Marco Cláudio Marcelo (cônsul em 166 a.C.)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Marco Cláudio Marcelo.
Marco Cláudio Marcelo
Cônsul da República Romana
Reinado 166 a.C.
155 a.C.
152 a.C.
Morte 148 a.C.

Marco Cláudio Marcelo (m. 148 a.C.; em latim: Marcus Claudius Marcellus) foi um político da família dos Marcelos da gente Cláudia da República Romana eleito cônsul por três vezes, em 166, 155 e 152 a.C., com Caio Sulpício Galo, Públio Cornélio Cipião Násica Córculo e Lúcio Valério Flaco respectivamente. Era filho de Marco Cláudio Marcelo, cônsul em 196 a.C., e neto do famoso Marco Cláudio Marcelo, o conquistador de Siracusa.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Situação na península na época que Marcelo foi pretor (169 a.C.).
Situação pouco antes das campanhas de Marcelo, que submeteram lusitanos, arévacos e vetões.

Marcelo aparece nas fontes pela primeira vez em 177 a.C., quando foi eleito pontífice[1]. Foi ainda tribuno da plebe em 171 a.C. e pretor de duas províncias, a Hispânia Citerior e Hispânia Ulterior, em 169 a.C., durante a Terceira Guerra Macedônica[2]. Neste período, segundo Estrabão, fundou uma colônia romana em Córdoba, o que contradiz as evidências arqueológicas, que indicam um assentamento muito mais antigo. É provável que ele estivesse se referindo a uma refundação romana[3].

Primeiro consulado (166 a.C.) e segundo consulado (155 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Em 166 a.C., Marcelo foi eleito cônsul com Caio Sulpício Galo. Durante seu mandato, celebrou um triunfo pela vitória contra as tribos alpinas da Gália Cisalpina e também por vitórias sobre os lígures[4][5][6].

Onze anos depois, foi eleito novamente, desta vez com Cipião Násica Córculo. Venceu os lígures apuanos e obteve um segundo triunfo[6]. O texto dos Fastos Triunfais está danificado neste período e não sobreviveu nenhum pormenor destas duas façanhas.

Terceiro consulado (152 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Segunda Guerra Celtíbera

Foi eleito novamente em 152 a.C. com Lúcio Valério Flaco e recebeu o comando da Segunda Guerra Celtíbera, que já estava em seu terceiro ano, de Quinto Fúlvio Nobilior, que já havia dado mostras de incapacidade para fazer face à rebelião dos celtíberos. Tomou várias medidas militares prudentes e adequadas, e soube ganhar os celtíberos com atos de clemência e de visão política. Conseguiu o controle do vale do Jalón e atraiu os nativos com um tratado similar ao conseguido anos antes pelo procônsul Tibério Semprônio Graco. Oscilis rendeu-se e os arévacos pediram uma trégua, assim como os belos e títios. Para o sul, vetões e lusitanos submeteram-se, mas, quando Marco abandonou a região, rebelaram-se novamente. Marcelo conseguiu submetê-los ocupando a cidade de Nertóbriga.

Passou o inverno de 152-1 a.C. em Córdoba, uma colônia fundada por ele antes quando era pretor. Uma embaixada enviada pelos arévacos a Roma não conseguiu a paz, pois o Senado acusou Marcelo de indolência e não apenas não ratificou o acordo como enviou Lúcio Licínio Lúculo, o cônsul-eleito para o ano seguinte, à frente de um novo exército para continuar a guerra. Em paralelo, os arévacos atacaram Nertóbriga, violando o tratado anterior com o próprio Marcelo que, em retaliação, cercou Numância, a capital arévaca. Antes que ela pudesse ser tomada, eles reabriram as negociações e, numa conferência com Marcelo, o líder arévacos, Liteno, ofereceu a rendição incondicional dos povos celtíberos. Um novo tratado de paz foi assinado em Numância, prevendo a entrega de reféns e dinheiro como garantias. O tratado lhe permitiu entregar a província a Lúculo já completamente pacificada[7][8]

Anos finais[editar | editar código-fonte]

Em 148 a.C., Marcelo foi enviado como embaixador até o rei Massinissa da Numídia, mas morreu quando o navio que o transportava afundou[9][10].

Árvore genealógica[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cônsul da República Romana
SPQR.svg
Precedido por:
Quinto Élio Petão
com Marco Júnio Peno



Caio Sulpício Galo
166 a.C.

com Marco Cláudio Marcelo





Sucedido por:
Cneu Otávio
com Tito Mânlio Torquato



Precedido por:
Lúcio Cornélio Lêntulo Lupo
com Caio Márcio Fígulo II



Marco Cláudio Marcelo II
155 a.C.

com Públio Cornélio Cipião Násica Córculo II





Sucedido por:
Lúcio Postúmio Albino
com Quinto Opímio



Precedido por:
Quinto Fúlvio Nobilior
com Tito Ânio Lusco



Marco Cláudio Marcelo III
152 a.C.

com Lúcio Valério Flaco





Sucedido por:
Aulo Postúmio Albino
com Lúcio Licínio Lúculo




Referências

  1. Lívio, Ab Urbe Condita XLI 13
  2. Lívio, Ab Urbe Condita XLIIII 11, 15
  3. Estrabão, Geografia III, 141
  4. Lívio, Ab Urbe Condita XLV 44.
  5. Lívio, Ab Urbe Condita Epit. XLVI.
  6. a b Fastos Triunfais [online]
  7. Apiano, Hisp. 48-50; Políbio, Histórias XXXV 2, 3; Eutrópio IV 9.
  8. Lívio, Ab Urbe Condita Epit. XLVIII.
  9. Lívio, Ab Urbe Condita Epit. L.
  10. Cícero In Pison. 19; de Divim. II 5.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes primárias[editar | editar código-fonte]

Fontes secundárias[editar | editar código-fonte]