Mapa de Piri Reis

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Fragmento do mapa-múndi de Piri Reis, hoje no Palácio de Topkapı, em Istambul.

O mapa de Piri Reis é um fragmento de um mapa elaborado pelo almirante, geógrafo e cartógrafo otomano Piri Reis em Constantinopla em 1513. O mapa mostra a costa ocidental da Europa, a costa norte da África e a costa leste da América do Sul com razoável precisão. O mapa também inclui várias ilhas do oceano Atlântico, incluindo os Açores e Canárias, assim como a mítica ilha Antília e, possivelmente, o Japão.

O mapa é de muita importância histórica por demonstrar a extensão da exploração do globo no início do século XVI, e por sua alegação de utilizar um mapa de autoria de Cristóvão Colombo, atualmente perdido, como fonte.

O mapa atualmente se encontra na biblioteca do Palácio de Topkapı, em Istambul, na Turquia, mas normalmente não se encontre em exposição ao público.

Mais recentemente, o mapa foi objeto de alegações pseudocientíficas sobre explorações pré-modernas da costa da Antártica, por vezes sob a calota polar.

Descrição[editar | editar código-fonte]

O mapa foi redescoberto em 9 de outubro de 1929, pelo alemão Gustav Adolf Deissmann (1866–1937), que havia sido contratado pelo Ministério da Educação turco para catalogar os objetos não-Islâmicos na biblioteca do Palácio de Topkapı.[1]

O fragmento sobrevivente do mapa representa apenas a metade ocidental do globo, incluindo as Antilhas, o leste da América do Sul, e o noroeste da África e Europa. Do tipo portulano, cortado por linhas loxodrômicas, indicando as direções dos ventos, foi confeccionado com base em mapas portugueses e árabes. Nele, está registrada a costa do continente americano, tornando-o o primeiro a mostrar a América do Norte e América do Sul juntas. As legendas, em língua turca, informam que "os nomes, deu-os Colombo, para que por eles sejam conhecidas."

O historiador da cartografia Gregory McIntosh, em seu livro The Piri Reis Map of 1513, provou que as frequentes alegações de precisão extrema do mapa de Piri Reis não se sustentam, se comparado a outros mapas da mesma época que também usavam a projeção portulana, sendo os mapas de Ribero, de Ortelius e o de Wright-Molyneux muito mais precisos.[2]

Um terço do mapa sobrevive; mostrando o litoral leste da América do Sul e o uma porção do litoral oeste da Europa e da costa da África, apenas vinte e um anos após as viagens de Cristóvão Colombo. O próprio Piri Reis deixou registrado no mapa que este havia sido confeccionado com base em uma coleção de cerca de 20 mapas. Segundo Gregory McIntosh, o mapa é cópia fiel do de Colombo, incluindo erros como mostrar Cuba não como uma ilha, mas como se fizesse parte do continente, além dos nomes dos pontos geográficos serem exatamente os mesmos do mapa de Colombo.

Com relação à costa do Brasil, esta estende-se no mapa até ao Rio da Prata. Assinala também pela primeira vez, as localidades de Cabo Frio (kav Fryio) e do Rio de Janeiro (Sano Saneyro).

Anotações[editar | editar código-fonte]

O mapa de Piri Reis está centrado na cidade de Alexandria, logo tornada um importante centro de convergência de toda a cultura antiga.

Suas descrições no mapa indicam que alguns dos seus mapas-fonte datam da época de Alexandre, o Grande. Entre suas anotações, encontram-se desde a referência à descoberta de Cristóvão Colombo até à descrição de monstros marinhos, como nos exemplos: "Este país é inabitado. A população inteira anda nua." — "Esta região é conhecida como a vila de Antilia. Está localizada onde sol se põe. Eles dizem que há quatro tipos de papagaios: branco, vermelho, verde e preto. As pessoas comem a carne dos papagaios e enfeitam suas cabeças com suas penas. Há uma pedra aqui. A pedra é preta. As pessoas a usam como um machado." — "Este mar é chamado de Mar Ocidental, mas os marinheiros o chamam de Mare d'Espagna. Que significa Mar da Espanha. Até agora este mar era conhecido por este nome, mas Colombo que navegou por este mar e fez várias ilhas conhecidas juntamente com os portugueses que navegaram pela região de Hind concordaram em dar a este mar um novo nome. Eles deram o nome de Ovo Sano ["Oceano"] quer dizer ovo são. Até então se pensava que o mar não tinha fim ou limite e que o seu fim estava localizado na escuridão. Agora eles descobriram que este mar tem uma costa, porque ele é como um lago e portanto eles o chamaram de Ovo Sano." — "Neste ponto há bois com um chifre e também monstros nesta forma."[carece de fontes?]

O mapa também apresenta figurações míticas como o unicórnio e criaturas acéfalas, e ainda de lendas como a de São Brandão que, em sua viagem pelo Atlântico, teria ancorado em cima de uma baleia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Gerber, A. (2010). Deissmann the Philologist. Berlin: [s.n.] 
  2. McIntosh 2000, p. 59.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]