A União das Freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de São Pedro e Maçussa foi constituída em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, pela agregação das antigas freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de São Pedro e Maçussa.[1]
À data da sua extinção, a Freguesia de Manique do Intendente tinha 35,7 km² de área e 1216 habitantes (2011), e, por isso, uma densidade populacional de 34,1 hab./km². Esta freguesia era limitada a oeste por Alcoentre, a sul pela Maçussa, a norte por Arrouquelas e a este por Vila Nova de São Pedro.
Entre 1791 e 1836, Manique do Intendente foi sede de concelho passando desde então e até 2013 a ser sede de freguesia.
Manique do Intendente dista 11 Km da cidade do Cartaxo, 20 Km de Santarém e 56 Km de Lisboa. Os principais acessos rodoviários à vila são:
A primeira refrência deste lugar foi registada no século XIII: a paróquia de São Pedro de Arrifana, aparece nas Inquirições de D. Dinis plenamente cimentada em torno da Matriz e sob a proteção do Príncipe dos Apóstolos.[3]
Durante a Idade Média e Moderna, esta freguesia chamava-se Alcoentrinho, em correlação com a vizinha Alcoentre. J. Diogo Correia também aponta na sua obra Toponímia do Concelho de Cascais a existência de uma povoação chamada, até à mudança para o seu nome atual, de São Pedro da Arrifana.[4]
Em 11 de Julho de 1791, a rainha D. Maria I concede ao seu intendente geral da polícia, Diogo Inácio de Pina Manique este lugar, o qual se passa a chamar, em sua honra, de Manique do Intendente, tornando-o vila sede de concelho. Porém, em 1836, foi extinto pelas reformas liberais de Passos Manuel, tendo sido integrado no concelho de Alcoentre (o qual também viria a ser extinto em 1855), e perdendo o estatuto de vila.
Em 1924, foi desanexada desta freguesia a vizinha Vila Nova de São Pedro e, em 4 de Outubro de 1985, foi criada a freguesia da Maçussa, também por desanexação de Manique do Intendente.
Diogo Inácio de Pina Manique pretendia fazer de Manique do Intendente uma majestosa cidade planificada de cunho neoclássico, exemplo do despotismo esclarecido, que se tornaria sede de concelho e até, talvez no futuro, capital de Portugal. Segundo o plano urbano estabelecido, o centro da povoação seria uma imponente praça de formato hexagonal (baptizada de Praça dos Imperadores), de onde irradiariam seis extensos arruamentos (baptizados com nomes de imperadores Romanos). O plano também estabelecia a construção de um palácio senhorial para residência do próprio Intendente Pina Manique.
A concretização do plano urbanístico foi interrompida com morte de Pina Manique. A praça dos Imperadores foi construída mas, dos imponentes edifícios que a deveriam rodear, apenas foi edificada a neoclássica Casa da Câmara, limitando-se os restantes a casas simples que seriam habitadas pelos ministros. Apenas foi construída a parte inicial das vias irradiantes previstas que, apesar de pomposamente chamadas de Ruas de César, de Augusto, de Trajano, de Sertório e de Justiniano, nunca chegaram a passar de pequenas travessas. Do palácio de Pina Manique apenas foi concluída a capela, que se tornou a igreja matriz da vila, e parte da sua imponente fachada. Uma ponte (Ponte D.Maria) também da mesma altura dos anteriores monumentos, cuja tinha como objetivo ser um "tapete vermelho" para o palácio e levaria água potável a partir das minas de água através de um pequeno aqueduto até ao centro da vila, também não foi acabada, sendo que os habitantes construíram casas no local em que seria esta estrada.
Apesar do plano urbano de Manique do Intendente só ter ficado pelo princípio, a vila ainda hoje surpreende o visitante desprevenido, que nunca esperaria encontrar aquela grandiosidade arquitetónica numa povoação tão exígua do interior rural.
Os habitantes dividem a localidade em várias partes que antigamente, antes da colocação do nome das ruas, se utilizavam:
Carvalho, Arrifana, Ilhas, Manique do Intendente, Minas, Póvoa de Manique, Póvoa do Intendente, Casais Vale de Breijos, Casais dos Tacais, Vale da Guerra, Cabeça Gorda, Cabeço, Casais das Salgueiras, Encostas, Matotinho, Vale de Burricos, Casal da Inês, Curral de Pedra, Parou e Vale Púcaros.
De momento, os únicos lugares que são consideradas lugares pertencentes à vila são:
Carvalho
Póvoa de Manique
Póvoa do Intendente (Quinta da Horta)
Moita do Lobo
Arrifana
Casais dos Balanchos
Os restantes lugares foram anexados à vila, no entanto, muitas das ruas ou bairros existentes, mantêm esses mesmos nomes. Uma curiosidade, chama-se a uma das zonas de "Ilhas", devido a Pina Manique ter trazido colonos dos Açores para povoar diversas zonas do país, nomeadamente Manique do Intendente.
A vila situa-se num vale, possuindo no geral um terreno pouco acidentado. A sul da vila existe um pequena curso de água, denominado de Ribeira do Judeu e, também a sul, um paúl. No entanto outros cursos de água menores encontram-se no interior de Manique.
O paúl de Manique tem atraído os olhares de muitos, devido a ser uma zona húmida que atraí centenas de diferentes espécies. Este importantíssimo ecossistema tem sido alvo da atenção e de melhorias do concelho, para que seja possível não só a sua conservação, como também tirar partido do mesmo para sensibilização ambiental, turismo ecológico e rural, e também em termos de investigação.
Recentemente, ocorreu a limpeza do leito do mesmo[6] e foi criado um passadiço e um posto de observação de vida selvagem[7], além da criação do projecto PaulNatura, financiado pela Câmara de Azambuja, e em parceria com outras entidades[8].
Manique do Intendente possui os seguintes serviços:
- Jardim de infância
- EBI de Manique do Intendente - 1º ao 9º ano. Os maioria dos alunos provêm das localidades de Alcoentre, Tagarro, Quebradas, Arrifana, Vila Nova de S. Pedro, Maçussa, Casais de Além, Vale de Judeus, Casais da Caneira e Casais das Boiças e Manique do Intendente.
- Junta de freguesia com Espaço Cidadão e correios
- Mercado diário
- Farmácia
- Polidesportivo e campo de futebol
- Banco
- Centro cultural
- Posto de saúde
A vila ainda dispõe ainda de papelaria, sapataria, diversas mercearias, cafés, restaurante e lojas de produtos agrícolas. Existe serviço de táxi e autocarros fornecidos pela rodoviária Tejo, e por vezes, existe transporte gratuito fornecido pela Câmara de Azambuja.
Em Manique os festeiros são responsáveis juntamente com outras entidades pela realização das Tasquinhas e das Festas em Honra de São Pedro, as quais se realizam respetivamente a partir de dia 20 de Abril e entre 15 e 20 de Agosto. Estas festas são caracterizadas pela forte presença da gastronomia regional e pela edição anual do Circuíto de Ciclismo de Manique do Intendente[9]. Nos últimos anos tem existido também algumas feiras e até conferências[10][11].
Desde 2016 que existe também um festival de música (Manifestival) que tem como objetivo dar a conhecer à população e a todo o público novas bandas e artistas que tocam diversos estilos musicais, desde rock, jazz, música clássica, música popular, etc[12].
Nos últimos anos, aquando dos festejos, tem sido promovido pela Câmara de Azambuja, o festival do torricado, um dos pratos tradicionais do concelho[13]. No entanto, existem pratos típicos da vila que são confecionados de forma específica pelos habitantes ou são únicos na zona:
- Sopas de misturadas, e com os restos da mesma faz-se o magusto;
- Velhozes à Manique;
- Arroz de favas/ favas guisadas com bacalhau assado;
O vinho também tem uma forte presença na vila, tendo que existem bastantes produtores de vinho na zona. Um dos mais conhecidos, e tão antigos quanto a localidade, são o vinhos da Quinta da Lapa[16].
Desde 2017, também tem sido realizado os trilhos Pina Manique, os quais trazem milhares de pessoas a percorrerem o meio rural desta vila, e no geral a todo o concelho, através de diversos circuitos para todos os gostos[17].
A Ponte dos Almocreves é uma ponte lendária situada em Manique do Intendente, nas proximidades da Quinta da Torre Bela, outrora utilizada para atravessar a Ribeira do Judeu. Está associada a uma tradição oral profundamente enraizada na região. Construída em lajes de pedra sobre a linha de água, a ponte surge frequentemente em relatos locais ligados às rotas percorridas pelos almocreves que se deslocavam entre aldeias e feiras.
Segundo a lenda, os almocreves atravessavam esta ponte quando seguiam rumo à feira de Figueiros, onde procuravam vender os seus produtos e encontrar outros mercadores. Contudo, acreditava-se que, às sextas-feiras de luar, a partir da meia-noite, a ponte se transformava num local de reunião de bruxas, que aí dançariam e cantariam até ao romper do dia.
Numa dessas noites, conta-se que um almocreve corcunda, regressando a casa sob uma chuva torrencial e com a ribeira a transbordar, viu-se obrigado a passar pela ponte. Ao deparar-se com as bruxas em plena dança, decidiu tapar o rosto e juntar-se a elas, na esperança de não ser descoberto. Uma das bruxas acabou por notar a sua presença mas, admirada pela sua coragem, decidiu recompensá-lo: retirou-lhe a corcunda e deixou-o seguir caminho renovado.
A notícia espalhou-se pela vila e, na sexta-feira de luar seguinte, outro almocreve corcunda tentou repetir o feito. Mas, ao contrário do primeiro, a sua intenção era apenas aproveitar-se dos poderes das bruxas. As bruxas, percebendo a sua astúcia, castigaram-no acrescentando-lhe uma segunda corcunda.
A partir de então, a ponte ganhou fama ainda maior, e os habitantes da região passaram a respeitar as noites de sexta-feira de luar. A lenda é frequentemente evocada como um lembrete de que a coragem e a necessidade podem ser reconhecidas, mas a ganância raramente encontra boa fortuna.
Conta-se que, há muitos séculos, a região de Manique do Intendente atravessou uma grande seca. As terras gretaram, os animais morreram à fome e muitas famílias ficaram reduzidas ao que a natureza ainda pudesse oferecer. Numa dessas famílias vivia uma pequena rapariga,que os pais enviavam a recolher bagas sempre que possível.
Num desses dias, enquanto procurava alimento na área onde hoje se encontra a atual Quinta da Torre Bela, a menina descobriu um pequeno edifício . No seu interior habitava uma velha moura, que ao ver a criança tão magra, encheu-lhe um cesto embrulhado e disse-lhe: "Leva isto para a tua família, mas só o podes abrir quando chegares a casa."
A rapariga assim fez. Ao chegar a casa, abriu o cesto e encontrou pão, bagas e carne fresca. No entanto, do fundo da cesta saiu também um besouro preto, que desapareceu rapidamente pela porta.
Na semana seguinte, a menina voltou ao mesmo lugar e voltou a encontrar a moura. Mais uma vez recebeu um cesto e a mesma instrução. Quando chegou a casa e o abriu, lá estava nova comida, e desta vez, um besouro verde saiu de dentro da cesta e voou pela janela. Nesse mesmo dia, conta-se que caiu uma chuva intensa que começou a aliviar a grande seca que se sentia há meses.
Na terceira semana, tudo se repetiu: a menina foi à procura da moura, recebeu o cesto e trouxe-o para casa. Mas desta vez decidiu abrir o embrulho a meio do caminho, e não continha comida… de lá saiu apenas um besouro dourado. A criança ficou surpresa com o presságio e decidiu regressar de imediato à moura. Porém, ao lá chegar, encontrou a moura caída no chão, já sem vida.
Diz-se que, desde essa época remota, os habitantes mais antigos da região mantêm uma forte superstição em relação aos besouros. Da tradição oral ficaram vários ditados ainda hoje recordados:
“Besouro preto, boas novas te prometo.”
“Besouro verde é esperança.”
“Besouro d’oiro é agoiro.”
E assim perdura a memória da moura que ajudou uma criança faminta e deixou, nos seus três besouros, presságios que a terra nunca mais esqueceu.