Manuel III do Congo

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Manuel III Afonso
Manicongo
Rei do Congo
Reinado 1911 - 1914
Antecessor(a) Manuel Comba
Sucessor(a) Álvaro XV
 
Dinastia Água Rosada
Nome completo Manuel Martins Quidito
Nascimento 1872
  São Salvador
Morte 1927 (55 anos)

Manuel Martins Quidito[1] (1884 - 1927), cujo nome real era Manuel III Afonso, foi o manicongo (rei) do Reino do Congo entre 1911 e 1914. Foi o último rei do Congo, reinando como vassalo de Portugal. [2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Manuel Martins Quidito nasceu na aldeia de Lunda. Sua mãe, embora fosse de uma família camponesa rica, não pertencia a nobreza. Ele estudou em uma missão católica desde muito jovem e se tornou o protegido dos padres. Em 1893, o rei Álvaro XIV, que havia estudado com ele em Luanda, o contratou como pajem. No ano seguinte ele se casou com Maria Tombe de Tuco na fortaleza real de Madimba. Exerceu a profissão de intérprete antes de se estabelecer em São Salvador, em 1909. Era descrito como "Um sábio nas maneiras e costumes dos brancos".[3]

Com a morte de Pedro VII em junho de 1910, começou uma crise sucessória entre os batistas (apoiantes de Pedro Lelo) e os católicos, apoiantes de Manuel Comba. No início de julho, o administrador português José dos Santos convidou para sua residência os dois grupos para entrar em consenso para a sucessão ao trono. Os católicos afirmavam que Pedro Lelo estaria demasiado tempo fora do país desde que tinha sido impedido de reinar em 1896, devido a sua minoridade. José dos Santos apoia Manuel Comba, apoiado pelos católicos, que eram maioria na cidade. Ao final, Manuel Martins Quidito se candidatou e conseguiu apoio dos católicos e dos conselheiros reais por ser mais velho e experiente.

Manuel Comba é deposto sem nunca ter reinado em 1911, com isso Manuel é finalmente aceito como rei. Em 1 de julho de 1911, Manuel III é coroado e mesmo jurando sempre pedir auxilio aos conselheiros reais, decide por convidar dois sábios de seu clã em Madimba; Tulante Álvaro de Lovo e Mfutila de Zamba. No ano anterior, em 5 de outubro de 1910, um golpe de estado aboliu a monarquia portuguesa e estabeleceu a república. O Reino do Congo passou de um vassalo para um assunto de Portugal. Algo comparável a um protetorado. A mudança se deu pelos esforços do novo governo em desintegrar a ideia de monarquia em Portugal.

Em 1913 eclodiu uma revolta em São Salvador, onde o rei é traído por seu outrora conselheiro, Tulante Álvaro, que se junta aos rebeldes. A revolta foi finalmente contida em 1915 pelos portugueses. Posteriormente a monarquia congolesa foi abolida e o território foi integrado a África Ocidental Portuguesa. Em 1915, Manuel perde os direitos de pretender ao trono, já que o conselho real decide por reconhecer Álvaro Afonso como novo rei de forma simbólica e cultural em São Salvador. Manuel é exilado e morre anos mais tarde, em 1927.

Referências

  1. Felgas, Hélio Esteves (1958). História do Congo Português. Uíge: Empresa Gráfica de Uíge. p. 153 
  2. Augusto de Oliveira Holanda (Org), Sílvio (2011). «IMAGENS, ARQUIVO E FICÇÃO EM GUIMARÃES ROSA». doi:10.24824/978858042266.5. Consultado em 3 de abril de 2021 
  3. Fyfe, Christopher (março de 1994). «Portuguese Africa, 1850–75 - I Reunião Internacional de História de África: Relação Europa-África no 3.° quartel do Séc. XIX. Edited by Maria EmÍLia Madeira Santos. Lisbon: Centro de Estudos de História e Cartografia Amiga, 1989. Pp. 618. No price given (ISBN 972-672-267-5).». The Journal of African History (1): 147–148. ISSN 0021-8537. doi:10.1017/s0021853700026086. Consultado em 11 de junho de 2021