Marco Haurélio
| Marco Haurélio | |
|---|---|
| Nascimento | 5 de julho de 1974 Riacho de Santana |
| Cidadania | Brasil |
| Alma mater | |
| Ocupação | escritor, poeta, editor |
| Obras destacadas | Contos e Fábulas do Brasil, Antologia do Cordel Brasileiro, Contos Folclóricos Brasileiros |
| Página oficial | |
| http://marcohaurelio.blogspot.com/, http://contos-fabulas.blogspot.com/ | |
Marco Haurélio Fernandes Farias,[1][2] também conhecido como Marco Haurélio, (Riacho de Santana, 15 de julho de 1974) é um escritor, professor e pesquisador da literatura de cordel e do folclore brasileiro.
Biografia
[editar | editar código]Nascido em Ponta da Serra, localidade rural então pertencente ao município de Riacho de Santana, hoje Igaporã, desde cedo travou contato com a cultura espontânea e com as histórias tradicionais narradas pela avó Luzia Josefina de Farias (1910-1983).[3] Em 1986, com 11 anos de idade, mudou-se para Serra do Ramalho, Bahia, onde seguiu seus estudos até concluir o Magistério, em 1992. Em 2001, ingressou no curso de Letras da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus VI - Caetité, apresentando, como trabalho de conclusão de curso, uma monografia sobre os motivos populares na poética de Tom Zé. Em 2005, depois de concluído o curso, se fixou em São Paulo, ocasião em que escreveu o folheto Nordeste, terra de bravos.[4]
Juntando as memórias de infância à experiência como professor do Ensino Fundamental, iniciou, em 2005, ainda na Bahia, a recolha da tradição oral, com o objetivo de preservá-la e salvaguardá-la. Desta experiência, nasceram os livros Contos folclóricos brasileiros (2010), Contos e Fábulas do Brasil (2011), Lá detrás daquela serra (2013), Vozes da tradição (2018), Contos encantados do Brasil (2022) e Vamos todos cirandar (2025). Parte de sua pesquisa foi realizada em parceria com a artista plástica e xilogravadora Lucélia Borges, com quem é casado.[5]
Na capital paulista, trabalhou como editor na Luzeiro, entre 2005 e 2007. Em 2006, foi eleito para a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), sediada no Rio de Janeiro, mas não chegou a tomar posse, desligando-se da instituição dois anos depois. Atuou como editor na editora Nova Alexandria, entre 2007 e 2012. Lançou, por esta editora, a Coleção Clássicos em Cordel, pela qual publicou A Megera Domada (versão da peça clássica de William Shakespeare) [6] e O Conde de Monte Cristo, baseado no romance de Alexandre Dumas. A coleção revelou nacionalmente cordelistas hoje consagrados, como Rouxinol do Rinaré, Paiva Neves e Evaristo Geraldo. Além de idealizador das coleções Fábulas do Brasil em Cordel, da editora LeYa, Cordel na Estante, da Editora de Cultura, é coordenador da coleção Volta ao Mundo Falando Português (Estrela Cultural) e Cordéis Antológicos (Nova Alexandria. Colabora, eventualmente, com o Centro de Estudos Ataíde Oliveira, da Universidade do Algarve, Faro, Portugal, sendo uma das referências para o monumental Catálogo dos Contos Tradicionais Portugueses, de autoria de Isabel Cardigos e Paulo Correia.[7]

Com vários livros e folhetos de cordel editados, profere palestras e ministra oficinas sobre a literatura de cordel e o folclore brasileiro em espaços culturais, feiras de livro e escolas.[8] Vários de seus livros foram selecionados por programas de governo, como o Programa Nacional Biblioteca da Escola e PNLD Literário, do Ministério da Educação, Apoio ao Saber e Salas de Leitura, do Estado de São Paulo, Minha Biblioteca, da prefeitura paulistana, Leitura para a Cidadania (Paulus Editora), Itaú Social e para composição do acervo da Biblioteca Nacional. Em 2016, atuou como consultor e autor dos cordéis da telenovela Velho Chico, da Rede Globo de Televisão, escrita por Edmara Barbosa e Bruno Barbosa Luperi, no ar em 2016, com direção de Luiz Fernando Carvalho.[9] No mesmo ano, foi curador, com Arlene Holanda, do Espaço do Cordel e do Repente na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, repetindo a experiência em 2018. Na mesma Bienal, a convite do Institute for Heritage de Sharjah, país convidado de honra do evento, participou de um painel sobre Contos Folclóricos do Brasil e do Mundo Árabe, ao lado do eminente folclorista Abdulaziz Al-Mussalam.[10] Em setembro deste mesmo ano, participou, ainda a convite do Institute for Heritage, do International Narrator Forum de Sharjah (Emirados Árabes Unidos), ao lado de sua esposa, a xilogravadora e contadora de histórias Lucélia Borges. Ainda em 2018, foi curador do projeto Encontro com o Cordel®, realizado pelo SESC 24 de Maio, em São Paulo, com presença de Antonio Nóbrega, J. Borges, Auritha Tabajara, Lucélia Borges e dezenas de cordelistas e gravadores.[11] Desde 2023, é um dos curadores da exposição Vidas em Cordel, do Museu da Pessoa, que já percorreu várias cidades brasileiras.[12] Em 2024, obteve o título de mestre em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com a dissertação O fio e a meada: classificação sistemática e uma história cultural da literatura de cordel.
Prêmios e indicações
[editar | editar código]Em 2010, o livro O Conde de Monte Cristo, versão em cordel do romance de Alexandre Dumas, foi uma das obras ganhadoras do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010, do Ministério da Cultura, na categoria Produção (livros e CDs). Em 2017, sua obra Cordéis de arrepiar: Europa (Editora IMEPH) tornou-se finalista do mais importante prêmio literário do Brasil, o Prêmio Jabuti, na categoria Adaptação, na edição 2017.[13] No mesmo ano, foi contemplado com o Troféu Baobá, criado pelo coletivo Línguas Encantadas e Encantantes e dedicado aos contadores de histórias e pesquisadores da tradição oral. Seus livros O Encontro da Cidade Criança com o Sertão Menino (Editora do Brasil) e A Jornada Heroica de Maria (Melhoramentos) foram premiados com o selo Cátedra-Unesco, edições de 2018 e 2019, concedido pelo PUC-Rio.[14] Em 2023, o livro Contos encantados do Brasil (Aletria) foi premiado com o selo Seleção Cátedra-Unesco da PUC-Rio (produção de 2022). [15] e recebeu, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), o selo Altamente Recomendável na categoria Reconto.
Em 2019, Marco Haurélio foi agraciado com o título de patrono da 26ª Feira do Livro de Morro Reuter, uma das mais tradicionais do Rio Grande do Sul[16] e recebeu, da Associação Eduardo Furkini, de Santos, o prêmio Maryse Dalmaso, criado em reconhecimento às pessoas que, durante sua vida, se dedicaram a educar por meio da narração de histórias.[17] Recebeu ainda, no dia 13 de dezembro de 2021, em sessão solene na Câmara Municipal de São Paulo, por indicação do Museu Casa Guilherme de Almeida, o Colar Guilherme de Almeida, por sua atuação em defesa da Literatura de Cordel e da tradição oral brasileira.[18] Foi homenageado pelo coletivo Amigos das Histórias, de Brasília (DF), em encontro ocorrido entre os dias 16 e 19 de março de 2023,[19] culminando com uma sessão solene na Câmara dos Deputados, no dia 17 do mesmo mês.[20] Em 2025, sua dissertação de mestrado, O fio da meada, recebeu uma menção honrosa no Concurso Sílvio Romero, promovido pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, do Rio de Janeiro. [21]
Influências
[editar | editar código]Em sua obra é notória a influência de cordelistas do passado, a exemplo de Leandro Gomes de Barros, Manuel d'Almeida Filho, Minelvino Francisco Silva e Delarme Monteiro Silva. Muitos de seus cordéis têm raízes na tradição oral, o que se explica por sua atuação como pesquisador da cultura popular brasileira.[22] Outro tema de sua predileção são as sagas mitológicas, que renderam livros como Os 12 trabalhos de Hércules (Cortez), A Saga de Beowulf (Aquariana) e a poesia épica O Herói da Montanha Negra, escrito originalmente em 1987 e incluído na obra Meus Romances de Cordel (Global Editora). A esse respeito escreveu a estudiosa Vilma Mota Quintela: "A referência à mitologia grega, nesse caso, vem a enriquecer o enredo de aventuras, chegando este ao clímax em passagens como a da travessia do riacho Eterno pelo herói, que lembra a travessia do Aqueronte por heróis mitológicos como Hércules e Orfeu".[23] No campo da cultura popular, em especial o da tradição oral, segue os passos de estudiosos como Luís da Câmara Cascudo, Sílvio Romero, Lindolfo Gomes e Ruth Guimarães, sendo responsável pela recolha de mais de duas centenas de contos populares, em sua maioria já catalogados e registrados em publicações como Contos e Fábulas do Brasil, Contos Folclóricos Brasileiros, O Príncipe Teiú e Outros Contos Brasileiros e Vozes da Tradição.
Obra
[editar | editar código]- Cordéis publicados pela Editora Luzeiro
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- Cordéis publicados pela Tupynanquim
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- Outras publicações
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- Projeto Vidas em Cordel (Museu da Pessoa)
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- Infantis, infantojuvenis e juvenis
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- Folclore, ensaios, antologias, ficção e estudos da poesia popular
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Ver também
[editar | editar código]- Leandro Gomes de Barros
- Rouxinol do Rinaré
- Manuel d'Almeida Filho
- José Camelo de Melo Rezende
- Arievaldo Viana
- Luís da Câmara Cascudo
- Ruth Guimarães
- Pedro Monteiro (cordelista)
- Antônio Teodoro dos Santos
- Lucélia Borges
Referências
- ↑ «Poeta Marcus Haurélio Fernandes Farias – Síntese biográfica». Memórias da Poesia Popular. 17 de dezembro de 2014
- ↑ Museu da Pessoa, Acervo. «Marco Haurélio - INFORMAÇÕES PESSOAIS»
- ↑ «Gênero atualizado». Matéria no Diário do Nordeste. Consultado em 1 de dezembro de 2017
- ↑ «Solenne Derigond. La Littérature de cordel et la cantoria à São Paulo : thèmes et enjeux identitaires d'un genre nordestin. 2015». Université européenne de Bretagne : Université Rennes 2. Consultado em 1 de dezembro de 2017
- ↑ «Poetas em SP preservam e renovam a literatura de cordel, novo patrimônio cultural do Brasil». Matéria na Folha de S.Paulo. Consultado em 13 de dezembro de 2018
- ↑ «Autores adaptam clássicos da literatura mundial para o cordel». Folha de S.Paulo. Consultado em 30 de novembro de 2017
- ↑ CARDIGOS, Isabel (2015). Catálogo dos Contos Tradicionais Portugueses. [S.l.]: Edições Afrontamento
- ↑ «Escritor cordelista fará palestras no Maranhão» (PDF). O Estado do Maranhão. 27 de agosto de 2010. Consultado em 3 de dezembro de 2017[ligação inativa]
- ↑ «Autores de Velho Chico realizam consultoria para escrever novela». Famosos na Web. Consultado em 21 de novembro de 2017
- ↑ «UAE's Rich Folk Tale Tradition and its Growing Silent Books Market Showcased at Sao Paulo Book Fair». The UAE Board on Books for Young People (UAEBBY). Consultado em 19 de dezembro de 2018
- ↑ «Dos barbantes ao Wattsapp». SESC São Paulo. 2018. Consultado em 5 de outubro de 2018
- ↑ «Na Bahia, Museu Afro-Brasileiro recebe exposição itinerante 'Vidas em Cordel'». Alma Preta. Consultado em 9 de agosto de 2024
- ↑ «Finalistas Relação dos classificados para 2ª fase». Câmara Brasileira do Livro. 2017. Consultado em 4 de outubro de 2017. Cópia arquivada em 21 de novembro de 2017
- ↑ «Prêmio Seleção Cátedra de Leitura - PUC-Rio». Cátedra Unesco de Leitura. Consultado em 30 de novembro de 2018
- ↑ «Prêmio Seleção Cátedra Unesco 2022». Relação de obras premiadas. Consultado em 1 de abril de 2023
- ↑ «Feira do Livro de Morro Reuter já tem o seu patrono». Prefeitura Municipal de Morro Reuter. 2019. Consultado em 21 de dezembro de 2019
- ↑ «Santos recebe 3º Encontro Nacional de Contadores de Histórias de 22 a 24 de novembro». Diário do Litoral. 2019. Consultado em 21 de dezembro de 2019
- ↑ «Entrega do Colar Guilherme de Almeida». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 18 de dezembro de 2021
- ↑ «Dia Internacional do Contador de Histórias». Câmara dos Deputados. Consultado em 7 de abril de 2023
- ↑ «Discurso de Marco Haurélio na Câmara dos Deputados». Câmara dos Deputados. Consultado em 7 de abril de 2023
- ↑ «Resultado final do Concurso Sílvio Romero 2025». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 2026. Consultado em 5 de janeiro de 2026
- ↑ Literatura de Cordel e Escola- Ano XX Boletim 16 (PDF). Ministério da Educação. [S.l.: s.n.] Outubro de 2010. ISSN 1982-0283. Consultado em 28 de fevereiro de 2014
- ↑ QUINTELA, Vilma Mota (2013). Meus Romances de Cordel. [S.l.]: Global
Ligações externas
[editar | editar código]- Blogue oficial
- Blogue oficial do livro Contos e Fábulas do Brasil
- Marco Haurélio no Instagram
