Marcelo Bretas

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Marcelo Bretas
Nome completo Marcelo da Costa Bretas
Conhecido(a) por Comandar o julgamento em primeira instância dos crimes identificados nos desdobramentos da Operação Lava Jato, no Estado do Rio de Janeiro.
Nascimento 1970 (48 anos)
Nilópolis, Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileiro
Cônjuge Simone Bretas
Alma mater Universidade Federal do Rio de Janeiro
Universidade Católica de Petrópolis
Cargo juiz federal (desde 1997)
Religião evangélico

Marcelo da Costa Bretas (Nilópolis, 1970) é um magistrado brasileiro, juiz federal da 2ª Região desde 1997.[1][2]

Atua desde 2015 na 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que possui competência para julgar casos envolvendo crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem ou ocultação de bens,[3] e ganhou notoriedade ao julgar casos relacionados à Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Nilópolis, município da Baixada Fluminense na região metropolitana do Rio de Janeiro, passou a maior parte da infância e adolescência em Queimados, trabalhando com os pais em uma loja de bijuterias do Saara, mercado popular carioca.[4]

Em 1994, formou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde, aos 19, conheceu sua futura esposa, a também juíza federal Simone de Fátima Diniz Bretas, com quem tem dois filhos.[2]

Criado em família evangélica, frequenta a Comunidade Evangélica Internacional da Zona Sul e tem um irmão pastor.[4] Citou um versículo da Bíblia na decisão que autorizou a prisão de Sérgio Cabral pela operação Calicute, em novembro de 2016. Acusado de julgar sob égide religiosa,[4] diz separar trabalho e religião, mas com a Bíblia sempre a mão para consultas.[1]

Em 1997, Bretas tomou posse como juiz federal da 2ª Região, passando quinze anos por varas federais fluminenses em Volta Redonda, Três Rios e Petrópolis, cidade na qual permaneceu por doze anos e obteve seu mestrado pela Universidade Católica de Petrópolis.[5]

Antes de ganhar notoriedade, Bretas teria permanecido por quatro meses em Washington, D.C., capital dos EUA, onde teria estudado o funcionamento da Justiça Federal estadunidense.[2]

Bretas ganhou notoriedade ao final de 2015, quando Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, determinou o desmembramento das investigações da Operação Lava Jato em Curitiba e enviou o caso da estatal Eletronuclear para a Justiça Federal do Rio de Janeiro,[1] onde o caso foi sorteado para a 7ª Vara Federal Criminal, que Bretas assumira 8 meses antes.[4]

Com a morte de Teori Zavascki, foi um dos trinta magistrados relacionados em uma pré-lista da Associação de Juízes do Brasil para assumir sua vaga no Supremo Tribunal Federal.[1]

Em 26 de janeiro de 2017, Bretas autorizou uma operação da Polícia Federal que prendeu o empresário Eike Batista. A operação investigava crimes de lavagem de dinheiro, que consistiriam na ocultação no exterior de aproximadamente 100 milhões de dólares (cerca de 340 milhões de reais). Entre os alvos também estava o ex-governador Sérgio Cabral.[6][7][8]

Em abril de 2017, autorizou a Operação Fatura Exposta que investiga um desvio de 300 milhões de reais da pasta de saúde do Rio de Janeiro e fraudes em licitações para o fornecimento de próteses para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e para a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro.[9]

Em 29 de janeiro de 2018, foi divulgado pela imprensa que pedido de informações feito a ouvidoria do TRF2[10] revelou que Marcelo Bretas acionara com sucesso o Judiciário para receber o auxílio-moradia mesmo sendo casado e residindo com magistrada que também aufere o benefício,[11] situação proibida por regulação do Conselho Nacional de Justiça.[12]

Referências

  1. a b c d Carneiro, Júlia (30 de janeiro de 2017). «Quem é Marcelo Bretas, juiz que mandou Cabral e Eike para Bangu». BBC. Consultado em 29 de janeiro de 2018. 
  2. a b c Martín, María (26 de fevereiro de 2016). «Marcelo Bretas, o juiz Moro carioca». El País. Consultado em 29 de janeiro de 2018. 
  3. «RELAÇÃO DE JUÍZES DA JUSTIÇA FEDERAL DA 2ª REGIÃO» (PDF). Tribunal Regional Federal da 2ª Região. 8 de fevereiro de 2017. Consultado em 4 de março de 2017. 
  4. a b c d Nogueira, Ítalo; Canônico, Marco Aurélio (15 de fevereiro de 2017). «Juiz da Lava Jato no RJ se destaca por penas duras e religiosidade». Folha de S.Paulo. Consultado em 29 de janeiro de 2018. 
  5. «Marcelo Bretas, juiz que mandou prender Cabral, é chamado de 'Moro carioca'». Extra. Globo.com. 18 de dezembro de 2016. Consultado em 4 de março de 2017. 
  6. «Operação Eficiência: veja de que Cabral, Eike e outros são acusados na Lava Jato». G1. Globo.com. 26 de janeiro de 2017. Consultado em 4 de março de 2017. 
  7. Vieira, Isabela (8 de fevereiro de 2017). «PF indicia Eike Batista, Cabral e mais dez pessoas na Operação Eficiência». Agência Brasil. EBC. Consultado em 30 de janeiro de 2018. 
  8. Serapião, Fabio; Macedo, Fausto (26 de janeiro de 2017). «Operação Eficiência mira Eike Batista, Sérgio Cabral e lavagem de US$ 100 milhões no exterior». Estadão. Consultado em 30 de janeiro de 2018. 
  9. «PF prende ex-secretário de Saúde de Cabral e mais dois empresários na Operação Fatura Exposta». Congresso em Foco. Consultado em 12 de abril de 2017. 
  10. Matais, Andreza (30 de janeiro de 2018). «Procurador da AGU é autor do pedido que revelou auxílio-moradia de Bretas». Estadão. Consultado em 30 de janeiro de 2018.. Cópia arquivada em 30 de janeiro de 2018 
  11. «Casado com juíza, Marcelo Bretas foi à Justiça para que ambos pudessem receber auxílio-moradia». Folha de S.Paulo. 29 de janeiro de 2018. Consultado em 29 de janeiro de 2018. 
  12. Brito, Carlos; Martins, Marcos Antônio (29 de janeiro de 2018). «Juiz Marcelo Bretas recorre à Justiça para receber auxílio-moradia». G1. Consultado em 29 de janeiro de 2018.