Mancenilheira

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaHippomane mancinella
Fruto (semelhante à maçã porém altamente venenoso) e folhagem

Fruto (semelhante à maçã porém altamente venenoso) e folhagem
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Angiosperma
Classe: Euphorbiaceae
Ordem: Malpighiales
Família: Euphorbiaceae
Género: Hippomane

A mancenilheira (Hippomane mancinella) é uma árvore da família das euforbiáceas. O pai da taxonomia moderna, o sueco Linnaeus, deu esse nome a esta nociva árvore das Américas inspirando-se no filósofo grego Teofrasto (371a.C.-287a.C.), o qual já havia nomeado assim uma planta nativa da Grécia após descobrir que os cavalos ficavam loucos ao comê-la.[1] É também conhecida como mancenilheira-da-areia ou mancenilheira-da-praia.

A mancenilheira é nativa na Florida, nos Estados Unidos, Baamas, Caraíbas (Guadalupe, Bonaire, Martinica, Antígua e Barbuda, Trinidad e Tobago, etc.), América Central (Honduras, Nicarágua, Panamá, etc) e até ao norte da América do Sul (Colômbia e Venezuela). Não ocorre no Brasil.[2]

Vista da árvore assinalada a vermelho, avisando do perigo a turistas estrangeiros

Descrição[editar | editar código-fonte]

A mancenilheira é uma árvore que pode atingir 15 metros de altura. Apresenta casca cinzenta, folhas verdes brilhantes e picos de pequenas flores esverdeadas. Seus frutos são semelhantes na aparência a uma maçã reineta, são verdes e esverdeado-amarelados quando maduros. As mancenilheiras podem ser encontradas perto das praias costeiras/litorâneas. São excelentes quebra-ventos naturais (apesar do seu perigo para os seres vivos) e as suas raízes estabilizam a areia, evitando a erosão costeira.

O nome em castelhano é manzanilla de la muerte (“pequena maçã da morte”), por ser considerada uma das árvores mais venenosas do mundo. Os seus frutos são venenosos, e a seiva da casca provoca queimaduras, cegueira (se entrar nos olhos) e até a morte.

Toxicidade[editar | editar código-fonte]

As várias partes da árvore contêm toxinas fortes, algumas ainda não identificadas. A sua seiva contém forbol e outras substâncias irritantes para a pele, produzindo dermatites fortemente alérgicas.[3] Ficar sob a árvore durante a chuva causa a formação de borbulhas na pele devido ao mero contacto com a água que escorre das folhas, e se as mãos forem colocadas nos olhos pode ocorrer cegueira temporária ou mesmo definitiva. A queima da árvore pode causar cegueira se a fumaça alcançar os olhos.

Em relação ao fruto diz-se que é fatal se comido, todavia "mortes por ingestão não são registadas na literatura moderna",[4] mas a "ingestão pode produzir severas gastroenterites com hemorragias e choque. Pacientes com um histórico de ingestão e queimaduras na orofaringe ou sintomas gastrointestinais devem ser transportados para o hospital. O tratamento é de apoio." (Fonte: Poisonous Plants: A Handbook for Doctors, Pharmacists, Toxicologists, Biologists and Veterinarians de Dietrich Frohne e Hans Jürgen Pfänder. 2005).

Em vários locais, muitas mancenilheiras têm em seu redor um sinal de perigo (por exemplo em Curaçau, enquanto em outros locais são marcadas com uma cruz vermelha no tronco para indicar perigo. Nas Antilhas Francesas, (Martinica e Guadalupe), sobretudo, as árvores são muitas vezes marcadas com uma banda vermelha a um pé acima do solo. Em Bonaire, todavia, as árvores não apresentam qualquer sinal indicador de perigo.[5]

A mancenilheira contém 12-deoxy-5-hydroxyphorbol-6gamma, 7alpha-oxide, hippomanins, mancinellin, e sapogenina, phloracetophenone-2,4-dimethylether está presente nas folhas, enquanto os frutos possuem fisostigmina.[6]

Queimadura ocasionada pelo contacto direto da pele com folhas de mancenilheira.

História[editar | editar código-fonte]

Os Caribes usavam a seiva desta árvore nas setas contra os inimigos provocando uma morte lenta e dolorosa. Um cataplasma de arauta era usado como antidoto pelos Arawaks e Taínos contra venenos de setas.[7] Os Caribes eram conhecidos por envenenar a água dos seus inimigos com folhas de mancenilheira. O explorador espanhol Juan Ponce de León foi golpeado por uma seta envenenada com seiva de mancenilheira durante uma batalha com os Calusa, na Flórida, morrendo pouco depois.[8]

Conservação[editar | editar código-fonte]

A mancenilheira é uma espécie em perigo de extinção no estado da Flórida.[9]

Referências

  1. «A árvore tão mortal que foi usada como instrumento de tortura». Hypescience. Consultado em 17 de setembro de 2014 
  2. «Hippomane mancinella». Germplasm Resources Information Network. United States Department of Agriculture. Consultado em 17 de setembro de 2014 
  3. Poisonous plants and animals of Florida and the Caribbean de David W. Nellis
  4. 1991: Bygbjerg I.C. e H.K. Johansen: Manchineel poisoning complicated by streptococcal pharyngitis and impetigo. Ugeskr. Laeger 154(1), 27-28 (1991)
  5. fr:Hippomane mancinella
  6. «Hippomane mancinella». Dr. Duke's Phytochemical and Ethnobotanical Databases. United States Department of Agriculture. Consultado em 27 de janeiro de 2009 
  7. Jones, David E (2007). Poison Arrows: North American Indian Hunting and Warfare. [S.l.]: University of Texas Press. p. 29. ISBN 978-0-292-71428-1. Consultado em 23 de janeiro de 2009 
  8. Grunwald, Michael (2007). «Chapter 2: The Intruders». The Swamp. [S.l.]: Simon & Schuster. p. 25. ISBN 978-0-7432-5107-5 
  9. «Hippomane mancinella». Atlas of Florida Vascular Plants. Plantatlas.org. Consultado em 23 de janeiro de 2009 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • García Bartual, Mario "Bonita mas tóxica: árvore mortal. In Super interessante, n.º 233 (setembro 2017), p. 26-29

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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