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Margaret Abbott

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Margaret Abbott
Retrato de c.1903[1]
Golfe
Nome completoMargaret Ives Abbott
RepresentanteEstados Unidos
Nascimento15 de junho de 1878
Calcutá, Raj Britânico
NacionalidadeEstadunidense
Morte10 de junho de 1955 (76 anos)
Greenwich, Connecticut
Compleição• Altura: 5 ft 11 in (1,80 m)[2]
NívelAmadora
Medalhas
Golfe feminino
Competidor do Estados Unidos
Jogos Olímpicos
OuroParis 1900Individual

Margaret Ives Abbott (Calcutá, 15 de junho de 1878Greenwich, 10 de junho de 1955) foi uma golfista estadunidense. Ela foi a primeira mulher dos Estados Unidos a vencer uma competição olímpica: o torneio de golfe feminino nos Jogos Olímpicos de Verão de 1900.

Nascida em Calcutá, Abbott mudou-se com a família para Chicago em 1884. Lá, juntou-se ao Chicago Golf Club em Wheaton, Illinois, onde recebeu treinamento de Charles B. Macdonald e H. J. Whigham. Em 1899, viajou com a mãe para Paris para estudar arte. No ano seguinte, as duas inscreveram-se em um torneio de golfe feminino sem saberem que se tratava da segunda edição dos Jogos Olímpicos da era moderna. Abbott venceu o torneio com 47 tacadas, enquanto sua mãe ficou em sétimo lugar. Como prêmio, ela recebeu uma tigela de porcelana.

Em dezembro de 1902, Abbott casou-se com o escritor Finley Peter Dunne. Mais tarde, mudaram-se para Nova Iorque e tiveram quatro filhos. Abbott morreu aos 76 anos, em 1955, sem jamais saber que havia vencido uma prova olímpica. Ela não era muito conhecida até que Paula Welch, professora da Universidade da Flórida, pesquisou sua vida. Em 2018, o The New York Times publicou seu obituário, ainda que tardiamente.

Vida e carreira

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Início da vida

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Margaret Ives Abbott nasceu em 15 de junho de 1878, em Calcutá, Raj Britânico, filha de Charles e Mary Ives Abbott. Seu pai era um rico comerciante estadunidense que morreu em 1879. Margaret, junto à sua mãe e irmãos, mudou-se para Boston. Durante sua adolescência, sua mãe tornou-se editora literária do Chicago Herald, e a família mudou-se para Chicago em 1884.[3]

No final do século XIX, as mulheres eram impedidas de competir em vários esportes. Os clubes de golfe permitiam que as mulheres jogassem apenas se estivessem acompanhadas por um homem. Abbott, com sua mãe, começou a praticar o esporte no Chicago Golf Club, em Wheaton, um subúrbio da cidade. Ela foi treinada pelos golfistas amadores H. J. Whigham e Charles B. Macdonald, com o qual formou dupla em um torneio de 1897 no Washington Park. Ela venceu vários torneios locais e, em 1899, tinha um handicap de dois.[4] Ela foi descrita como uma "competidora feroz" e era conhecida por ter um "swing elegante".[5] Naquele mesmo ano, ela e sua mãe viajaram para Paris. Sua mãe pesquisou e escreveu um guia de viagem, A Woman's Paris: A Handbook of Every-day Living in the French Capital (1900); Margaret estudou arte ao lado de Auguste Rodin e Edgar Degas.[4]

Jogos Olímpicos de Paris

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Margaret Abbott participando do evento de golfe feminino dos Jogos Olímpicos de 1900 em Compiègne, França

Os Jogos Olímpicos de Verão de 1900, realizados em Paris entre maio e outubro, foram a segunda edição das Olimpíadas modernas. Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos, inicialmente planejou a competição apenas para homens. No entanto, em 1900 as mulheres puderam competir pela primeira vez em cinco esportes: golfe, tênis, vela, remo e hipismo.[6] De um total de 997 atletas, 22 eram mulheres.[7] As competições careciam de equipamentos adequados,[8] não tiveram cerimônia de abertura nem de encerramento e incluíram esportes como cabo de guerra, empinamento de pipas, balonismo e corrida de pombos.[2] Dois eventos de golfe foram programados — um para homens e outro para mulheres.[9] O evento feminino foi disputado em nove buracos com distâncias variando de 59 metros (65 jardas) a 195 metros (213 jardas) a partir das saídas femininas; o masculino foi uma competição de 36 buracos.[10] Intitulado "Prix de la ville de Compiègne",[11] o evento feminino ocorreu em 3 de outubro, em Compiègne, cerca de 30 milhas (48 km) ao norte de Paris.[12]

Os Jogos Olímpicos coincidiram com a Exposição Universal de 1900, e muitos acreditavam que foram ofuscadas por ela.[13] A revista Golf Illustrated referiu-se ao evento como a competição "em conexão com a Exposição de Paris".[14] O torneio de golfe foi divulgado como a "Competição da Exposição" ou "Competição da Feira Mundial de Paris", em vez de ser chamado de um evento olímpico.[2] O historiador olímpico Bill Mallon afirmou posteriormente: "Muitos dos eventos em 1900 foram considerados esportes de demonstração. É muito difícil dizer o que era um esporte olímpico e o que não era." Segundo o autor, muitos atletas não sabiam que estavam participando das Olimpíadas.[15]

Abbott soube do torneio por meio de um anúncio de jornal. Fazendo uma pausa em seus estudos, ela decidiu se inscrever no evento.[16] Ela venceu com uma pontuação de 47 tacadas.[17] Pauline Whittier ficou em segundo lugar, com 49 tacadas, enquanto Abbie Pratt terminou em terceiro lugar, com 53 tacadas.[17] Mary Abbott também participou do evento e empatou em sétimo lugar, com uma pontuação de 65.[10] Todas as dez competidoras jogaram usando saias longas e chapéus.[2] Segundo o filho de Abbott, Philip Dunne, sua mãe diria mais tarde à família que venceu o torneio "porque todas as garotas francesas aparentemente entenderam mal a natureza do jogo programado para aquele dia e apareceram para jogar de salto alto e saias apertadas".[18]

Por sua vitória, Abbott recebeu uma antiga tigela de porcelana saxônica montada em ouro cinzelado.[17] Os vencedores de alguns eventos dos Jogos de Paris receberam medalhas retangulares de ouro, prata e bronze desenhadas pelo escultor francês Frédéric Vernon.[19] Muitas outras competições, incluindo o golfe, não concederam medalhas; em vez disso, os prêmios eram taças, tigelas e outros troféus semelhantes.[20] A vitória de Abbott foi noticiada pelo Chicago Tribune.[17]

Vida posterior

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Abbott permaneceu em Paris e venceu um campeonato francês antes de retornar aos Estados Unidos em 1901.[21] Ela casou-se com o escritor Finley Peter Dunne em 9 de dezembro de 1902. De acordo com o Chicago Tribune, embora a cerimônia de casamento "tenha sido celebrada da forma mais discreta e com o mínimo de ostentação possível", eles receberam telegramas de "dezenas de […] luminares literários", incluindo Sir Arthur Conan Doyle.[22] O casal mais tarde se estabeleceu na cidade de Nova Iorque.[21] Eles tiveram quatro filhos, incluindo Philip Dunne.[23] Abbott não competiu em muitos torneios devido a uma lesão no joelho causada por um acidente na infância.[18] Registros das ligações dela com o Chicago Golf Club foram destruídos no incêndio da sede do clube em 1912.[18] Ela morreu aos 76 anos em 10 de junho de 1955,[2] em Greenwich, Connecticut, cinco dias antes de fazer aniversário.[6]

Abbott nunca soube que havia participado e se tornado a primeira mulher estadunidense a vencer um evento olímpico.[2] Ela não era muito conhecida até que Paula Welch, professora da Universidade da Flórida e membro do Conselho Diretor das Olimpíadas, pesquisou sua vida durante a década de 1970, quando viu Abbott ser mencionada pela primeira vez como campeã olímpica em 1973. Welch passou uma década examinando artigos de jornal que mencionavam os sucessos dela em várias competições de golfe.[24] Em meados da década de 1980, ela entrou em contato com Philip, filho de Abbott, informando-o sobre a vitória olímpica de sua mãe.[25] Analisando as razões de sua obscuridade, Welch disse: "Não tínhamos a cobertura que temos hoje […] Ela voltou. Casou-se. Criou sua família. Jogou um pouco de golfe, mas não seguiu realmente competindo em torneios."[2]

Escrevendo para a revista Golf Digest em 1984, Philip escreveu: "Não é todo dia que você descobre que sua mãe foi uma campeã olímpica, mais de 80 anos depois do ocorrido. A própria campeã apenas nos disse que havia vencido o campeonato de golfe de Paris."[26] Em 1996, Abbott foi a atleta em destaque das Olimpíadas de 1900 no programa oficial dos Jogos Olímpicos de Atlanta.[27] Após 1904, o golfe não foi incluído nos Jogos Olímpicos até a edição de 2016.[28] Em 2018, o The New York Times publicou seu obituário tardio.[2]

Referências

Bibliografia

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Fontes online

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Fontes impressas

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Ligações externas

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