Manoel José Nurchis

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Manoel José Nurchis
Nome completo Manoel José Nurchis
Nascimento 19 de dezembro de 1940
São Paulo, Brasil
Morte 30 de setembro de 1972 (31 anos)
Xambioá, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação operário, militante, guerrilheiro

Manoel José Nurchis ('codinome': Gil; São Paulo, 19 de dezembro de 1940 - Xambioá, 30 de setembro de 1972) foi um operário e militante do Partido Comunista do Brasil contra a ditadura militar no Brasil. Morreu na cidade de Xambioá, em Tocantins, durante a Guerrilha do Araguaia. É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.


Juventude[editar | editar código-fonte]

Manoel José Nurchis nasceu no dia 19 de dezembro de 1940, na cidade de São Paulo. Durante a juventude, trabalhou como operário em diversas fábricas da região. [1]

Em junho de 1963, antes do golpe militar, foi preso por "distribuir panfletos subversivos" nas ruas de São Paulo.[2] Na época, já era militante do Partido Comunista do Brasil.

Em momento indeterminado do período, realizou curso de guerrilha na Escola Militar de Pequim/China [3]

Ditadura e Militância[editar | editar código-fonte]

Depois do golpe militar em 1964, por razões de perseguição política, Manoel deixou seu emprego de operário e começou a atuar clandestinamente na região do rio Araguaia,[4] passando a a integrar o movimento guerrilheiro organizado pelo PC do B. Residia na região da Gameleira e pertenceu ao Destacamento B, junto com Flávio (Ciro Flávio Salasar Oliveira), Aparício (Idalísio Soares Aranha Filho) e Ferreira (Antônio Guilherme Ribeiro Ribas).[5]

Após se mudar da casa em que vivia com os pais e a irmã, na cidade de São Paulo, policiais reviraram o local em busca de material comprometedor. Mantinha contato esporádico com a família através de cartas entregues por outros militantes do PC do B. [6]

Desaparecimento e Morte[editar | editar código-fonte]

Desapareceu após um confronto, quando o grupo comandado por João Carlos Sobrinho foi atacano na região dos Caianos.[7] De acordo com relatório apresentado pelo Ministério da Marinha, em 1993, Manoel foi morto em outubro de 1972, em combate na cidade de Xambioá.[8] Já um relatório 3ª Brigada de Infantaria, escrito pelo general Antônio Bandeira, aponta a data de 30 de setembro de 1972 como o dia de sua morte.[9]

Em depoimento a Comissão da Verdade, em 2013, ouviu-se o seguinte relato:

Desapareceu após o confronto quando o grupo comandado por João Carlos Rá Sobrinho foi atacado na região de Caianos. Dower Cavalcante conta que o General Bandeira comentou nunca ter visto um homem tão macho quanto Nurchis. Segundo o ex-guerrilheiro, Nurchis enfrentou o ex-paraquedista em um combate que durou cerca de duas horas e só morreu após receber o 12º tiro de metralhadora. [10]

Posteriormente, Dower realizou a identificação de mortos na guerrilha, entre eles, estava Nurchis.[11]

Sua morte foi registrada na Operação Papagaio em 30/9/72.[12]

Seu nome consta na lista de mortos e desaparecidos na ditadura militar anexa a Lei nº 9.140/95 [13]


Homenagens Póstumas[editar | editar código-fonte]

Em 1997, a cidade de Campinas, em São Paulo, batizou uma rua em sua homenagem. [14]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Manoel Jose Nuchis - 12.4.13 - COMISSÃO DA VERDADE: "Foi forçado a deixar seu trabalho na fábrica para viver clandestinamente"
  2. Secretaria de Direitos Humanos | Morto ou desaparecido político "Manuel foi preso em jun/63, quando distribuía panfletos subversivos em São Paulo."
  3. Secretaria de Direitos Humanos | Morto ou desaparecido político “Militante do PCdoB, utilizando-se dos codinomes Gil, Gilberto e Guilherme, tendo também realizado o curso de guerrilha na Escola Militar de Pequim/China”
  4. Comissão da Verdade - Rubens Paiva Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo “ Em razão da perseguição política após o golpe de 1964, foi forçado a deixar seu trabalho na fábrica para viver clandestinamente na região do rio Araguaia, passando a integrar o movimento guerrilheiro organizado pelo PC do B”
  5. Secretaria de Direitos Humanos | Morto ou desaparecido político "Faziam parte do grupo: Flávio (Ciro Flávio de Oliveira Salazar), Gil (Manoel José Nurchis), Aparício (Idalísio Soares Aranha Filho) e Ferreira (Antônio Guilherme Ribeiro Ribas)"
  6. Comissão da Verdade de São Paulo ouve depoimentos de vítimas do Araguaia "Segundo ela, após o golpe militar em 1964, quando o irmão passou a viver na clandestinidade, a polícia invadiu sua casa em busca de material comprometedor e a família passou a viver um calvário.“De vez em quando aparecia alguém do partido com uma carta dele, mas isto, uma vez por ano, a cada dois anos, e minha mãe vivia de consumir estas cartinhas""
  7. DOSSIÊ DITADURA: MORTOS página 373
  8. Secretaria de Direitos Humanos | Morto ou desaparecido político “Em out./72, membro do PCdoB, morto em combate em Xambioá”
  9. Secretaria de Direitos Humanos | Morto ou desaparecido político “Da FT 6º BC – ação de patrulhamento, em 30 Set 72, executada no R dos Crente, por 1 GC, teve como resultado a morte dos seguintes terroristas: José Manoel Nurchis ‘Gil’ (China Com) – Dst B – Grupo Castanhal do Alexandre)”
  10. Manoel Jose Nuchis - 12.4.13 - COMISSÃO DA VERDADE
  11. Secretaria de Direitos Humanos | Morto ou desaparecido político “Dower Cavalcante, um dos militantes presos no Araguaia em 1972 que foram poupados, testemunhou que foi requisitado pelo general Bandeira para identificar alguns guerrilheiros mortos.”
  12. comunistas desaparecidos “Os combatentes comunistas encontraram várias patrulhas militares. Em um dos confrontos, no último dia do mês, morreu junto com Juca e Flávio. Sua morte foi registrada na Operação Papagaio em 30/9/72”
  13. Secretaria de Direitos Humanos | Morto ou desaparecido político “A presente relação compreende os 136 casos constantes do anexo da Lei nº 9.140/95 e os 226 casos que foram objeto de deliberação pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. (...) 256) Manoel José Nurchis”
  14. Mortos e Desaparecidos Políticos Lei 9.497/97