, que em persa significa "estrela".[324] Ela doou milhões de dólares para as escolas de Nova Iorque e Londres que ensinam o tema.[324][325] Ela enfrentou a oposição de rabinos que consideravam a adoção de Madonna da Cabala um sacrilégio e um caso de diletantismo de celebridades. Madonna defendeu seus estudos, dizendo: "Seria menos controverso se eu ingressasse no Partido Nazista", e que seu envolvimento com a Cabala "não está machucando ninguém".[326] A influência da Cabala foi posteriormente observada na música de Madonna, especialmente álbuns como Ray of Light e Music. Durante a Re-Invention World Tour, em um ponto do show, Madonna e seus dançarinos usavam camisetas com os dizeres "Cabalistas Fazem Isso Melhor".[nota 1] assim como "A liberdade vem quando você aprende a deixar ir, a Criação vem quando você aprende a dizer não"[nota 2][324]

Vídeos e apresentações musicais

Ver artigo principal: Videografia de Madonna

Nos biógrafos do The Madonna Companion, Allen Metz e Carol Benson observaram que, mais do que qualquer outro artista pop recente, Madonna havia usado MTV e videoclipes para estabelecer sua popularidade e aprimorar seu trabalho gravado.[327] Segundo eles, muitas de suas músicas têm as imagens do videoclipe em um contexto forte, enquanto se referem à música. O crítico cultural Mark C. Taylor, em seu livro Nots (1993), considerou que a forma de arte pós-moderna por excelência a "rainha do vídeoclipe" é Madonna. Ele afirmou ainda que "a criação mais notável da MTV é Madonna. As respostas aos vídeos excessivamente provocativos de Madonna foram previsivelmente contraditórias".[328] A reação da mídia e do público em relação às músicas mais discutidas, como "Papa Don't Preach", "Like a Prayer" ou "Justify My Love", teve a ver com os videoclipes criados para promover as músicas e seu impacto, em vez disso. do que as próprias músicas.[327] Morton sentiu que "artisticamente, as composições de Madonna são muitas vezes ofuscadas por seus impressionantes vídeos pop".[329][330]

Os vídeos musicais iniciais de Madonna refletiam seu estilo de rua americano e latino-americano combinado com um glamour extravagante.[327] Ela foi capaz de transmitir seu senso de moda de vanguarda no centro de Nova Iorque para o público americano.[331] As imagens e a incorporação da cultura hispânica e do simbolismo católico continuaram com os videoclipes da era True Blue.[332] A autora Douglas Kellner observou que "esse 'multiculturalismo' e seus movimentos culturalmente transgressores acabaram sendo movimentos bem-sucedidos que a cativaram por grandes e variadas audiências juvenis".[333] O visual hispânico de Madonna nos vídeos tornou-se a tendência da moda da época, na forma de boleros e saias em camadas, acessórios com contas de rosário e um crucifixo, como no vídeo de "La Isla Bonita".[334][335]

Madonna usando o "Madonna mic" durante a Blond Ambition World Tour, 1990. Ela foi uma das primeiras adotantes deste modelo de microfones.

Os acadêmicos observaram que, com seus vídeos, Madonna invertia sutilmente o papel usual do homem como o sexo dominante.[336] Esse simbolismo e imagem foram provavelmente os mais prevalentes no videoclipe de "Like a Prayer". O vídeo incluía cenas de um coral da igreja afro-americana, Madonna sendo atraída pela estátua de um santo negro e cantando na frente de cruzes em chamas. Essa mistura de sagrado e profano perturbou o Vaticano e resultou na retirada comercial da Pepsi.[337] Em 2003, a MTV a nomeou "A Melhor Estrela de Videoclipe de Todos os Tempos" e disse que "a inovação, criatividade e contribuição de Madonna para a forma de arte de videoclipe foram o que lhe valeu o prêmio".[338]

O surgimento de Madonna ocorreu durante o advento da MTV; Chris Nelson, do The New York Times, falou de artistas pop como Madonna dizendo: "A MTV, com seus vídeos quase exclusivamente sincronizados com os lábios , inaugurou uma era na qual os fãs de música comuns poderiam passar horas, todos os dias,assistindo cantores apenas dublando as palavras".[339] A relação simbiótica entre o videoclipe e a sincronização labial levou ao desejo de que o espetáculo e as imagens do videoclipe fossem transferidos para shows ao vivo. Ele acrescentou: "Artistas como Madonna e Janet Jackson estabeleceram novos padrões de carisma, com shows que incluíam não apenas roupas elaboradas e pirotecnia com precisão de tempo, mas também dança altamente atlética. Esses efeitos vieram à custa do canto ao vivo".[339] Thor Christensen, do The Dallas Morning News, comentou que, enquanto Madonna ganhou uma reputação de sincronizar os lábios durante sua Blond Ambition World Tour de 1990, ela posteriormente reorganizou suas performances por "fica na maior parte quieta durante as partes mais difíceis de cantar e deixa as rotinas de dança para sua trupe de apoio do que tentar cantarolar e dançar uma tempestade ao mesmo tempo".[340]

Para permitir maior movimento enquanto dançava e cantava, Madonna foi uma das primeiras a adotar os microfones de viva-voz por radiofrequência, com o fone de ouvido preso nas orelhas ou no topo da cabeça e a cápsula do microfone em um braço que estendido para a boca. Por causa de seu uso proeminente, o design do microfone passou a ser conhecido como "Madonna mic".[341][342] Metz observou que Madonna representa um paradoxo, pois muitas vezes é vista como vivendo toda a sua vida como uma performance. Enquanto suas performances na tela grande são espetaculares, suas performances ao vivo são sucessos críticos.[343] Madonna foi a primeira artista a ter suas turnês como reencenação de seus videoclipes. A autora Elin Diamond explicou que, reciprocamente, o fato de as imagens dos vídeos de Madonna poderem ser recriadas em um cenário ao vivo aumenta o realismo dos vídeos originais. Ela acreditava que "suas performances ao vivo se tornaram o meio pelo qual as representações midiatizadas são naturalizadas".[344]

Taraborrelli disse que, englobando multimídia, tecnologia de ponta e sistemas de som, os shows e performances ao vivo de Madonna são "peças extravagantes e espetáculos de arte ambulante".[345] Madonna sempre filma suas turnês de concertos, dizendo: "É como documentar e arquivar suas obras de arte. É um registro de algo que eu criei com muitas pessoas grandes e talentosas ... Eles são os estágios da minha carreira, e eles contam uma parte importante do meu legado, por isso estou documentando-os", explicou ela. Madonna expressou seu desejo de criar um único concerto acústico e despojado "que continua a envolver música e dança [mas também] poesia e humor". Ela também queria envolver elementos de água em suas produções, mas havia sido desencorajada devido a problemas logísticos.[277]

Legado

Vários jornalistas de música, teóricos críticos e autores notaram o legado de Madonna[346][347][348] e a consideraram a artista feminina mais influente de todos os tempos.[101][349][350] Ela sliderou a lista das "100 Maiores Mulheres da Música" e a lista das "20 Maiores Artistas Femininas" do VH1 e The Daily Telegraph, respectivamente.[351][352] A autora Carol Clerk escreveu que "durante sua carreira, Madonna transcendeu o termo 'estrela pop' para se tornar um ícone cultural global".[353] A Rolling Stone da Espanha escreveu que "Ela se tornou a primeira mestre viral do pop na história, anos antes de a Internet ser massivamente usada. Madonna estava em toda parte; nos onipotentes canais de televisão de música, 'fórmulas de rádio', capas de revistas e até em livrarias. Uma dialética pop, nunca visto desde o reinado dos Beatles, o que lhe permitiu manter-se à beira da tendência e da comercialidade".[354] Laura Barcella e Jessica Valenti no livro Madonna and Me: Women Writers on the Queen of Pop (2012) escreveu que "realmente, Madonna mudou tudo o cenário musical, a aparência dos anos 80 e, mais significativamente, o que uma estrela pop feminina poderia (e não podia) dizer, fazer ou realizar aos olhos do público".[355] William Langley, do The Daily Telegraph, sentiu que "Madonna mudou a história social do mundo, fez mais coisas que as pessoas mais diferentes do que qualquer outra pessoa provavelmente faria".[356] Alan McGee, do The Guardian, sentiu que Madonna é uma arte pós-moderna, coisas que nunca mais veremos. Ele afirmou ainda que Madonna e Michael Jackson inventaram os termos Rainha e Rei do Pop.[357]

A wax statue with a long ponytail and her large cone bra
Estátua de cera de Madonna no Madame Tussauds em Hong Kong

De acordo com Tony Sclafani, do MSNBC, "Vale a pena notar que, antes de Madonna, a maioria das mega estrelas da música eram roqueiros; depois dela, quase todas eram cantoras ... Quando os Beatles chegaram aos Estados Unidos, eles mudaram o paradigma de intérprete de solo. Madonna mudou de volta — com ênfase na mulher".[358] Howard Kramer, diretor curador do Rock and Roll Hall of Fame, afirmou que "Madonna e a carreira que criou para si mesma tornaram possível virtualmente todas as outras cantoras pop seguirem ... Ela certamente elevou os padrões de todas elas ... Ela redefiniu quais eram os parâmetros para artistas do sexo feminino".[359] Segundo Fouz-Hernández, cantoras subsequentes como Britney Spears, Christina Aguilera, Kylie Minogue, as Spice Girls, Destiny's Child, Jennifer Lopez, e Pink eram como suas "filhas no sentido muito direto que elas cresceram ouvindo e admirando Madonna, e decidiram que queriam ser como ela".[360] Madonna também influenciou artistas masculinos, inspirando os líderes do rock Liam Gallagher, do Oasis, e Chester Bennington, do Linkin Park, a se tornarem músicos.[361][362]

O uso de imagens sexuais por Madonna beneficiou sua carreira e catalisou o discurso público sobre sexualidade e feminismo.[363] Como Roger Chapman documenta em Culture Wars: An Encyclopedia of Issues, Viewpoints, and Voices, Volume 1 (2010), ela atraiu condenações freqüentes de organizações religiosas, conservadores sociais e grupos de vigilância dos pais pelo uso de imagens sexuais explícitas e letras, simbolismo religioso e comportamento "irreverente" em suas performances ao vivo.[364] A Times escreveu que ela "iniciou uma revolução entre as mulheres na música ... Suas atitudes e opiniões sobre sexo, nudez, estilo e sexualidade forçaram o público a se sentar e prestar atenção".[365] O Professor John Fiskeo bservou que o senso de poder que Madonna oferece está intimamente ligado ao prazer de exercer algum controle sobre os significados do eu, da sexualidade e das relações sociais.[366] Em Doing Gender in Media, Art and Culture (2009), os autores observaram que Madonna, como celebridade feminina, intérprete e ícone pop, é capaz de perturbar reflexões e debates feministas de pé.[367] De acordo com a feminista lésbica Sheila Jeffreys, Madonna representa a ocupação feminina do que Monique Wittig chama de categoria de sexo, como poderosa, e parece abraçar alegremente o desempenho da corvée sexual atribuída às mulheres.[368] Professor Sut Jhallyse referiu a Madonna como "um ícone feminista quase sagrado".[369]

Madonna recebeu aplausos como modelo para as mulheres de negócios de seu setor, "alcançando o tipo de controle financeiro que as mulheres lutavam há muito tempo no setor" e gerando mais de 1,2 bilhão em vendas na primeira década de sua carreira.[370] Segundo Gini Gorlinski no livro The 100 Most Influential Musicians of All Time (2010), os níveis de poder e controle de Madonna eram "sem precedentes" para uma mulher na indústria do entretenimento.[371] A professora Colin Barrow, da Cranfield School of Management, a descreveu como "a mulher de negócios mais inteligente da América ... que se mudou para o topo de sua indústria e ficou lá reinventando-se constantemente".[372] Os acadêmicos do London Business Schoolos a chamou de "empreendedora dinâmica" que vale a pena copiar; eles identificaram sua visão de sucesso, sua compreensão da indústria da música, sua capacidade de reconhecer seus próprios limites de desempenho (e, assim, trazer ajuda), sua vontade de trabalhar duro e sua capacidade de se adaptar como as chaves para seu sucesso comercial.[373] Morton escreveu que "Madonna é oportunista, manipuladora e implacável — alguém que não para até que ela consiga o que quer — e isso é algo que você pode conseguir às custas de talvez perder seus parentes próximos. Mas isso dificilmente importava para ela".[374]

Conquistas

Madonna foi a primeira pessoa a ser introduzida na Arena Wembley, em Londres, Inglaterra.[375]

Madonna é a mulher mais rica do mundo da música, com um patrimônio líquido estimado entre 590 e 800 milhões de dólares.[376][377] Ela já vendeu mais de 300 milhões de discos em todo o mundo.[378][379] O Guinness World Records a reconheceu como a artista feminina mais vendida de todos os tempos.[380] De acordo com a Recording Industry Association of America (RIAA), ela é a artista feminina de rock mais vendida do século XX e a terceira artista feminina com mais álbuns certificados nos Estados Unidos, com 64,5 milhões de unidades de álbuns certificados.[381][382] Madonna é a artista mais certificada de todos os tempos no Reino Unido, com 45 prêmios da British Phonographic Industry (BPI) em abril de 2013.[383]

Madonna continua sendo a artista solo de maior bilheteria de todos os tempos, com mais de 1,4 bilhão em ganhos nas turnês ao longo de sua carreira.[384] A partir de 2016, a Billboard Boxscore classificou Madonna como a terceira artista de maior bilheteria de todos os tempos, com mais de 1,31 bilhão em shows desde 1990, atrás apenas dos The Rolling Stones (1,84 bilhão) e U2 (1,67 bilhão).[233] Madonna também continua sendo a única mulher na história, com dois concertos solo com a participação de 100 mil pessoas; sua Who's That Girl World Tour no Parc de Sceaux, Paris, atraiu mais de 130 mil espectadores, enquanto o seu Girlie Show World Tour no Maracanã, no Rio de Janeiro, atraiu mais de 120 mil espectadores.[52][385] Madonna também ganhou sete Grammy Awards e vinte MTV Video Music Awards, incluindo o Video Vanguard Award de 1986 pelo qual ela se tornou a primeira mulher a receber.[386][387]

De acordo com a Billboard, Madonna é a artista solo de maior sucesso na história das Hot 100 (segundo geral atrás dos Beatles) e a artista da tabela dance mais bem-sucedida de todos os tempos.[388][389] Com um total de 50 músicas no topo da Dance Club Songs, Madonna se tornou a artista com o maior número de canções em primeiro lugar na tabela Billboard, saindo na frente de George Strait com 44 canções número um no Hot Country Songs.[390] Ela também conseguiu 38 singles entre os dez primeiros no Hot 100, mais do que qualquer outro artista da história.[391] Internacionalmente, Madonna detém o recorde com mais singles número um por uma artista feminina na Austrália (11),[392] Canadá (25),[393][394] Itália (23),[395][396] Espanha (21),[397][398] e Reino Unido (13).[399] No 40º aniversário do GfK Media Control Charts, Madonna foi classificada como a artista de singles de maior sucesso na história das tabelas alemãs.[400]

Discografia

Turnês

Filmografia

Ver artigo principal: Filmografia de Madonna

Filmes dirigidos

Outros trabalhos

Empreendimentos
  • Boy Toy, Inc[401]
  • Webo Girl Publishing, Inc (1992)[402]
  • Maverick (1992)
  • Raising Malawi (2006)
  • Hard Candy Fitness (2010)
  • Truth or Dare by Madonna (2011)
Livros
  • Sex (1992)
  • The Girlie Show (1994)
  • X-Static Process (2003)
  • Nobody Knows Me (2004)
  • Madonna Confessions (2008)
  • Madonna: Sticky & Sweet (2010)
  • The MDNA Tour (2012)
Peças de teatro
  • Goose And Tom-Tom (1986)[403]
  • Speed The Plow (1988)[403]
  • Up For Grabs (2002)[403]

Ver também

Notas

  1. No original: "Kabbalists Do It Better".
  2. No original: "Freedom comes when you learn to let go, Creation comes when you learn to say no".

Referências

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  • Rooksby, Rikky (2004). The Complete Guide to the Music of Madonna. [S.l.]: Omnibus Press. ISBN 0-7119-9883-3 
  • Sexton, Adam (1993). Desperately Seeking Madonna: In Search of the Meaning of the World's Most Famous Woman. [S.l.]: Delta Publishing Inc. ISBN 0-385-30688-1 
  • St. Michael, Mick (2004). Madonna talking: Madonna in Her Own Words. [S.l.]: Omnibus Press. ISBN 1-84449-418-7 
  • Streitmatter, Rodger (2004). Sex Sells!. [S.l.]: Westview Press. ISBN 978-0-8133-4248-1 
  • Taraborrelli, Randy J. (2002). Madonna: An Intimate Biography. [S.l.]: Simon and Schuster. ISBN 0-7432-2880-4 
  • Tetzlaff, David (1993). Metatextual Girl. [S.l.]: Westview Press. ISBN 0-8133-1396-1 
  • Victor, Barbara (2001). Goddess, Inside Madonna. [S.l.]: Cliff Street Books. ISBN 0-06-019930-X 
  • Voller, Debbie (1999). Madonna: The Style Book. [S.l.]: Omnibus Press. ISBN 0-7119-7511-6 
  • Warren, Holly; George, Patricia Romanowski; Bashe, Patricia Romanowski; Pareles, Jon (2001). The Rolling Stone Encyclopedia of Rock & Roll. [S.l.]: Fireside. ISBN 0-7432-0120-5 
  • Welton, Donn (1998). Body and flesh: a philosophical reader. [S.l.]: Wiley-Blackwell. ISBN 1-57718-126-3 

Leitura Adicional

  • Bronson, Fred (2003). The Billboard Book of Number 1 Hits. [S.l.]: Billboard books. ISBN 0-8230-7677-6 
  • McAleer, Dave (2004). Hit Singles: Top 20 Charts from 1954 to the Present Day. [S.l.]: Hal Leonard Corporation. ISBN 0-87930-808-7 
  • Wesley, Hyatt (1999). The Billboard Book of Number One Adult Contemporary Hits. [S.l.]: Billboard books. ISBN 0-8230-7693-8 

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