Malanje

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Malanje
Localidade de Angola Angola
(Cidade e Município)
Malanje centro 2011-08 IMG1321.jpg

Centro da cidade
Dados gerais
Fundada em 1868 (151 anos)
Gentílico malanjense
Província Malanje
Município(s) Malanje
Características geográficas
Área 2 422 km²
População 569 474[1] hab. (2018)
Densidade 92 hab./km²
Altitude 1.220 m

Malanje está localizado em: Angola
Malanje
Localização de Malanje em Angola
9° 32' 29.95" S 16° 20' 27.78" E{{{latG}}}° {{{latM}}}' {{{latS}}}" {{{latP}}} {{{lonG}}}° {{{lonM}}}' {{{lonS}}}
Dados adicionais
Prefixo telefónico +244
Sítio Governo Provincial de Malanje
Projecto Angola  • Portal de Angola

Malanje (por vezes erroneamente grafada como Malange) é uma cidade e município de Angola, da capital da província de Malanje.

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 569 474 habitantes e área territorial de 2 422 km², sendo o município mais populoso da província.[1][2]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra "Malanje", teria vindo da língua quimbunda antiga, e teria como significado o termo "as pedras" (ma-lanji), existindo porém várias versões sobre surgimento do nome Malanje.[3]

A versão mais conhecida afirma que antes da colonização portuguesa o rio Malanje (ou rio Cadianga) foi atravessado por mercadores e, como na época não existiam pontes, as pessoas tinham que passar pelos rios em cima de pedras. Após atravessar o rio, os mercadores avistaram os moradores locais, os perguntando qual era nome do rio, a que os moradores responderam "Ma-lanji Ngana" (são pedras, Senhor).[3]

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município é limitado a norte pelo município de Cuaba Nzogo, a leste pelo de Mucari, a sul pelos municípios de Cangandala e Mussende, e a oeste pelos de Cacuso e Calandula.

O município é constituído pela comuna de Malanje, que equivale a própria cidade de Malanje, além das comunas de Quimambamba, Nugola-Luije, Cambaxe, Cambondo e Cangando.[4]

História[editar | editar código-fonte]

A região de Malanje era no passado parte do reino da Matamba, um estado poderoso que confrontou o Império Português até meados do século XIX, quando finamente caiu.

De entreposto comercial à sede distrital[editar | editar código-fonte]

Os primeiros mercadores portugueses chegaram ao rio Malanje no século XVII, na travessia das pedras, encontrando ali um lugar rudimentar em que os habitantes do entorno utilizavam para trocas e escambo. Os portugueses chamaram o local de "Ma-lanji".

O chefe tribal da já bem estabelecida Passagem-Feira de Ma-lanji, ao ver os resultados da guerra (1850-1862) entre o reino de Cassange o reino de Portugal, se antecipa a alguma intervenção portuguesa e oferece estatuto de "moradores" aos comerciantes lusitanos, em 1852. As autoridades coloniais a transformam no povoado de Malanje e erguem a paróquia de Nossa Senhora de Assunção.

No ano de 1857 foi fundado em Ma-lanji um presídio, e; em 1862, após o fim da terceira guerra do Cassange, as autoridades colonias resolvem fundar o Forte de Malanje.

Em 1867/68 as autoridades colonias finalmente elevam a localidade-feira para o estatuto de vila, recebendo a sede do conselho, como a grafia do nome passando a ser Malanje.

Em 13 de julho de 1895 é criado o "distrito de Lunda", para administração portuguesa junto ao Protetorado Lunda-Chócue. A capital foi assentada em Saurimo e; preterida em 1896 para Malanje, permanecendo até o ano de 1921, quando volta novamente para Saurimo.

Da década de 1900 às guerras[editar | editar código-fonte]

Na década de 1900 a região passa por um enorme processo de integração com o restante da colônia, quando a linha do Caminho de Ferro de Luanda, que liga Malanje a Luanda é concluída.

Até o início da década de 1920 a a região de Malanje estava conectada administrativamente com o distrito de Lunda (atual Lunda Sul) quando, em 1921, o governador colonial José Norton de Matos devolve a capital distrital de Lunda para a cidade de Saurimo, e; no ato seguinte cria o distrito de Malanje, fixando sede nesta cidade.

No final da década de 1960 e início da década de 1970 o MPLA utilizou-se de Malanje como ponta de lança para derrotar as forças portuguesas no centro-norte da nação, numa estratégia razoavelmente bem sucedida, no que ficou conhecido como "Rota Agostinho Neto", da "Frente Leste". A região caiu sob domínio português novamente em 1973 e, em 1975, sob domínio da UNITA, que contava com o apoio da Força de Defesa da África do Sul, na Operação Savana. A partir de 1976, após intensas batalhas, a cidade livrou-se da ocupação estrangeira e passou a ficar sob completa administração do governo angolano sob a égide do MPLA.

A partir da independência de Angola, em 1975, a capital da província de Malanje passou a ser considerada como uma única cidade, visto que ela era dividida em uma cidade "branca" e uma cidade "africana". Ainda é visível na cidade a separação através de construções da colonização portuguesa e novas construções pós-independência.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

A cidade é ligada por via rodoviária pela EN-140, qua a liga ao norte à cidade de Calandula, e ao sul à Cangandala. Outra rodovia importante é a EN-230A qua a liga ao N'dalatando, à oeste, e ao Mucari, ao leste.[5]

Malanje é o ponto final do Caminho de Ferro de Luanda, sendo um dos mais importantes meios de transporte e escoamento da região. Sua ligação final se dá com o Porto de Luanda.

A cidade é servida pelo Aeroporto de Malanje.

Educação[editar | editar código-fonte]

A cidade de Malanje sedia a Universidade Lueji A'Nkonde e o Instituto Superior Politécnico de Malanje.

Cultura e lazer[editar | editar código-fonte]

Um dos principais pontos de atração da qual dispõe Malanje é o Parque Nacional da Cangandala, que é uma reserva de proteção de diversas espécies, além de ser muito apreciado pelo eco-turismo.

A Arquidiocese de Malanje promove duas tradições culturais-religiosas muito populares na cidade, sendo a maior a Procissão de Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, que sai da paróquia de Nossa Senhora de Fátima da Maxinde e culminando na igreja da Sé Catedral de Malanje,[6] e; a Peregrinação ao Santuário Pungo-Andongo, sendo uma procissão de velas, acompanhada da transportação da imagem da Nossa Senhora do Rosário, a partir do local onde se encontram as peugadas da Rainha Nginga Mbandi até ao até ao Santuário de Pungo-Andongo.[7]

Algumas das principais equipas de futebol de Malanje são o Malanje Sport Clube, o Cambondo do Malanje e o Makotas do Malanje, que já disputaram o Girabola. O futebol é a prática desportiva mais popular entre os malanjenses.

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. Município de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018. Revista Conexão Emancipacionista. 3 de fevereiro de 2018.
  2. «Cópia arquivada». Consultado em 14 de setembro de 2010. Arquivado do original em 15 de outubro de 2009 
  3. a b Alexandre, Helder Pande. Proposta de Harmonização Gráfica da Toponímia de Angola: O Caso do Município de Malanje. Universidade Nova de Lisboa. Março de 2015.
  4. Egídio Sousa Santos, A Cidade de Malanje na história de Angola (dos finais do século XIX até 1975), Luanda: Nzila, 2006
  5. Angola/Malanje: Reabilitação da Estrada 230 termina em 2017. Portal Angop. 3 de setembro de 2016.
  6. Malanje: Procissão de solenidade do corpo de Cristo junta milhares de fiéis católicos. Portal Angop. 4 de junho de 2018.
  7. Malanje: Procissão de velas abre peregrinação ao Santuário de Pungo-Andongo. Portal Angop. 6 de outubro de 2017.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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