Marc Dutroux

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Uma rua da cidade de Ixelles, cidade-natal de Dutroux

Marc Dutroux (6 de novembro de 1956 ; Ixelles, Bélgica) é um ladrão, traficante, pedófilo, estuprador e assassino em série da Bélgica. Parte dos crimes cometidos tiveram a ajuda de sua então esposa, Michelle Martin e de um amigo, Michel Lelièvre. [1] [2]

Ele cumpre pena de prisão perpétua desde 2004 por rapto, sequestro e violação, entre junho de 1995 e agosto de 1996, de seis meninas e adolescentes entre os 8 e os 19 anos e pelo homicídio de quatro delas, mas o número total de vítimas é desconhecido. [3] [4]

O Caso Dutroux, como ficou conhecido, repercutiu em toda imprensa belga e também na do exterior. Na Bélgica, as pessoas ficaram tão chocadas que mais de 30% dos belgas com o mesmo sobrenome do criminoso pediram para trocá-lo. O jornal português Correio da Manhã escreveu em 2013 que "o caso Dutroux é considerado o episódio mais negro da justiça belga", enquanto seu concorrente, o Público, o chamou de " o inimigo público número um da Bélgica. Já a BBC, também em 2013, escreveu que ele era o "pedófilo mais conhecido do país". [5] [3] [6] [7]

Ele é algumas vezes chamado pela imprensa de o Monstro de Marcinelle.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Segundo a Enciclopédia Britânica, Dutroux tinha um longo histórico de delinquência juvenil e após ficar desempregado como eletricista, passou a roubar carros e a ganhar dinheiro com cafetões, dinheiro que usou para comprar várias propriedades. Era um criminoso mesquinho e a gravidade de seus crimes aumentava à medida que envelhecia, escreveu a Britânica. [5]

Era casado, em segundas núpcias, com Michelle Martin, com quem teve três filhos. [1]

Tem também dois filhos de um casamento anterior.

Os crimes[editar | editar código-fonte]

Marc e Michelle raptaram as primeiras vítimas nos anos 80, tendo sido presos em 1986, por sequestro e estupro. Após conseguirem liberdade condicional, voltaram a cometer os mesmos crimes entre 1992 e 1996, tendo também a ajuda de dois conhecidos, Michel Lelièvre e Bernard Weinstein, ambos traficantes e usuários de drogas.

Em 1995 a mãe de Dutroux falou para a polícia que ele mantinha meninas cativas numa de suas casas, no entanto os policiais ignoraram a pista, o que posteriormente causou críticas devido a ineficiência da polícia belga. Meses depois da denúncia, em agosto de 1996, após o sumiço de Laetitia Delhez, o criminoso acabou identificado por ter sido visto perto da casa da jovem. Ao menos uma pessoa forneceu, inclusive, parte dos números da placa do carro de Dutroux.

Os policiais então revistaram suas propriedades e numa delas encontraram a adolescente presa numa cela com Sabina Dardenne. Dias depois, os corpos de duas outras meninas, Mellissa e Julie, ambas de 8 anos, foram encontrados enterrados em outra casa, em Marcinelle, uma localidade da cidade de Charleroi. Elas haviam desaparecido em junho de 1995. [5] [8] [9] [10]

Os corpos de An Marchal, de 17 anos, e Efeje Lambrecks, de 19, foram encontrados nas semanas seguintes, enterrados no quintal da casa de Weinstein, na localidade de Jumet, em Charleroi. Elas haviam desaparecido em agosto de 1995 . [9] [10]

Após serem presos, Michelle admitiu que havia trancado Melissa e Julie num porão e as deixado morrer de fome, enquanto Dutroux cumpria pena por roubo de carros em 1995. Já Dutroux disse que o responsável pela morte das meninas era Weinstein, que não só havia sequestrado ambas, como ficado responsável de cuidá-las enquanto ele estivesse preso. Dutroux confessou que depois de ser solto drogou Weinstein e o enterrou vivo, junto com os corpos das meninas, tendo depois concretado a cova. Sua esposa, no entanto, negou a versão, dizendo que Dutroux matou Weinstein quando este descobriu que Marc havia lhe roubado cerca de 13.500 dólares. [1] [11] [12]

Modus operandi[editar | editar código-fonte]

Após serem sequestradas, as vítimas eram constantemente estupradas e ficavam presas. Segundo O Observador, "Dardenne contou em julgamento que o raptor usava outro nome e, embora as submetesse a abusos sexuais, insistia que estava a protegê-las de pessoas 'malvadas' e que raptou Laetetia para lhe 'fazer companhia'." Laetitia disse durante o depoimento que o acusado ria de sua dor enquanto a estuprava. [4] [9]

Houve relatos que as jovens haviam sido vítimas de uma rede de pedofilia, mas Laetitia e Sabina, em seus depoimentos, falaram que haviam tido contato apenas com Dutroux. [4]

Perfil das vítimas[editar | editar código-fonte]

Todas as vítimas eram do sexo feminino e tinham entre 8 e 19 anos de idade.

Vítimas[editar | editar código-fonte]

Placa em homenagem às vítimas em frente à casa de Dutroux em Marcinelle

Julie Lejeune, 8 anos, sequestrada em 1995 e encontrada morta em 1996.

Melissa Russo, 8 anos, sequestrada em 1995 e encontrada morta em 1996.

An Marchal, 17 anos, sequestrada em 1995 e encontrada morta em 1996.

Efeje Lambrecks, 19 anos, sequestrada em 1995 e encontrada morta em 1996.

Sabina Dardenne, 12 anos, encontrada presa numa cela em 1996. Havia sido sequestrada enquanto ia de bicicleta para o colégio e ficou 80 dias presa. [13]

Laetitia Delhez, 14 anos, encontrada presa numa cela em 1996. Ficou presa por 6 dias até ser resgatada. Foi a última vítima de Dutroux.

Prisão e pena[editar | editar código-fonte]

Marc Dutroux e Michelle foram presos pela primeira vez em 4 de fevereiro de 1986 por sequestro e estupro de menores de 16 anos. Eles foram condenados em abril de 1989 a 13,5 e 5 anos de prisão respectivamente. Michelle recebeu a condicional em 1991 e Marc em 1992. [10]

Marc voltou a ser preso em 1995 por roubo de carros e depois, em 1996, por sequestro, estupro e assassinato, após a polícia encontrar seis vítimas. Ele foi condenado em 2004 à prisão perpétua por sequestro, tortura, homicídio e estupro de menores, associação criminosa e tráfico de drogas. Cumpre pena em Nivelles, ao sul de Bruxelas. [3] [5]

"Após a nova detenção, em 96, cerca de 300 mil pessoas saíram às ruas para prestar homenagem às vítimas, naquela que foi uma das maiores manifestação da história da Bélgica", escreveu a Euronews. [14]

Michele, a então mulher de Dutroux, foi condenada a 30 anos de prisão por cumplicidade no sequestro de vítimas e morte de duas meninas. [15]

Michel Lelièvre, que admitiu participação no sequestro de Laetitia, Sabine, An Marchal e Eefje Lambrecks, foi condenado a 25 anos de prisão.

Críticas ao trabalho da polícia[editar | editar código-fonte]

Segundo a BBC, houve "falhas na investigação policial". A polícia também foi acusada de acobertar o criminoso, pois autoridades teriam se beneficiado de um esquema de prostituição chefiado por Marc Dutroux. De acordo com a BBC em 2013: "A polícia chegou a fazer duas visitas à casa onde Dutroux escondia suas reféns, mas não conseguiu encontrá-las.(...) Foi apenas em uma terceira inspeção que os policiais descobriram as duas últimas reféns, de 12 e 14 anos, ainda vivas, no porão de sua residência. Apesar de Dutroux ter sido detido em 1995, o caso só foi apreciado pelos tribunais em 2004. O criminoso conseguiu, inclusive, fugir durante uma audiência em 1998. Na época, sua fuga resultou na renúncia do então chefe de polícia, ministro da Justiça e ministro do Interior da Bélgica". [6]

Atualizações[editar | editar código-fonte]

  • Em 2011 Michele conseguiu a liberdade condicional. Ela então já estava divorciada de Dutroux. [10]
  • Em 2013 Dutroux pediu à Justiça para cumprir o restante da pena em casa, mas teve o pedido negado. A mãe do criminoso, à época, pediu que as autoridades o mantivessem na prisão, pois ela acreditava que ele voltaria a cometer os mesmos crimes. [16] [17]
  • Em 2016 um ex-advogado de Dutroux revelou que o criminoso tinha confessado que pretendia “raptar crianças em massa e depois criar, numa mina abandonada, uma espécie de cidade subterrânea onde o bem, a harmonia e a segurança prevalecessem”. [9]
  • Em 2018 Dutroux escreveu cartas aos pais de suas vítimas pedindo perdão. Na época os familiares levantaram a possibilidade de que as cartas fossem uma estratégia para que ele conseguisse a liberdade condicional. "Gino Russo, pai de Melissa, uma das duas meninas de oito anos presas numa cave até morrerem de fome, disse que nunca lhe perdoará", escreveu o Diário de Notícias em agosto de 2018. [18]
  • No final de 2019 a Justiça belga aceitou um pedido do advogado de Dutroux para que este passasse por um novo exame psiquiátrico. Dutroux tinha então 62 anos e cumpria pena há 23. O advogado justificou "que os especialistas esclareçam sobre a sua personalidade, sobre o facto de ainda poder ser perigoso uma vez que uma possível saída em liberdade condicional está dependente dessa avaliação, de já não considerado um perigo". O pedido de soltura causou novos protestos em Bruxelas e aguarda julgamento (em maio de 2020). [14] [19]
  • Em 2019 também, Lelièvre conseguiu a liberdade condicional após cumprir 23 dos 25 anos de sentença. No entanto, sua soltura causou protestos e ele sofreu ataques, inclusive sendo vítima de violência física. [20]
  • Há um projeto para que a casa de Dutroux em Marcinelle seja demolida em 2021. [21]

Fotos das propriedades de Dutroux[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c «Bélgica: Liberdade antecipada para ex-mulher de pedófilo». www.cmjornal.pt. Consultado em 23 de maio de 2020 
  2. «Marc Dutroux | Murderpedia, the encyclopedia of murderers». murderpedia.org. Consultado em 24 de maio de 2020 
  3. a b c «Pedófilo belga pede para cumprir perpétua em casa». www.cmjornal.pt. Consultado em 23 de maio de 2020 
  4. a b c «Vítimas do belga Dutroux ficam frente a frente com o pedófilo - 20/04/2004 - UOL Últimas Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 24 de maio de 2020 
  5. a b c d «Marc Dutroux | Belgian serial killer». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 23 de maio de 2020 
  6. a b «Justiça belga decide manter pedófilo Dutroux na prisão - BBC Brasil - Notícias». www.bbc.co.uk. Consultado em 24 de maio de 2020 
  7. Cunha, Isabel Arriaga e (21 de maio de 2004). «Doze semanas de julgamento de Marc Dutroux deixaram tudo na mesma». PÚBLICO. Consultado em 24 de maio de 2020 
  8. «Bélgica: Ex-mulher de Marc Dutroux em liberdade condicional num convento». www.cmjornal.pt. Consultado em 23 de maio de 2020 
  9. a b c d Observador. «O pedófilo Marc Dutroux queria criar uma "cidade subterrânea" para manter as suas vítimas». Observador. Consultado em 24 de maio de 2020 
  10. a b c d «Les grandes dates du dossier». RTBF Info (em francês). 5 de agosto de 2011. Consultado em 24 de maio de 2020 
  11. «Paris recusa cúmplice». www.cmjornal.pt. Consultado em 23 de maio de 2020 
  12. «Bernard Weinstein». Wikipedia (em neerlandês). 12 de maio de 2020 
  13. «Vítima de Dutroux presta contas com seu torturador em um livro - 27/10/2004 - UOL Últimas Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 24 de maio de 2020 
  14. a b «Pedófilo belga Marc Dutroux sujeito a nova avaliação psiquiátrica». Euronews. 28 de outubro de 2019. Consultado em 23 de maio de 2020 
  15. «Libertação gera revolta». www.cmjornal.pt. Consultado em 23 de maio de 2020 
  16. «Tribunal recusa libertação de Dutroux». www.cmjornal.pt. Consultado em 23 de maio de 2020 
  17. BBC, Da (18 de fevereiro de 2013). «Justiça da Bélgica decide manter pedófilo Dutroux na prisão». Mundo. Consultado em 24 de maio de 2020 
  18. «Pedófilo homicida pede perdão aos pais das vítimas». www.cmjornal.pt. Consultado em 23 de maio de 2020 
  19. «Explainer: Paedophile Marc Dutroux and the horror case that united a divided Belgium». Euronews. Consultado em 23 de maio de 2020 
  20. «IS fighters should be charged with war crimes, says European agencies». The Brussels Times (em inglês). 23 de maio de 2020. Consultado em 24 de maio de 2020 
  21. «La maison de Dutroux à Marcinelle sera démolie en 2021 - Télévision locale de Charleroi et sa région - Thuin - Chimay - Basse Sambre». www.telesambre.be. Consultado em 24 de maio de 2020