Madre Teresa de Calcutá

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Santa Teresa de Calcutá Medalha do prêmio Nobel
Madre, Santa de Calcutá e Fundadora das Missionárias da Caridade
Nascimento 27 de agosto de 1910 em Üsküp, Vilaiete do Kosovo, Império Otomano.
Morte 5 de setembro de 1997 (87 anos) em Calcutá, Índia
Veneração por Igreja Católica.
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.[1]
Beatificação 19 de outubro de 2003, Roma por Papa João Paulo II
Canonização 4 de setembro de 2016, Roma por Papa Francisco
Principal templo Templo das Missionárias da Caridade
Festa litúrgica 5 de setembro
Padroeira pobres e incapacitados
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Anjezë Gonxhe Bojaxhiu M.C. (Skopje, 27 de agosto de 1910Calcutá, 5 de setembro de 1997), conhecida como Madre Teresa de Calcutá ou Santa Teresa de Calcutá, foi uma religiosa católica de etnia albanesa, nascida em território sob Império Otomano, na capital da atual República da Macedônia, e naturalizada indiana, beatificada pela Igreja Católica em 2003 e canonizada em 2016. Considerada, por alguns, a missionária do século XX, fundou a congregação religiosa das Missionárias da Caridade, tornando-se conhecida ainda em vida pelo cognome de "Santa das Sarjetas".

Muito elogiada por inúmeras pessoas, governos e organizações, Madre Teresa de Calcutá também foi duramente criticada, especialmente por suas posições acerca do controle de natalidade, do aborto e da contracepção.[2] Ela também foi criticada pelas condições das casas dos moribundos que ela cuidava.[3][4] Christopher Hitchens,[5][6] Michael Parenti, Aroup Chatterjee e o Conselho Mundial Hindu destacaram-se nas críticas a Madre Teresa. Alguns estudos sugerem que a sua imagem de pessoa caridosa e humanitária é um mito.[7][8]

Foi beatificada em 2003 pelo Papa João Paulo II e canonizada em 2016 pelo Papa Francisco na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Casa memorial de Madre Teresa na República da Macedônia.

Madre Teresa de Calcutá nasceu em 27 de agosto de 1910, em Üsküp, então capital do Vilayet do Kosovo, subdivisão do Império Otomano. Tinha pais albaneses, numa família de três filhos, sendo duas moças e um rapaz. Considerava 30 de agosto, o dia em que foi batizada, como o seu "verdadeiro aniversário". Sua cidade natal é hoje a atual Skopje, capital da República da Macedônia.[9]

Começou por fazer votos aos 18 anos nas Irmãs de Nossa Senhora do Loreto (Instituto Beatíssima Virgem Maria), na Irlanda, onde pouco tempo viveu.[10]

Mais de uma década depois, em 1965, a Santa Sé aprovou a Congregação Missionárias da Caridade e, entre 1968 e 1989, estabeleceu a sua presença missionária em países como Albânia, Rússia, Cuba, Canadá, Palestina, Bangladesh, Austrália, Estados Unidos da América, Ceilão, Itália, antiga União Soviética e China.[carece de fontes?]

A ela é atribuída a citação: "Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso." O reconhecimento do mundo pelo seu trabalho concretizou-se com o Prêmio Templeton, em 1973, e com o Nobel da Paz, no dia 17 de outubro de 1979.[carece de fontes?]

Morreu em 1997 aos 87 anos, de ataque cardíaco, quando preparava um serviço religioso em memória da Princesa Diana de Gales, sua grande amiga, que faleceu num acidente de automóvel em Paris. Tratado como um funeral de Estado, vários foram os representantes do mundo que quiseram estar presentes para prestar homenagem. As televisões do mundo inteiro transmitiram ao vivo durante uma semana, os milhões que queriam vê-la no estádio Netaji. Encontra-se sepultada em Motherhouse Convent, Calcutá, Bengala Ocidental na Índia.[11] No dia 19 de outubro de 2003, o Papa João Paulo II beatificou Madre Teresa de Calcutá.[carece de fontes?]

O seu trabalho missionário continua através da irmã Nirmala, eleita no dia 13 de março de 1997 como sua sucessora.[carece de fontes?]

A “noite escura” de Madre Teresa[editar | editar código-fonte]

Presidente da Itália Sandro Pertini recebendo Madre Teresa, em 1978.

Uma coleção de cartas dirigidas a uns poucos conselheiros espirituais e recolhidas no livro "Madre Teresa:Venha Ser Minha Luz" (Mother Teresa: Come Be My Light) publicado em 4 de setembro de 2007, traduzido e publicado no Brasil pela editora Thomas Nelson, organizado pelo Padre Brian Kolodiejchuk, postulador da causa da sua canonização revelaram, segundo alguns, dúvidas profundas de Madre Teresa sobre sua fé em Deus, provocando discussões sobre uma possível posição agnóstica.[carece de fontes?]

Madre Teresa, em suas cartas, descreveu como sentia falta de respostas de Deus.[12] Em 1956 escreveu: "Tão profunda ânsia por Deus - e ... repulsa - vazio - sem fé - sem amor - sem fervor. Almas não atrai - O céu não significa nada - reze por mim para que eu continue sorrindo para Ele apesar de tudo." Em 1959: "Se não houver Deus - não pode haver alma - se não houver alma então, Jesus - Você também não é real."[12]

Uma de suas cartas ao Padre Neuner dizia: "Pela primeira vez ao longo de 11 anos - cheguei a amar a escuridão. - Pois agora acredito que é parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo. O Senhor ensinou-me a aceitá-la [como] um 'lado espiritual de sua obra', como escreveu. - Hoje senti realmente uma profunda alegria - que Jesus já não pode passar pela agonia - mas que quer passar por mim. - Abandono-me a Ele mais do que nunca. - Sim - mais do que nunca estarei à disposição."[carece de fontes?]

No entanto, o texto de suas cartas não afetou a campanha por sua santificação, já que a Igreja defende que outros santos também demonstraram dúvidas em relação a sua fé, como por exemplo São Tomé.[12]

  • A crise espiritual.

Segundo o postulador da causa da canonização de Madre Teresa e autor do livro, a sua crise espiritual começou nos anos 50, logo após a fundação da ordem das Missionárias da Caridade; a partir daí "viveu uma grande fase de escuridão interior que se prolongou até a sua morte". "Sabia que estava unida a Deus, mas não conseguia sentir nada"[13] Este fenômeno é conhecido na tradição e na teologia mística cristã, e foi São João da Cruz quem o chamou de noite escura do espírito, o que considera uma etapa no caminho de alguns santos no caminho de identificação com Deus.

  • Silêncio divino.

Bento XVI comentando as cartas disse que este silêncio serve para que os crentes percebam a situação daqueles que não acreditam em Deus. Falando sobre as experiências místicas da beata disse que "tudo aquilo que já sabíamos se mostra agora ainda mais abertamente: com toda a sua caridade, a sua força de fé, Madre Teresa sofria com o silêncio de Deus".[14]

  • Antídoto contra o sentimentalismo.

Kolodiejchuk enxerga na atitude da beata um antídoto contra o sentimentalismo: "A tendência em nossa vida espiritual, e também na atitude mais geral relativamente ao amor, é que o que conta são os nossos sentimentos. Assim a totalidade do amor é o que sentimos. Mas o amor autêntico a alguém requer o compromisso, fidelidade e vulnerabilidade. Madre Teresa não "sentia" o amor de Cristo, e poderia ter cortado, mas levantava-se às 4h30min. cada manhã por Jesus e era capaz de escrever-lhe: Tua felicidade é o único que quero. Este é um poderoso exemplo, inclusive em termos não puramente religiosos."[15]

Beatificação e canonização[editar | editar código-fonte]

Foi beatificada em 19 de outubro de 2003, devido ao milagre ocorrido com Monica Besra, uma indiana que terá sido curada de um tumor no estômago de forma inexplicável, graça que foi atribuída à intercessão de Madre Teresa de Calcutá.[16]

O Papa Francisco proclamou Madre Teresa de Calcutá como santa no Jubileu da Misericórdia, em 4 de setembro de 2016. A canonização aconteceu depois de a Igreja Católica ter aprovado, por unanimidade, a cura extraordinária do brasileiro Marcílio Haddad Andrino em 2008,[17] que se encontrava em coma devido a abscessos no cérebro e hidrocefalia. Apesar de sua discrição e de evitar entrevistas, ele participou da cerimônia de canonização.[18][19]

Títulos e homenagens[editar | editar código-fonte]

Presidente Reagan presenteando a Madre Teresa com Medalha Presidencial da Liberdade em 1985.
Deus Caritas Est

O Papa Bento XVI na sua encíclica Deus caritas est, de 25 de dezembro de 2005, "sobre o amor cristão", cita Madre Teresa como exemplo de pessoa de oração e ao mesmo tempo de fé operativa:

A piedade não afrouxa a luta contra a pobreza ou mesmo contra a miséria do próximo. A beata Teresa de Calcutá é um exemplo evidentíssimo do fato que o tempo dedicado a Deus na oração não só não lesa a eficácia nem a operosidade do amor ao próximo, mas é realmente a sua fonte inexaurível. Na sua carta para a Quaresma de 1996, essa beata escrevia aos seus colaboradores leigos: 'Nós precisamos desta união íntima com Deus na nossa vida cotidiana. E como poderemos obtê-la? Através da oração.[21]

Críticas e controvérsias[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Críticas a Madre Teresa

Os Críticos de Madre Teresa, nominalmente Christopher Hitchens, Aroup Chatterjee e Robin Fox, argumentam que sua organização fornecia ajuda abaixo dos padrões e possuía como interesse primário a conversão de pessoas à beira da morte para o Catolicismo. Além disso, afirmam que Madre Teresa teria usado as doações que recebeu para atividades missionárias em outros lugares, em vez de gastar na melhoria do padrão de ajuda médica de sua fundação. Esses críticos representam ainda uma pequena minoria, mas colocaram objeções fortes às virtudes de Madre Teresa e têm recebido a atenção de um número cada vez maior de pessoas.[4]

Em 1994, Hitchens publicou um artigo no The Nation intitulado "O Demônio de Calcutá". Para ele, as próprias palavras de Madre Teresa a respeito da pobreza provam que "suas intenções não eram de ajudar as pessoas". Chegou a afirmar, inclusive, que Madre Teresa mentiu a certos doadores sobre o destino de suas contribuições. Hitchens também foi a única testemunha chamada pelo Vaticano para fornecer evidências contra a beatificação e canonização de Madre Teresa.[22]

Outro crítico feroz, o Dr. Aroup Chatterjee (autor de "Madre Teresa: O Veredito Final", 2003), afirma que a imagem pública que Madre Teresa possui enquanto protetora dos pobres e enfermos é deturpada. Ele afirma categoricamente que o número de pessoas que realmente recebem auxílio da ordem das Missionárias da Caridade não chega perto do que os ocidentais são levados a acreditar.[23]

A Igreja Católica, por sua vez, refuta tais acusações. Segundo ela, a ideia de que missionários gastem dinheiro em atividades missionárias parece óbvia e, além disso, Madre Teresa jamais afirmou que suas atividades diziam respeito à ajuda médica.[carece de fontes?]

Cinema e literatura[editar | editar código-fonte]

  • Madre Teresa é o tema do filme-documentário (1969) e do livro Algo bonito por Deus (1971) de Malcolm Muggeridge.
  • Em 1994 ela foi o tema do documentário Anjo do Inferno, de Christopher Hitchens e Tariq Ali, exibido no Channel 4 da Inglaterra.
  • Madre Teresa: Em Nome dos Pobres de Deus é um filme de 1997 dirigido por Kevin Connor estrelado por Geraldine Chaplin. Ganhou em 1998 o prêmio Art Film Festival.
  • A vida de Madre Teresa foi retratada em 2003 em minissérie de televisão italiana Madre Teresa, estrelada por Olivia Hussey como Madre Teresa. Posteriormente, foi lançado internacionalmente como um filme de televisão Madre Teresa de Calcutá e recebeu o Prêmio Camie em 2007.

Referências

  1. "Normas para o Ano Cristão". Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. 27 de novembro 2014. Disponível em: [1]. Página visitada em 20 de julho de 2015.
  2. Eric Metaxas (4 September 2015). «The secret of Mother Teresa's greatness». Fox News. 
  3. Loudon, Mary. (1996-01-01). "Review of The Missionary Position: Mother Teresa In Theory And Practice". BMJ: British Medical Journal 312 (7022): 64–65.
  4. a b Fox, Robin. (1994). "Mother Theresa's care for the dying" (em inglês). Lancet (London, England) 344 (8925): 807-808. ISSN 0140-6736. PMID 7818649. Visitado em 3 de setembro de 2015.
  5. Hitchens, 2012
  6. Hitchens, 2006
  7. Ron Dicker (2013). «Mother Teresa Humanitarian Image A 'Myth,' New Study Says». The Huffington Post (em inglês). Consultado em 1º de setembro de 2015. 
  8. Larivée, Serge; Carole. (2013-09-01). "Les côtés ténébreux de Mère Teresa" (requer pagamento) (em francês). Studies in Religion/Sciences Religieuses 42 (3): 319-345. DOI:10.1177/0008429812469894. ISSN 0008-4298. Visitado em 1º de novembro de 2015.
  9. (2002) "Mother Teresa of Calcutta (1910–1997)". Vatican News Service. Página visitada em 26 de agosto de 2012.
  10. «Beata Teresa de Calcutá, religiosa, +1997». evangelhoquotidiano.org. Consultado em 4 de setembro de 2016. 
  11. Madre Teresa de Calcutá (em inglês) no Find a Grave
  12. a b c Trotta, Daniel (24 de Agosto de 2007). «Cartas revelam dúvidas de madre Teresa sobre sua fé em Deus». Thomasnelson.com.br. 
  13. «Entrevista de Kolodiejchuk ao La Stampa». Cc.msnscache.com. 
  14. «Papa comenta "noite escura" que viveu Madre Teresa de Calcutá». Rádio Vaticano. Noticias.cancaonova.com. 3 de setembro de 2007. Consultado em 26 de agosto de 2012. 
  15. «Entrevista de Kolodiejchuk». Oraetlabora.com.br. 
  16. «Papa reconhece milagre de Madre Teresa de Calcutá» (em inglês). BBC Brasil.com. 20 de dezembro de 2002. Consultado em 17 de setembro de 2010. 
  17. «Brasileiro curado por milagre de Madre Teresa é identificado». O Globo. 21 de dezembro de 2015. Consultado em 24 de maio de 2016. 
  18. «A vida de um ‘miraculado’ por Madre Teresa». O Globo. Consultado em 24 de maio de 2016. 
  19. «Papa aprova canonização da madre Teresa de Calcutá». JN. Consultado em 24 de maio de 2016. 
  20. «Carta de João Paulo II». Vaticano. 10 de dezembro de 1981. Consultado em 26 de agosto de 2012. 
  21. Deus caritas est. nº.36
  22. Hitchens, Christopher. (2003). "Mommie Dearest" (em inglês). Slate. ISSN 1091-2339. Visitado em 3 de setembro de 2015.
  23. Chatterjee, Aroup (2003). Mother Teresa: The Final Verdict (em inglês) Meteor Books [S.l.] p. 427. ISBN 9788188248001. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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