Maria Isabel da Baviera

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Maria Isabel
Princesa da Baviera
Imperatriz-Mãe Consorte do Brasil
(1937-2011)
Antecessor(a) Imperatriz Maria Pia de Bourbon
Cônjuge Príncipe Pedro Henrique
Descendência Príncipe Herdeiro Luís Gastão Pio
Eudes
Bertrand
Isabel Maria
Pedro de Alcântara
Fernando
Antônio
Eleonora
Francisco
Alberto
Maria Thereza
Maria Gabriela
Casa Casa de Wittelsbach
Nome completo
Maria Isabel Francisca Josefa Teresa
Nascimento 4 de setembro de 1914
  Palácio de Nymphenburg, Munich, Reino da Baviera, Alemanha
Morte 13 de maio de 2011 (96 anos)
  Rio de Janeiro, Brasil
Enterro Vassouras, Rio de Janeiro
Pai Príncipe Francisco (Franz) da Baviera
Mãe Princesa Isabelle de Croÿ


Maria Isabel Francisca Teresa Josefa de Wittelsbach e Croy-Solre (em alemão: Maria Elisabeth Franziska Theresia Josepha von Wittelsbach und Croy-Solre), (Munique, 9 de setembro de 1914 - Rio de Janeiro, 13 de maio de 2011)[1][2] Princesa Senhora Dona da Baviera e, de jure, Imperatriz-Consorte do Brasil[3] foi chamada carinhosamente pelos Monarquistas de “Imperatriz Mãe” devido ao fato de o seu filho varão primogênito, Dom Luiz, ter assumido a chefia da Casa Imperial. Nos últimos dias, a Imperatriz Mãe vivia na cidade do Rio de Janeiro, onde entregou  o espírito[4] ao Senhor na última sexta-feira, 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima[5] e da abolição da escravatura no Brasil.

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Dona Maria Isabel nasceu no Palácio Nymphenburg, Munique, então a capital do então Reino da Baviera, pertencente ao Império Alemão. A teuto-brasileira Maria Isabel era a segunda filha de Francisco, príncipe da Baviera, filho de Luís III da Baviera, último rei da Baviera, e de Isabel, princesa de Croy.

A princesa nasceu no início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e até mesmo o Príncipe Francisco, seu pai, envolveu-se na Guerra, sendo general do Exército bávaro. Teve infância e juventude bastante problemáticas em função dos regimes que foram se estabelecendo na Alemanha após o fim da guerra.

A Rainha Maria Teresa, avó de Dona Maria, herdou de sua família um riquíssimo patrimônio, que incluía propriedades na Moravia e Sárvár, na Hungria. Neste último país, num castelo de mesmo nome da localidade, Dona Maria passou a infância. Seu avô, por ameaças, teve ainda de se transferir para o Liechtenstein e para a Suíça. Neste contexto a infância da Princesa Dona Maria foi bastante conturbada e até mesmo traumática. Na década de 30, a Família retornou à Baviera e parte de seus bens foram devolvidos pelo governo republicano.

Os tempos na Alemanha entre guerras (1918-1938) foram sombrios, haja vista a Grande Depressão de 1929 e a ascensão dos nazistas, na pessoa de Adolf Hitler, no governo alemão. O tio de Maria Isabel, o príncipe Rodolfo (1869-1955), chefe da Casa Real da Baviera, declarou-se inimigo de Hitler. O Príncipe se declarou contra o regime nazista, sendo sua esposa, a Princesa Antonieta (1899-1955), nascida Princesa do Luxemburgo – irmã da Grã-Duquesa Carlota do Luxemburgo, e seus filhos, capturados em 1944 e levados para o campo de concentração de Sachsenhausen, em Oranienburg, Brandemburgo e anos mais tarde foram levados a Dachau e lá, libertados pelo exército norte-americano. A Princesa não resistiu e faleceu anos depois. A Família teve de se exilar na Itália. O nazismo ensejava a Segunda Guerra Mundial.

Lazer e talentos[editar | editar código-fonte]

A princesa Maria recebeu uma educação esmerada dos pais, além de pintora, especializada em porcelanas, arte tradicional da Baviera.

Casamento e partida para o Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 19 de agosto de 1937, a Princesa Dona Maria foi desposada na capela do Palácio Nymphenburg pelo Príncipe Dom Pedro Henrique Afonso Filipe Maria Gastão Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança, Herdeiro dos Imperadores do Brasil, Chefe da Casa Imperial, de jure, S.M.I., o Imperador Senhor Dom Pedro III do Brasil, fazendo-a princesa de Orléans e Bragança e, de jure, imperatriz do Brasil.

O tio de Dona Maria, o Príncipe Rupprecht, também presente na cerimonia, aproveitou a ocasião para mostrar sua indiferença aos comandantes nazistas, não os convidando para o enlace. O casamento de Dona Maria foi notícia também pelo fato do celebrante, o cardeal Faulhaber, arcebispo de Munique, ter aproveitado a ocasião para, no sermão, tecer críticas ao nazismo.

Impedidos pelos trágicos acontecimentos na Europa de vir ao Brasil, e conseqüentemente afetados pelas sanções impostadas pelos nazistas aos parentes e as mortes derivadas das ações daquele grupo, o casal fixou-se primeiramente em Mandelieu la Napoule, na França, onde habitava Dona Maria Pia, mãe de Dom Pedro Henrique. O ano de 1945 foi decisivo para a vida de Dona Maria, visto que precisaria deixar a Europa, onde era cercada por parentes próximos e queridos, para finalmente fixar residência no Brasil, realizando o sonho de seu marido. Em maio daquele ano o navio Serpa Pinto deixou Portugal e rumou para a América do Sul, num roteiro raro naqueles tempos de guerra. O embarque não agradou inicialmente a sogra, a Princesa Dona Maria Pia, que achava errado Dona Maria fazer esta longa viagem estando grávida.  Pelos acontecimentos da guerra e a dificuldade de se arranjar meio de transporte para o Brasil, Dona Maria Pia acabou consentindo e admitindo a necessidade da viagem.

Chegando no país se instalam primeiramente no Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis, Rio de Janeiro, e depois em uma casa no bairro do Retiro. Em 1951, D. Pedro Henrique adquire a Fazenda Santa Maria, em Jacarezinho, interior do Paraná, onde a família reside até 1964. Em 1965, muda-se com a família para Vassouras, no interior do Rio de Janeiro.

Após o falecimento do marido[editar | editar código-fonte]

Em 5 de julho de 1981, faleceu o Príncipe Dom Pedro de Alcântara, deixando viúva[6] a Princesa Dona Maria. Ascendeu a Chefia da Casa imperial o seu filho, Dom Luiz. Depois da morte do marido, a Princesa Dona Maria passou a morar num apartamento na rua Custódio Serrão, na Lagoa, na cidade do Rio de Janeiro,  com sua filha, a Princesa Dona Isabel. Nos últimos anos foi enfraquecendo lentamente, sendo sempre sustentada por sua grande religiosa. Referência da Família, a Princesa sempre foi amada pelos 12 filhos, 25 netos e também pelos pequenos bisnetos e reverenciada pelos monarquistas brasileiros. O Clube de Engenharia, há anos atrás, a considerou a Mãe do Ano.

Em 2004, foi celebrada na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro, uma missa pelo seu aniversário, celebrada pelo abade emérito de São Bento do Rio de Janeiro, dom José Palmeiro Mendes OSB, e co-celebrada pelos padres Sérgio Costa-Couto, juiz do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese do Rio de Janeiro e capelão da Glória do Outeiro, e Jorge Luís Pereira da Silva – carinhosamente conhecido na cidade do Rio de Janeiro como Padre Jorjão. Na ocasião estiveram presentes todos os seus doze filhos e inúmeros netos, fazendo com que a cerimonia fosse noticiada pela imprensa brasileira.

A Princesa Senhora Dona Maria faleceu[7] no dia 13 de maio de 2011, foi velada na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no centro de Vassouras, com missa de Corpo Presente,[8] o sepultamento ocorreu no jazigo da Família Imperial no cemitério daquela cidade.

Descendência[editar | editar código-fonte]

A vida de Dona Maria, nas condições que a divina providência lhe colocou, fizeram-na uma grande Senhora. Ícone de uma geração de grandes Damas do Gotha.

De sua união com D. Pedro Henrique ela teve doze filhos:

  1. Luís Gastão de Orléans e Bragança (1938) — Atual chefe da casa imperial brasileira, e, portanto, imperador do Brasil, de jure; sem descendência.
  2. Eudes de Orléans e Bragança (1939) — Casou-se em primeiras núpcias em 1967 (div. 1976), com Ana Maria de Moraes Barros (da aristocracia brasileira) e em segundas núpcias (civil) em 1976 com Mercedes Neves da Rocha. Com descendência.
  3. Bertrand Maria José de Orléans e Bragança (1941) — Atual príncipe imperial do Brasil, de jure, e segundo na linha de sucessão ao trono brasileiro. Sem descendência.
  4. Isabel Maria Josefa de Orléans e Bragança (1944) — É a sétima na linha de sucessão ao trono brasileiro. Sem descendência.
  5. Pedro de Alcântara Henrique de Orléans e Bragança (1945) — Casou-se em 1974 com Maria de Fátima Rocha. Com descendência.
  6. Fernando Diniz de Orléans e Bragança (1948) — Casou-se em 1975 com Maria da Graça Baere de Araújo (da aristocracia brasileira). Com descendência.
  7. Antônio João de Orléans e Bragança (1950) — É o terceiro na linha de sucessão; casou-se em 1981 com Cristina Maria Isabel de Orléans e Bragança, princesa de Ligne. Com descendência.
  8. Eleonora Maria Josefa de Orléans e Bragança (1953) — É a oitava na linha de sucessão; casou-se em 1981 com Michel de Ligne. Atualmente, ela é a princesa titular consorte de Ligne, desde 2005. Com descendência.
  9. Francisco Maria José de Orléans e Bragança (1955) — Casou-se em 1980 com Cláudia Godinho. Com descendência.
  10. Alberto Maria José de Orléans e Bragança (1957) — Casou-se em 1983 com Maritza Bokel. Com descendência.
  11. Maria Teresa de Orléans e Bragança (1959) — Casou-se em 1995 com Johannes de Jong (da aristocracia neerlandesa). Com descendência.
  12. Maria Gabriela de Orléans e Bragança (1959) — Gêmea da precedente. Casou-se em 2003 com Theodoro de Hungria Machado (tendo se divorciado em 2005). Sem descendência.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Maria Isabel da Baviera em três gerações
Maria Isabel da Baviera Pai:

Francisco da Baviera

Avô paterno:

Luís III da Baviera

Bisavô paterno:

Leopoldo, Príncipe Regente da Baviera

Bisavó paterna:

Augusta Fernanda da Áustria-Toscana

Avó paterna:

Maria Teresa da Áustria-Este

Bisavô paterno:

Fernando Carlos da Áustria-Este

Bisavó paterna:

Isabel Francisca da Áustria-Toscana

Mãe:

Isabel de Croÿ

Avô materno:

Carlos Alfredo 12º, duque de Croÿ

Bisavô materno:

Rodolfo, 11º duque de Croÿ

Bisavó materna:

Natália de Ligne

Avó materna:

Ludmila de Arenberg

Bisavô materno:

Engelberto Augusto, 8º duque de Arenberg

Bisavó materna:

Leonor, princesa de Arenberg

Títulos[editar | editar código-fonte]

Brasão Imperial de D. Maria Isabel da Baviera
  • S.A.I.R. Maria Isabel de Wittelsbach, Princesa da Baviera.
  • S.M.I. D. Maria Isabel de Orléans e Bragança, imperatriz-Consorte do Brasil, de jure.

Honras

  • Dama Grã-Cruz de todas as Ordens Imperais e das Ordens de Santa Isabel, de Portugal, de Santa Teresa, da Baviera, da Ordem Constantiniana de São Jorge, da Casa Real de Bourbon Duas-Sícilias.
  • Dama grã-cruz de Justiça de todas as ordens imperiais brasileiras

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]