Maria Nilde Mascelani

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Maria Nilde Mascellani (São Paulo,3 de abril de 1931 — São Paulo, 19 de dezembro de 1999) foi uma educadora brasileira.

Desde a adolescência, foi vítima de artrite reumatoide e, quando adulta, tinha dificuldades para caminhar e só suportava as crises de dor à base de analgésicos.

Foi chamada pelo então Secretário de Educação do Estado de São Paulo, Luciano Carvalho, para participar de uma comissão de educadores com a finalidade de elaborar um projeto educacional que privilegiasse a vocação do aluno e de sua comunidade. Então, em 1961 foi criado o S.E.V., Serviço de Ensino Vocacional, do qual Maria Nilde assumiu a coordenação até sua extinção, em 1969.

Os Ginásios Vocacionais (GVs), ofereciam ensino em período integral para o então 1° ciclo secundário de quatro anos. Seis unidades do Vocacional foram criadas: em 1962, foram fundadas as unidades de São Paulo, Americana e Batatais. Em 1963, as unidades de Rio Claro e Barretos, e enfim a unidade de São Caetano do Sul em 1968. A revolucionária proposta pedagógica dos Ginásios Vocacionais utilizava estratégias de integração curricular, como os estudos do meio, projetos de intervenção na comunidade e planejamento curricular através da pesquisa junto à comunidade. Os GVs eram instalados a partir de sondagens das características culturais e socioeconômicas da localidade.

Maria Nilde sofreu repressões do governo da época, pois rejeitava imposição na contratação de funcionários, bem como pedidos de vagas para alunos que não tinham passado pelo processo seletivo, principalmente oriundos do alto escalão do regime militar. Com o AI-5, a escola passou a sofrer ainda mais com as limitações impostas. Em 18 de janeiro de 1974, Maria Nilde foi presa, com seus companheiros do RENOV, uma entidade de assessoria educacional que foi criada depois que ela passou a ser impedida de trabalhar nos GVs. Na prisão, a professora foi submetida a torturas. [1] Acusada de ter redigido um relatório considerado subversivo, denominado Educação Moral e Cívica e escalada fascista no Brasil, sobre a obrigatoriedade do ensino de Educação Moral e Cívica no país, a partir de 1971, a ex-coordenadora do Ensino Vocacional do Estado de São Paulo foi absolvida pelo Conselho Permanente da 2ª Auditoria de Guerra da Justiça Militar em São Paulo, em 6 de junho de 1977. O documento fora encomendado pelo Conselho Mundial de Igrejas, sediado em Genebra, Suíça.[2][3]

A professora teve o direito de voltar a lecionar em São Paulo por ato do governador Franco Montoro, em 1984.

Maria Nilde faleceu na cidade de São Paulo, no dia 19 de dezembro de 1999, aos 68 anos, em consequência de um infarto agudo.

Referências

  1. FESTER, Antonio Carlos Ribeiro. Justiça e paz: memórias da Comissão de São Paulo, p. 69. São Paulo: Loyola, 2005.
  2. Relembrando Maria Nilde, exemplo de luta. Por Diógenes Gobbo.
  3. Absolvidos autores de livro subversivo. Diário Popular, 7 de junho de 1977.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]