Marcelo Rezende

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Nota: Se procura pelo músico fundador da banda brasileira Som da Rua, consulte Marcelo Rezende (músico).
Marcelo Rezende
Em 2016, na pré-estreia do filme Os Dez Mandamentos.
Nome completo Marcelo Luiz Rezende Fernandes
Nascimento 12 de novembro de 1951 (65 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileiro
Ocupação jornalista e apresentador de televisão

Marcelo Luiz Rezende Fernandes (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1951) é um jornalista, repórter e apresentador de televisão brasileiro.

São de sua autoria algumas das reportagens investigativas de maior impacto exibidas pela TV Globo na década de 1990, como a denúncia das sessões de espancamento e assassinato de moradores da Favela Naval, em Diadema, por integrantes da Polícia Militar de São Paulo.

Mesmo não tendo formação acadêmica superior, destacou-se no jornalismo trabalhando nas redações das maiores organizações de mídia do país, como Grupo Globo, Record e Editora Abril.

Biografia[editar | editar código-fonte]

A descoberta do jornalismo ocorreu de forma inusitada para o jovem carioca de classe média baixa que não queria estudar e virou hippie na Bahia. Marcelo tinha 17 anos, matriculado em um curso técnico de mecânica, foi visitar a redação do Jornal dos Sports no Rio de Janeiro, com o primo Merival Júlio Lopes, que trabalhava lá. No local, se ofereceu para ajudar um senhor que datilografava uma relação de clubes de várzea. Ele era diretor do jornal, que convidou Marcelo para estagiar. No Jornal dos Sports Rezende ficou até os 19 anos. "Volta para a mecânica, você não leva o menor jeito para ser jornalista, não presta atenção em nada", disse seu chefe. De muitas amizades, conseguiu rapidamente uma recolocação, na Rádio Globo, e logo depois, em 1972, foi convidado para trabalhar como copidesque no jornal O Globo, tendo a oportunidade de aproximar-se do ídolo Nelson Rodrigues.[1][2]

Depois de sete anos em O Globo, ele fora convidado para a mais importante publicação da área de esportes, a revista paulistana Placar, da Editora Abril. Ficou naquela redação por oito anos e meio, cobrindo inclusive a Seleção Brasileira. Registro raro é sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, onde Ayrton Senna era o entrevistado e Rezende, um dos entrevistadores convidados.[3]

Em 1987, o repórter chegou à televisão, na área de esportes da Rede Globo. Cobriu os clubes do Rio de Janeiro e participou as transmissões dos jogos, por exemplo, a Copa América de 1989, na equipe de Galvão Bueno e Chico Anysio. A diretora-executiva de jornalismo Alice-Maria e o diretor-geral, Armando Nogueira, tinham outros planos e ele foi transferido para a editoria "Geral". A primeira cobertura policial foi o assassinato de um dos empresários mais ricos do Rio, José Carlos Nogueira Diniz Filho. Foi onde o instinto investigativo de repórter apareceu. Mas continuou na "Geral", fazendo fontes. Participou da transmissão do festival de música Rock in Rio, fez reportagem sobre a primeira rede de telefonia celular do Brasil e participou da cobertura do funeral de Ayrton Senna, em São Paulo.[4][5]

Seu pai era diretor de uma unidade para menores infratores e depois se tornou coordenador de uma escola, que era chamada de "serviço assistencial ao menor". Foi nesse ambiente e convívio social que se apresentaria em reportagens investigativas e coberturas jornalísticas: a prisão dos sequestradores do empresário Roberto Medina, a busca ao paradeiro de PC Farias, o crescimento e as invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, a indústria da pirataria fonográfica chinesa e a corrupção na Confederação Brasileira de Futebol, CBF.[6][7][8][9]

Favela Naval[editar | editar código-fonte]

Em 1997, o caso dos dez policiais flagrados por cinegrafista amador torturando e atirando em pessoas durante operações na Favela Naval, em Diadema, SP, virou um marco em sua carreira. A TV Globo descreve no site Memória Globo que a reportagem, "pelo seu impacto e repercussão [inclusive internacional] entraria para a história da Globo e do jornalismo brasileiro". As gravações ocorreram nos dias 3, 5 e 7 de março, e transmitidas no Jornal Nacional em 31 de março daquele ano, com a advertência do apresentador William Bonner ao público das cenas que viriam a seguir. O motorista de um dos automóveis é esbofeteado e levado para trás de uma parede por um dos policiais. Os outros conversam tranquilamente enquanto se ouvem os gritos de súplica do rapaz que é espancado. Outro trecho mostra que o policial espancador chama o colega e, em seguida, dispara um tiro. Os dois PMs então se afastam e um deles guarda a arma e ri. A gravação também mostrava o assassinato do passageiro de um carro. Após a reportagem de Rezende foi lido um editorial da emissora.[10] Do recebimento da fita e a exibição, Marcelo Rezende levou cinco dias confirmando a veracidade da história. Ele montou uma equipe com 13 profissionais, que o ajudaram nas investigações. Além de várias testemunhas, eles localizaram o homem que dirigia o carro no qual foi assassinado o mecânico que estava de férias e fora visitar um amigo. Rezende e sua equipe de reportagem também descobriu que, nos meses que antecederam o caso em questão, dezenas de denúncias já haviam sido encaminhadas às autoridades, mas que não tomaram nenhuma providência.[11]

Linha Direta[editar | editar código-fonte]

Em 1999, no Linha Direta, horário nobre da TV Globo, Rezende iniciou seu percurso como apresentador, sendo um dos criadores da nova versão do programa. Ele permaneceu na função apenas na primeira temporada. O programa de suspense e mistério tinha oficialmente o objetivo de combater a impunidade ao destacar casos que tivessem transitado na justiça e sido julgados, com condenados foragidos, e por meio das simulações de crimes dramatizados por atores, e com base no inquérito, no processo e no depoimento de amigos e familiares. O jornalista trabalhou sete meses montando uma equipe de 50 profissionais, entre os quais 20 jornalistas, e contou com o apoio do centro de documentação da emissora e da Central Globo de Produção, na responsabilidade do diretor Roberto Talma. Linha Direta foi um grande sucesso, com dezenas de denúncias diárias para a emissora e autoridades contra criminosos procurados pela Justiça por crimes de assassinato, estupro e sequestro. Meses antes da estreia, uma espécie de "piloto" (programa teste) do Linha Direta foi exibido no Fantástico, com uma entrevista exclusiva do "Maníaco do Parque", com trilha de suspense e análises de psicólogos e até astrólogos.[12][13] No ano de 2010, na TV Bandeirantes, Rezende apresentou o Tribunal na TV, semelhante ao Linha Direta por causa das dramatizações de histórias, mas desta vez somente do ponto de vista do judiciário - o cenário era similar a um tribunal e sem o objetivo de encontrar fugitivos.[14][15]

Cidade Alerta[editar | editar código-fonte]

Depois de deixar a TV Globo, em 2002, passou por três emissoras; Record, Band e RedeTV, onde apresentou o telejornal RedeTV! News - ficou por dois anos como apresentador do formato mais tradicional de telejornalismo.[16] No Cidade Alerta, da Record, ele conseguiu se manter na TV e popularizar-se até entre jovens com bordões como "Corta pra mim!" e "Bota exclusivo, minha filha, dá trabalho pra fazer".[17][18][19] É a primeira passagem dele pelo programa foi curta, entre 2004 e 2005 - a segunda iniciou em junho de 2012. Desde então, ao lado do colega comentarista de segurança Percival de Souza, ele deu um novo tom ao formato, inédito nesse tipo de programa de rede nacional: intercalou as notícias de violência com falas irônicas e brincadeiras com integrantes do programa, inclusive dos bastidores. A iniciativa é justificada pela longa duração na programação da Record - a transmissão chegou a ter mais de 3h15m diariamente. Fundamental na estratégia de audiência do canal para o fim de tarde e começo da noite, o novo formato do Cidade Alerta alcançou altos índices de audiência, sempre com dois dígitos de pontos no Ibope, tendo seu auge nos anos de 2013 e 2014.[20][21][22] Foi destacada a apresentação de Marcelo Rezende na cobertura da histórica onda de protestos pelo país, em junho de 2013, que aconteciam no horário em que o programa era exibido.[23][24][25] A adrenalina do "ao vivo" diário atrelada à forte personalidade do jornalista o fez soltar declarações polêmicas no ar: demonstrar apoio às manifestações populares aqui citadas, ser contra a reforma previdenciária do Governo Temer e ser favorável à pena de morte para crimes graves e à diminuição da maioridade penal.[26][27][28]

Doença[editar | editar código-fonte]

Em 14 de maio de 2017, a Record exibiu uma entrevista de Rezende para o programa Domingo Espetacular em que revelou o diagnóstico, semanas antes, de câncer pancreático com metástase no fígado. Ele demonstrou fé, pediu energia do público e anunciou seu afastamento temporário do trabalho para fazer o tratamento.[29] Desde então, e como forma de combater notícias falsas na internet sobre seu estado de saúde, ele utiliza suas redes sociais para divulgar videos informando sua luta contra a doença, tal quando declarou fazer um retiro espiritual.[30]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

O jornalista é pai de quatro filhas e um filho, com idades de 15 a 40 anos, todos de cinco mulheres diferentes. Foi casado durante 19 anos. Ele tem dois netos, um irmão não biológico e uma prima como colega de trabalho, a repórter Adriana Rezende, da RecordTV Rio. Marcelo afirma crer em Deus e que não segue nenhuma religião.[31][32][33]

Programas[editar | editar código-fonte]

Programas
Ano Título Emissora Papel
1987 - 1990 Globo Esporte Rede Globo Repórter
1990 - 1999 Fantástico Rede Globo Repórter
1990 - 1999 Globo Repórter Rede Globo Repórter
1990 - 1999 Jornal Nacional Rede Globo Repórter
1999 - 2000 Linha Direta Rede Globo Apresentador
2002 - 2004 Repórter Cidadão RedeTV! Apresentador
2004 - 2005 Cidade Alerta Rede Record Apresentador
2006 - 2008 RedeTV! News RedeTV! Apresentador
2010 Tribunal na TV Rede Bandeirantes Apresentador
2010 - 2011 Domingo Espetacular Rede Record Repórter Especial
2011 - 2012 Repórter Record Rede Record Apresentador
2012 - presente Cidade Alerta Rede Record Apresentador

Premiações[editar | editar código-fonte]

Festival de Filme e Televisão de Nova York 1994

  • Diploma de honra ao mérito - Trabalho do Menor: Globo Repórter[34]

Troféu APCA 1998 - Telejornalismo[35]

  • Violência Policial em Diadema

Prêmio Líbero Badaró 1998[36]

  • Violência Policial em Diadema

Livro[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Marcelo Rezende fala sobre início de carreira e lançamento do livro "Corta pra mim"». Portal Imprensa. 5 de novembro de 2013. Consultado em 1 de julho de 2017 
  2. «Uma conversa franca com Marcelo Rezende, apresentador do Cidade Alerta». Huffington Post Brasil - Revista Playboy. 29 de janeiro de 2015. Consultado em 1 de julho de 2017 
  3. «Roda Viva com Senna em 86 teve ídolo evasivo e show de Marcelo Rezende». UOL. 21 de abril de 2014. Consultado em 1 de julho de 2017 
  4. «Copa América 1989 - Equipe». Memória Globo. Consultado em 1 de julho de 2017 
  5. «Rock in Rio II - Equipe e estrutura». Memória Globo. Consultado em 1 de julho de 2017 
  6. «Lúcio Rodrigues - Trajetória». Memória Globo. Consultado em 1 de julho de 2017 
  7. «Assassinato de PC Farias - A fuga de PC Farias». Memória Globo. Consultado em 1 de julho de 2017 
  8. «MST em Paranapanema - Cobertura contínua». Memória Globo. Consultado em 1 de julho de 2017 
  9. «Acusação de corrupção derruba dirigente da CBF». Folha de S. Paulo. 7 de maio de 1997. Consultado em 1 de julho de 2017 
  10. «Favela Naval - Cenas repugnantes». Memória Globo. Consultado em 1 de julho de 2017 
  11. «Favela Naval - Um trabalho de investigação». Memória Globo. Consultado em 1 de julho de 2017 
  12. «Linha Direta - Curiosidades». Memória Globo. Consultado em 1 de julho de 2017 
  13. «Rezende admite erro no tom de entrevista». Folha de S. Paulo. 8 de agosto de 1999. Consultado em 1 de julho de 2017 
  14. «"Tribunal na TV" de Marcelo Rezende estreia dia 14 de maio». UOL. 13 de abril de 2010. Consultado em 1 de julho de 2017 
  15. «Marcelo Rezende conta tudo sobre a estreia de `Tribunal na TV´». Band.com.br. 7 de maio de 2010. Consultado em 1 de julho de 2017 
  16. «RedeTV! rescinde contrato com Marcelo Rezende». UOL. 4 de novembro de 2008. Consultado em 1 de julho de 2017 
  17. «Record convoca Marcelo Rezende para reestreia do Cidade Alerta». O Fuxico. 1 de junho de 2012. Consultado em 1 de julho de 2017 
  18. «'Corta pra mim': aplicativo reúne frases de Marcelo Rezende». Comunique-se. 22 de julho de 2014. Consultado em 1 de julho de 2017 
  19. «Bota no ar! Marcelo Rezende ganhou GIF biográfico!». Veja São Paulo. 21 de junho de 2013. Consultado em 1 de julho de 2017 
  20. «Marcelo Rezende aumenta a audiência e renova contrato com Record». R7.com. 11 de junho de 2014. Consultado em 1 de julho de 2017 
  21. «Marcelo Rezende anda de patinete na Marginal Tietê». Veja São Paulo. 6 de dezembro de 2016. Consultado em 1 de julho de 2017 
  22. «Marcelo Rezende esculhamba Bacci no ar e pinta o menino de ouro de amarelo». UOL. 14 de abril de 2015. Consultado em 1 de julho de 2017 
  23. «José Luiz Datena e Marcelo Rezende atingem cerca de 900 mil famílias». Folha de S. Paulo. 17 de junho de 2013. Consultado em 1 de julho de 2017 
  24. «Marcelo Rezende: "Eu encarei na boa as piadas sobre meus erros"». Veja São Paulo. 20 de junho de 2013. Consultado em 1 de julho de 2017 
  25. «Mesmo com âncoras atrapalhados, telejornais populares saem na frente na cobertura de onda de protestos». iG. 19 de junho de 2013. Consultado em 1 de julho de 2017 
  26. «"O Cidade Alerta uniu a família e atraiu crianças", diz Marcelo Rezende». UOL. 6 de agosto de 2013. Consultado em 1 de julho de 2017 
  27. «"Até pouco tempo era contra a pena de morte, agora sou a favor", diz Marcelo Rezende». Jovem Pan FM. 25 de novembro de 2014. Consultado em 1 de julho de 2017 
  28. «Marcelo Rezende comenta a lista de Fachin: "Temos que fazer um Brasil novo"». R7.com. 12 de abril de 2017. Consultado em 1 de julho de 2017 
  29. «Marcelo Rezende revela que está com câncer e afirma: "Nada é difícil quando você tem Deus"». R7.com. 14 de maio de 2017. Consultado em 1 de julho de 2017 
  30. «Marcelo Rezende deixa retiro espiritual ao lado de Geraldo Luís». Veja. 24 de maio de 2017. Consultado em 1 de julho de 2017 
  31. «Sempre discreto em relação à família, Marcelo Rezende fala sobre ser pai de cinco filhos: "Felicidade extrema"». R7.com. 10 de agosto de 2014. Consultado em 1 de julho de 2017 
  32. «Marcelo Rezende revela infância pobre e se emociona ao rever amigos e familiares». R7.com. 10 de novembro de 2013. Consultado em 1 de julho de 2017 
  33. «Uma conversa franca com Marcelo Rezende, apresentador do Cidade Alerta». Huffington Post Brasil - Revista Playboy. 29 de janeiro de 2015. Consultado em 1 de julho de 2017 
  34. «Globo Repórter - Prêmios». Memória Globo. Consultado em 1 de julho de 2017 
  35. «Jornal Nacional - Prêmios». Memória Globo. Consultado em 1 de julho de 2017 
  36. «"Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo" será relançado em sua 10ª edição». Portal Imprensa. 3 de dezembro de 2012. Consultado em 1 de julho de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]