Marcelo Janot

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Marcelo Janot (Rio de Janeiro, 19 de maio de 1970), é um jornalista, crítico de cinema e DJ Brasileiro. Graduado em Comunicação Social pela PUC-Rio, iniciou sua carreira jornalística em 1992, no caderno cultural da Tribuna da Imprensa, e depois passou, como repórter e crítico de cinema e música, por alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país, como Jornal do Brasil, O Dia, Editora Abril, Multishow, entre outros. Atualmente, é crítico de cinema do canal Telecine, do jornal O Globo e editor do site Críticos.com.br. Paralelamente, desde 1994 vem construindo sólida carreira como DJ, o que o levou a ser reconhecido no Brasil e no exterior como um dos principais DJs especializado em música brasileira. Foi eleito pela Revista Época o melhor DJ do Rio no período de 2009/2010 e incluído entre as “446 Razões Para Amar o Rio”, matéria de capa da revista Veja Rio em março de 2011.

Crítico de cinema[editar | editar código-fonte]

Começou escrevendo sobre cinema no jornal Tribuna da Imprensa, onde era responsável pela coluna de filmes na TV. Sua primeira crítica, publicada em novembro de 1992, foi sobre o filme “O Processo”, de Orson Welles, que estava sendo relançado no Estação Botafogo. Por indicação do renomado crítico Ronald F. Monteiro, ingressou na Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ). Depois de três anos na Tribuna, teve rápidas passagens pelo jornal O Dia, pela Editora Abril e em seguida foi para o Jornal do Brasil. No JB, entre 1996 e 2006, foi crítico e repórter da Revista Programa e do Caderno B. Também colaborou em revistas como Showbizz, Trip e International Magazine, e foi redator do programa Radical Livre, do canal Multishow. Saiu do Jornal do Brasil para assumir o cargo de editor-chefe na fase embrionária do jornal Metro.

Em 2002, teve a ideia de reunir críticos com vasta experiência em jornal para criar o site Críticos.com.br, que em pouco tempo se tornou uma referência de boa leitura cinematográfica na internet e um dos principais sites de cinema do país. No ano seguinte, foi eleito presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ), entidade que representa a FIPRESCI, a Federação Internacional dos Críticos, no Brasil. À frente da ACCRJ, participou da criação do Congresso Brasileiro de Cinema, organizou o seminário A Arte da Crítica, no CCBB, e as mostras Melhores do Ano, com a exibição de filmes e debates. Em 2005 foi reeleito para um novo mandato de dois anos.

Como crítico, participou do júri da crítica e do júri principal de diversos festivais internacionais e nacionais, como Rotterdam, San Sebastian, Havana, Chicago, São Francisco, Palm Springs, Montreal, Punta del Este, Rio de Janeiro, Gramado, entre outros. Também colaborou com a revista Cahiers du Cinema espanhola. Paralelamente ao seu trabalho como editor do Críticos.com.br, passou a atuar como crítico na televisão. Participou regularmente do programa Cadernos de Cinema, na TVE, e em março de 2006 se tornou comentarista do canal Telecine Cult, apresentando a sessão Cult Movie, aos domingos, e os Sanduiches de Oscar, comentando filmes indicados e vencedores do prêmio da Academia. Participa eventualmente dos telejornais da Globo News, como comentarista de cinema e música, e do Redação SporTV, falando de futebol. Desde 2013 é colunista do programa Revista do Cinema Brasileiro, da TV Brasil.

No rádio, produziu e apresentou o programa semanal Identidade Brasileira, na antiga Globo FM, entre 2004 e 2005, e foi redator e apresentador da coluna diária Cine, na rádio SulAmérica Paradiso, entre 2010 e 2011.

Integrou diversas comissões públicas de seleção de projetos cinematográficos, como BNDES, Petrobras, RioFilme e Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.

Cursos[editar | editar código-fonte]

Desde 2009, Marcelo Janot ministra regularmente cursos de teoria cinematográfica no Pólo do Pensamento Contemporâneo, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Também costuma levar seus cursos e palestras a outros estados do Brasil.

O primeiro curso, "Ouvir o filme: uma investigação do papel da música no cinema", tem como conceito permitir o aprimoramento da percepção de um filme através da análise do papel da música no cinema, fartamente ilustrado por trechos de filmes e de suas trilhas sonoras.

O segundo, "Na Trilha dos Mestres", analisa a estética da obra de mestres do cinema mundial, como Stanley Kubrick, David Lynch, Alfred Hitchcock, Bernardo Bertolucci, Quentin Tarantino, Sergio Leone, Steven Spielberg e George Lucas, mostrando a importância do uso da música na construção narrativa de seus filmes.

O terceiro, "O Cinema e a Arte da Crítica", oferece aos interessados por cinema instrumentos para uma melhor compreensão dos elementos que compõem uma obra cinematográfica, a partir da exibição de trechos de filmes e da análise de textos, abordando questões envolvendo o pensamento e o ofício da crítica de cinema.

DJ[editar | editar código-fonte]

Sua trajetória começou meio que por acaso, quando, em 1994, resolveu fechar a boate Public & Co, no Rio, para comemorar o aniversário brincando de DJ entre amigos, a maioria jornalistas. O bom gosto de seu repertório surpreendeu os programadores da casa, que o convidaram para comandar uma noite mensal no lugar.

No ano seguinte, um empresário o procurou com a ideia de transformar o Cabaret Kalesa, um tradicional inferninho da Praça Mauá, freqüentado por marinheiros e prostitutas, em boate para modernos e descolados. Queria um DJ que tivesse um som eclético e fugisse do óbvio. O reconhecimento ao seu talento veio rápido: com som e ambiente diferentes do lugar-comum das boates cariocas. Em menos de um mês a casa se tornou o maior sucesso da noite local. Ficou no Kalesa por três anos, até fechar.

Janot nunca se deixou acomodar pelo sucesso. Sempre trilhou o caminho da experimentação, mas buscando se aproximar do público. No Kalesa, testou pela primeira vez uma fórmula que o consagraria anos mais tarde: a noite dedicada à música brasileira. Também foi dos pioneiros a testar o potencial dos ritmos nordestinos na pista, no Kalesa e no Projeto Raízes (no Ballroom), muito antes de o forró virar moda na noite carioca.

Mas foi na Casa da Matriz, desde sua inauguração, em 2000, que Janot pôde colocar em prática seu conceito de música brasileira para dançar. Criou a festa Brazooka e gradativamente foi acostumando o público a redescobrir as raízes da MPB e a abrir os ouvidos para o som de grupos novos que não encontravam espaço nas rádios. Quando a festa se tornou 100% brasileira, passou a programar, a cada noite, horas temáticas de determinado artista. Assim, apresentou às novas gerações, de forma abrangente e não apenas restrita aos hits, a qualidade do repertório de Chico Buarque, Vinicius de Moraes, Elis Regina e outros. Com este trabalho de formação de platéias, Janot conseguiu fazer da carreira de DJ uma extensão da atividade jornalística. Realizada toda sexta-feira por um período ininterrupto de 11 anos, a festa foi uma recordista de longevidade na noite carioca.

O currículo é extenso. Em janeiro de 2006, discotecou para públicos de 100 mil pessoas no Rio e em São Paulo, abrindo para o grupo Skank, nas festas oficiais da passagem da Taça da Copa do Mundo pelo Brasil. Menos de um mês depois, foi escolhido, ao lado de Titãs e Afroreggae, para abrir o show dos Rolling Stones, na Praia de Copacabana, onde se apresentou para cerca de 1 milhão de pessoas. Em seguida, durante o carnaval, tocou no camarote da Nova Schin no Sambódromo do Rio. Ainda em 2006, encarou mais um público gigantesco (800 mil) em sua apresentação de lançamento dos CDs "O Som Brazooka do DJ Janot" no evento Brazilian Day, em Nova York. Foi o DJ das festas dos principais prêmios de música do país, o Multishow (onde também cuidou da produção musical da cerimônia) e o TIM.

Em 2007, foi contratado para animar o carnaval de Portugal, com duas apresentações no Culturgest de Lisboa. Em julho, voltou à Praia de Copacabana, onde foi uma das atrações do mega-evento Live Earth, ao lado de Lenny Kravitz, Jorge Benjor e outros, tocando para 600 mil pessoas e com transmissão ao vivo para o mundo inteiro. Em outubro, discotecou no Maracanã, no camarote vip da CBF no jogo Brasil e Equador, pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

Em 2008, inaugurou, com duas apresentações abrindo o show de Maria Rita no Morro da Urca, o Projeto Verde e Amarelo - live PA. Em fevereiro, abriu o show comemorativo dos 25 anos de carreira dos Paralamas do Sucesso e Titãs na Marina da Glória. Em setembro, foi uma das atrações da EXPO 2008, em Zaragoza (Espanha), e foi o DJ da inauguração do Museu do Futebol, em São Paulo.

Em 2009, fez sua segunda turnê no carnaval de Portugal, com duas apresentações em Lisboa e uma no Algarve. Foi uma das atrações do reveillon 2010 na Praia de Copacabana. Foi eleito o melhor DJ do Rio por um júri especializado organizado pela Revista Época em sua edição especial "O Melhor do Rio 2009/2010".

Em 2010, foi uma das atrações dos eventos Viradão Carioca, na Cinelândia, do FIFA Fan Fest, na Praia de Copacabana, e da festa de encerramento do Campeonato Brasileiro de Futebol, no MAM.

Em março de 2011, teve seu trabalho como DJ incluído na matéria de capa da revista Veja Rio como uma das "446 Razões Para Amar o Rio de Janeiro". Em agosto foi o produtor musical e DJ do Prêmio Rio Show de Gastronomia, no MAM.

Em 2012, foi o DJ de abertura do show de Stevie Wonder e Gilberto Gil na Praia de Copacabana, tocando para mais de 500 mil pessoas. Também foi uma das atrações do Viradão Impressionista, do CCBB, e DJ de inauguração da casa de shows Miranda, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. Discotecou no evento de comemoração dos 70 anos da Coca-Cola no Brasil.

Em 2013, em dobradinha com a cantora Roberta Sá, animou os Bailes da Rosa, pré-carnavalescos, no Miranda.

Também é um dos DJs mais requisitados para festas corporativas e de casamento, onde também toca música estrangeira. Desde 2006 vem se apresentando em eventos de empresas como Sistema Firjan, Globosat, Icatu Holding, Souza Cruz, Odebrecht, Banco BNY Mellon, Vale, Previ, BR Malls, TIM e Coca-Cola. Animou os casamentos de personalidades do meio artístico como Daniel Filho e Olivia Byington, Thiago Lacerda e Vanessa Lóes, Bruno Mazzeo e Renata Castro Barbosa, Pedro Luís e Roberta Sá, entre outros. Unindo as profissões de jornalista e DJ, é colunista de música da revista Noivas do Rio de Janeiro, desde 2008.

Discos[editar | editar código-fonte]

O trabalho do DJ Janot de formação de público para a música brasileira de qualidade também pode ser ouvido em casa, com a série de CDs O Som Brazooka do DJ Janot. Os três volumes são um passeio pela história da MPB, mostrando como músicas de décadas passadas em versões originais, intercaladas com novas canções e gravações de artistas atuais, ganham “nova cara” quando escutadas sob uma perspectiva diferente.

Os dois primeiros volumes foram lançados em 2006 pela Som Livre, com tiragem de 5 mil cópias cada, e já estão esgotados e fora de catálogo. O terceiro, intitulado "O Som Brazooka do DJ Janot – 10 anos", foi lançado em 2010 pela gravadora Dubas, comemorando uma década de festa Brazooka.

O CD 1 inclui “Eu Bebo Sim”, com Elizeth Cardoso; a raridade “Jorge Maravilha”, de Chico Buarque, com a qual ele driblou a censura assinando Julinho da Adelaide; “Tenha Dó”, do Los Hermanos, a releitura de “Odara”, de Caetano Veloso, por Rappin Hood (“Rap Du Bom Parte 2”), a versão original de “Do Jeito que o Rei Mandou”, de João Nogueira, samba popularizado por Marcelo D2; e “Que pena (Ela Já Não Gosta Mais de Mim)”, de Jorge Ben, com o grupo de samba-jazz Som Três.

O CD 2 é marcado por versões ousadas para clássicos da MPB, como “Essa Moça Tá Diferente”, de Chico Buarque, pelo Bossacucanova; “Samba da Bênção”, de Vinícius de Moraes e Baden Powell, pelo Caixa Preta; e o remix dos DJs Marcelinho e Kbeça para “Vesti Azul”, de Wilson Simonal. Traz também preciosidades que o DJ Janot garimpa nas prateleiras dos sebos, como “Só O Ome”, de Noriel Vilela, e a gravação de “Benguelê”, de Pixinguinha, feita pelo grupo alemão Fun Horns junto com os brasileiros do Baticun.

O CD 3 é uma seleção com o que de melhor tocou nas pistas brazookas do DJ Janot: o remix exclusivo para "Nem Vem Que Não Tem", de Wilson Simonal; as versões para clássicos da MPB como "Carinhoso", de Pixinguinha, e "Swing do Campo Grande", dos Novos Baianos, por grupos da nova geração como Orquestra Brasileira de Música Jamaicana e Fino Coletivo; além de sambas interpretados por Orquestra Imperial, Roberta Sá, Dudu Nobre, Seu Jorge, Beth Carvalho e Hamilton de Hollanda.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]