Madragana Ben Aloandro

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Madragana Ben Aloandro, depois de baptizada conhecida como Mor Afonso (Faro, Algarve, 1230 -?) foi amante do rei D. Afonso III de Portugal depois de este ter dado por completa a Reconquista do território que forma Portugal tomando a cidade de Faro em 1249.

A cidade de Faro fazia parte do Reino Muçulmano do Algarve (Algarbe Alandalus) e era pai de Madragana Aloandro Ben Bakr, que era alcaide (Cádi, قاضى) e governador militar do Castelo de Faro.

Por via das relações de Madragana com o rei Afonso III de Portugal, de quem teve cinco filhos resultou uma numerosa família que se tornou antecessora de quase todas as famílias reais e aristocráticas da Europa.

Depois de a paixão do rei desaparecer Madragana foi casada com Fernão Rei, de quem teve uma filha devidamente documentada e chamada Sancha Fernandes.

Pelas relações com o rei Afonso III de Portugal, rei católico e por ter filhos com este, foi baptizada tendo na altura recebido um novo nome, desta feita cristão, passado assim a chamar-se Maior Afonso, ou Mor Afonso (sendo que o termo Mor era uma abreviatura de Maior, nome bastante comum entre as mulheres do Portugal medieval). O nome Afonso foi-lhe atribuído e significa "A filha de Afonso", o que segundo alguns historiadores pudera querer dizer que depois de amante real D. Afonso III foi seu padrinho de baptismo, transformando-a assim numa filha espiritual.

Existe alguma controvérsia sobre o facto de ela ser de origem moura, pois existem historiadores que afirmam o contrário, Duarte Nunes de Leão, cronista real do Reino de Portugal durante o século XVI, assegura que Madragana era de origem muçulmana. Este facto no entanto é negado no século XVIII por António Caetano de Sousa, na sua obra História Genealógica da Casa Real Portuguesa. Deve no entanto ser dito que António Caetano estava a ser pago pelo rei D. João V de Portugal para escrever a referida história genealógica da casa real portuguesa pelo que esta informação, por ser pouco conveniente pode ter sido omitida, pondo assim a família Sousa a descender de Mor Afonso, que pertencia à linhagem real e se encontrava ligada às famílias aristocráticas mais importantes da corte.

Relações familiares[editar | editar código-fonte]

Foi filha[1] de Aloandro Ben Bakr ou Aloandro Ben Bekar ou Ben Bakr, vulgarmente conhecido como Aloandro ou Aldroando Gil depois de se proceder ao seu baptismo. Aloandro e Bekar são as únicas formas portuguesas conhecida do seu nome no árabe original. Segundo os dados existentes foi um muladi dos Banu Harun.

Madragana é chamada nas antigas crónicas de Mourana ou Mourana Gil.

Madragana foi com o rei D. Afonso III de Portugal mãe de:

  1. D. Martim Afonso Chichorro (1250 - 1313), casado com Inês Lourenço de Valadares (ou de Sousa) (1250 -?), filha de Lourenço Soares de Valadares (1230 -?) e de Maria Mendes de Sousa (c. 1230 -), de quem descendem as famílias Sousa (Sousa de Arronches e Sousa do Prado) assim como as familias Machado, Silveira Ramos e Faria Blanc.
  2. D. Urraca Afonso de Portugal (c. 1260 -?), que foi casada por duas vezes, a primeira em 1265 com Pedro Anes Gago de Riba de Vizela (1240 - 1286) (seu primo, já que ambos descendiam de uma filha do rei D. Afonso I de Portugal e de sua amante Elvira Guálter, e de D. Sancho Nunes de Celanova (1070 - 1130) e da infanta Sancha Henriques, irmã desses mesmo rei), e cuja descendência se encontra extinta. D. Urraca foi casada segunda vez com D. João Mendes de Briteiros (c. 1250 -?), sendo que deste matrimónio existe una numerosa descendência, encontrando-se entre elas os Figueiredo, Loureiro, Bandeira, Cota, entre outras.

De Urraca Afonso descendem grande parte da aristocracia e grande parte das famílias reais europeias, seja por entremeio da Casa de Sousa por via dos condes de Miranda do Corvo, ou dos marqueses de Arronches e dos duques de Lafões, da família real portuguesa.

Entre os seus descendentes mais ilustres encontra-se D. Rui de Sousa, que corria o ano de 1494 negociou, escreveu e assinou o Tratado de Tordesilhas, em nome do rei, João II de Portugal. D. Rui foi acompanhado à corte castelhana pelo seu filho, D. João de Sousa, que também assinou o referido tratado.

Igualmente notáveis foram D. Martim Afonso de Sousa, Senhor de Mortágua, que participou na Batalha de Aljubarrota em 1385 e D. Martim Afonso de Sousa, que exerceu o cargo de governador do Brasil e de governador da Índia portuguesa durante o século XVI.

Algumas das família reais europeias que descendem de D. Urraca vão buscar a sua linhagem a Carlota de Mecklemburgo-Strelitz, avó da rainha Vitória I de Inglaterra por via dos casamentos dos membros da família real inglesa com outras casa reais europeias. [2][3][4][5][6][7]

Referências

  1. BRANDAO, António (1632). Quarta parte da Monarchia lusitana : que contem a historia de Portugal desdo tempo delRey Dom Sancho Primeiro, até todo o reinado delRey D. Afonso III. Lisboa: Mosteiro de S. Bernardo. pp. 220 verso 
  2. Luís Suárez Fernández, (1976). Historia de España Antigua y media. Editorial Rialp. ISBN 84-321-1883-4
  3. Anselmo Braamcamp Freire, (1973). Brasões da Sala de Sintra. Imprensa Nacional-Casa de Moeda.
  4. António Caetano de Sousa, (1946). História Genealógica da Casa Real Portuguesa. Atlântida. I Vol.
  5. Felgueiras Gaio, (1940). Nobiliário das Famílias de Portugal. Braga.
  6. José Augusto Sotto Mayor, (1999). Linhagens Medievais Portuguesas. Porto, Universidade Moderna.
  7. Manuel Abranches de Soveral, (2000), "Origem dos Souza ditos do Prado", em Machado de Vila Pouca de Aguiar. Ascendências e parentescos da Casa do Couto d'Além em Soutelo de Aguiar, Porto.