Maria Archer

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Maria Archer
Nome completo Maria Emília Archer Eyrolles Baltazar Moreira
Nascimento 4 de janeiro de 1899
Almodôvar, Portugal
Morte 23 de janeiro de 1982 (83 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portugal Português
Cônjuge Alberto Teixeira Passos (1921-1931)
Ocupação Escritora, dramaturga
Prémios Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho (1938)
Magnum opus Sertanejos

Maria Emília Archer Eyrolles Baltazar Moreira, conhecida como Maria Archer (Almodôvar, 4 de janeiro de 1899Lisboa, 23 de janeiro de 1982), foi uma escritora portuguesa.[1][2][3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascida em Almodôvar, distrito de Beja, era filha de João Baltazar Moreira Júnior (1872-1949), natural da mesma vila e funcionário do Banco Nacional Ultramarino, e de sua mulher, Cipriana Archer Eyrolles (1878-1949), natural de Beja.[4][5] Mudou-se para Moçambique com os pais e seus cinco irmãos em 1910. Só terminou a escola primária aos 16 anos, tendo para isso que insistir com seus pais, que achavam desnecessária a sua formação. A família voltou para Portugal em 1914, mas dois anos depois estava novamente em África, desta vez na Guiné-Bissau.

A 29 de agosto de 1921, regressada a Portugal, Maria Archer casou-se pelo registo civil com o bancário Alberto Teixeira Passos em Faro, celebrando a sua união numa cerimónia religiosa dois dias depois na sua terra natal. Após o matrimónio, o jovem casal, acompanhado pelo filho de uma relação anterior de Alberto Teixeira Passos, sendo este ainda afilhado da sua madrasta, fixou residência na Ilha do Ibo, província de Cabo Delgado, Moçambique. Cinco anos mais tarde, após a queda do regime democrático português e a crise subsequente, o seu marido perdeu o emprego e os três mudaram-se para Faro e posteriormente para Vila Real, terra natal de Alberto Teixeira Passos. Em 1931, o casal separou-se, sendo oficializado ainda no mesmo ano o divórcio pelo Tribunal do Porto.[5]

Separada, foi morar para Lisboa, contudo com poucos recursos financeiros e sem trabalho, um ano depois partiu para Luanda, onde viveu com os seus pais e iniciou a sua carreira literária.[6] Adoptando o apelido da sua mãe, publicou a novela Três Mulheres, num volume que continha também a aventura policial A Lenda e o Processo do Estranho Caso de Pauling, de António Pinto Quartin.[7]

Anos mais tarde voltou a Lisboa, onde iniciou um período de intensa atividade literária, produzindo obras sobre a sua vivência em África.

Em 1945, aderiu ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), grupo de oposição ao regime salazarista, sendo consequentemente as suas obras censuradas pelo Estado Novo. O romance Casa Sem Pão (1947) foi apreendido. Sem condições de viver da sua produção intelectual, refugiou-se no Brasil, onde chegou a 15 de julho de 1955.

No seu exílio, colaborou com os jornais O Estado de S. Paulo, Semana Portuguesa, Portugal Democrático e a Revista Municipal de Lisboa (1939-1973). Alternou entre a literatura de temática africana e as obras de oposição à ditadura portuguesa. Também se encontra colaboração da sua autoria na revista Portugal Colonial (1931-1937) e na na revista luso-brasileira Atlântico.[8]

Voltou para Portugal a 26 de abril de 1979, tendo sido internada na Mansão de Santa Maria de Marvila, em Lisboa, um dos maiores lares de Portugal, onde passou os seus últimos três anos de vida. Faleceu aos 83 anos de idade, a 23 de janeiro de 1982, sem deixar descendência. Encontra-se sepultada no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Três Mulheres (com Pinto Quartim Graça) - Luanda, 1935
  • África Selvagem - Lisboa, Guimarães & lda, 1935
  • Sertanejos - Lisboa, Editorial Cosmos, 1936
  • Singularidades de Um País Distante - Lisboa, Editorial Cosmos, 1936
  • Ninho de Bárbaros - Lisboa,Editorial Cosmos, 1936
  • Angola Filme - Lisboa, Editorial Cosmos,1937
  • Ida e Volta duma Caixa de Cigarros - Lisboa, Editorial O Século, 1938
  • Viagem à Roda de África - romance de aventuras infantis, Lisboa, Editorial O Século, 1938
  • Colónias Piscatórias em Angola - Lisboa, Cosmos, 1938
  • Caleidoscópio Africano - Lisboa, Edições Cosmos, 1938
  • Há dois Ladrões sem Cadastro - Lisboa, Editora Argo, 1940
  • Roteiro do Mundo Português - Lisboa, Edições Cosmos, Lisboa, 1940
  • Fauno Sovina - Lisboa, Livraria Portugália, 1941
  • Memórias da Linha de Cascais - com Branca de Gonta Colaço, Lisboa, parceria António Maria Pereira, 1943
  • Os Parques Infantis, Lisboa - Associação Nacional dos Parques Infantis, 1943
  • Ela É Apenas Mulher - com António Maria Pereira, Lisboa, 1944
  • Aristocratas - Lisboa, Editorial Aviz, 1945
  • Eu e Elas, Apontamentos de Romancista - Lisboa, Editorial Aviz, 1945
  • A Morte Veio de Madrugada - Coimbra, Coimbra Editora Lda, 1946
  • Casa Sem Pão - Lisboa, Empresa Contemporânea de Edições, 1947
  • Há-de Haver uma Lei - Lisboa, Edição da Autora, 1949
  • O Mal Não Está em Nós - Porto, Livraria Simões Lopes, 1950
  • Filosofia duma Mulher Moderna , Porto, Livraria Simões Lopes, 1950
  • Bato às Portas da Vida - Lisboa, Edições SIT, 1951
  • Nada lhe Será Perdoado - Lisboa, Edições SIT, 1953
  • A Primeira Vítima do Diabo - Lisboa, Edições SIT, 1954
  • Terras onde se fala Português - Rio de Janeiro, Ed. Casa do Estudante do Brasil, 1957
  • Os Últimos Dias do Fascismo Português - S. Paulo, Editora Liberdade e Cultura, 1959
  • África Sem Luz - São Paulo, Clube do Livro, 1962
  • Brasil, Fronteira da África - São Paulo, Felman-Rêgo, 1963
  • Herança Lusíada - Lisboa, Edições Sousa e Costa, s.d.

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • Alfacinha - comédia em 1 ato, 1949
  • Isto que Chamam Amor - drama em um ato
  • Numa Casa Abandonada - drama em um ato
  • O Poder do Dinheiro - comédia em 3 atos
  • O Leilão - drama em 3 atos[9]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Efeméride: Obra e personalidade de Maria Archer no século XX português evocadas em Lisboa. Porto Canal, 29 de março de 2012
  2. "África sem luz" - Maria Archer Arquivado em 20 de novembro de 2010, no Wayback Machine.. Novidades da Livraria - PCO
  3. «Maria Archer». Centro Virtual do Instituto Camões 
  4. «Livro de registo de baptismos da Paróquia de Almodôvar (1899)». Arquivo Distrital de Beja. p. 17, assento 33 
  5. a b Bordeira, Guilherme (25 de agosto de 2014). Acerca de Maria Archer. [S.l.]: Edições Vieira da Silva 
  6. Battista, Elisabeth (2015). Maria Archer: o legado de uma escritora viajante. [S.l.]: Edições Colibri 
  7. Cova, Anne; Ramos, Natália; Joaquim, Teresa (2004). Desafios da comparação: família, mulheres e género em Portugal e no Brasil. [S.l.]: Celta Editora 
  8. Entre a literatura e a imprensa: percursos de Maria Archer no Brasil. [S.l.]: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP. 2007 
  9. Figuras da cultura portuguesa - Maria Archer. Instituto Camões

Ligações externas[editar | editar código-fonte]