Mapa de Piri Reis

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Fragmento do mapa-múndi de Piri Reis, hoje no Palácio de Topkapı, em Istambul.

O mapa de Piri Reis é um fragmento de um mapa elaborado pelo almirante, geógrafo e cartógrafo otomano Piri Reis em Constantinopla em 1513. É o primeiro mapa conhecido do mundo real que mostra a costa ocidental da Europa e norte da África com razoável precisão. O mapa também mostra com detalhes a costa do Brasil e a borda leste da América do Sul. O mapa mostra ainda várias ilhas do oceano Atlântico, incluindo os Açores e Canárias, assim como a mítica ilha Antília.

Muitos acreditam que o mapa contém elementos sobre o hemisfério sul, como a costa da Antártica por sob a calota polar, considerados como prova de conhecimentos sobre cartografia que foram comprovados recentemente.

O mapa[editar | editar código-fonte]

Redescoberto em 1929, desde hoje nos resta apenas a metade ocidental, representando as Antilhas, o leste da América do Sul, e o noroeste da África e Europa. Do tipo portulano, cortado por linhas loxodrômicas, indicando as direções dos ventos, foi confeccionado com base em mapas portugueses e árabes. Nele, está registrada a costa do continente americano, tornando-o o primeiro a mostrar a América do Norte e América do Sul juntas. As legendas, em língua turca, informam que "os nomes, deu-os Colombo, para que por eles sejam conhecidas." Acredita-se que Piri Reis tenha obtido essa informação através de um dos marinheiro de Cristóvão Colombo, mais tarde aprisionado e feito escravo pelos turcos.

Embora se trate de um mapa elaborado no antigo sistema portulano, as posições de latitude e longitude estão marcadas corretamente, técnica que só se tornou possível em 1790, com a invenção do astrolábio adequado, conforme citado na obra de Graham Hancock.[1] Já segundo McIntosh, em seu livro, o mapa de Piri Reis, se comparado a outros mapas da mesma época que também usavam a projeção portulana, não tinha precisão, sendo os mapas de Ribero, de Ortelius e o de Wright-Molyneux muito melhores.

As indicações cartográficas de Piri Reis mostram a conformação das regiões polares exatamente como estavam antes da última glaciação e não na situação atual. Não se sabe em qual mapa ele se baseou que pudesse conter informações de 10 mil anos atrás.[n 1]

Sobre o Brasil[editar | editar código-fonte]

Estudos sugerem que o mapa mostra latitudes precisas do litoral da América do Sul e da costa da África, apenas vinte e um anos após as viagens de Cristóvão Colombo. O próprio Piri Reis deixou registrado no mapa, que ele o confeccionou com base em uma coleção de mapas antigos e complementada por mapas que foram feitos por Colombo. Segundo Gregory McIntosh, o mapa é cópia fiel do de Colombo, incluindo erros como mostrar Cuba não como uma ilha, mas como se fizesse parte do continente, além dos nomes dos pontos geográficos serem exatamente os mesmos do mapa de Colombo.

Com relação à costa do Brasil, esta estende-se no mapa até ao Rio da Prata, o que demonstra que navegadores portugueses já haviam visitado esse estuário em data anterior a 1513. Assinala também pela primeira vez, as localidades de Cabo Frio (kav Fryio) e do Rio de Janeiro (Sano Saneyro).

Antártica e Groenlândia[editar | editar código-fonte]

Os estudiosos apontam ainda algumas curiosidades controversas sobre este mapa, como por exemplo a Antártida e a Groenlândia, que ainda não tinham sido descobertas. A riqueza de detalhes sugere que a elaboração do documento foi feita a partir de fotografias tiradas de uma altitude muito elevada, recurso inexistente no século XVI.[n 2]

Especificamente sobre à Antártida, existe um outro mapa desenhado por Oronteus Finaeus em 1532, o qual mostra detalhadamente como é o continente sob o gelo muito antes de ele ter sido descoberto. Nos dias de hoje, só chegamos a mapear aquela região em 1956, quatrocentos anos depois, com o intuito de fazermos um levantamentos quanto a atividade sísmica do continente. Outro ponto curioso é que este segundo mapa não se parece com o de Piri Reis, o qual demostra que o seu autor conhecia a circunferência precisa da Terra.[n 3]

A região e o litoral da ilha mostradas na parte onde se localiza a Antártica devem ter sido navegados em algum período antes de 4 000 a.C. quando estas áreas ainda não estavam recobertas de gelo.[n 4]

Anotações[editar | editar código-fonte]

O mapa de Piri Reis está centrado na cidade de Alexandria, logo tornada um importante centro de convergência de toda a cultura antiga.

Suas descrições no mapa indicam que alguns dos seus mapas-fonte datam da época de Alexandre, o Grande. Entre suas anotações, encontram-se desde a referência à descoberta de Cristóvão Colombo até à descrição de monstros marinhos, como nos exemplos: "Este país é inabitado. A população inteira anda nua." — "Esta região é conhecida como a vila de Antilia. Está localizada onde sol se põe. Eles dizem que há quatro tipos de papagaios: branco, vermelho, verde e preto. As pessoas comem a carne dos papagaios e enfeitam suas cabeças com suas penas. Há uma pedra aqui. A pedra é preta. As pessoas a usam como um machado." — "Este mar é chamado de Mar Ocidental, mas os marinheiros o chamam de Mare d'Espagna. Que significa Mar da Espanha. Até agora este mar era conhecido por este nome, mas Colombo que navegou por este mar e fez várias ilhas conhecidas juntamente com os portugueses que navegaram pela região de Hind concordaram em dar a este mar um novo nome. Eles deram o nome de Ovo Sano ["Oceano"] quer dizer ovo são. Até então se pensava que o mar não tinha fim ou limite e que o seu fim estava localizado na escuridão. Agora eles descobriram que este mar tem uma costa, porque ele é como um lago e portanto eles o chamaram de Ovo Sano." — "Neste ponto há bois com um chifre e também monstros nesta forma."

O mapa também apresenta figurações míticas como o unicórnio e criaturas acéfalas, e ainda de lendas como a de São Brandão que, em sua viagem pelo Atlântico, teria ancorado em cima de uma baleia.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Outra citação discutível é a de que, quando o autor escreveu isto, não havia mapas de alta resolução da Antártida sem a camada de gelo, o que só foi feito pela NASA muitos anos depois, com scanners de radar por satélite, que não mostram as alegadas coincidências do mapa de Piri Reis.
  2. Este ponto é ainda discutível. Segundo Gregory McIntosh, historiador e cartógrafo, profundo estudioso do mapa e autor do livro The Piri Reis Map of 1513, o mapa não mostra somente a Antártida, mas também a costa americana até a Terra do Fogo.
  3. Este é outro ponto discutível. Segundo estudiosos, a parte inferior do mapa foi desenhada de forma curva para simplesmente caber no tamanho e formato do papel.
  4. Este também é outro ponto discutível, pois a Antártida está coberta de gelo há pelo menos 15 milhões de anos, idade corroborada por fósseis de plantas e de animais da época.

Referências

  1. Hancock, Graham. (2001) As Digitais dos Deuses, traduzido por Ruy Jungmann. Editora Record.


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