Manuel Contreras

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Manuel Contreras
Nome completo Juan Manuel Guillermo Contreras Sepúlveda
Nascimento 4 de maio de 1929
Santiago, Chile
Morte 7 de agosto de 2015 (86 anos)
Santiago, Chile
Nacionalidade Chile chileno
Ocupação Militar, ex-chefe da DINA

Juan Manuel Guillermo Contreras Sepúlveda (Santiago, 4 de maio de 1929 — Santiago, 7 de agosto de 2015) foi um militar chileno e ex-chefe da DINA, a polícia secreta do Chile durante o governo militar do general Augusto Pinochet.

Como chefe da polícia secreta, ele foi o mais poderoso e temido homem do país, depois do general Pinochet. Foi condenado a 25 penas consecutivas, totalizando 289 anos de prisão por sequestros, desaparecimentos forçados e assassinatos, além de duas penas de prisão perpétua pela morte do ex-comandante em chefe do exército chileno do governo Salvador Allende, general Carlos Prats e sua esposa, em 1974.[1]

Operação Condor[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação Condor

Entre 1973 e 1977, Contreras liderou a DINA numa caçada internacional para localizar e assassinar oponentes políticos da ditadura militar, especialmente os membros dos partidos comunistas e socialistas e os integrantes do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) exilados no exterior. De acordo com documentos liberados pelo governo norte-americano em setembro de 2000, os Estados Unidos apoiaram os contatos da CIA com Contreras entre 1974 e 1977, a despeito dos abusos aos direitos humanos que ocorriam no país. Em 1975, o governo de Gerald Ford havia chegado a conclusão que o chefe da polícia secreta era o principal obstáculo ao estabelecimento de um política de direitos humanos racional e razoável dentro do governo Pinochet, mas mesmo assim autorizou a CIA a continuar apoiando e trocando informações com Contreas, inclusive fazendo-lhe pagamentos pessoais neste mesmo ano.[2][3]

Apesar da preocupação e conhecimento da CIA sobre o envolvimento da DINA e de Contreras no assassinato do ex-membro do gabinete de governo de Allende e embaixador chileno nos Estados Unidos Orlando Letelier e sua secretária americana Ronni Moffitt em Washington, D.C., a 21 de setembro de 1976, a CIA continuou ajudando e provendo Contreras de fundos até 1977.[3]

Após o assassinato de Letelier, as tensões políticas cresceram entre Contreras e Pinochet e a DINA foi fechada em 1977, sendo substituída pela CNI (Central Nacional de Informaciones). Em 1979, Contreras deu baixa do exército depois de receber a patente de general.

Sentenças de prisão e investigações judiciais[editar | editar código-fonte]

Em 1993, um corte chilena sentenciou Manuel Contreras a sete anos de prisão pelo assassinato de Orlando Letelier. O general rebelou-se contra a decisão judicial e fugiu para o sul do país, escondendo-se primeiro num regimento militar e depois num hospital.[4] Depois de dois meses de fuga e sem conseguir apoio do exército, Contreras entregou-se e cumpriu pena num prisão militar até janeiro de 2001, quando foi transferido para prisão domiciliar até ser solto.

Entre 2002 e 2008, Contreras foi novamente processado e condenado a penas de prisão pelo sequestro e desaparecimento de vários opositores políticos do governo Pinochet. Também condenado por um tribunal argentino pela morte do ex-comandante chefe do exército chileno, no período de Salvados Allende, general Carlos Prats, e sua esposa Sofia, em 1974, em Buenos Aires, ele teve entretanto sua extradição para a Argentina negada pelo Chile. Mas, em junho de 2008, a Suprema Corte chilena o condenou a duas penas de prisão perpétua por estes assassinatos.

Em seu julgamento de 2005, Contreras acusou o general Augusto Pinochet de ter dado as ordens para as execuções de Letelier e Prats. Também declarou que a CNI, a sucessora da DINA, fez pagamentos mensais entre 1978 e 1980 a pessoas que haviam trabalhado com o agente da polícia secreta chilena, o americano Michael Townley, todas elas integrantes do movimento de extrema-direita Patria y Libertad.[5]

Morte[editar | editar código-fonte]

Sofrendo na prisão havia anos de câncer de cólon, hipertensão e diabetes que tinham afetado seus rins, razão pela qual fazia diálise três vezes por semana, morreu em 7 de agosto de 2015, aos 86 anos, no Hospital Militar de Santiago, onde estava internado, sem ter sido degradado do Exército pelo governo chileno, mantendo ainda a patente de general, sendo que a Justiça Militar chilena estipula que "a pena de morte e as de presídio e reclusão perpétuas levam consigo a degradação". Sua morte foi comemorada nas ruas de Santiago por um multidão de manifestantes, incluindo parentes de desaparecidos políticos durante a ditadura militar no Chile.[6]

Referências

  1. «Nueve condenados por asesinato de general Prats: Doble presidio perpetuo para Contreras». La Segunda [ligação inativa] 
  2. «CIA Activities in Chile» (em inglês). National Security Archive. 19 de setembro de 2000. Consultado em 15 de agosto de 2015 
  3. a b Marquis, Christopher (19 de setembro de 2000). «C.I.A. Says Chilean General in '76 Bombing Was Informer» (em inglês). The New York Times. Consultado em 15 de agosto de 2015 
  4. Délano, Manuel (14 de junho de 2007). «Un general chileno se declara en rebeldía contra un fallo que le condena a 5 años» (em espanhol). El País. Consultado em 15 de agosto de 2015 
  5. «La Tercera» [ligação inativa] 
  6. «Morre Manuel Contreras, general do exército do Chile na ditadura Pinochet». Folha de S.Paulo. 8 de agosto de 2015. Consultado em 15 de agosto de 2015