Mané Galinha

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Mané Galinha em rara entrevista, ao telejornal Jornal Nacional da Rede Globo em data desconhecida, provavelmente em 1979.

Manoel Machado Rocha,[1] mais conhecido como Mané Galinha[1] (? - Rio de Janeiro RJ, 8 de setembro de 1979) foi um criminoso brasileiro que dominava parte do então sub-bairro Cidade de Deus (que viraria favela), na cidade do Rio de Janeiro no final dos anos 70 do século XX.

Ficou mais conhecido em 2002, no início do Século XXI, ao ser retratado no filme Cidade de Deus, em que o mostra combatendo outro criminoso Zé Pequeno, inimigo declarado nesse bairro. Ao contrário que foi mostrado no filme e embora Mané Galinha do filme ser inspirado no bandido real, era de forma semi-ficcional em algumas cenas e nem a tentativa de mostrá-lo como foi ele de verdade.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Manuel Machado Rocha, o Mané Galinha, iniciou carreira criminosa como assaltante, já como menor, que já foi preso por inúmeras vezes. Entrou no Exército Brasileiro aos 18 anos, ficando por alguns anos.

Até se envolver em guerra com Zé Pequeno, Manuel Machado Rocha teve sua namorada ser brutalmente violentada pelo bando do Zé Pequeno, depois rejeitar o seu pedido de namoro, após o casal ser sequestrado. Após o fato, munido como justiceiro (ou vigilante), entrou em uns dos locais que o bando do Zé Pequeno e disparou dezenas de tiros, apesar da desvantagem ao número do bando, matando dois e colocando em fuga dezenas deles. Após o ataque a tiros ser rapidamente espalhado pelo bairro, um líder do tráfico de drogas que era assediado constantemente pela quadrilha de Zé Pequeno para entregar a boca de fumo, o convidou a entrar no bando, que chegou a relutar, mas depois aceita. Os fatos são mencionados pelo filme Cidade de Deus.

Em pouco tempo, Mané Galinha por ser muito conhecido, passar a liderar seu grupo e praticar assaltos em bairros nobres e bancos para comprar armas e financiar seu grupo, passando a atacar a quadrilha de Zé Pequeno na Cidade de Deus para tomar controle das áreas do então bairro e as bocas de fumo do rival. O grupo liderado por Mané Galinha foi o primeiro grupo do crime organizado na cidade a obter de forma ilícita, armas de grosso calibre (escopetas, metralhadoras e fuzis), que até então, os bandidos usaram apenas revólveres.

Como características em comum entre o Mané Galinha real e o do filme estão o fato de ter sido querido pela comunidade, embora fosse bandido, contrastando com o temor provocado pelo seu inimigo Zé Pequeno. Contemporâneos do criminoso afirmam que o bandido começou a apresentar problemas emocionais, após ter matado acidentalmente uma menina na Cidade de Deus, após um tiroteio.

Em 22 de maio de 1979, foi preso pelos policiais do 32º Distrito Policial do Jacarepaguá, próximo ao Cidade de Deus,[2] mas foi solto por ordem judicial.

Assassinato[editar | editar código-fonte]

Em 8 de setembro de 1979, Zé Pequeno e sua quadrilha foram para a residência Mané Galinha, após souberem o verdadeiro endereço. Ao vê-lo Mané Galinha sair, surpreenderam ele e o crivaram de balas na frente dos pais e irmãos menores,[3] fato esse que inspirou cena do filme Cidade de Deus, onde aparece o irmão dele ser morto, após esfaquear Zé Pequeno.

Após o assassinato de Manuel Machado Rocha (Mané Galinha), o criminoso conhecido apenas como Aílton Batata, sucedeu a liderança na quadrilha e prometeu vingar a morte de Mané Galinha, em meio a guerra contra José Eduardo Barreto Conceição (Zé Pequeno) e Luís Carlos de Oliveira Lelis (Bingo de Torneira).[3]

Em 8 de março de 1980, o integrante da quadrilha de Zé Pequeno, chamado Jorge Rodrigues Barbosa, o Timbó (nascido em 1954), que dominava a quadra 13 (Triagem) no bairro, foi preso por policiais do Destacamento de Policiamento Ostensivo da PM da Cidade de Deus após denúncias anônimas. Ele assumiu ter dado dois tiros mortais contra o rosto de Mané Galinha, como também assumiu ter matado outros dois bandidos conhecidos na época, Gilson Guedes da Silva, o Índio e Jairzinho. Também confessou que só matava bandidos.[4]

Família[editar | editar código-fonte]

Mané Galinha tinha pai, mãe e irmãos menores,[3] entre eles Gelson Machado da Rocha (?-5 de março de 1980) que tentou chefiar o grupo liderado pelo seu irmão (que acabou ser sucedido por Aílton Batata), foi assassinado por Vanderley de Oliveira, o Belei, depois de incendiar a casa dele.[5]

Referências

  1. a b Bartolomeu Brito, Cidade de Deus é comunidade onde só o crime se organizou, Jornal do Brasil, 30 de setembro de 1979 (Primeiro Caderno, página 22). Disponível aqui no memoria.bn.br. Consultado em 10 de outubro de 2017
  2. QUADILHA, Jornal do Brasil, 23 de maio de 1979 (Primeiro Caderno, página 24). Disponível aqui no memoria.bn.br. Consultado em 9 de outubro de 2017.
  3. a b c «030015_09 - DocReader LIGHT». memoria.bn.br. Consultado em 4 de julho de 2017 
  4. «030015_10 - DocReader LIGHT». memoria.bn.br. Consultado em 14 de julho de 2017 
  5. Investigação leva à prisão de dois, Jornal do Brasil, 6 de março de 1980 (Primeiro Caderno, página 26). Disponível aqui no memoria.bn.br. Consultado em 17 de outubro de 2017