Marco Júnio Silano Torquato (cônsul em 19)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Marco Júnio Silano (desambiguação).
Marco Júnio Silano Torquato
Cônsul do Império Romano
Consulado 19 d.C.

Marco Júnio Silano Torquato (em latim: Marcus Junius Silanus Torquatus) foi um senador romano da gente Júnia eleito cônsul em 19 com Lúcio Norbano Balbo. Era neto de Marco Júnio Silano, cônsul com o imperador Augusto em 25 a.C..

Carreira[editar | editar código-fonte]

Torquato exerceu seu mandato por todo o ano de 19, um feito raro na época, e ele e seu colega são responsáveis pela aprovação da Lex Junia Norbana, que impedia que escravos libertados por pretores recebessem a cidadania romana e também evitava que os descendentes deles tivessem direito a herança. Libertos sob os termos desta lei passaram a ser conhecidos como "latini juniani"[1].

Já com mais de trinta anos, Silano foi procônsul da África[1]. Tácito relata em "Anais" que Calígula (que governou entre 37 e 41) removeu-o do comando da legião africana (III Augusta) e entregou-a a um legado imperial[2]. Porém, uma inscrição honorária dedicada a um tal Caio Mênio Basso foi encontrada em Tibur mencionando que pela sexta vez sob o governador Marco Silano ele deteve o posto de praefectus fabrum na África (em latim: "praefecto fabrum M. Silani M. f. sexto"). Este texto foi interpretado parcialmente como significando que Basso serviu sob Silano um total de seis vezes — o que implicaria num mandato de pelo menos seis anos na África. Porém, como vários outros governadores da província seguramente exerceram seu mandato lá na década de 30 (como Caio Rubélio Blando em 35 e 36 e Lúcio Calpúrnio Pisão em 39), um mandato de seis anos de Silano só poderia ser acomodado no intervalo entre 29 e 35[3][4]. Como o imperador Tibério ainda governava na época, o relato de Tácito citado acima teria que estar incorreto. De fato, Dião Cássio cita o mesmo fato que Tácito, mas com relação a Lúcio Calpúrnio Pisão e não a Silano[5][6]. Bengt Thomasson sugeriu que a palavra "sexto" na inscrição não deve ser interpretada como sendo um advérbio numérico ("seis vezes") e sim como um número ordinal ("sexta vez"): Blando foi praefectus fabrum pela sexta vez, mas apenas a última durante o governo de Silano, o governador da África naquele ano[7].

O relato de Tácito de que o senador Lúcio Júlio Grecino, o pai de Cneu Júlio Agrícola, se recusou a acusar Silano em 38 e foi portando executado por Calígula[8] provavelmente é uma referência a Marco Júnio Silano, o sogro do imperador, e não a Silano Torquato.

A data da morte de Silano é desconhecida, mas presumivelmente ele morreu ainda no governo de Calígula, ou seja, antes de 41.

Família[editar | editar código-fonte]

Torquato se casou com Emília Lépida, filha de Júlia, a Jovem, e bisneta de Augusto[1][9]. Todos os filhos do casal sofreram por causa de sua relação (distante) com a família imperial[1]:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cônsul do Império Romano
Vexilloid of the Roman Empire.svg
Precedido por:
Tibério III

com Germânico II
com Lúcio Seio Tuberão (suf.)
com Lúcio Livineio Régulo (suf.)
com Caio Rubélio Blando (suf.)
com Marco Vipstano Galo (suf.)

Marco Júnio Silano Torquato
19

com Lúcio Norbano Balbo
com Públio Petrônio (suf.)

Sucedido por:
Marco Valério Messala Barbato

com Marco Aurélio Cota Máximo Messalino


Referências

  1. a b c d Oxford Classical Dictionary, 2nd Ed. (1970).
  2. Tácito, Anais 4,48.
  3. Ursula Vogel-Weidemann: Die Statthalter von Africa und Asia in den Jahren 14–68 n. Chr. Eine Untersuchung zum Verhältnis Princeps und Senat. Habelt, Bonn 1982, ISBN 3-7749-1412-5, S. 98–106.
  4. Com uma abordagem similar, mas ligeiramente diferente Ronald Syme: The Early Tiberian Consuls. In: Historia. Volume 30, 1981, p. 189-202, p. 196ss. Ele assume um mandato entre 30 e 35 e defende que os seis anos citados na inscrição de Basso seriam anos-calendário.
  5. Dião Cássio, História Romana 59,20,7.
  6. Dazu Bengt E. Thomasson: Fasti Africani. Senatorische und ritterliche Amtsträger in den römischen Provinzen Nordafrikas von Augustus bis Diokletian. Paul Åström, Stockholm 1996, S. 32.
  7. Bengt E. Thomasson: Fasti Africani. Senatorische und ritterliche Amtsträger in den römischen Provinzen Nordafrikas von Augustus bis Diokletian (= Skrifter utgivna av Svenska Institutet i Rom. Series in 4°, Band LIII). Paul Åström, Stockholm 1996, S. 32–34.
  8. Tácito, Agrícola 4,1.
  9. Realencyclopädie der Classischen Altertumswissenschaft.
  10. Barrett, Anthony, Caligula: The Corruption of Power (Touchstone, 1989), p.viii-ix.