Maria Feodorovna (Dagmar da Dinamarca)

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Maria Feodorovna
Princesa da Dinamarca
Imperatriz Consorte da Rússia
Reinado 13 de março de 1881
a 1 de novembro de 1894
Coroação 27 de março de 1883
Predecessora Maria de Hesse e Reno
Sucessora Alice de Hesse e Reno
 
Marido Alexandre III da Rússia
Descendência Nicolau II da Rússia
Alexandre Alexandrovich da Rússia
Jorge Alexandrovich da Rússia
Xenia Alexandrovna da Rússia
Miguel Alexandrovich da Rússia
Olga Alexandrovna da Rússia
Casa Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg (nascimento)
Holstein-Gottorp-Romanov (casamento)
Nome completo
Maria Sofia Frederica Dagmar
Nascimento 26 de novembro de 1847
  Mansão Amarela, Copenhague, Dinamarca
Morte 13 de outubro de 1928 (80 anos)
  Hvidøre, Klampenborg, Dinamarca
Enterro Catedral de Pedro e Paulo, São Petersburgo, Rússia
Religião Igreja Ortodoxa Russa
(anteriormente Luteranismo)
Pai Cristiano IX da Dinamarca
Mãe Luísa de Hesse-Cassel
Brasão

Maria Feodorovna (Copenhague, 26 de novembro de 1847 – Klampenborg, 13 de outubro de 1928), nascida como princesa Dagmar da Dinamarca, foi a esposa do imperador Alexandre III e Imperatriz Consorte do Império Russo de 1881 até 1894. Era a quarta filha, a segunda menina, do rei Cristiano IX da Dinamarca e sua esposa a princesa Luísa de Hesse-Cassel.

Depois do seu casamento com Alexandre, tornou-se imperatriz-consorte e mudou o nome para Maria Feodorovna Romanova (em russo: Mapия Фёдopoвна Романова). Entre os seus filhos encontrava-se o último imperador da Rússia, Nicolau II que acabou por ser assassinado dez anos antes de Maria morrer.

Nascimento e infância[editar | editar código-fonte]

Dagmar (á direita) em criança, com a sua irmã Alexandra

A princesa Maria Sofia Frederica Dagmar,[1] ou Minnie, como a família mais chegada lhe chamava, nasceu no Palácio Amarelo, um palacete citadino do século XVIII localizado ao lado do Palácio de Amalienborg em Copenhaga.[2] O seu pai era o príncipe Cristiano de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg e a sua mãe a princesa Luísa de Hesse-Cassel.[3] Apesar de ter sangue real,[4] a sua família vivia uma vida relativamente normal. Não eram muito ricos, o rendimento do seu pai vinha da comissão no exército e era de oitocentas libras por ano e viviam numa casa emprestada pela coroa dinamarquesa.[5] Por vezes o escritor Hans Christian Andersen era convidado ao palácio para ler histórias às crianças antes de elas irem dormir.[6]

Em 1848, o rei Cristiano VIII da Dinamarca morreu e o seu único filho, Frederico, subiu ao trono. Frederico não tinha filhos apesar de se ter casado duas vezes, pelo que se assumia que fosse infértil. Iniciou-se então uma crise de sucessão, visto que Frederico reinava tanto na Dinamarca como nos ducados de Schleswig-Holstein e estes tinham leis de sucessão distintas. Em Holstein, a lei sálica impedia que o trono fosse herdado através da linha de sucessão feminina enquanto que na Dinamarca não havia qualquer impedimento nesse sentido. Holstein, sendo um ducado predominantemente alemão, queria a independência e pediu ajuda à Prússia. Em 1852, as grandes potências convocaram uma conferência em Londres para discutir a sucessão dinamarquesa. Foi assinado um tratado de paz pouco seguro que incluia a garantia de que Cristiano seria o herdeiro de Frederico e que todos os outros membros da família real dinamarquesa que tivessem direitos de sucessão teriam de desistir deles.[7][8]

O príncipe Cristiano recebeu o título de príncipe da Dinamarca e a sua família mudou-se para uma nova residência oficial, o Palácio de Bernstorff. Apesar do estatuto da família ter aumentado, houve pouca diferença nos seus rendimentos e não frequentavam a corte em Copenhaga, visto que os pais de Dagmar se recusavam a conhecer a terceira esposa e antiga amante do rei Frederico, Louise Rasmussen, por esta ter um filho ilegítimo do seu antigo amante.[9] Dagmar partilhava um quarto no sótão com a sua irmã mais nova, Alexandra, que depois se tornaria rainha do Reino Unido, fazia as suas próprias roupas e punha a mesa com a ajuda das suas irmãs.[10] Dagmar teve aulas de natação na companhia da sua irmã Alexandra dadas pela sueca Nancy Edberg, uma pioneira na natação feminina.[11] Mais tarde, Dagmar recebeu Edberg na Rússia, onde esta recebeu uma bolsa para dar aulas de natação a mulheres.

Noivados e casamento[editar | editar código-fonte]

Dagmar, princesa da Dinamarca um em sua juventude, c. 1864

O fortalecimento da ideologia do paneslavismo no Império Russo levou o czar Alexandre II da Rússia a procurar uma noiva para o seu filho mais velho, Nicolau, fora dos estados alemães que tinham sido a principal fonte de imperatrizes em anos anteriores. Em 1864, Nicolau (conhecido por “Nixa” na família) foi até à Dinamarca onde se apaixonou e ficou noivo da princesa Dagmar. Contudo, a 22 de abril de 1865, acabaria por morrer subitamente de tuberculose e, como último desejo, pediu que Maria se casasse com o seu irmão mais novo, Alexandre. Maria ficou muito perturbada com a morte repentina do seu jovem noivo e regressou de coração partido à Dinamarca onde os seus parentes se mostraram verdadeiramente preocupados com a sua saúde. Dagmar já se tinha aficionado à Rússia e o remoto país não lhe saía do pensamento nos longos dias que passou na sua terra natal. O desastre da morte de “Nixa” fez com que ela se tornasse muito próxima dos pais dele, os imperadores da Rússia, e chegou mesmo a receber uma carta de Alexandre II onde ele a tentava consolar. O czar disse-lhe, em palavras afectuosas que esperava que ela ainda se considerasse um membro da família. Em junho de 1866, durante uma visita a Copenhaga, o czarevitch Alexandre pediu-a em casamento depois de ambos terem ficado durante longas horas sozinhos numa sala a ver velhas fotografias

Maria Feodorovna com o seu marido Alexandre em 1871

Dagmar deixou Copenhaga no dia 1 de setembro de 1866. O famoso escritor Hans Christian Andersen encontrava-se entre os milhares de pessoas que se foram despedir da sua Princesa ao porto da cidade. O escritor escreveu no seu diário:

A jovem princesa dinamarquesa foi recebida calorosamente em Kronstadt pelo imperador Alexandre II e toda a sua família. Recebeu imediatamente o título de grã-duquesa Maria Feodorovna da Rússia. O luxuoso casamento celebrou-se no dia 9 de novembro de 1866 na Capela Imperial do Palácio de Inverno em São Petersburgo. Depois da primeira noite de casamento, o futuro czar Alexandre III escreveu no seu diário: “Tirei os meus chinelos e o meu robe bordado a prata e senti o corpo da minha adorada ao lado do meu… Como me senti na altura, não desejo descrever aqui. Depois ficamos a conversar durante muito tempo.” Depois de muitas festas de casamento em São Petersburgo, o jovem casal instalou-se no Palácio de Anitchkov também na cidade onde passariam os quinze anos seguintes. Os verões eram passados no Palácio de Livadia, na Crimeia.

Tsesarevna[editar | editar código-fonte]

Maria Feodorovna era bonita e popular. Uma das suas primeiras prioridades foi aprender russo e tentar compreender o seu povo. Era raro interferir na vida política do país, deixando esses assuntos para o marido enquanto se dedicava aos seus trabalhos de caridade, à vida social e à sua família. A única excepção que fazia a esta regra era para demonstrar os seus sentimentos anti-germânicos que tinha adquirido quando o recém-criado Império Alemão anexou inapropriadamente territórios dinamarqueses.

Imperatriz de Todas as Rússias[editar | editar código-fonte]

Na manhã do dia 13 de março de 1881, o czar Alexandre II, de sessenta-e-dois anos, foi morto por uma bomba quando regressava ao Palácio de Inverno após uma parada militar. No seu diário, Maria Feodorovna descreveu, mais tarde, como o czar gravemente ferido foi levado até ao palácio: “As pernas dele estavam destruídas e abertas até aos joelhos. Estava coberto de sangue, com meia bota pendurada no pé direito e apenas a sola restava no esquerdo.”[12] O imperador viria a morrer algumas horas mais tarde. Apesar de a população não gostar particularmente no novo czar, adoravam a sua esposa. Tal como os contemporâneos diziam sobre ela: “É uma verdadeira imperatriz.” No entanto ela não ficou particularmente feliz com o seu novo estatuto e escreveu no seu diário: “Os nossos tempos de felicidade e serenidade acabaram. A minha paz e calma desapareceram e, por agora, apenas me vou poder preocupar com o Sasha [Alexandre III].”[13]

Alexandre e Maria foram coroados no Kremlin de Moscovo a 27 de maio de 1883. Apenas algumas horas antes da cerimónia tinha sido descoberta uma tentativa de conspiração que ensombrou as celebrações. Mesmo assim cerca de oito mil convidados apareceram na resplandecente cerimónia. Devido às muitas ameaças contra o czar e Maria, o chefe da polícia de segurança, o general Cherevin, sugeriu que a família imperial se mudasse da sua residência em São Petersburgo para o Palácio de Gatchina em Czarskoe Selo, uma localização mais segura a cerca de cinquenta quilómetros da capital. O enorme palácio tinha novecentas divisões e foi construído pela czarina Catarina II da Rússia. Os Romanov seguiram o conselho e viveram lá durante treze anos, sendo aí que os seus filhos passaram grande parte da sua infância e juventude.

Coroação de Maria Feodorovna e do Czar Alexandre III em 1883

Sob a vigilância pesada da guarda, Alexandre III e Maria faziam viagens periódicas entre Gatchina e a capital para participar em eventos oficiais. Maria adorava organizar grandes bailes no Palácio de Inverno e, quando não se podia deslocar a São Petersburgo, transferia as festividades para Czarskoe Selo. Alexandre tinha o costume de animar os bailes da esposa com os seus números musicais que executava com a ajuda dos primos, embora, na maioria das vezes, acabasse por os dispensar para actuar sozinho. Quando isso acontecia, Maria sabia que a festa tinha acabado.[14]

Durante o reinado de Alexandre III, os opositores à monarquia desapareceram rapidamente, perecendo às ordens do czar. Um grupo de estudantes que tinha planeado o seu assassinato no sexto aniversário da morte do pai, na catedral da Fortaleza de São Pedro e São Paulo em São Petersburgo foi preso e mais tarde executado. Entre eles encontrava-se o irmão mais velho de Vladimir Lenine, Alexandre, e foi a sua morte que motivou o futuro líder soviético a esforçar-se para preparar uma revolução contra o regime que se concretizaria em 1917.

Quando a irmã mais velha de Maria, Alexandra, visitou Gatchina em julho de 1894, ficou surpreendida ao ver o fraco aspecto do seu cunhado Alexandre. Parecia que tinha encolhido. A cor das suas bochechas tinha desaparecido e já não tinha o mesmo humor. Na altura Maria já sabia há muito que o seu marido estava doente e que não tinha muito mais tempo de vida. Agora as suas atenções estavam centradas no seu filho mais velho, Nicolau, uma vez que era nele que recaiam tanto o futuro do país como o da sua família e dinastia.

Há muito tempo que o futuro czar demonstrava a sua intenção de se casar com a princesa Alice de Hesse-Darmstadt, uma princesa alemã. Nem Alexandre III nem ela aprovavam esta união. Nicolau resumiu a situação no seu diário: “Eu quero ir numa direcção e é bem claro que a mamã quer que eu siga o caminho oposto – o meu sonho é, um dia, casar-me com a Alice.”[15] Maria e Alexandre achavam Alice tímida e um tanto peculiar. Preocupavam-se com o facto de ela não demonstrar de todo o perfil certo para se tornar imperatriz da Rússia. Eles já a conheciam desde criança e tinham ficado com a impressão de que ela era histérica e pouco equilibrada emocionalmente. Quando perceberam que não conseguiam fazer o filho mudar de ideias e a morte de Alexandre se tornava evidente, permitiram relutantemente o casamento.[16]

Morte do marido e reinado do filho[editar | editar código-fonte]

Maria com o marido Alexandre

No dia 1 de novembro de 1894, Alexandre III morreu com apenas 49 anos em Livadia. No seu diário, Maria escreveu: “Estou completamente destroçada e infeliz, mas o sorriso maravilhoso e a expressão de paz no rosto dele que apareceu depois, deram-me força.”[17] Durante algum tempo Maria ficou inconsolável. A sua irmã Alexandra e o cunhado Eduardo chegaram à Rússia poucos dias depois. O príncipe de Gales planeou o funeral de Alexandre e também arranjou uma data para o casamento da sua sobrinha Alice (que tinha mudado o nome para Alexandra depois de se converter à religião ortodoxa) e do sobrinho e novo czar, Nicolau II.

O príncipe Félix Yussupov, casado com a princesa Irina Alexandrovna, uma das suas netas, notou a influência que a imperatriz viúva tinha dentro da família Romanov. Sergei Witte, Primeiro-Ministro do filho, elogiou as suas capacidades diplomáticas. Apesar de tudo ela nunca se deu bem com a sua nora Alexandra Feodorovna que culpou por muitos dos problemas do desastroso reinado do seu filho Nicolau.

Assim que aceitou a morte de Alexandre III, Maria voltou à sua personalidade vivaz e via o futuro com confiança, escrevendo no seu diário: “Tudo vai correr bem.” Já vivia na Rússia há vinte-e-oito anos, incluindo os treze anos em que fora imperatriz, e ainda a esperavam outros trinta-e-quatro como viúva e mãe do czar. Os seus últimos dez anos de vida foram passados no exílio. No final de Novembro de 1894, Maria mudou-se novamente para o Palácio de Anichkov em São Petersburgo onde viveria até ao rebentar da revolução de 1917. Aos poucos passou a viver mais livremente, uma vez que já não era uma figura central e tinha deixado de ter interesse para os revolucionários. Em finais de 1916, Maria deixou São Petersburgo e passou a viver no Palácio de Mariinsky em Kiev. Nunca mais voltaria à cidade.

Maria Feodorovna, que também detinha uma pequena propriedade em Langinkoski, também visitava a Finlândia com frequência. Durante o primeiro período de russificiação do território, Maria tinha tentado fazer com o seu filho parasse com a violação da autonomia do grão-ducado e retirar o odiado governador-geral Brobrikov da Finlândia para o colocar noutro cargo na Rússia. Durante o segundo período de russificação, no início da Primeira Guerra Mundial, Maria mostrou que não concordava com o que estava a acontecer oa longo de uma viagem de comboio que realizou por toda a Finlândia a caminho de São Petersurgo. Para mostrar a sua reprovação, ordenou que uma orquestra tocasse a marcha do Regimento Pori e o hino finlandês "O Nosso País", que eram expressamente proíbidos na altura.

Revolução e exílio[editar | editar código-fonte]

Maria Feodorovna com os filhos Jorge, Miguel e Olga

A revolução chegou à Rússia em fevereiro de 1917. Depois de se encontrar com o seu filho que tinha abdicado ao trono em Mogilev, Maria ficou durante algum tempo em Kiev, continuando o seu trabalho com a Cruz Vermelha. Quando se tornou demasiado perigoso continuar lá, foi para a Crimeia com um grupo de outros refugiados Romanov. No mar Negro chegaram-lhe os rumores de que o seu filho mais velho, a nora e netos tinham sido executados pelos bolcheviques, contudo rejeitou-os, considerando-os apenas rumores.

No dia em que o czar e a família foram assassinados, Maria recebeu um mensageiro de Nicolau, "um homem comovente" que lhe contou como a vida do filha e da família estava a ser difícil em Ekaterinburg. "E ninguém os pode ajudar ou libertar - só Deus! Senhor, salva o meu pobre e desafortunado Nicky, ajuda-o nas suas dificuldades!"[18] No seu diário, tentou reconfortar-se: "Tenho a certeza que todos sairam da Rússia e agora os bolcheviques estão a tentar esconder a verdade."[19] Segurou-se firmemente a esta convicção até à sua morte. A verdade era demasiado difícil de aceitar. As cartas que enviou ao filho mais velho e à família perderam-se quase todas, mas numa das que sobreviveu, escreveu a Nicolau: “Sabes que os meus pensamentos e rezas nunca te abandonam. Penso em ti de dia e de noite e às vezes sinto o coração tão pesado que já não consigo aguentar. Mas Deus é piedoso Ele vai-nos dar força para sobreviver a este terrível momento.” A filha mais nova de Maria, Olga Alexandrovna, disse mais tarde sobre o assunto: “No entanto tenho a certeza, no fundo do coração que a minha mãe acabou por aceitar a verdade poucos anos antes de morrer.

Apesar da queda da monarquia em 1917, a imperatriz Maria recusou-se, a princípio, deixar a Rússia. Apenas em 1919, depois dos pedidos da sua irmã Alexandra, decidiu partir, ainda que contrariada, embarcando num navio de guerra fornecido pelo seu sobrinho Jorge V do Reino Unido até Londres e, mais tarde, para o seu país natal, a Dinamarca. Até ao final dos seus dias viveu na sua “villa” de férias em Hvidøre, perto de Copenhaga. Apesar de Alexandra se dar bem com a sua irmã e ambas passarem as férias juntas no Reino Unido, Maria achava que tinha sido renegada para o segundo plano.

Na Dinamarca também estavam muitos exilados da Rússia. Para eles, Maria continuava a ser a imperatriz. As pessoas respeitavam-na muito e valorizavam-na, pedindo-lhe muitas vezes ajuda. A Assembleia Monárquica de Todas as Rússias ofereceu-lhe o lugar-tenente do trono russo. Maria recusou a oferta, disse não querer interferir em jogos políticos e deu uma resposta evasiva: "Ninguém viu o Nicky morto". Pagou ao investigador Nikolai Sokolov que investigou as circunstâncias da morte da família do czar. Os dois nunca se chegaram a encontrar. À última da hora, a grã-duquesa Olga enviou um telegrama para Paris, pedindo para cancelar o encontro, uma vez que seria demasiado duro para Maria, que estava velha e doente, ouvir a história terrível do que tinha acontecido ao filho e à família.[20]

Morte e enterro[editar | editar código-fonte]

Caixão de Maria Feodorovna

Em novembro de 1925, a irmã favorita de Maria, a Alexandra da Dinamarca, morreu. Para Maria foi uma perda fácil de aguentar. “Estava pronta para ir ter com o Criador”, escreveu ao seu genro, o grão-duque Alexandre Mikhailovich. No dia 13 de outubro de 1928, em Hvidøre, Maria morreu aos oitenta anos de idade, tendo vivido mais do que quatro dos seus seis filhos.

Depois dos serviços fúnebres em Copenhaga na Igreja Ortodoxa, a imperatriz foi enterrada na Catedral de Roskilde. Em 2005, a rainha Margarida II da Dinamarca e o presidente Vladimir Putin da Rússia juntamente com os seus respectivos governos decidiram que os restos mortais de Maria Feodorovna pertenciam à Rússia. O seu último desejo de ser enterrada junto do seu marido, Alexandre III na catedral da Fortaleza de São Pedro e São Paulo realizou-se no dia 28 de setembro de 2006, cento-e-quarenta anos depois da sua chegada ao país e quase setenta-e-oito anos depois da sua morte. Antes, foram realizadas várias cerimónias, entre 23 e 28 de setembro em sua honra, incluindo a inauguração de uma estátua construída nos jardins do Palácio de Peterhof, os seus preferidos. O funeral, no qual estiveram presentes importantes figuras de Estado, incluindo o príncipe e a princesa-herdeira da Dinamarca, bem como o príncipe Miguel de Kent e a sua esposa Marie-Christine von Reibnitz, aconteceu com alguma turbulência. A multidão que se tinha reunido à volta do caixão era tão numerosa que um jovem diplomata dinamarquês caiu na campa antes do caixão ser enterrado.[21]

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

O telefilme Anastasia: The Mystery of Anna, no qual a imperatriz Dagmar é representada por Olivia de Havilland mostra-a durante uma reunião com Anna Anderson, a mulher que dizia ser a sua neta mais nova, a grã-duquesa Anastásia. Não existem provas de que ela tenha alguma vez pensado em encontrar-se com ela (ou sequer que a operária polaca tenha pedido um encontro com a sua suposta avó). Além deste telefilme, Maria Feodorovna também apareceu em ambas as versões de “Anastasia” (de 1956 e 1997), sendo em 1956 interpretada por Helen Hayes e em 1997 a sua voz foi emprestada por Angela Lansbury. No filme de 1971, Nicolau e Alexandra, foi interpretada por Irene Worth, e a sua personagem também aparece na mini-série de 13 episódios, Edward the Seventh que conta a história do seu cunhado.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Em 9 de novembro de 1866, Dagmar casou-se com o czar Alexandre III da Rússia, adoptando o nome de Maria Feodorovna.

Nome Retrato Nascimento Casamento Morte
Nicolau II da Rússia Mikola II.jpg 18 de maio de 1868 Alice de Hesse e Reno 17 de julho de 1918 (50 anos)
Alexandre Alexandrovich da Rússia Alexander russia.jpg 7 de junho de 1869 2 de maio de 1870 (10 meses)
Jorge Alexandrovich da Rússia George Alexandrovich of Russia by V.P.Mischenko (1892).jpg 9 de maio de 1871 9 de agosto de 1899 (28 anos)
Xenia Alexandrovna da Rússia Grand Duchess Xenia.jpg 6 de abril de 1875 Alexandre Mikhailovich da Rússia 20 de abril de 1960 (85 anos)
Miguel Alexandrovich da Rússia Mihail II (2).jpg 22 de novembro de 1878 Natalia Brassova 12 de junho de 1918 (39 anos)
Olga Alexandrovna da Rússia Grand Duchess Olga Alexandrovna wearing the traditional dress of the Russian court.JPG 6 de junho de 1882 Pedro Alexandrovich de Oldemburgo Nikolai Kulikovsky 24 de novembro de 1960 (78 anos)

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Seu nome, em dinamarquês, era Marie Sophie Frederikke Dagmar
  2. Eilers, Marlene A., Queen Victoria's Descendants, p. 171.
  3. Montgomery-Massingberd, Hugh (ed.) (1977). Burke's Royal Families of the World, Volume 1. (London: Burke's Peerage). ISBN 0-220-66222-3. pp. 69–70.
  4. Os seus pais eram ambos bisnetos do rei Jorge II da Grã-Bretanha.
  5. Duff, pp. 16–17.
  6. Duff, p. 18.
  7. Battiscombe, p. 8.
  8. Maclagan, Michael; Louda, Jiří (1999). Lines of Succession (London: Little, Brown). ISBN 0-85605-469-1. p. 49.
  9. Duff, pp. 19–20.
  10. Priestley, p. 17.
  11. Idun (1890): Nr 15 (121)
  12. bid p.175
  13. ibid p.176
  14. ibid, p.179
  15. ibid, p.184
  16. ibid
  17. ibid, p.185
  18. The Diaries of Empress Marie Feodorovna, p.239
  19. A Royal Family, p.197
  20. Empress Maria Fiodorovna, p.142
  21. Mand faldt ned i Dagmars grav, Nyhederne, (em dinamarquês)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Maria Feodorovna (Dagmar da Dinamarca)
Casa de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg
Ramo da Casa de Oldemburgo
26 de novembro de 1847 – 13 de outubro de 1928
Precedido por
Maria Alexandrovna
(Maria de Hesse e Reno)
Lesser CoA of the empress Maria Fiodorovna of Russia.svg
Imperatriz Consorte da Rússia
13 de março de 1881 – 1 de novembro de 1894
Sucedida por
Alexandra Feodorovna
(Alice de Hesse e Reno)