Manuel dos Santos Lima

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Manuel dos Santos Lima nasceu a 28 de janeiro de 1935, na província do Bié, em Angola. O seu pai era oriundo de São Tomé, facto que marcará a sua obra Sementes da Liberdade.[1]

Desde jovem que o autor se destaca apresentando-se como o primeiro classificado no exame de quarto ano. Aos doze anos, foi para Lisboa estudar no liceu Camões e, posteriormente, estudar na Faculdade de Direito (1953). Foi colega de Francisco Sá Carneiro, Jorge Sampaio e Pinto Balsemão. Todavia, o desencanto conduziu-o a desistir de Direito.[2]

Participou no primeiro congresso de escritores e artistas negros, em Paris, em 1956. Trabalhou com Senghor e Cesaire na Présence Africaine.[3]

Santos Lima foi o primeiro oficial negro do exército português, mas desertou para lutar pela independência de Angola. Desertou em Damasco, seguindo depois para Beirute, onde havia um núcleo nacionalista angolano, dirigido por Marcelino dos Santos. Coube-lhe a formação do Exército Popular de Libertação de Angola.[4]

Entre 1961 e 1963 participou na Guerra Colonial. Porém, resolve deixar o MPLA por divergências com a liderança de Agostinho Neto. Entre 1963 e 1968, estudou Literatura Comparada, na Suíça e a sua tese foi sobre a obra de Castro Soromenho (1975), seu amigo pessoal. A tese foi escrita entre o Canadá e a Suíça.[5]

Leccionou no Canadá até 1982. Ensinou Literatura portuguesa, francesa e espanhola. Leccionou em Rennes, durante 20 anos, e em Nantes, Lisboa (Universidade Moderna) e Angola (Universidade Lusíada). Encabeçou o MUDAR – Movimento de Unidade Democrática para a Reconstrução – partido oposicionista do regime – sendo convidado para o fazer ainda em Rennes, em 1991.[6]

Actualmente vive em Portugal.


Obras escritas por Manuel dos Santos Lima:[7]

  • Kissange (1961) - volume de poesias,
  • A Pele do Diabo (1977; “The Skin of the Devil”) - a peça do teatro,
  • As Sementes da Liberdade (1965; “The Seeds of Liberty”) - o primeiro romance,
  • As Lagrimas e o Vento (1975; “Tears and Wind”) - o romance,
  • Os anões e os mendigos (1984; “Dwarfs and Beggars”) - o romance.


As Sementes da Liberdade (1965; “The Seeds of Liberty”)[8]

O seu primeiro romance foi publicado no Brasil com a ajuda de Jorge Amado, que o enviou a Ênio Silveira, da Civilização Brasileira. O objetivo principal deste romance era apresentar brancos e negros como vítimas do sistema colonial. De forma episódica, discute-se os costumes, as realidades sociais e a aculturação, que está ligada ao choque de culturas no ambiente rural africano. O autor recria as realidades de animosidades raciais e sociais a partir de uma perspetiva original. O autor conta a história do confronto cultural e da mudança social. O autor apresenta a história de três gerações através do processo de uma volta às raízes africanas e pelo motivo da terra que é o importante para os africanos.

As Lagrimas e o Vento (1975; “Tears and Wind”)[9]

Após a independência em Angola, o autor Manuel dos Santos Lima publicou o seu segundo romance, que demonstrou melhorias consideráveis no domínio das técnicas narrativas. A história é contada por um oficial de guerrilha, que desertou do Exército Português. Este romance permaneceu inédito até a conquista da independência.


Os anões e os mendigos (1984; “Dwarfs and Beggars”)[10]

O romance metaforiza a população angolana (e africana, em geral) em anões, e os dirigentes em mendigos. O romance mostra o destino de Davi Demba como o líder, embora hesitante, da libertação da Costa da Prata. Este, após a consumação da independência, personaliza o poder e instaura, ao longo da narrativa, o que a dedicatória e as epígrafes do livro anunciam: a não independência de países africanos, a destruição de sonhos, o totalitarismo, as lutas fratricidas, os crimes e as vinganças.