Maria Cristina, Duquesa de Teschen

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Maria Cristina
Arquiduquesa da Áustria
Retrato por Johann Zoffany, 1776
Duquesa de Teschen
Antecessor(a) José da Áustria
Sucessor(a) Alberto Casimiro
 
Marido Alberto Casimiro, Duque de Teschen
Descendência Cristina da Saxónia
Carlos, Duque de Teschen
(adotivo)
Casa Habsburgo-Lorena
Wettin
Nome completo
Maria Cristina Joana Josefa Antônia
Nascimento 13 de maio de 1742
Palácio Imperial de Hofburg, Viena, Áustria
Morte 24 de junho de 1798 (56 anos)
Viena, Áustria
Pai Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico
Mãe Maria Teresa da Áustria


Maria Cristina da Áustria (em alemão: Maria Christina Johanna Josepha Antonia von Habsburg-Lothringen; Viena, 13 de maio de 1742 - Viena, 24 de junho de 1798), chamada de "Mimi" foi a quarta filha e quinta criança de Maria Teresa da Áustria e de Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico. Foi a regente dos Países Baixos austríacos entre 1781 e 1793.

Origens[editar | editar código-fonte]

Maria Cristina quando criança 

Por Martin van Meytens, 1750

Nascida no dia 13 de maio de 1742 em Viena, Maria Cristina foi a quarta filha, mas segunda sobrevivente do imperador Francisco I e de Maria Teresa da Áustria. Era a filha preferida da mãe por partilharem a mesma data de nascimento. Mimi, além de bonita, era inteligente e artística. O favoritismo que Maria Teresa demonstrava por Cristina causava ciúmes entre os seus irmãos e irmãs, especialmente no futuro imperador José II. A primeira esposa dele, Isabel de Parma, tornou-se na sua melhor amiga e chamou a sua segunda filha de Cristina em sua honra.

Casamento[editar | editar código-fonte]

O príncipe Benedito de Saboia, seu primo directo, chegou a ser um dos maridos propostos a Maria Cristina.

Maria Cristina era uma mulher muito inteligente que sabia como manipular os seus pais, principalmente a sua mãe. A morte súbita do seu pai, Francisco I, e a depressão que atingiu Maria Teresa durante os seus primeiros anos de viuvez fizeram com que Cristina conseguisse convencer a sua mãe vulnerável e sentimental a permitir o seu casamento por amor e não por razões de Estado. Ela foi a única dos seus irmãos que teve permissão para isso. Escolheu o seu primo em segundo-grau, Alberto Casimiro, Duque de Teschen, que não tinha nem grande riqueza nem um trono para oferecer. Ele foi feito Arquiduque e governador da Hungria e o casal recebeu o Ducado de Teschen. Em 1780, o casal foi nomeado para governar em conjunto os Países Baixos austríacos. O casamento foi descrito como feliz.

Banquete na corte para a celebração do casamento de Maria Cristina e Alberto Casimiro

Por Johann Gottfried Auerbach, 1766

Relação com os irmãos[editar | editar código-fonte]

Maria Cristina com a mãe e alguns dos seus irmãos. 

Por Heinrich Friedrich Füger, 1776

Uma das suas irmãs, a arquiduquesa Maria Amália, também se apaixonou por um príncipe menor, Carlos de Zweibrucken, mas foi forçada a casar-se com o duque Fernando de Parma. A sorte que Maria Cristina teve em casar com o homem que queria fez com que o ressentimento das suas irmãs crescesse quando este já existia devido ao favoritismo que Maria Teresa sempre mostrara por ela. Não só pôde ela casar com o príncipe que quis como também recebeu um grande dote e ainda o seu próprio ducado. Maria Amália, a filha mais afetada, ficou afastada da sua irmã até à morte da imperatriz. Apesar de Maria Antonieta lhe escrever cartas de França, Mimi não sentia o mesmo afeto que ela dava às suas outras irmãs, principalmente Maria Amália e Maria Carolina, que trocavam não só cartas, mas também vestidos, retratos e outros presentes. É interessante reparar que não foram apenas as irmãs as afetadas pelo favoritismo de Maria Teresa. O seu irmão Leopoldo também não gostava de Mimi por ser sempre direta, ter uma língua afiada e, acima de tudo, pelo seu hábito de contar tudo o que sabia à imperatriz, o que indicava claramente que ela utilizava a sua influência junto da mãe para mandar nos seus irmãos, causar-lhes problemas e tratá-los de forma pouco simpática. Ela utilizava o afeto e preferência que a sua cunhada Isabel mostrava por ela para exercer algum controlo sobre os seus sobrinhos, filhos do seu irmão e herdeiro José.

Os irmãos de Maria Cristina, principalmente as suas irmãs, nunca se reconciliaram verdadeiramente com ela, mesmo depois da morte da mãe. A rainha Maria Antonieta da França, sua irmã mais nova, ignorou-a propositadamente durante uma visita que Cristina fez à França e tratou-a apenas como qualquer outro chefe de Estado que visitasse Versalhes. O pedido de Cristina para ver o Petit Trianon, os aposentos privados da irmã, foi ignorado. Por seu lado, quando Maria Antonieta foi guilhotinada em 1793, Maria Cristina terá dito friamente que ela nunca se deveria ter casado.

Vida na Hungria[editar | editar código-fonte]

Maria Cristina

Por Martin van Meytens, Palácio de Schönbrunn, 1767

Maria Cristina e o príncipe Alberto Casimiro casaram em 8 de abril de 1766. Após seu casamento, foram concedidos o Ducado de Teschen como governantes comuns nominais. Maria Cristina ganhou um grande dote, e Alberto foi feito governador dos Países Baixos austríacos com residência em Pozsony.

A relação entre Maria Cristina e Alberto foi descrita como muito feliz. Em Pozsony, eles foram capazes de se hospedarem com uma vida em uma corte luxuosa com festas freqüentes e visitas a sua família em Viena. Eles conseguiram se popularizar entre a nobreza húngara, e se dedicaram ao seu interesse comum pela arte, o que fez Pozsony um centro de cultura durante seu tempo lá. Foi aqui que começaram sua coleção de arte, que se tornaria a famosa Coleção de Arte Albertina, com sua coleção de desenhos e gravuras. Maria Cristina manteve uma correspondência frequente com sua mãe. De 1775 a 1776, Maria Cristina e Alberto fizeram uma viagem à Itália onde visitaram seus irmãos, Leopoldo em Florença, Maria Carolina em Nápoles, Maria Amália em Parma e Fernando em Milão, depois que relatou a sua mãe sobre suas vidas. Eles também visitaram o Papa Pio VI.

Regente dos Países Baixos austríacos[editar | editar código-fonte]

Em 1780, depois da morte de Carlos Alexandre de Lorena, Maria Cristina e o seu marido foram nomeados como governadores dos Países Baixos austríacos. Ela manteve a sua posição por um período de doze anos, desde 1781 até 1793.

O casal partilhava interesse por arte e ordenou a construção do Palácio Real de Laeken entre 1782 e 1784. Em 1793, foram forçados a fugir para Viena durante a Revolução Francesa.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Maria Cristina teve apenas uma filha, a princesa Cristina da Saxónia, que morreu no dia 17 de maio de 1767, um dia depois do seu nascimento. Depois não conseguiu ter mais filhos. O casal adoptaria mais tarde o sobrinho de Mimi, filho do seu irmão Leopoldo e da princesa Maria Luísa da Espanha (que morreram ambos em 1792, muito novos), o arquiduque Carlos da Áustria-Teschen.

Morte e enterro[editar | editar código-fonte]

Maria Cristina encontra-se enterrada no espaço Toscano da Cripta Imperial em Viena, juntamente com o seu marido e filha. O famoso e comovente monumento de Canova, que o seu marido construiu em sua memória, encontra-se na Augustinerkirche.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Referências

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