Mandala (telenovela)

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Mandala
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero Drama
Romance
Duração 50 minutos aproximadamente
Criador(es) Dias Gomes
País de origem  Brasil
Idioma original (português brasileiro)
Produção
Diretor(es) Ricardo Waddington (direção geral)
Roberto Talma (direção executiva)
Daniel Filho (supervisão)
José Carlos Pieri
Fábio Sabag
Elenco
Tema de abertura "Mitos", César Camargo Mariano
Tema de encerramento "Mitos", César Camargo Mariano
Exibição
Emissora de televisão original Rede Globo
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 12 de outubro de 198714 de maio de 1988
N.º de episódios 185

Mandala é uma telenovela brasileira que foi produzida pela Rede Globo e exibida de 12 de outubro de 1987 a 14 de maio de 1988, em 185 capítulos,[1] substituindo O Outro e substituída por Vale Tudo.[2] Foi a 38ª "novela das oito" exibida pela emissora. Escrita por Dias Gomes com a colaboração de Marcílio Moraes e Lauro César Muniz, tendo sido dirigida por Ricardo Waddington (que também foi seu diretor geral), José Carlos Pieri e Fábio Sabag. A direção executiva foi de Roberto Talma e supervisão de Daniel Filho.[3] É uma livre adaptação do texto clássico de Sófocles, Édipo Rei.[2]

A trama apresentou Vera Fischer, Felipe Camargo, Lúcia Veríssimo, Gianfrancesco Guarnieri, Nuno Leal Maia, Ângela Leal, Oswaldo Loureiro, Gracindo Júnior e Carlos Augusto Strazzer nos papéis principais.

Produção[editar | editar código-fonte]

O enredo transporta o mito de Édipo para o Rio de Janeiro do século XX. O ponto de partida é baseado na tragédia grega Édipo Rei, de Sófocles.[2] Mandala foi escrita por Dias Gomes até o capítulo 35. O autor foi substituído por Marcílio Moraes, que contou com a colaboração de Lauro César Muniz para escrever os capítulos finais da telenovela.[3] Lauro ajudou a escrever os capítulos finais, mas não foi creditado por seu trabalho. Fabio Sabag integrou o núcleo de diretores quando a telenovela já estava no ar.[3]

Na época em que Mandala foi ao ar, a história teve problemas com a Censura Federal, que chegou a vetar a sinopse da telenovela, alegando que a história tratava de temas impróprios para o horário das oito, como incesto, uso de drogas e bissexualidade.[3] A Rede Globo se comprometeu em fazer alterações no roteiro original para que ela fosse liberada, o que acabou conseguindo, mas já com a telenovela no ar, a censura pretendia vetar um beijo entre Jocasta e Édipo. A alegação era de que a cena seria muito agressiva para os telespectadores. A cena era essencial para a trama, e a Globo novamente negociou, e conseguindo liberar a cena, com a emissora alegando que os personagens desconheciam sua condição de mãe e filho. Mas, para evitar um mal-estar com o governo e com o público, nenhuma cena ou sequer insinuação de ato sexual entre os dois foi planejada.[3] Os primeiros capítulos de Mandala também tinham forte conotação política, o que também foi criticado pelos censores, e os autores foram obrigados a modificar o texto.[3] O personagem de Gianfrancesco Guarnieri, Túlio Silveira, pai de Jocasta, um comunista que enfrentava vários problemas com a polícia e o governo, embora guardasse semelhanças com a vida de seu próprio intérprete, foi inspirado em Mário Lago, grande amigo do autor Dias Gomes.

Gravação[editar | editar código-fonte]

Mandala teve cenas gravadas em Brasília,[3] e algumas cenas exigiram uso de efeitos especiais, nas que Jocasta e Édipo têm visões e as de Argemiro, já que, além de ter poderes paranormais, o guru ficava sob uma pirâmide iluminada para se energizar.[4]

Para as cenas de passagem de tempo foi usado recursos especiais. Uma sequência mostrava a orla de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, ganhando prédios e mais prédios até atingir a paisagem contemporânea. Para mostrar a mudança de época, utilizou-se uma maquete, de cinco metros quadrados, gravada quase quadro a quadro, com o acréscimo progressivo de pequenas reproduções em papelão.[4]

Dias Gomes escreveu Jocasta pensando em Dina Sfat para interpretá-la. A atriz não topou. Vera Fischer viveu a personagem. Dina, já debilitada pelo câncer de mama, fez Bebê a Bordo, em 1988, vindo a falecer pouco tempo após o término da telenovela.

O ator Nuno Leal Maia deu palpites à equipe de figurino em relação as características de seu personagem, o bicheiro Tony Carrado. Ele, que em 1985 já tinha feito um papel semelhante no cinema, em O Rei do Rio, de Fábio Barreto, acreditava ser interessante agregar colorido ao visual de Tony. A figurinista Sônia Soares recebia telefonemas de bicheiros e de pessoas ricas querendo saber como podiam conseguir aqueles ternos coloridos do personagem, que fez tanto sucesso.[5]

Vera Fischer e Felipe Camargo viveram um romance dentro e fora da novela e acabaram se casando. Mandala costuma ser bastante lembrada por esse fato.[2]

Exibição[editar | editar código-fonte]

Exibição internacional[editar | editar código-fonte]

Mandala foi exibida em países como Bolívia, Nicarágua, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana e Venezuela.[3]

Em Portugal, Mandala foi exibida apenas em 1994, pela RTP (Rádio Televisão Portuguesa), em horário nobre. Mandala tornou-se na primeira "telenovela das nove" exibida pela RTP a não liderar as audiências. No mesmo horário, era exibida Mulheres de Areia na SIC, primeiro canal privado português surgido em 1992. A Rede Globo, accionista da SIC, começou a vender a este canal as telenovelas mais recentes, obrigando a RTP a recuar a uma produção de 1987. Mandala substitui O Dono do Mundo e foi substituída por Fera Ferida, a última telenovela da Rede Globo exibida pela RTP.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

1961. O presidente Jânio Quadros, inesperadamente, anuncia sua renúncia. Nesse contexto, a jovem Jocasta, uma estudante de sociologia, filha do militante comunista e dramaturgo Túlio Silveira, tem um romance com Laio, um alienado e rico moço que sonha em se tornar um grande gângster. Depois desse envolvimento, ela engravida e dá à luz Édipo, que acaba retirado de seus braços ao nascer, pelo fato de Laio, que era um rapaz místico, consultar seu amigo e guru Argemiro, um paranormal que, ao jogar búzios, chega à conclusão de que, no futuro, a criança o mataria e teria um romance com a própria mãe. Assustado, Laio planeja o sequestro do bebê e se afasta dele. Édipo, então, acaba recolhido pelo casal Américo e Mercedes e se torna um promissor produtor de vídeo, porém com fortes poderes paranormais, o que lhe causa muitos tormentos.

Em 1987, Jocasta é uma bem-sucedida empresária, amparada pela amiga Vera, sua fiel escudeira, mas é frustrada e insatisfeita por nunca ter conhecido o filho. Laio, um bissexual, enfim conseguiu se transformar em um ilustre fora-da-lei, ampliando a fortuna e os negócios do pai, o comerciante Michel Lunardo, com o jogo do bicho e outros negócios ilegais, mas encontra em Tony Carrado seu maior rival.

Édipo e o pai se reencontram, por acaso, numa briga de [trânsito. Sem saber da verdadeira identidade de Laio, Édipo acidentalmente o mata, empurrando-o de um penhasco. Mais tarde, ao procurar trabalho, acaba conhecendo Jocasta e por ela se apaixonando. Os dois se envolvem e só posteriormente descobrem que são mãe e filho. Em meio a isso, Jocasta é permanentemente assediada por Tony Carrado e passa a ser perseguida pelo seu antigo inimigo Argemiro, além de sofrer com os negócios escusos do irmão Creonte, um patife, e se interessar por Pedro Bergman, um charmoso advogado por ela contratado para localizar seu filho.

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Participações especiais na primeira fase[editar | editar código-fonte]

Segunda fase[editar | editar código-fonte]

Música[editar | editar código-fonte]

Uma das músicas da trilha, "O Amor e o Poder", na voz de Rosana, se tornou um clássico da época. O personagem Tony Carrado, fez tanto sucesso que foi lançado na época a coletânea musical As Preferidas de Tony Carrado, em vinil.

Nacional[editar | editar código-fonte]

Mandala Nacional
Trilha sonora
Lançamento 1987
Gênero(s) Vários
Gravadora(s) Som Livre

Capa: Vera Fischer

N.º Título Música Personagem Duração
1. "Mitos"   César Camargo Mariano Abertura 2:02
2. "Viagem ao Fundo do Ego"   Egotrip Édipo 3:44
3. "Dou-Não-Dou"   Djavan Laio 2:35
4. "O Amor e o Poder (The Power Of Love)"   Rosana Jocasta 4:01
5. "Bobo da Corte"   Alceu Valença Vovô Pepê 2:46
6. "Um Dia, Um Adeus"   Guilherme Arantes Vera 2:37
7. "Meu Mestre Coração"   Milton Nascimento Gerson 3:25
8. "A Paz"   Zizi Possi Letícia 3:25
9. "Eu Já Tirei A Tua Roupa"   Wando Tony Carrado 3:50
10. "Personagem"   Fafá de Belém Mercedes e Américo 3:24
11. "Eu Quero o Absurdo"   Tânia Alves Eurídice 2:56
12. "Tempo de Don Don"   Zeca Pagodinho Apolinário 3:20
13. "Preconceito"   Via Negromonte Marlucy 2:30
14. "Perdão"   Areia Quente Débora 3:02
15. "Eu Já Sei"   Garotos da Rua Toninho 3:05
16. "Uma Mulher" (part. Léo Gandelman) César Camargo Mariano Jocasta e Édipo 2:53

Internacional[editar | editar código-fonte]

Mandala Internacional
Trilha sonora de Vários Artistas
Lançamento 1988
Gênero(s) Vários
Formato(s) LP, K7
Gravadora(s) Som Livre

Capa: Lúcia Veríssimo

N.º Título Música Personagem Duração
1. "A Matter Of Feeling"   Duran Duran Toninho e Marlucy 3:40
2. "Didn't We Almost Have It All"   Whitney Houston Jocasta 4:10
3. "Sugar Free"   Wa Wa Nee Geral 3:35
4. "With or Without You"   U2 Geral 3:24
5. "Nothing's Gonna Change My Love For You"   Glenn Medeiros Letícia 3:45
6. "Bitter Fruit"   Little Stevens Geral 4:00
7. "No Conversation"   View From The Hill Vera 2:56
8. "Luka"   Suzanne Vega Geral 3:49
9. "Never Say Goodbye"   Bon Jovi Gerson e Mariana 3:55
10. "Lost In Emotion"   Lisa Lisa & Cult Jam Solange 3:47
11. "I've Been In Love Before"   Cutting Crew Tony Carrado 3:44
12. "Let The Sun Shine In Your Heart"   Wind Édipo 3:02
13. "I Think We're Alone Now"   Tiffany Geral 3:44
14. "Songbird"   Kenny G. Romântico Geral 3:23

Trilha sonora complementar: "As 'Preteridas' de Tony Carrado"[editar | editar código-fonte]

"As 'Preteridas' de Tony Carrado"
Trilha sonora de Vários Artistas
Lançamento 1988
Gênero(s) Vários
Formato(s) LP, K7
Gravadora(s) Som Livre

Capa: Nuno Leal Maia

N.º Título Música Personagem Duração
1. "Eu Já Tirei A Tua Roupa"   Wando    
2. "Meu Dilema"   Fafá de Belém    
3. "Feristes Um Coração"   Zeca Pagodinho    
4. "A Semente"   Bezerra da Silva    
5. "Nossa História de Amor"   Gilson    
6. "Parabéns Pra Você"   Dicró    
7. "Pra Sempre Vou Te Amar"   Adriana    
8. "Estrada do Coração"   Agepê    
9. "Liga Pra Mim"   Gilberto Lemos    
10. "Boêmio"   Emílio Santiago    
11. "Na Certeza da Paz"   Almir Guineto    
12. "O Amor e o Poder (The Power Of Love)"   Rosana    

Recepção[editar | editar código-fonte]

Mandala teve uma média em torno de 70 pontos no Ibope,[6] terminando por ser esticada em mais 12 capítulos e terminou em uma sexta-feira, dia 13. No sábado, o último episódio foi reprisado. Ela foi uma telenovela polêmica que tratava de vários temas fortes, como incesto, misticismo, bissexualidade, repressão política, jogo clandestino, racismo, alcoolismo, drogas e, pelo teor de sua sinopse, chegou até a ser vetada pela terminal porém ainda ativa Censura Federal do governo José Sarney para o horário nobre das oito e meia da noite. Após alguns reparos feitos por Dias Gomes e negociações entre a cúpula da Rede Globo e o governo federal, a trama foi finalmente liberada.

Referências

  1. Nilson Xavier. «Mandala». Teledramaturgia. Consultado em 28 de setembro de 2014. 
  2. a b c d Nilson Xavier. «Mandala - Bastidores». Teledramaturgia. Consultado em 28 de setembro de 2014. 
  3. a b c d e f g h «Mandala - Curiosidades». Memória Globo. Globo.com. Consultado em 28 de setembro de 2014. 
  4. a b «Mandala - Produção». Memória Globo. Globo.com. Consultado em 28 de setembro de 2014. 
  5. «Mandala - Figurino e Caracterização». Memória Globo. Globo.com. Consultado em 28 de setembro de 2014. 
  6. «Incesto e paranormalidade marcaram a novela "Mandala"». Folha de S.Paulo. UOL. 14 de maio de 2000. Consultado em 29 de setembro de 2014. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]