Marco Haurélio

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Marco Haurélio
Marco Haurélio em registro de Marcelino Lima (Livraria Cortez, São Paulo)
Nome completo Marco Haurélio Fernandes Farias
Nascimento 5 de julho de 1974 (43 anos)
Riacho de Santana, BA
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Escritor
Principais trabalhos Contos e Fábulas do Brasil,
Meus Romances de Cordel,
Os 12 Trabalhos de Hércules
Gênero literário Cordel
Página oficial
http://marcohaurelio.blogspot.com/

Marco Haurélio Fernandes Farias[1], também conhecido como Marco Haurélio, (Riacho de Santana, 5 de julho de 1974) é um escritor, professor e pesquisador da literatura de cordel e do folclore brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Ponta da Serra, localidade rural do município de Riacho de Santana, desde cedo travou contato com a cultura espontânea e com as histórias tradicionais narradas pela avó Luzia Josefina de Farias (1910-1982).[2] Dessa experiência nasceram os livros Contos folclóricos brasileiros (2010), Contos e Fábulas do Brasil (2011) e Lá detrás daquela serra (2013). Cursou Letras na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus VI - Caetité e, em 2005, se fixou em São Paulo, ocasião em que escreveu o folheto Nordeste, terra de bravos.[3] Coordena, atualmente, pela editora Nova Alexandria, a Coleção Clássicos em Cordel, pela qual lançou A Megera Domada (versão da peça clássica de William Shakespeare).[4] Para a mesma coleção adaptou O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, uma das obras ganhadoras do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010, do Ministério da Cultura, na categoria Produção (livros e CDs). Idealizador da Antologia do Cordel Brasileiro, a primeira publicação do gênero a reunir representantes de todas as gerações da poesia popular brasileira.[5] É, também, idealizador da coleção Fábulas do Brasil em Cordel, da editora LeYa. É colaborador do Centro de Estudos Ataíde Oliveira, da Universidade do Algarve, Faro, Portugal.

Com vários livros e folhetos de cordel editados, profere palestras e ministra oficinas sobre a Literatura de Cordel e o Folclore Brasileiro em espaços culturais, feiras de livro e escolas.[6] Representou o Brasil, ao lado de Antônio Barreto e Edilene Matos, no Encontro Internacional de Poetas, ocorrido em Assunción, Paraguai, em 2010. Vários de seus livros foram selecionados por programas de governo, como o PNBE, do Ministério da Educação, Apoio ao Saber e Salas de Leitura, do Estado de São Paulo, Minha Biblioteca, da prefeitura paulistana, Leitura para a Cidadania (Paulus Editora), Itaú Social e para composição do acervo da Biblioteca Nacional. Em 2016, atuou como consultor e autor dos cordéis da telenovela Velho Chico, da Rede Globo de Televisão, escrita por Edmara Barbosa e Bruno Barbosa Luperi, no ar em 2016, com direção de Luiz Fernando Carvalho.[7] No mesmo ano, foi curador do Espaço do Cordel e do Repente na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Sua obra Cordéis de arrepiar: Europa (Editora IMEPH) tornou-se finalista do mais importante prêmio literário do Brasil, o Prêmio Jabuti, na categoria Adaptação, na edição 2017. [8]

Influências[editar | editar código-fonte]

Em sua obra é notória a influência de cordelistas do passado, a exemplo de Leandro Gomes de Barros, Manuel d'Almeida Filho, Minelvino Francisco Silva e Delarme Monteiro Silva. Muitos de seus cordéis têm raízes na tradição oral, o que se explica por sua atuação como pesquisador da cultura popular brasileira. [9] Outro tema de sua predileção são as sagas mitológicas, que renderam livros como Os 12 trabalhos de Hércules (Cortez), A Saga de Beowulf (Aquariana) e o romance em versos O Herói da Montanha Negra, escrito originalmente em 1987 e incluído na obra Meus Romances de Cordel (Global Editora). A esse respeito escreveu a estudiosa Vilma Mota Quintela: "A referência à mitologia grega, nesse caso, vem a enriquecer o enredo de aventuras, chegando este ao clímax em passagens como a da travessia do riacho Eterno pelo herói, que lembra a travessia do Aqueronte por heróis mitológicos como Hércules e Orfeu". [10]

No campo da cultura popular, em especial o da tradição oral, segue os passos de estudiosos como Luís da Câmara Cascudo, Sílvio Romero e Lindolfo Gomes, sendo responsável pela recolha de mais de duas centenas de contos populares, em sua maioria já catalogados e registrados em publicações como Contos e Fábulas do Brasil, Contos Folclóricos Brasileiros e O Príncipe Teiú e Outros Contos Brasileiros.

Obra[editar | editar código-fonte]

Cordéis publicados pela Editora Luzeiro
Cordéis publicados pela Tupynanquim
  • Galopando o Cavalo Pensamento
  • Traquinagens de João Grilo
  • A Maldição das Sandálias do Pão-Duro Abu Kasem
  • As Três Folhas da Serpente (segunda edição)
  • A Roupa Nova do Rei ou O Encontro de João Grilo com Pedro Malazarte (primeira edição)
Outras publicações
  • Cem Anos da Xilogravura na Literatura de Cordel (com Arievaldo Viana, Editora Queima Bucha)
  • Câmara Cascudo: trinta anos de encantamento (Instituto Câmara Cascudo)
Infantis, infantojuvenis e juvenis
Folclore, ensaios, antologias e estudos da poesia popular

Ver também[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. «Poeta Marcus Haurélio Fernandes Farias – Síntese biográfica». Memórias da Poesia Popular. 17 de dezembro de 2014 
  2. «Gênero atualizado». Matéria no Diário do Nordeste. Consultado em 1 de dezembro de 2017 
  3. «Solenne Derigond. La Littérature de cordel et la cantoria à São Paulo : thèmes et enjeux identitaires d'un genre nordestin. 2015». Université européenne de Bretagne : Université Rennes 2. Consultado em 1 de dezembro de 2017 
  4. «Autores adaptam clássicos da literatura mundial para o cordel». Site Folha de são Paulo. Consultado em 30 de novembro de 2017 
  5. «Antologia de literatura de cordel mostra a vitalidade da poesia popular». Matéria no Correio Braziliense. Consultado em 30 de novembro de 2017 
  6. «Escritor cordelista fará palestras no Maranhão» (PDF). Matéria publicada no jornal O Estado do Maranhão, em 27 de agosto de 2010 . Consultado em 3 de dezembro de 2017 
  7. «Autores de Velho Chico realizam consultoria para escrever novela». Site Famosos na Web. Consultado em 21 de novembro de 2017 
  8. «Finalistas Relação dos classificados para 2ª fase». sítio oficial da Câmara Brasileira do Livro. 2017. Consultado em 4 de outubro de 2017. Cópia arquivada em 21 de novembro de 2017 
  9. Literatura de Cordel e Escola- Ano XX Boletim 16 (PDF). sítio oficial do Ministério da Educação. [S.l.: s.n.] Outubro 2010. ISSN 1982-0283. Consultado em 28 de fevereiro de 2014 
  10. QUINTELA, Vilma Mota. Apresentação. In: Meus Romances de Cordel. São Paulo: Global, 2013.