Violência

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Disambig grey.svg Nota: Para a violência no Brasil, veja Criminalidade no Brasil.
Estimativa da esperança de vida corrigida pela incapacidade de violência física, por 100.000 habitantes em 2004.[1]
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  200-400
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  1000–1200
  1200–1400
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Violência é definida pela Organização Mundial da Saúde como "o uso intencional de força física ou poder, ameaçados ou reais, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade, que resultem ou tenham grande probabilidade de resultar em ferimento, morte, dano psicológico, mal-desenvolvimento ou privação ", embora o grupo reconheça que a inclusão de "uso do poder" em sua definição expande a compreensão convencional da palavra.[2]

Globalmente, a violência resultou na morte de cerca de 1,28 milhões de pessoas em 2013, contra 1,13 milhões em 1990.[3] Das mortes em 2013, cerca de 842.000 foram atribuídas a auto-destruição (suicídio), 405.000 para a violência interpessoal e 31.000 para a violência coletiva (guerras) e intervenção legal.[4] Corlin, ex-presidente da Associação Médica Americana diz que para cada morte por violência, há dezenas de hospitalizações, centenas de visitas a emergências e milhares de consultas médicas.[5]

Em 2013, assalto por arma de fogo foi a principal causa de morte devido à violência interpessoal, com 180.000 dessas mortes estimadas terem ocorrido. No mesmo ano, assalto por objeto afiado resultou em aproximadamente 114.000 mortes, com 110.000 mortes restantes de violência pessoal sendo atribuídas a outras causas.[3]

A violência em muitas formas é evitável. Existe uma forte relação entre os níveis de violência e os fatores modificáveis, como a pobreza concentrada, a desigualdade de renda e de gênero, o uso nocivo do álcool e a ausência de relações seguras, estáveis e estimulantes entre as crianças e os pais. As estratégias que abordam as causas subjacentes da violência podem ser eficazes na prevenção da violência.[6]

Tipos de violência

A violência pode ser dividida em três grandes categorias:[2]

As atitudes ou atos violentos podem ser:

  • físicos
  • sexuais
  • psicológicos
  • emocionais

Essa categorização inicial diferencia: a violência que uma pessoa inflige a si mesma, a violência infligida por outro indivíduo ou por um pequeno grupo de indivíduos e a violência infligida por grupos maiores como estados, grupos políticos organizados, grupos de milícias e organizações terroristas. Essas três grandes categorias são divididas cada vez mais para refletir tipos mais específicos de violência.

A violência é principalmente classificada como instrumental ou reativa/hostil.[7]

Violência autodirigida

A violência autodirigida é subdividida em comportamento suicida e auto-abuso. O primeiro inclui pensamentos suicidas, tentativas de suicídio - também chamado de suicídio para ou suicídio deliberado em alguns países - e suicídios concluídos. Auto-abuso, em contraste, inclui atos como automutilação.

Violência interpessoal

Mostre devido a violência interpessoal por milhões de pessoas em 2012
  0-8
  9-16
  17-24
  25-32
  33-54
  55-75
  76-96
  97-126
  127-226
  227-878

Violência interpessoal é uma classificação de violência dividida em duas categorias: a violência familiar e conjugal que em geral ocorre no próprio lar e a violência comunitária que acontece fora do lar, entre pessoas que não têm vínculos de parentesco ou entre pessoas que podem ou não se conhecer.[8][9]

A violência familiar e conjugal inclui os maus-tratos de menores, a violência doméstica e os maus-tratos a pessoas idosas.[8][9]

A violência comunitária inclui a violência entre jovens, estupro, agressão sexual de estranhos e a violência em ambientes institucionais como escolas, locais de trabalho, prisões e asilos. Quando a violência interpessoal ocorre nas famílias, suas conseqüências psicológicas podem afetar os pais, as crianças e seu relacionamento a curto e longo prazos.[8][9]

Violência coletiva

A violência coletiva é subdividida em violência estrutural e violência econômica. Ao contrário das outras duas categorias amplas, as subcategorias da violência coletiva sugerem possíveis motivos para a violência cometida por grupos maiores de indivíduos ou por estados. A violência coletiva que está empenhada em promover uma determinada agenda social inclui, por exemplo, crimes de ódio cometidos por grupos organizados, atos terroristas e violência popular. A violência política inclui a guerra e conflitos violentos relacionados, a violência estatal e atos semelhantes realizados por grupos maiores. A violência econômica inclui ataques de grupos maiores motivados por ganhos econômicos - como ataques perpetrados com o objetivo de interromper a atividade econômica, negar acesso a serviços essenciais ou criar divisão econômica e fragmentação. Claramente, atos cometidos por grupos maiores podem ter múltiplos motivos.[10]

A violência do Estado também envolve as formas de violência de natureza estrutural, como a pobreza, através do desmantelamento do bem-estar, a criação de políticas rígidas como "bem-estar para o trabalho", para causar ainda mais estímulo e desvantagem.[10] A pobreza como forma de violência pode envolver políticas opressivas que visam especificamente grupos minoritários ou de baixo nível socioeconômico. A "guerra contra as drogas", por exemplo, em vez de aumentar a saúde e o bem-estar das populações em risco, resulta na maioria das vezes em violência contra esses grupos demográficos vulneráveis através do encarceramento, da estigmatização e da brutalidade policial. [10][11]

Neurobiologia do comportamento violento

As bases neurais do comportamento violento têm sido consistentemente estabelecidas nos últimos anos, onde regiões cerebrais e neurotransmissores, bem como as suas ligações com diversos genes, hormônios e transtornos psiquiátricos, têm sido estudadas por psicólogos, neurocientistas, médicos, entre outros. Dentre as estruturas corticais, o Córtex Pré-Frontal (CPF) é a região cerebral mais amplamente associada com a agressão impulsiva e a violência em humanos.[12] O CPF desempenha um papel central no controle de comportamentos, no direcionamento a metas e na tomada de decisões. Pacientes com lesões no CPF ventromedial (CPFvm) tiveram uma maior probabilidade de mostrar confrontos verbais e agressividade, se comparados com pacientes com lesões em outras áreas cerebrais e com grupo controle sem lesões.[12]

Homens com Transtorno de Personalidade Antissocial têm mostrado alterações no Córtex Orbitofrontal, no Córtex Cingulado Anterior (CCA), na Ínsula e na AmígdalaSimilarmente, pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline e Transtorno Explosivo Intermitente também apresentam características de funcionamento atípico nessas regiões. Estudos de neuroimagem têm confirmado uma disfunção e redução no volume do COF, CCA e CPFvm em pessoas com comportamentos agressivos e violentos.[13] Um número crescente de evidências tem corroborado a função da amígdala como uma das regiões cerebrais mais importantes para o comportamento violento em humanos. [12] A amígdala, envolvida no processamento de estímulos biologicamente relevantes e reações emocionais, e o CPF são reciprocamente conectados. Além disso, neurotransmissores como serotonina, GABA e dopamina, e hormônios como testosterona, progesterona, cortisol e vasopressina apresentam um relevante papel determinante para a manifestação do violento. [12][13]

Violência nos desportos

Existe violência praticada entre desportistas e entre adeptos de determinadas categorias. Existem diversos esportes que são considerados violentos, tais como: boxe, futebol, rugby, entre outros. Na copa FIFA de 2006, o jogador de futebol Zidane desferiu uma cabeçada no peito de seu adversário após uma ofensa verbal no jogo final da copa do mundo, demonstrando uma atitude não adequada aos desportos.[14]

O bullying

Cena de bullying no filme Rebecca of Sunnybrook Farm (1917)
Ver artigo principal: Bullying

Este termo veio a partir da palavra bully, que, em inglês, significa "valentão". É o conceito de todos os tipos de agressão verbal e física, que acontecem com frequência e sem motivo. Sua concentração é no ambiente escolar. E causa distúrbios mentais e psicológicos.[15] Há três tipos de bullying: o verbal, que se caracteriza pelo uso de palavras; o social, no qual um grupo exclui certo indivíduo; e o virtual, o cyberbullying, o qual é feito através da internet.

Violência e artes

Literatura

Na literatura, a representação da violência é rica e variada.[16] Merecem destaques as obras de alguns escritores.

Internacionalmente, a violência encontra representação quase que em toda a obra de Fiodor Dostoiévski. Franz Kafka ilustra um tipo de violência psicológica peculiar em O Processo (Der Prozeß, 1925). Ernest Hemingway é apenas um dos escritores a publicar obras sobre guerras, conquanto seu Por Quem os Sinos Dobram (For Whom the Bells Tolls, 1940) seja um bom retrato de um conflito real, a guerra civil espanhola.

Na literatura portuguesa, a violência sempre esteve presente, embora nas tendências modernas foram muito mais explícitos os modos variados e verossímeis de violência.

Há um exemplo interessante em Euclides da Cunha (que fez Os Sertões um relato primoroso da Guerra dos Canudos), e destaca-se a obra do chamado regionalismo nordestino, de José Lins do Rego, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Em Capitães de areia (1936), Jorge Amado mostra, com ternura, a violência de um grupo de meninos abandonados nas ruas de Salvador; em Jubiabá (1935), ele mostra a trajetória de Antônio Balduíno, menino de rua que pratica atos criminosos menores, boxeador, assassino (quando "o olho da piedade vazou"), vagabundo e finalmente grevista, que aprende o caminho da razão justamente quando confrontado com a violência política.

Mas é Graciliano Ramos que, na literatura do Brasil, se compara à Dostoiévski na presença constante da violência. Suas obras trazem quase invariavelmente o conflito do homem que sofre alguma restrição, alguma coação ou alguma rejeição social, econômica ou cultural e tenta inutilmente reverter esse quadro. Em seus livros de memórias, como Infância (1945) e Memórias do Cárcere (1953) Graciliano documenta sua própria convivência com o mundo violento e cruel.

Já o romance Angústia (1936) gira em torno de um assassinato, justificado pelo narrador-protagonista como necessário e impositivo. O crime perturba definitivamente o criminoso, antes e depois do ato propriamente dito: antes, nas constantes paranoias sobre enforcamento, e depois, na convalescença de um mês e na necessidade de escrever o livro para exorcizar-se, eximir-se da culpa.

Cinema

Muitos filmes apresentam cenas de violência. Foto do ator Sam Shepard no filme Stealth.

O cinema é um veículo que tem uma grande infiltração mundial. Muitos dos filmes apresentam cenas de extrema e exagerada violência. A vida humana é por vezes tratada como algo banal. Existem diversos relatos de contraventores que ao praticar seus atos, se inspiraram em cenas e personagens considerados heróis. Trata-se também, de um tipo de violência cultural, na medida em que são estabelecidos novos valores incompatíveis com a conduta humana.[17]

Televisão

A televisão tem sido tema de muita discussão em relação as cenas de violência realísticas. Muitas vezes, quase simultaneamente, expõe em suas programações, nos telejornais, telenovelas e seriados. A grande infiltração da televisão em todos os lares pode rapidamente difundir alguns dos tipos de violência. Existem em vários programas uma forma de violência explícita, entre elas, a violência verbal, a que costuma ser mais encontrada na mídia. Há vários contraditores quanto a este tipo de programas televisivos serem expostos no horário nobre, e, os ditos cujos sempre tem almejado o aumento da censura para estes eventos que possuam palavras de baixo calão.[18]

Bíblia e violência

A Bíblia, para alguns especialistas, apresenta uma vasta coleção de eventos violentos. Nela, encontram-se, ao lado de exemplos de virtude, desde assassinatos fratricidas e estupros até periódicas demonstrações de ira divina (dilúvio, pragas do Egito). A história de Adão e Eva em si pode ser vista como uma história de violência: Deus propondo normas de obediência e preceitos com base em sua autoridade; preceitos desobedecidos primeiramente por Eva e depois por Adão; punição na forma de expulsão do paraíso e conhecimento do mal.[19][20]

Veja também

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Bibliografia

  • ECHENIQUE, M. Filosofia das Artes Marciais Belo Horizonte: Edições Nova Acrópole, 1995
  • DADOUN, R. A violência: ensaio acerca do "homo violens". Rio de Janeiro: Difel, 1998.
  • FROMM, E. Medo à Liberdade. Rio de Janeiro : Zahar, 1977.
  • GALVÃO JR, J. C. . Dialectique de la violence et rapports de force/ Dialética da violência e relações de força (edição bilíngüe francês/ português) Rio de Janeiro/ São Paulo: NPL/ Vida e Conciência, 2007.
  • GODOI, C. Os sentidos da violência: TV, celular e novas mídias. Santos, São Paulo: Realejo Edições, 2008.
  • ODÁLIA, N. Que é Violência. São Paulo : Brasiliense, 1983.
  • MARCONDES FILHO, C.J. Violência Política. São Paulo : Moderna, 1987.
  • MORAIS, R. Que é Violência Urbana. São Paulo : Brasiliense, 1985.
  • PINHEIRO, P.S. & ALMEIDA, G.A. Violência Urbana. São Paulo: Publifolha, 2003. Folha Explica.
  • PINKER, S. Tábula Rasa: a Negação Contemporânea da Natureza Humana Companhia das Letras, 2004.

Referências

  1. «Mortality and Burden of Disease Estimates for WHO Member States in 2002» (xls). World Health Organization. 2004 
  2. a b Krug et al., World report on violence and health, Organização Mundial da Saúde, Genebra. 2002. ISBN 9241545615 (em inglês)
  3. a b GBD 2013 Mortality and Causes of Death, Collaborators (17 de dezembro de 2014). «Global, regional, and national age-sex specific all-cause and cause-specific mortality for 240 causes of death, 1990–2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013.». Lancet. 385 (9963): 117–71. doi:10.1016/S0140-6736(14)61682-2. PMC 4340604Acessível livremente. PMID 25530442 
  4. awake Aug 8/05 pp. 4-7
  5. "Global Burden of Disease", World Health Organization, 2008.
  6. WHO / Liverpool JMU Centre for Public Health, "Violence Prevention: The evidence", 2010. (em inglês)
  7. Dewey G. Cornell, CODING GUIDE FOR VIOLENT INCIDENTS: INSTRUMENTAL VERSUS HOSTILE/REACTIVE AGGRESSION, Curry School of Education, University of Virginia (em inglês)
  8. a b c de Lima Argimon, Irani; José Chittó Gauer, Gabriel; da Silva Oliveira, Margareth (2009). Bioética e Psicologia. Porto Alegre: EDIPUCRS. pp. 74–75. ISBN 978-85-7430-922-4.
  9. a b c Schechter DS, Willheim E, McCaw J, Turner JB, Myers MM, Zeanah CH (2011). «The relationship of violent fathers, posttraumatically stressed mothers, and symptomatic children in a preschool-age inner-city pediatrics clinic sample». Journal of Interpersonal Violence. 26 (18): 3699–3719. doi:10.1177/0886260511403747. PMID 22170456 
  10. a b c Allen, Josephine A. V. (2001). «Poverty as a Form of Violence». Journal of Human Behavior in the Social Environment. 4 (2–3): 45–59. doi:10.1300/J137v04n02_03  (em inglês)
  11. Scheerer, Sebastian (1993). «Political ideologies and drug policy». European Journal on Criminal Policy and Research. 1: 94–105. doi:10.1007/BF02249526  (em inglês)
  12. a b c d Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome :1
  13. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome :0
  14. Folha UOL. «Zidane dá cabeçada em italiano e é 4º expulso em finais da Copa». Consultado em 09 de julho de 2006  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  15. Orson Camargo. «Bullying». Brasil Escola. Consultado em 18 de janeiro de 2012 
  16. Portal Cronópios. «Literatura Contemporânea Brasileira». Consultado em 18 de janeiro de 2012 
  17. Área de Sociedade e Cultura. «Violência no Cinema». Consultado em 18 de janeiro de 2012 
  18. Dr. Drauzio Varella. «Violência na TV e comportamento agressivo». Consultado em 18 de janeiro de 2012 
  19. Jesus Voltará. «Violência - O que a Bíblia diz?». Consultado em 18 de janeiro de 2012 
  20. Bíblia Online. «Versículos de Violência». Consultado em 18 de janeiro de 2012 

Ligações externas