Marcelo Calero

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Marcelo Calero
Deputado federal pelo Rio de Janeiro
Período Tomará posse em 1 de fevereiro de 2019
Ministro da Cultura do Brasil
Período 24 de maio de 2016
até 18 de novembro de 2016
Presidente Michel Temer
Antecessor(a) Juca Ferreira
Sucessor(a) Roberto Freire
Secretário de Cultura do Rio de Janeiro
Período 15 de janeiro de 2015
até 18 de maio de 2016
Prefeito Eduardo Paes
Antecessor(a) Sérgio Sá Leitão
Sucessor(a) Júnior Perim
Dados pessoais
Nascimento 7 de julho de 1982 (36 anos)
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Alma mater Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Partido PPS (2018 – )
PMDB (? – 2016)
PSDB (? – ?)
Profissão Diplomata

Marcelo Calero Faria Garcia[1] (Rio de Janeiro, 7 de julho de 1982[2]) é um advogado, diplomata, palestrante e político brasileiro. Filiado ao PPS desde março de 2018.[3] Em 2016, foi nomeado Ministro da Cultura, do governo Michel Temer[4] e ficou no cargo por pouco menos de seis meses. Deixou o ministério após denunciar forte pressão para rever um parecer técnico desfavorável a interesses pessoais do então ministro-chefe da Secretaria de Governo do Brasil, Geddel Vieira Lima.[5]

Família e educação[editar | editar código-fonte]

Carioca, nasceu no Hospital de São Francisco da Penitência, no bairro da Tijuca.[6] Filho de Maria Teresa, professora, e Raul, engenheiro, família de classe média, aprendeu desce cedo os valores do trabalho e da honestidade. Estudou no Colégio Marista São José e, posteriormente, no Colégio Santo Inácio,[6] formação católica que teve relevante papel na moldagem de seu caráter. Em 2004, graduou-se em Direito, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).[6] Atualmente, é mestrando em Ciências Políticas pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ).[7]

Vida Profissional[editar | editar código-fonte]

Começou sua vida profissional como estagiário na multinacional de telefonia e tecnologia Nokia, sendo efetivado como advogado após concluir sua graduação. Aprovado em concurso da Comissão de Valores Mobiliários (CVM),[6] lá atuou como agente executivo, no ano de 2006. Prestou concurso para a Petrobras, onde, aprovado, atuou como advogado, entre 2006 e 2007.[6][8] Mesmo tendo que dividir o seu tempo entre o trabalho e os estudos, em 2007, foi aprovado em quinto lugar no concurso para o Instituto Rio Branco,[9] considerado um dos mais difíceis do país, realizando o seu sonho de ser diplomata. Após o curso de formação em Brasília, foi lotado no Departamento de Energia do Itamaraty, depois atuando na Embaixada do Brasil no México.[10]

Secretaria de Cultura[editar | editar código-fonte]

Em 2013, após indicação de um embaixador com quem trabalhara, foi cedido para atuar na Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, assumindo o cargo de coordenador-adjunto de Relações Internacionais.[11] Naquele cargo, participou da organização da Jornada Mundial da Juventude (2013), cujo ponto alto foi a visita do Papa Francisco em sua primeira viagem internacional como Pontífice. Foi convidado pelo prefeito a assumir a presidência do Comitê Rio450, órgão criado pela gestão municipal para organizar a celebração do aniversário de 450 anos da cidade, com um calendário de mais de 600 eventos comemorativos.[12] Nesse período, lançou o Passaporte dos Museus, que dava descontos ou gratuidades em mais de 40 equipamentos à população.[13]

Na sequência, foi convidado a assumir a Secretaria Municipal de Cultura (2015). Em sua atuação à frente da pasta, foi responsável por projetos como: o Ações Culturais, que, com investimento total de R$ 4 milhões, financiou 85 iniciativas de pequeno porte pela cidade;[14] as Areninhas; as Bibliotecas do Amanhã, equipadas com acesso gratuito à internet, programa educativo de excelência e grade de eventos sócio-educativos;[15] a reforma e inauguração dos teatros Serrador[16] e Ziembinski[17]; a recuperação do Museu da Cidade[18], reaberto poucos meses após a saída de Calero do cargo; e, seu feito mais memorável, a entrega do Museu do Amanhã, na Zona Portuária do Rio.[19] Projetado pelo espanhol Santiago Calatrava, é uma das joias arquitetônicas da cidade, sendo referência cultural em todo o mundo e tendo se tornado o museu de maior visitação no país.[20]

Deixou a secretaria municipal para assumir a Secretaria de Cultura do Ministério da Educação,[8] mas ainda antes de sua posse a pasta recuperou o status ministerial, com a recriação do Ministério da Cultura.[21]

Ministério da Cultura[editar | editar código-fonte]

Assumiu o cargo do ministro de Estado da Cultura em maio de 2016,[4] nele permanecendo por cinco meses e 28 dias. Em 18 de novembro de 2016, pediu demissão do cargo, após denunciar tentativas de interferência em assuntos da alçada de sua pasta.[5] Na ocasião, afirmou à Polícia Federal ter sido fortemente pressionado por Geddel Vieira Lima, Temer e outros membros do governo a rever decisão técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), negando licença para um empreendimento imobiliário na Bahia, no qual Geddel possuía um apartamento.[22][23][24] Geddel negou a acusação[25] e o porta-voz do Governo Michel Temer negou que o presidente houvesse pressionado o ex-ministro a tomar decisão que "ferisse normas internas ou suas convicções", apesar de confirmar reuniões de Michel Temer e Calero para "solucionar impasse" com Geddel.[26] O episódio, no entanto, resultou no pedido de demissão de Geddel,[27][28] abrindo espaço para sua posterior prisão,[29][30] em decorrência da perda de seu foro privilegiado.[31] O caso teve repercussão internacional,[32][33] abrindo a maior crise do Governo Michel Temer até então.[34][35]

Vida Política[editar | editar código-fonte]

Concorreu a deputado federal pelo PSDB em 2010, obtendo 2.252 votos.[36] Em 2018, filiou-se ao PPS, tornando-se pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro para as eleições de 2018.[37]

Nas eleições de 2018, Calero foi eleito deputado federal com cerca de 50 mil votos, ultrapassando a votação de Otávio Leite, que ficou como suplente da coligação.[38]

Referências

  1. Nome completo que está na PORTARIA Nº 316, DE 14 NOVEMBRO DE 2016, conforme Diário Oficial da União. Nº 221, sexta-feira, Seção 2, 18 de novembro de 2016. ISSN 1677-7050
  2. «Marcelo Caléro (2010)». UOL. Consultado em 30 de maio de 2016. 
  3. «Freire assina filiação de ex-ministro da Cultura e outros integrantes de movimentos». 24 de março de 2018 
  4. a b «Marcelo Calero assume Ministério da Cultura falando em preservar conquistas». UOL. 24 de maio de 2018 
  5. a b «Ex-ministro da Cultura diz que pressão sofrida por ele foi corrupção». Valor Econômico. 20 de novembro de 2016 
  6. a b c d e «Veja a trajetória política de Marcelo Calero, ex-ministro de Temer». G1. 25 de novembro de 2016 
  7. «Marcelo Calero sobre Geddel: "É de uma classe de políticos sempre envolvida em esquema"». GaúchaZH. 29 de setembro de 2017 
  8. a b Matoso, Filipe (18 de maio de 2016). «Planalto anuncia Marcelo Calero para o comando da Secretaria da Cultura». G1. Consultado em 24 de maio de 2016. 
  9. «Resultado final do Concurso Público de Admissão à Carreira de Diplomata em 2007» (PDF). CESPE/UNB. 26 de junho de 2007 
  10. «Secretário da Cultura do Rio Marcelo Calero vai comandar área no governo Temer». REUTERS. 18 de maio de 2016 
  11. «Por que Marcelo Calero chegou ao ministério da Cultura». O Globo. 23 de maio de 2016 
  12. «Marcelo Calero comanda as comemorações dos 450 anos do Rio». Veja Rio. 5 de dezembro de 2016 
  13. «Passaporte garante acesso gratuito a 43 museus e centros culturais do Rio». O Globo. 14 de abril de 2015 
  14. «Prefeitura anuncia Prêmio de Ações Locais – Edição Rio450». Prefeitura do Rio de Janeiro. 17 de setembro de 2014 
  15. «Biblioteca do Amanhã é inaugurada no Rio Comprido, Centro do Rio». G1. 29 de março de 2016 
  16. «Histórico Teatro Serrador, no Rio, é reaberto com show de Bibi Ferreira». G1. 7 de janeiro de 2016 
  17. «Aberto em 1988, Teatro Ziembinski passa pela primeira grande reforma». O Globo. 12 de junho de 2015 
  18. «Obras do Museu da Cidade são retomadas após três anos paradas». O Globo. 12 de dezembro de 2015 
  19. «Rio ganha nesta quinta o Museu do Amanhã, na Praça Mauá». G1. 17 de dezembro de 2015 
  20. «Em seu 1º ano, Museu do Amanhã se torna o mais visitado do país». Folha de S. Paulo. 30 de janeiro de 2017 
  21. «Recriação do MinC é publicada em edição extra do Diário Oficial». G1. 23 de maio de 2016. Consultado em 24 de maio de 2016. 
  22. «Veja a íntegra do depoimento do ex-ministro Marcelo Calero à PF». Estadão. 24 de novembro de 2016. Consultado em 25 de novembro de 2016. 
  23. «Fora do governo, Calero acusa Geddel de pressioná-lo para liberar obra». Folha de S. Paulo. 19 de novembro de 2016. Consultado em 20 de novembro de 2016. 
  24. «'Não desejo isso para ninguém', diz Calero sobre pressão de Geddel». G1. 19 de novembro de 2016 
  25. «Geddel reconhece que tratou de projeto com Calero, mas nega pressão». Folha de S. Paulo. Consultado em 22 de novembro de 2016. 
  26. Luciana Amaral e Fernanda Calgaro (24 de novembro de 2016). «Temer procurou Calero para resolver 'impasse' com Geddel, diz porta-voz». G1. Globo.com. Consultado em 25 de novembro de 2016. 
  27. «Geddel decide deixar o cargo após agravamento de crise política». Folha de S. Paulo. 25 de novembro de 2016 
  28. «Geddel decide deixar o cargo após denúncia atingir Temer e Padilha». UOL. 25 de novembro de 2016 
  29. «PF prende Geddel após descoberta de 'bunker' com R$ 51 milhões». Folha de S. Paulo. 8 de setembro de 2017 
  30. «Geddel Vieira é preso após PF encontrar suas digitais em dinheiro do 'bunker'». El País. 8 de setembro de 2017 
  31. «Perda de foro especial coloca Geddel ao alcance de Moro». UOL. 25 de novembro de 2016 
  32. «Escândalo repercute no mundo: 'Temer acusado de corrupção'». Veja. 25 de novembro de 2016 
  33. «Jornais internacionais repercutem denúncia de Marcelo Calero contra Temer». Extra. 25 de novembro de 2016 
  34. «Acusação de Calero sobre pressão de Temer coloca governo do PMDB na corda bamba». HuffPost Brasil. 24 de novembro de 2016 
  35. «Quem é Calero, o ex-ministro que colocou Temer no centro da crise». Exame. 26 de novembro de 2016 
  36. «Marcelo Caléro (4560/PSDB) - Políticos do Brasil - UOL Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 25 de novembro de 2016. 
  37. «Ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero se filia ao PPS no sábado». Estadão. 24 de março de 2018 
  38. «Senadores e deputados federais/estaduais eleitos: Apuração e resultado das Eleições 2018 RJ - UOL Eleições 2018». UOL Eleições 2018. Consultado em 11 de outubro de 2018. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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